{"id":2818,"date":"2018-04-18T22:51:49","date_gmt":"2018-04-19T01:51:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2818"},"modified":"2018-04-18T22:52:01","modified_gmt":"2018-04-19T01:52:01","slug":"houve-um-tempo-do-velho-chico-que-foi-destruido-pelos-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/04\/18\/houve-um-tempo-do-velho-chico-que-foi-destruido-pelos-homens\/","title":{"rendered":"HOUVE UM TEMPO DO &#8220;VELHO CHICO&#8221; QUE FOI DESTRU\u00cdDO PELOS HOMENS"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o mais existem as matas ciliares verdes e floridas que margeavam o \u201cVelho Chico\u201d como aconchego dos bichos e alimento dos p\u00e1ssaros. Houve um tempo dos peixes em abund\u00e2ncia que acudiam os ribeirinhos quando sentiam fome. N\u00e3o mais o vento ameno como antes vindo das \u00e1guas que balan\u00e7ava as \u00e1rvores e soprava frescor nas cidades. Foi-se o tempo dos vapores que subiam e desciam desde Minas Gerais a Alagoas. N\u00e3o mais existem as lavadeiras cantadoras e ganhadoras. At\u00e9 os mitos e as lendas se foram.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-020.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2819\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-020.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-020.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-020-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com o tempo, as a\u00e7\u00f5es predadoras dos homens gananciosos levaram os bons tempos da fartura e da integra\u00e7\u00e3o entre a vida vi\u00e7osa de um rio naveg\u00e1vel e seus habitantes que dele se serviam. Sem mais o vento anunciador das boas not\u00edcias de suas nascentes. Hoje choram o \u201cVelho Chico\u201d e o pr\u00f3prio homem que vive a orar ao pr\u00f3prio Deus que mande chuva para acalmar os esp\u00edritos \u201cvingativos\u201d da seca. A terra perdeu o cio e suas \u00e1guas viraram bancos de areia de um volume morto, ou ficaram salobras na sua foz. O rio que j\u00e1 foi mar vive ecos de um tempo passado que foi destru\u00eddo pelas a\u00e7\u00f5es malignas dos homens.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-058-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2821\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-058-1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-058-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-058-1.jpg 550w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O estrago ao longo do tempo foi feito, n\u00e3o repondo o que retiraram e n\u00e3o revitalizando o que dele extra\u00edram, como se a seiva nunca fosse acabar. Nunca se imaginava que um dia n\u00e3o se ia ter \u00e1gua nem para saciar a sede. As chuvas batidas s\u00f3 fazem o homem irracional esquecer de que basta outro tempo de estiagem, sem ventos e sem nuvens carregadas, para tudo terminar com as lavouras e com as monstruosas barragens erguidas. Como disse o profeta, o mar vai para sempre virar sert\u00e3o, e quase ningu\u00e9m ir\u00e1 mais falar dos bons tempos e dos ventos do <a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/IMG_3646.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-2822\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/IMG_3646-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/IMG_3646-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/IMG_3646.jpg 550w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>passado.<\/p>\n<p>AS CHUVAS N\u00c3O APAGAM AS RU\u00cdNAS<\/p>\n<p>H\u00e1 uns dez ou quinze anos, a Assembleia Legislativa da Bahia, com especialistas no assunto, membros do Comit\u00ea da Bacia do S\u00e3o Francisco e representantes ambientalistas, elaborou uma campanha de prote\u00e7\u00e3o do rio e produziu um v\u00eddeo onde mostrou as ru\u00ednas e os escombros deste patrim\u00f4nio nacional. De l\u00e1 pra c\u00e1, quase nada foi feito de ben\u00e9fico, s\u00f3 degrada\u00e7\u00e3o e ficar esperando por chuvas, como se elas fossem a salva\u00e7\u00e3o definitiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco tempo, entre novembro e dezembro de 2017, a capacidade da Barragem de Sobradinho atingiu seu ponto cr\u00edtico de 1,6%, a mais baixa da sua hist\u00f3ria. O clamor foi geral, e o \u201cVelho Chico\u201d entrou em estado terminal em seu leito. O Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do S\u00e3o Francisco denunciou a triste realidade e o governo federal falou em recursos para sua revitaliza\u00e7\u00e3o, os quais nunca chegaram como prometido.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/IMG_3655.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2823\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/IMG_3655.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/IMG_3655.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/IMG_3655-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com as chuvas do in\u00edcio do ano, o seu volume \u00fatil elevou-se para 36,50% em abril. No mesmo m\u00eas do ano passado, a reserva era de 15,83%, segundo a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas, por causa do baixo \u00edndice pluviom\u00e9trico em Minas Gerais e oeste da Bahia onde est\u00e3o os principais afluentes (Corrente e Rio Grande).<\/p>\n<p><!--more-->Quando o volume sobe com as \u00e1guas de S\u00e3o Pedro, revitalizar e recuperar suas margens parecem n\u00e3o ser mais preciso. As prioridades passam ser a gera\u00e7\u00e3o de energia, aumentar a vaz\u00e3o e liberar a capta\u00e7\u00e3o para as empresas, em detrimento do abastecimento humano. O homem \u00e9 um ingrato e sempre cospe no prato que comeu.<\/p>\n<p>Mesmo no crescente de seu volume, em diversas regi\u00f5es da bacia do \u201cVelho Chico\u201d, rios e riachos continuam morrendo por falta de cuidados com as nascentes e a mata ciliar. Inexistem pol\u00edticas p\u00fablicas de controle consciente da \u00e1gua, principalmente quando s\u00e3o boas as previs\u00f5es de chuvas, como se n\u00e3o fosse mais voltar o tempo da escassez e da agonia.<\/p>\n<p>Enquanto isso, os ataques ao \u201cVelho Chico\u201d n\u00e3o param como forma de destruir de vez o tempo da prosperidade quando em suas margens a fauna e a flora viviam em festa constante celebrando suas ceias. Como um intruso, o homem provocou a desarmonia, sem nada repor em seu lugar.<\/p>\n<p>O projeto de irriga\u00e7\u00e3o Baixio de Irec\u00ea, por exemplo, que transforma terras \u00e1ridas em produtivas, \u00e9 s\u00f3 comemora\u00e7\u00e3o para os agricultores, mas n\u00e3o passa de mais uma l\u00f3gica perversa que, de acordo com ambientalistas, virou tradi\u00e7\u00e3o de s\u00f3 tirar \u00e1gua, sem os devidos cuidados com a preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um estudo da empresa Odebrecht revelou que se todas as bombas do Baixio de Irec\u00ea fossem ligadas de uma vez, o rio Verde, afluente do S\u00e3o Francisco secaria em 15 dias. Al\u00e9m dos canais de irriga\u00e7\u00e3o de Juazeiro, Salitre e Petrolina, todos s\u00f3 querem saber de se dar bem e sugar do \u201cVelho Chico\u201d at\u00e9 sua \u00faltima gota, mesmo em seu leito de morte.<\/p>\n<p>O Baixio de Irec\u00ea trata de mais uma transposi\u00e7\u00e3o, como a adutora de Guanambi e Caetit\u00e9, de levar \u00e1gua para S\u00e3o Jos\u00e9 de Jacu\u00edpe (Capim Grosso na Bahia) e para a regi\u00e3o Nordeste, sem revitalizar o rio que atravessa cinco estados, percorre 2.863 quil\u00f4metros e banha 521 munic\u00edpios, muitos deles jogando esgotos e lixos em suas \u00e1guas.<\/p>\n<p>Atualmente, por ironia do destino, o \u201cVelho Chico\u201d vive do houve um tempo em que aqui dava de um tudo, como \u00e9 costume apontar o sertanejo quando indagado sobre o passado do rio. Houve um tempo de muitas florestas, de muitas esp\u00e9cies de peixes, de muitos barcos e de muita divers\u00e3o e lazer. Houve um tempo&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o mais existem as matas ciliares verdes e floridas que margeavam o \u201cVelho Chico\u201d como aconchego dos bichos e alimento dos p\u00e1ssaros. Houve um tempo dos peixes em abund\u00e2ncia que acudiam os ribeirinhos quando sentiam fome. N\u00e3o mais o vento ameno como antes vindo das \u00e1guas que balan\u00e7ava as \u00e1rvores e soprava frescor nas cidades. 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