{"id":2839,"date":"2018-05-01T00:14:24","date_gmt":"2018-05-01T03:14:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2839"},"modified":"2018-05-01T00:14:34","modified_gmt":"2018-05-01T03:14:34","slug":"o-mundo-grego-as-diferencas-entre-atenas-e-esparta-final","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/05\/01\/o-mundo-grego-as-diferencas-entre-atenas-e-esparta-final\/","title":{"rendered":"&#8220;O MUNDO GREGO&#8221; &#8211; As Diferen\u00e7as entre Atenas e Esparta (Final)"},"content":{"rendered":"<p>No cap\u00edtulo \u201cAtenas e Esparta\u201d, de \u201cO Mundo Grego\u201d, o autor A.H.M.Jones mostra as diferen\u00e7as entre as duas cidades que sempre lutaram pela lideran\u00e7a da Gr\u00e9cia. Atenas, progressista e democrata, possu\u00eda um centro comercial e industrial (azeite de oliveira) com seu porto Pireu, um dos maiores do Mediterr\u00e2neo. Era uma potencia naval. Cheia de estrangeiros, o povo embelezou a cidade com templos e soberbas est\u00e1tuas. Produziu grandes trag\u00e9dias atrav\u00e9s de \u00c9squilo, Sof\u00f3cles e Eur\u00edpedes, al\u00e9m das com\u00e9dias de Arist\u00f3fanes, e foi ber\u00e7o de historiadores como Tuc\u00eddides e fil\u00f3sofos do quilate de S\u00f3crates, Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles.<\/p>\n<p>A Atenas democrata exalava liberdade de palavra e de a\u00e7\u00e3o (o direito de se pensar e dizer o que se desejasse, mas dentro dos limites da lei). Plat\u00e3o dizia que em consequ\u00eancia desse estado de coisas, os cidad\u00e3os s\u00e3o diferentes, ao inv\u00e9s de se conformarem a um tipo ideal. P\u00e9ricles louvava a liberdade individual. Com isso, Arist\u00f3fanes produzia com\u00e9dias que ridicularizavam as institui\u00e7\u00f5es e at\u00e9 fil\u00f3sofos publicavam seus ataques ao ideal democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Existiam discord\u00e2ncia, inclusive contra Plat\u00e3o que afirmava que o governo era uma arte dif\u00edcil, que devia ser limitada aos peritos, homens inteligentes, dispondo de poder sem prestar contas a ningu\u00e9m. Em Atenas, os conselhos eram escolhidos anualmente por sorte e nenhum cidad\u00e3o poderia servir por mais de duas vezes em toda a sua vida. Como seria bom se acontecesse isso no Brasil! Ser\u00e1 uma utopia?<\/p>\n<p>Os tribunais decidiam os casos privados e realizavam exames rotineiros dos magistrados ao t\u00e9rmino de seus mandatos, julgavam os impedimentos dos generais e pol\u00edticos e eram \u00e1rbitros de quest\u00f5es constitucionais. Os 350 magistrados eram quase todos escolhidos por sorteios. Ningu\u00e9m podia ocupar o posto por duas vezes.<\/p>\n<p>S\u00f3crates n\u00e3o concordava com esse tipo de escolha, mas o sorteio era feito entre os cidad\u00e3os que nele se inscrevessem. O povo exigia um padr\u00e3o elevado dos inscritos. Depois de um ano de mandato, qualquer um poderia acusar o magistrado de m\u00e1 conduta, se fosse o caso. O sal\u00e1rio era equivalente a de um trabalhador bra\u00e7al. Nenhum cidad\u00e3o podia ganhar a vida com o sal\u00e1rio do Estado. Mais outra vez, uma norma quase que imposs\u00edvel para o Brasil.<\/p>\n<p>A assembleia controlava a pol\u00edtica e os magistrados, e os generais eram seus servos que tinham de cumprir as ordens. Atenas foi um estado bem sucedido, o maior na Gr\u00e9cia no s\u00e9culo V, e at\u00e9 depois da derrota na Guerra do Peloponeso, como afirmou o autor. Os cidad\u00e3os mais ricos custeavam os coros, as trag\u00e9dias e com\u00e9dias dos grandes festivais pagando os atores, cantores e todo cen\u00e1rio. Empres\u00e1rio nenhum aceitaria isso aqui. A democracia proporcionou um alto n\u00edvel de efici\u00eancia administrativa, justi\u00e7a social e cultural. Esparta, como dizia Dem\u00f3stenes, n\u00e3o permitia que os seus louvassem as leis de Atenas<\/p>\n<p>Esparta gozava de autossufici\u00eancia agr\u00edcola e l\u00e1 os estrangeiros eram mal recebidos e at\u00e9 expulsos. Pot\u00eancia militar, sua for\u00e7a era o ex\u00e9rcito e parecia uma aldeia que crescera demais, com uma aristocracia perfeita e estabilidade pol\u00edtica mantida pela monarquia (autoridade absoluta). N\u00e3o teve arte, nem literatura e n\u00e3o desempenhou papel na vida intelectual grega. Era conservadora, apegada a uma constitui\u00e7\u00e3o arcaica e defensora das ideias tradicionais. Seus cidad\u00e3os eram treinados rigorosamente, desde a inf\u00e2ncia, para serem bons soldados, vistos como uma elite, apoiada pelo n\u00famero maior de servos, os hilotas.<\/p>\n<p>Os espartanos mantinham sua supremacia frente aos servos atrav\u00e9s do terror. Todo ano, os \u00e9foros, principais magistrados da cidade, declaravam guerra aos hilotas onde permitiam a qualquer espartano matar um servo sem incorrer na culpa de assassinato. Os hilotas perigosos eram espionados e mortos. Em 424 a.C, preocupados com a inquieta\u00e7\u00e3o entre os servos, os espartanos os convidaram para se alistar no ex\u00e9rcito dando como recompensa a liberdade. Dois mil deles se apresentaram e nunca se ouviu falar mais deles. Assim fizeram colonizadores dos \u00edndios nas Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, tinham um conselho dos mais velhos, uma assembleia e uma junta anual de cinco \u00e9foros que governavam Esparta. O m\u00e9todo de escolha dos \u00e9foros permitia at\u00e9 ao mais humilde dos cidad\u00e3os ocupar o cargo. Arist\u00f3teles considerava isso infantil, mas dentro da classe espartana, sua constitui\u00e7\u00e3o era tida como democr\u00e1tica. As \u00fanicas virtudes reconhecidas eram o patriotismo, a coragem e a disciplina.<\/p>\n<p>LITERATURA E FILOSOFIA<\/p>\n<p><!--more--> Em \u201cA Literatura Grega Posterior a Homero\u201d, R.J.Dover divide o g\u00eanero em tr\u00eas fases, o Arcaico (500 a.C.), o Cl\u00e1ssico, de 500 a 300, e o Helen\u00edstico at\u00e9 o fim do mundo antigo. No Arcaico predominava a poesia l\u00edrica para coro, com Safo, a poetisa que viveu na ilha de Lesbos por volta de 600 a.C.). P\u00edndaro, de Be\u00f3cia, foi outro representante da \u00e9poca. O Cl\u00e1ssico foi o cora\u00e7\u00e3o da literatura onde Atenas tornou-se centro cultural grego. Na era helen\u00edstica, a poesia preencheu os espa\u00e7os vazios deixados pelos cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p>Na com\u00e9dia antiga, Arist\u00f3fanes foi o mais not\u00e1vel, introduzindo coment\u00e1rios sat\u00edricos com pessoas vivas. Os autores ridicularizavam deuses e homens, mas o p\u00fablico condenava \u00e0 morte quem negasse a exist\u00eancia dos deuses. A orat\u00f3ria tamb\u00e9m fazia parte da literatura e Tic\u00eddides foi um deles. Na hist\u00f3ria, Her\u00f3doto come\u00e7ou sua trajet\u00f3ria descrevendo a derrota dos persas.<\/p>\n<p>Na trag\u00e9dia grega, \u00c9squilo (pe\u00e7a sobre invas\u00e3o da Gr\u00e9cia por Xerxes), S\u00f3focles e Eur\u00edpides foram os maiores destaques. O primeiro foi autor de \u201cAs Suplicantes\u201d onde conta como 50 filhas de D\u00e2nao tentaram fugir do Egito para Argos, para n\u00e3o se casarem com os 50 primos. Das 50, somente uma fugiu e n\u00e3o assassinou o noivo.<\/p>\n<p>Fez ainda \u201cPrometeu Acorrentado\u201d. O criador da humanidade foi punido por Zeus por ter dado o fogo aos homens. Levado a uma rocha, uma \u00e1guia vinha todos os dias comer seu f\u00edgado. Em \u201cPrometeu Libertado\u201d, o her\u00f3i usou seu segredo como trunfo.<\/p>\n<p>S\u00f3focles criou \u201cAnt\u00edgona\u201d, amea\u00e7ada de morte pelo rei de Tebas, Creonte, por ter enterrado seu irm\u00e3o Polinice (o dever religioso), quando a ordem era n\u00e3o ter sido sepultado porque ele foi considerado traidor do reino. Ainda dele, \u201cAs Traquinianas\u201d fala sobre os her\u00f3is descendentes dos deuses (o mundo de Homero). Nela, S\u00f3focles descreve sobre a morte de H\u00e9rcules, (filho de Zeus), o mais corajoso e o maior benfeitor. H\u00e9rcules matou o rei Eurito e saqueou a cidade de Ec\u00e1lia, tudo para ficar com Iole, a filha do monarca. Como presente, atrav\u00e9s de seu mensageiro Licas, mandou como presente para sua esposa Dejanira, v\u00e1rias prisioneiras capturadas, e dentre elas estava Iole. Pagou caro por isso.\u00a0 Ainda sua, \u201c\u00c9dipo Rei\u201d serviu de trama perfeita para Arist\u00f3teles.<\/p>\n<p>O grande Eur\u00edpides foi respons\u00e1vel pela pe\u00e7a \u201cAs Bacantes\u201d, o maior de todas suas obras, onde descreve como Penteu, que se op\u00f4s a introduzir o culto de Dion\u00edsio no templo, em Tebas, foi feito em peda\u00e7os pela m\u00e3e e as irm\u00e3s. \u00c9 uma pe\u00e7a muito forte e chocante em que Penteu roga e chora para que a m\u00e3e lhe poupe. N\u00e3o houve jeito.<\/p>\n<p>Quanto as obras filos\u00f3ficas (s\u00e9culos VI e V) no mesmo tempo da hist\u00f3ria, os primeiros pensadores come\u00e7aram de forma oracular imitando os poetas antigos, inclusive escreveram em versos na tradi\u00e7\u00e3o arcaica, na linha did\u00e1tica e moralista, mais expondo que argumentando. Depois de 400 a.C., Plat\u00e3o introduziu o di\u00e1logo e dramaticidade na filosofia, como na sua obra sobre S\u00f3crates, que n\u00e3o deixou nenhum trabalho.<\/p>\n<p>A filosofia grega, como diz A.H. Armstrong, come\u00e7ou em princ\u00edpios do s\u00e9culo VI a.C. A primeira data fixa \u00e9 585, ano em que houve um eclipse\u00a0 que Tales de Mileto, o primeiro fil\u00f3sofo grego, havia previsto. A filosofia pr\u00e9-socr\u00e1tica preocupava-se com a natureza e o destino do homem e como deveria viver. Para os pitag\u00f3ricos, a alma era um ser divino, ca\u00edda e aprisionada no corpo de uma s\u00e9rie de reencarna\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com S\u00f3crates e Plat\u00e3o (s\u00e9culos V e IV), a preocupa\u00e7\u00e3o central da filosofia grega passa a ser o homem, o que ele \u00e9, como deveria pensar e viver, individualmente e na comunidade. Com Plat\u00e3o, o principal objetivo dos seus ensinamentos era convencer \u00e0 pequena minoria a procurar a verdade sobre o que realmente existe, e ordenar sua vida de acordo com essa verdade. Na sua filosofia, os problemas centrais s\u00e3o relacionados com o homem e como ele deve viver na cidade. Ensinava como a vida pol\u00edtica, social e religiosa de uma Cidade-Estado devia ser organizada, de forma que todos seus membros fossem os melhores poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Afirma o autor do artigo que Arist\u00f3teles, no entanto, tinha uma filosofia mais ordenada que Plat\u00e3o, sendo o maior sistematizador da hist\u00f3ria da filosofia grega. \u201cSua filosofia \u00e9 mais r\u00edgida, mais compacta e de menor atra\u00e7\u00e3o universal que a de Plat\u00e3o\u201d. Depois dele, os fil\u00f3sofos gregos se preocupavam em encontrar o caminho certo da vida para os homens.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o do tipo superior, destinada para jovens ricos, era proporcionada pelos sofistas (G\u00f3rgias, Prot\u00e1goras, Pr\u00f3dico e H\u00edpias), os chamados professores viajantes da arte do \u00eaxito, cobrando altos proventos e oferecendo resultados r\u00e1pidos. Que diriam nossos instrutores de autoajuda?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil dizer quando a filosofia terminou. Dizem que foi em 529 da nossa era quando o imperador Justiniano fechou a escola filos\u00f3fica de Atenas. Terminou com a plenitude da civiliza\u00e7\u00e3o bizantina, quando o Imp\u00e9rio Romano tornou-se oficialmente crist\u00e3o, tendo sua capital em Constantinopla (dois s\u00e9culos de vida).<\/p>\n<p>Na ci\u00eancia, a Gr\u00e9cia tamb\u00e9m deixou valiosas descobertas e contribui\u00e7\u00e3o para a humanidade, que inclusive serviram de base para o renascimento. Temos Anaximandro que registrou os equin\u00f3cios e preparou um mapa dos c\u00e9us. Emp\u00e9docles usou a pipeta para provar a exist\u00eancia concreta do ar. Outro grande f\u00edsico foi Anax\u00e1goras<\/p>\n<p>Estudiosos do mundo grego assinalam que a hist\u00f3ria da matem\u00e1tica come\u00e7ou com Tales de Mileto, o primeiro fil\u00f3sofo, que previu na astronomia o eclipse solar de 585 a.C. e teve a no\u00e7\u00e3o de que a terra flutuava na \u00e1gua. No s\u00e9culo IV a. C., Heraclides do Ponto ensinava que a terra tinha um movimento de rota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 Aristarco de Samos (cerca de 250 a.C.) sup\u00f4s que o sol e as estrelas fixas s\u00e3o im\u00f3veis, mas que a terra era levada em torno do sol. Os sucessores de Arist\u00f3teles, observando que as eclipses centrais s\u00e3o por vezes totais e outras parciais, conclu\u00edram que a lua n\u00e3o mantinha uma dist\u00e2ncia constante da terra<\/p>\n<p>Os seguidores de Pit\u00e1goras usaram sua descoberta da estrutura matem\u00e1tica da escala musical como base de uma complicada teoria semim\u00edstica de um universo feito totalmente de n\u00fameros. Her\u00e1clito estudou a estrutura da mat\u00e9ria. A Academia de Atenas, fundada por Plat\u00e3o, se notabilizou pela matem\u00e1tica e classifica\u00e7\u00e3o das plantas, mas ele mesmo pouco fez para revitalizar a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Arist\u00f3teles, que pertenceu \u00e0 Academia de Plat\u00e3o, reagiu depois contra as tend\u00eancias do platonismo para um mundo ideal. Foi contra as formas remotas e reinstalou os objetos do nosso mundo como verdadeira base da realidade. Ele tinha paix\u00e3o de naturalista pela observa\u00e7\u00e3o minuciosa. Foi ele o fundador das quatro ci\u00eancias Ornitologia, Ictiologia, Zoologia e Entomologia. A l\u00f3gica formal e funcional foi, no entanto, a maior de todas as realiza\u00e7\u00f5es de Arist\u00f3teles.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderia deixar de citar a Escola de Medicina, fundada por Hip\u00f3crates, na ilha de C\u00f3s, que difundiu seus trabalhos por toda a Gr\u00e9cia. Seus m\u00e9todos eram cient\u00edficos no que concerne a observa\u00e7\u00e3o e o registro. O objetivo era uma estimativa precisa do curso da doen\u00e7a. \u00c9 bom ressaltar, por\u00e9m, \u00a0que a medicina foi mais desenvolvida pelos helenistas.<\/p>\n<p>O MUNDO HELEN\u00cdSTICO<\/p>\n<p>As conquistas de Alexandre o Grande marcaram nova era da hist\u00f3ria. Dois anos antes da sua ascens\u00e3o, em 336 a.C., as cidades gregas haviam sido subjugadas pela for\u00e7a superior da Maced\u00f4nia de Filipe II. Rebelaram-se, mas foram derrotadas. Como advert\u00eancia, Alexandre destruiu Tebas. Como escreveu o estudioso no assunto, E. Badlan, a era cl\u00e1ssica das cidades gregas desaparecera para nunca mais voltar. \u201cNenhum per\u00edodo da hist\u00f3ria ocidental vira maiores transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do que o s\u00e9culo e meio que se seguiu ao aparecimento de Alexandre\u201d.<\/p>\n<p>Adorado como um deus pelos seus s\u00faditos, quando o rei morreu deixou sem solu\u00e7\u00e3o os problemas da sua secess\u00e3o. Os generais entraram na disputa do reino e muitos membros da fam\u00edlia de Alexandre foram eliminados. O general Lis\u00edmaco controlou as prov\u00edncias europeias e parte da \u00c1sia Menor. Seleuco ficou com a maioria das prov\u00edncias asi\u00e1ticas, e Ptolomeu, que morreu em 283 a.C., com o Egito e a L\u00edbia.<\/p>\n<p>No mundo da ambi\u00e7\u00e3o por poder, tudo foi uma quest\u00e3o de espera. Quando Lis\u00edmaco foi enfraquecido, Seleuco o atacou. Em 281, os dois travaram em Corup\u00e9dio, uma das maiores batalhas da hist\u00f3ria. O primeiro foi morto e o segundo teve a oportunidade de controlar o imp\u00e9rio, mas ao cruzar para a Europa, foi assassinado. Foi ai que os gauleses entraram em cena e invadiram a Gr\u00e9cia, Maced\u00f4nia e Tr\u00e1cia.<\/p>\n<p>De qualquer forma, os gauleses terminaram contribuindo para a estabiliza\u00e7\u00e3o do mundo hel\u00e9nico. Ant\u00edgono Gonates, na Europa, e Ant\u00edoco, filho de Seleuco, enfrentaram os invasores e foram proclamados salvadores. Por fim, concordaram em viver em paz no imp\u00e9rio dividido de Alexandre. Os antig\u00f4nidas ficaram com a Maced\u00f4nia e parte da Gr\u00e9cia, e os sel\u00eaucidas com parte da \u00c1sia e do Mediterr\u00e2neo. Os ptolomeus se basearam no Egito e na L\u00edbia.<\/p>\n<p>Na \u00c1sia Menor surgiu o reino dos At\u00e1lidas em P\u00e9rgamo, cuja capital passou a competir com Alexandria, tornando-se primeiros aliados dos romanos. Foi dessa forma que esses povos conseguiram estabelecer seu protetorado sobre a Gr\u00e9cia, em torno de 200 a.C. Os ptolomeus se mantiveram firmes at\u00e9 o decl\u00ednio do Ptolomeu V, em 205 a.C. e, finalmente, terminando com o suic\u00eddio da grande Cle\u00f3patra, em 30 a.C.<\/p>\n<p>Os reis usaram suas riquezas para transformar Alexandria numa cidade planejada. Esta capital, com seu Museu e imponente biblioteca, foi o centro da civiliza\u00e7\u00e3o helen\u00edstica onde o grego era a l\u00edngua oficial. A cidade de Sel\u00eaucia, sucessora da Babil\u00f4nia, na Mesopot\u00e2mia, chegou a ter meio milh\u00e3o de habitantes muitos dos quais de origem grega e maced\u00f4nia.<\/p>\n<p>As cidades gregas no mundo helen\u00edstico continuaram a ter suas autonomias, e at\u00e9 os reis se curvavam \u00e0s suas leis. Para os gregos, a cidade (Cidade-Estado) era a polis, a unidade da pol\u00edtica internacional. O pa\u00eds pertencia ao rei, e a cidade era dona da sua terra. O rei n\u00e3o podia agir em nome dela. Como a Atenas cl\u00e1ssica, a cidade helen\u00edstica conduz suas quest\u00f5es internas e seus neg\u00f3cios diplom\u00e1ticos. Envia e recebe embaixadores, e celebra tratados sobre assuntos rotineiros.<\/p>\n<p>A for\u00e7a militar do monarca sempre ficava estacionada nas proximidades das cidades. Para os amigos do rei estava ali como prote\u00e7\u00e3o contra inimigos externos e sedi\u00e7\u00e3o interna. Seus comandantes poderiam ser chamados para v\u00e1rios servi\u00e7os. Para os inimigos do rei, a for\u00e7a era um ex\u00e9rcito de ocupa\u00e7\u00e3o e instrumento de opress\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No cap\u00edtulo \u201cAtenas e Esparta\u201d, de \u201cO Mundo Grego\u201d, o autor A.H.M.Jones mostra as diferen\u00e7as entre as duas cidades que sempre lutaram pela lideran\u00e7a da Gr\u00e9cia. 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