{"id":2835,"date":"2018-04-27T00:31:18","date_gmt":"2018-04-27T03:31:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2835"},"modified":"2018-04-27T00:31:28","modified_gmt":"2018-04-27T03:31:28","slug":"o-mundo-grego-das-trevas-ao-esplendor-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/04\/27\/o-mundo-grego-das-trevas-ao-esplendor-i\/","title":{"rendered":"&#8220;O MUNDO GREGO&#8221; &#8211; Das Trevas ao Esplendor (I)"},"content":{"rendered":"<p>At\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o dos Jogos Ol\u00edmpicos, em 776 a. C., quase nada se sabia sobre o mundo grego de 2000 a 800 a. C., a n\u00e3o ser o que se lia nos poemas de Homero, mas nem tudo constitu\u00eda hist\u00f3ria. Diz o historiador Denys Page no livro \u201cO Mundo Grego\u201d, coordenado por Hugh Lloyd-Jones, que entre 2000 e 1900 a.C., a Gr\u00e9cia foi invadida por um povo novo que primeiro falou o grego.<\/p>\n<p>Esses invasores se fundiram com os mic\u00eanios, resultando num dos mais brilhantes per\u00edodos de civiliza\u00e7\u00e3o. No entanto, os mic\u00eanios, um povo art\u00edstico, rico e aventureiro, desapareceram por volta do s\u00e9culo XII a.C.. A luz sobre essa gente, uma teia de reinos (Atenas, Pilos, Micenas, Esparta, Tebas) s\u00f3 veio atrav\u00e9s dos arque\u00f3logos Schliemann e Arthur Evans no s\u00e9culo XIX da nossa era com a descoberta das cidades de Troia.<\/p>\n<p>Depois de 1200 a.C., a rica e h\u00e1bil civiliza\u00e7\u00e3o mic\u00eanica foi varrida da face da terra. Os grandes pal\u00e1cios foram destru\u00eddos, os reis e seus povos mortos ou escravizados. Durante 400 anos a Gr\u00e9cia ficou isolada e entrou em decad\u00eancia em todos os n\u00edveis. N\u00e3o se sabe ao certo o que destruiu os mic\u00eanios e deu in\u00edcio a esse longo per\u00edodo de trevas. S\u00f3 prosperou a poesia \u00e9pica<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/IMG_5067.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2836\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/IMG_5067.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/IMG_5067.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/IMG_5067-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com o dom peculiar da imagina\u00e7\u00e3o e da express\u00e3o, Homero em \u201cA Il\u00edada e a Odisseia\u201d encantou o mundo com suas poesias, misturando realidade com fic\u00e7\u00e3o. A \u201cOdisseia\u201d narra os dez anos de vagabundagens de Ulisses em seu regresso ao lar, em \u00cdtaca, vindo do s\u00edtio de Troia. Na \u201cIl\u00edada\u201d, um poema hist\u00f3rico com personagens reais, descreve os epis\u00f3dios do s\u00edtio.<\/p>\n<p>O historiador Denys, no cap\u00edtulo sobre \u201cO Mundo Hom\u00e9rico\u201d destaca que a organiza\u00e7\u00e3o mic\u00eanica pode ter sido a melhor, mas os alicerces da pol\u00edtica e filosofia, direito e literatura, matem\u00e1tica e medicina, astronomia e arquitetura modernos encontram-se no per\u00edodo posterior \u00e0 idade m\u00e9dia grega, a partir do s\u00e9culo VIII a.C.<\/p>\n<p>Em \u201cO Desenvolvimento da Cidade-Estado\u201d, A. Andrewes fala justamente do nascimento das pequenas cidades (Atenas, Esparta), com seu poder soberano onde a autoridade tinha o t\u00edtulo de \u201crei\u201d, embora fosse um magistrado aristocrata (numerosos estados pequenos) ou heredit\u00e1rio eleito anualmente at\u00e9 fins do s\u00e9culo III a.C.<\/p>\n<p>Nos estados gregos, a popula\u00e7\u00e3o se dividia em tribos (regimentos tribais). Em divis\u00f5es menores, existiam as fratrias, caso dos cidad\u00e3os de Atenas, e cl\u00e3s. As manifesta\u00e7\u00f5es das religi\u00f5es (templos da Acr\u00f3pole, santu\u00e1rios de Delfos e Ol\u00edmpia) relacionavam-se com os cultos da cidade. No direito, os reis e nobres detinham o conhecimento e usavam a san\u00e7\u00e3o divina em seus julgamentos, muitas vezes em favor deles, conforme se queixava Hes\u00edodo.<\/p>\n<p><!--more--> Em Atenas, o c\u00f3digo Dr\u00e1con era severo, mas logo foi substitu\u00eddo pela legisla\u00e7\u00e3o de S\u00f3lon. Na \u00e1rea do com\u00e9rcio, ap\u00f3s a queda dos reinos mic\u00eanicos, a Gr\u00e9cia tinha pouco contato com o mundo exterior. O processo de coloniza\u00e7\u00e3o s\u00f3 se deu mais no final do s\u00e9culo VIII a.C.<\/p>\n<p>A terra era tratada como propriedade individual, e os camponeses obrigados a pagar um sexto do produto que cultivavam, sob pena de escravid\u00e3o. \u201cO problema agr\u00e1rio era uma causa importante das s\u00e9ries de revolu\u00e7\u00f5es que nos s\u00e9culos VII e VI a.C. derrubaram as aristocracias em muitas cidades gregas\u201d<\/p>\n<p>A d\u00edvida era outro problema crucial da \u00e9poca. Pela lei de S\u00f3lon, o rem\u00e9dio foi o cancelamento dos d\u00e9bitos e a aboli\u00e7\u00e3o de toda escravid\u00e3o provocada por d\u00edvidas. S\u00f3lon escreveu dizendo que libertou a terra e seu povo da escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Atenas, as classes superiores ocupavam postos mais elevados e as mais baixas tinham apenas o direito de comparecer \u00e0 assembleia e recorrer aos tribunais de apela\u00e7\u00e3o que foram institu\u00eddos para rever as decis\u00f5es judiciais dos magistrados. S\u00f3lon n\u00e3o tinha o intuito de instituir a democracia, que s\u00f3 veio tempos depois em pleno s\u00e9culo V.<\/p>\n<p>Suas reformas provocaram protestos por parte das camadas superiores com a perda de privil\u00e9gios (coisa da nossa elite atual), enquanto as inferiores\u00a0 pediam modifica\u00e7\u00f5es mais radicais, preferindo a revolta (as nossas preferem se calar). Com as rivalidades entre fac\u00e7\u00f5es das classes superiores, abriu-se caminho para uma tirania de Pis\u00edstrato.<\/p>\n<p>Esparta procurou desenvolver seu pr\u00f3prio sistema atrav\u00e9s da aristocracia militar, dotado de maior rigor na pr\u00e1tica da virtude. O modelo arcaico e conservador de oligarquia foi visto pelo mundo grego como algo estranho e singular. O pequeno conselho vital\u00edcio de anci\u00e3os era diferente do dos outros estados mais modernos, mas o sistema tinha uma caracter\u00edstica de que s\u00f3 a assembleia podia examinar quest\u00f5es sobre as quais o conselho j\u00e1 havia deliberado.<\/p>\n<p>Do lado espartano, o maior legislador foi Licurgo. O ex\u00e9rcito, melhor treinado e mais eficiente, era o mais poderoso e temido por todos os reinos. Sua predomin\u00e2ncia no Peloponeso rendeu uma alian\u00e7a geral, sob a lideran\u00e7a espartana. Os estados amea\u00e7ados, inclusive pelos persas, sempre recorriam a Esparta.<\/p>\n<p>Mas, na primeira investida dos persas, em 490 a.C., os atenienses repeliram o ataque em Maratona, antes do aux\u00edlio espartano. Obteve vit\u00f3ria em 483. Com isso, a conselho de Tem\u00edstocles, ampliaram sua marinha, lan\u00e7ando as bases de uma futura grandeza. Quando o ex\u00e9rcito de Xerxes invadiu a Gr\u00e9cia, em 480, os atenienses ficaram do lado de Esparta que conseguiu a vit\u00f3ria final.<\/p>\n<p>Formaram-se v\u00e1rias ligas na regi\u00e3o do Peloponeso, destacando a dos et\u00f3lios e do corinto. As duas, com a s\u00e9rie de reis da Maced\u00f4nia, dominaram o cen\u00e1rio grego durante um s\u00e9culo, antes da conquista romana final, em 146 a.C.<\/p>\n<p>Nunca houve na antiguidade uma unidade pol\u00edtica denominada H\u00e9lade, os helenos, como os gregos usavam essa express\u00e3o livremente e tinham consci\u00eancia da diferen\u00e7a que havia entre eles e outros povos.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia, os deuses tinham muitos aspectos. A grande fam\u00edlia ol\u00edmpica de Zeus, como Homero tratava, s\u00e3o pessoas com paix\u00f5es humanas, mas distintas da humanidade pela sua imortalidade e poder. Eram os grandes poderes da natureza. Zeus no c\u00e9u, Poseidon no mar e \u00c1rtemis da ca\u00e7a, isto desde per\u00edodos anteriores \u00e0 chegada dos gregos.<\/p>\n<p>Assim foram vistos para a maioria dos poetas e artistas e para o homem comum, apesar de alguns protestos de Xen\u00f3fanes e Plat\u00e3o. Outros deuses eram patronos de v\u00e1rias atividades humanas, como Atena e Hefesto das artes e of\u00edcios da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas grandes reuni\u00f5es nacionais, de quatro em quatro anos, os gregos honravam o Zeus, patrono do festival com jogos atl\u00e9ticos e musicais, fundado em 776 a.C., que no per\u00edodo cl\u00e1ssico transformou em pan-hel\u00eanico. Nessa \u00e9poca, aconteciam as tr\u00e9guas sagradas com interrup\u00e7\u00e3o das guerras.<\/p>\n<p>Na pol\u00edtica, os gregos observavam como os grandes Estados foram governados, por longos anos por um tirano, e acreditavam que suas institui\u00e7\u00f5es proporcionavam uma vida melhor atrav\u00e9s do direito. Os grandes Estados eram monarquias absolutas, e os b\u00e1rbaros deviam ser escravos. Nisso, Arist\u00f3teles distinguia tr\u00eas tipos de constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O governo do rei justo respeita a lei porque \u00e9 justo, mas a tirania \u00e9 a monarquia sem lei. A aristocracia \u00e9 o governo de uns poucos virtuosos, mas a oligarquia \u00e9 a deforma\u00e7\u00e3o disso, corrompida pelo poder do dinheiro (nosso Brasil de hoje). Muitos governam segundo a lei, mas, em sua contrapartida, degenerada porque o povo levou a liberdade em excesso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o dos Jogos Ol\u00edmpicos, em 776 a. C., quase nada se sabia sobre o mundo grego de 2000 a 800 a. C., a n\u00e3o ser o que se lia nos poemas de Homero, mas nem tudo constitu\u00eda hist\u00f3ria. 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