{"id":2809,"date":"2018-04-13T00:17:21","date_gmt":"2018-04-13T03:17:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2809"},"modified":"2018-04-13T00:17:32","modified_gmt":"2018-04-13T03:17:32","slug":"a-educacao-e-os-problemas-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/04\/13\/a-educacao-e-os-problemas-sociais\/","title":{"rendered":"A EDUCA\u00c7\u00c3O E OS PROBLEMAS SOCIAIS"},"content":{"rendered":"<p>Sem cidad\u00e3os pensantes, os g\u00eanios malditos t\u00eam terreno livre para agir e tornar nosso pa\u00eds num lugar de trevas. \u00c9 preciso saber distinguir o verdadeiro do falso. Tudo tem a ver com a educa\u00e7\u00e3o, inclusive no aspecto da distribui\u00e7\u00e3o de renda no Brasil, uma das mais perversas da terra.<\/p>\n<p>Todos concordam que a educa\u00e7\u00e3o de qualidade \u00e9 a sa\u00edda primordial para o desenvolvimento e a redu\u00e7\u00e3o gradual da desigualdade social, uma das mais profundas e cru\u00e9is do planeta que leva milh\u00f5es a viver na extrema pobreza. Por que, ent\u00e3o, os governos n\u00e3o investem pesado no setor, como meta priorit\u00e1ria nos seus programas de trabalho? Ser\u00e1 culpa da elite burra e retr\u00f3grada que n\u00e3o quer ver a ascens\u00e3o das camadas mais baixas?<\/p>\n<p>A Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (2016\/17) d\u00e1 conta que a Bahia liderou o ranking nacional da desigualdade de renda no per\u00edodo, sobretudo por sexo, cor ou ra\u00e7a. O sal\u00e1rio m\u00e9dio real da metade dos trabalhadores que ganhavam menos na Bahia caiu de 472 reais para 444, enquanto o rendimento m\u00e9dio dos 10% de trabalhadores com maiores sal\u00e1rios aumentou de 5.946,00 reais para 7.833,00 reais. De acordo com os pesquisadores, a concentra\u00e7\u00e3o de renda tem a ver com a escolaridade e a gera\u00e7\u00e3o de emprego formal. Entre as regi\u00f5es, a Nordeste \u00e9 a mais desigual.<\/p>\n<p>H\u00e1 s\u00e9culos a educa\u00e7\u00e3o nunca esteve no primeiro plano das a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, cujos personagens se habituaram a usar a ignor\u00e2ncia para se elegerem. Ai os problemas sociais, de sa\u00fade e de viol\u00eancia se agigantaram de uma forma que, em paralelo, estes itens t\u00eam de ser refor\u00e7ados para que o projeto educacional prospere. Fica dif\u00edcil transmitir conhecimento de conte\u00fado para uma crian\u00e7a com fome, doente ou com problemas familiares de ordem econ\u00f4mica e social em casa.<\/p>\n<p>Mesmo o professor sendo preparado, como ensinar uma crian\u00e7a cujos pais s\u00e3o alco\u00f3latras, viciados em drogas, e em um lar onde o ambiente \u00e9 de constante viol\u00eancia, sem contar o aspecto de pobreza? Fora estes problemas, muitas vezes o aluno reside em \u00e1reas de risco nas cidades e vive em permanente tens\u00e3o psicol\u00f3gica. Em outros casos tem irm\u00e3os traficantes, e ele est\u00e1 sempre tentado a deixar a escola.<\/p>\n<p>No meio rural, a degrada\u00e7\u00e3o social n\u00e3o difere muito, sem contar a dist\u00e2ncia que o estudante tem que enfrentar entre sua casa e o col\u00e9gio, muitas vezes estradas intransit\u00e1veis, rios e matos fechados. Por tudo isso e mais as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es das salas, o ensino termina sendo improdutivo. Nesse emaranhado de dificuldades, somente poucos conseguem sobressair virando manchetes de jornais como verdadeiros super-her\u00f3is.<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta querer mudar metodologias, trocar disciplinas, criar novas bases curriculares, as quais sempre existiram, discutir planos e mais planos, montar estrat\u00e9gias e treinar o corpo docente exigindo forma\u00e7\u00e3o de n\u00edvel superior, se estas quest\u00f5es, a maioria de ordem social, n\u00e3o forem resolvidas.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta s\u00f3 a escola ser atraente se nela o aluno que frequenta \u00e9 mais uma pe\u00e7a problem\u00e1tica da engrenagem, em decorr\u00eancia da desestrutura\u00e7\u00e3o familiar e da pr\u00f3pria exclus\u00e3o social em que vive. Pela falta de compromissos s\u00e9rios dos governos para com a educa\u00e7\u00e3o ao longo desses s\u00e9culos, a desordem tomou propor\u00e7\u00f5es monstruosas em todos os n\u00edveis, tornando mais complexa e custosa a retomada do ensino de qualidade no pa\u00eds.<\/p>\n<p><!--more--> Uma coisa est\u00e1 atrelada a outra e, no meio de tudo isso, as elites brasileiras s\u00e3o extremamente burras e ego\u00edstas, e sempre de tudo fizeram para n\u00e3o distribuir a renda. A incompet\u00eancia e os desvios de roubos dos governantes terminaram na privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, restrita \u00e0s camadas burguesas de maior poder aquisitivo. At\u00e9 as universidades p\u00fablicas viraram lugar de ricos e desprezaram os curso de ci\u00eancias humanas, principalmente a filosofia.<\/p>\n<p>COL\u00c9GIOS MILITARES<\/p>\n<p>Como a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 complexa, dado ao estado em que se chegou, os ditos mentores te\u00f3ricos e respons\u00e1veis pelas normatiza\u00e7\u00f5es de regras e normas do setor sempre est\u00e3o apontando poss\u00edveis sa\u00eddas, como, por exemplo, a \u201cmilitariza\u00e7\u00e3o do ensino\u201d, como atesta conv\u00eanio assinado entre Uni\u00e3o dos Munic\u00edpios da Bahia e a Diretoria de Ensino da Pol\u00edcia Militar, para escolas do interior.<\/p>\n<p>V\u00e1rias entidades e partidos de esquerda desaprovaram a inten\u00e7\u00e3o e classificaram a medida como autorit\u00e1ria, arbitr\u00e1ria e contradit\u00f3ria. O superintendente de pol\u00edtica para a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o, Ney Campello, garantiu que a pasta n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com o conv\u00eanio, apesar do apoio dado pelo governador da Bahia.<\/p>\n<p>Campello explicou que apenas tr\u00eas col\u00e9gios das PMs podem ser criados na rede estadual j\u00e1 que a parceria entre a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica e a SEC s\u00f3 permite a exist\u00eancia de 17 unidades. O superintendente, formado num col\u00e9gio militar, criticou o que chamou de patrulhamento e preconceito, e afirmou que disciplina n\u00e3o tem nada a ver com autoritarismo.<\/p>\n<p>Sobre a quest\u00e3o, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional pela Forma\u00e7\u00e3o dos Professores da Educa\u00e7\u00e3o divulgou nota onde defende que a concep\u00e7\u00e3o de mundo pedag\u00f3gico, de forma\u00e7\u00e3o humana e projeto de escolariza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, difere do projeto do bra\u00e7o armado do Estado burgu\u00eas. Disse n\u00e3o ser fun\u00e7\u00e3o dos aparelhos de seguran\u00e7a se envolver em assuntos que n\u00e3o s\u00e3o da sua al\u00e7ada.<\/p>\n<p>A nota assinada por docentes prega que a solu\u00e7\u00e3o para a qualidade na educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 disciplina militar, mas investimentos p\u00fablicos e uma gest\u00e3o comprometida com a promo\u00e7\u00e3o de direitos sociais dos alunos e da comunidade. No clima atual de conservadorismo e extremismo em que vivemos, deve ter muita gente por a\u00ed defendendo o m\u00e9todo da porrada como salva\u00e7\u00e3o para a educa\u00e7\u00e3o de qualidade.<\/p>\n<p>Enquanto se discutem experi\u00eancias e regimes escolares, um relat\u00f3rio do Banco Mundial que avalia e debate educa\u00e7\u00e3o e aprendizagem em v\u00e1rios pa\u00edses informou que os estudantes brasileiros poderiam demorar mais de 260 anos para atingir a profici\u00eancia em leitura dos alunos dos pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>Em matem\u00e1tica, segundo a institui\u00e7\u00e3o, a previs\u00e3o \u00e9 que os alunos levar\u00e3o 75 anos para atingir a pontua\u00e7\u00e3o m\u00e9dia registrada nos pa\u00edses ricos. Os dados do banco mostram que 125 milh\u00f5es de crian\u00e7as em todo mundo n\u00e3o possuem conhecimentos b\u00e1sicos de leitura e matem\u00e1tica, mesmo frequentando a escola (260 milh\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o estudando).<\/p>\n<p>Para o Brasil, o relat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 nenhuma surpresa diante da realidade da falta de pol\u00edticas p\u00fablicas sociais voltadas para a educa\u00e7\u00e3o. Neste item precioso, o nosso pa\u00eds est\u00e1 na contram\u00e3o do progresso do planeta. Precisamos de pelo menos quatro gera\u00e7\u00f5es para sairmos da utopia para a realidade. Nesse caos social e pol\u00edtico, tudo n\u00e3o passa do sonho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem cidad\u00e3os pensantes, os g\u00eanios malditos t\u00eam terreno livre para agir e tornar nosso pa\u00eds num lugar de trevas. \u00c9 preciso saber distinguir o verdadeiro do falso. 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