{"id":2974,"date":"2018-08-04T00:09:04","date_gmt":"2018-08-04T03:09:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2974"},"modified":"2018-08-04T00:09:14","modified_gmt":"2018-08-04T03:09:14","slug":"os-ladroes-de-almas-do-sertao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/08\/04\/os-ladroes-de-almas-do-sertao\/","title":{"rendered":"OS LADR\u00d5ES DE ALMAS DO SERT\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p>Sem o p\u00e1ssaro preto, o cardeal, o azul\u00e3o, o sabi\u00e1, o sanha\u00e7o, os periquitos, o galo de campina, o caboclinho, o papa capim, a coleira, as araras azuis, os papagaios, os tico-ticos, a nambu, a perdiz e outros animais silvestres da fauna como o tatu, o tei\u00fa e o veado, o nosso velho sert\u00e3o, cansado e castigado por estiagens e a\u00e7\u00f5es dos homens, fica sem a sua verdadeira alma e vira um esquel\u00e9tico espantalho fantasmag\u00f3rico.<\/p>\n<p>Se alma \u00e9 vida, quem vai cantar o sert\u00e3o verde e renovado com as chuvas? Quem vai brindar com seus voos e agradecer a ben\u00e7\u00e3o divina das \u00e1guas ca\u00eddas l\u00e1 dos c\u00e9us? Sem melodia e sem o estribilho das aves, a caatinga perde sua maior beleza e se torna um bioma sem ternura e sem os mist\u00e9rios da vida. N\u00e3o basta a sua aterradora desertifica\u00e7\u00e3o que se vem processando h\u00e1 anos?<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/AVES.jpeg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2975\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/AVES.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/AVES.jpeg 400w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/AVES-300x225.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Prender seus p\u00e1ssaros e arranc\u00e1-los do conv\u00edvio do seu lar \u00e9 o mesmo que extirpar a alma do sert\u00e3o. Nas gaiolas eles n\u00e3o cantam e fazem festa, lamentam a dor do cativeiro como o negro escravo do Alabama nas fazendas de algod\u00e3o, ou no Nordeste nos engenhos de canas de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Contra estes ladr\u00f5es de almas e assassinos da fauna sertaneja, ainda bem que esta esp\u00e9cie de bioma, a \u00fanica no mundo, tem contado com a a\u00e7\u00e3o do Instituto do Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos da Bahia-Inema, do Ibama e dos movimentos ambientalistas em parceria com as pol\u00edcias civil, militar e at\u00e9 a federal, como ocorreu recentemente (dias 24 a 28 de julho) em Senhor do Bonfim, no nordeste do estado.<\/p>\n<p>L\u00e1 est\u00e1 a m\u00e3o severa do primo Washington Mac\u00e1rio de Oliveira, do Inema, com seus not\u00e1veis casos de disfarces para agarrar os criminosos do sert\u00e3o. Como xerife dur\u00e3o que visita os mais long\u00ednquos lugares da Bahia, n\u00e3o costuma perder viagem, seja no campo em pontos mais escondidos ou nas feiras das cidades. Seu maior prazer \u00e9 soltar os bichos, para raiva dos ca\u00e7adores.<\/p>\n<p><!--more--> Em Senhor do Bonfim, tudo ocorreu na bem montada opera\u00e7\u00e3o que teve como alvo principal o tr\u00e1fico de animais silvestres. Os traficantes s\u00e3o bem astutos e sagazes, mas dessa vez, como em outras ocasi\u00f5es, ca\u00edram na arapuca que eles mesmos armam na caatinga.\u00a0Cerca de 500 esp\u00e9cies de aves da nossa fauna brasileira, como as citadas acima, foram apreendidas. Nem tudo est\u00e1 perdido neste nosso pa\u00eds. Estas a\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m t\u00eam acontecido em outras regi\u00f5es da Bahia, como em Paulo Afonso onde a ararinha azul tenta sobreviver.<\/p>\n<p>Como sempre, os p\u00e1ssaros apreendidos foram levados para um centro de avalia\u00e7\u00e3o onde passar\u00e3o por uma triagem. Ap\u00f3s an\u00e1lise e os devidos tratamentos, as almas do sert\u00e3o v\u00e3o ser devolvidas ao seu habitat natural. Mesmo com a Lei de Crimes Ambientais 9.605\/98 que em seu Art\u00b0 29 sentencia como crime matar, perseguir, ca\u00e7ar, apanhar, utilizar esp\u00e9cimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migrat\u00f3ria, sem a devida permiss\u00e3o, licen\u00e7a ou autoriza\u00e7\u00e3o da autoridade competente, os homens continuam a agir e a cometer seus desatinos contra a natureza.<\/p>\n<p>Est\u00e3o sujeitos a multa que variam de 500 a 5.000 reais por cada p\u00e1ssaro apreendido, de acordo com o Decreto 6.514\/08, que regulamenta a Lei de Crimes Ambientais.<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse o crime contra os p\u00e1ssaros, a opera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m flagrou \u00e1reas de desmatamento, barramentos irregulares e degrada\u00e7\u00e3o de nascentes. Os identificados foram autuados em atos administrativos emitidos pelo Inema, de acordo com o Decreto Estadual 14.024-12, artigo 254, inciso I par\u00e1grafo \u00fanico.<\/p>\n<p>As fiscaliza\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas contra estes agressores do meio ambiente v\u00e3o prosseguir, ainda mais repressivas. O cerco tem que continuar para que o nosso sert\u00e3o viva com sua alma, e o homem tome consci\u00eancia de que sem a preserva\u00e7\u00e3o da natureza ele tamb\u00e9m \u00e9 uma esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 se vem verificando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem o p\u00e1ssaro preto, o cardeal, o azul\u00e3o, o sabi\u00e1, o sanha\u00e7o, os periquitos, o galo de campina, o caboclinho, o papa capim, a coleira, as araras azuis, os papagaios, os tico-ticos, a nambu, a perdiz e outros animais silvestres da fauna como o tatu, o tei\u00fa e o veado, o nosso velho sert\u00e3o, cansado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2974"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2974"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2974\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2976,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2974\/revisions\/2976"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2974"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2974"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2974"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}