{"id":2777,"date":"2018-04-01T08:45:45","date_gmt":"2018-04-01T11:45:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2777"},"modified":"2018-04-01T08:45:55","modified_gmt":"2018-04-01T11:45:55","slug":"o-chocolate-da-midia-que-perdeu-seu-papel-historico-de-informar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/04\/01\/o-chocolate-da-midia-que-perdeu-seu-papel-historico-de-informar\/","title":{"rendered":"O CHOCOLATE DA M\u00cdDIA QUE PERDEU SEU PAPEL HIST\u00d3RICO DE INFORMAR"},"content":{"rendered":"<p>Menos incita\u00e7\u00e3o ao consumismo e mais humanismo. \u00c9 isso que se espera da m\u00eddia que tem se esquecido da dura realidade brasileira. Diante de tanto aperto financeiro das fam\u00edlias, de exclu\u00eddos do conv\u00edvio social e de milh\u00f5es de desempregados, o rep\u00f3rter \u00e9 pautado para noticiar a venda de chocolates nos supermercados, atendendo mais a um dos caprichos do sistema consumista.<\/p>\n<p>Por que n\u00e3o mostrar tamb\u00e9m o outro lado onde milh\u00f5es n\u00e3o t\u00eam dinheiro nem para comprar o feij\u00e3o com arroz? Praticamente n\u00e3o temos uma imprensa alternativa que saia dessa mesmice publicit\u00e1ria comercial que s\u00f3 empurra as pessoas, mesmo sem condi\u00e7\u00f5es, a comprar produtos e mais produtos nestas datas criadas pelo setor.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou nenhum ing\u00eanuo para n\u00e3o saber que tudo faz parte do jogo capitalista e que a m\u00eddia necessita faturar para sobreviver, mas n\u00e3o que ela entre totalmente de cabe\u00e7a neste esquema e n\u00e3o possa mostrar o que est\u00e1 por tr\u00e1s desse para\u00edso surreal. Isso acontece na p\u00e1scoa, no per\u00edodo natalino e em outras \u00e9pocas que fomentam a cultura do consumismo desvairado.<\/p>\n<p>Levada pelo apelo comercial, que conta com a for\u00e7a persuasiva da m\u00eddia, principalmente da imagem televisada, muita gente se entrega a esta onda fazendo sacrif\u00edcios sem puder e termina se endividando. \u00c9 tudo maquinal. As pessoas compram porque outras fazem o mesmo, como se fossem obrigadas a cumprir um ritual e n\u00e3o pudessem ficar de fora para n\u00e3o serem vistas como antissocial.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe entre n\u00f3s um segmento alternativo da imprensa que nestas ocasi\u00f5es fa\u00e7a mat\u00e9rias sobre o Brasil pobre que est\u00e1 bem longe do alcance dessas comemora\u00e7\u00f5es festivas inventadas pelo com\u00e9rcio, a maioria imita\u00e7\u00f5es norte-americanas. O que a m\u00eddia tem feito \u00e9 induz para que as fam\u00edlias consumam mais e mais, sem a consci\u00eancia do que est\u00e3o fazendo.<\/p>\n<p>Tem a camada privilegiada que pode participar da festa para se exibir, os penetras que entram sem puder, mesmo sem sentido da coisa, e a grande maioria de exclu\u00eddos que frustrada fica de fora das extravagancias. Muitos, felizmente, n\u00e3o embarcam nesta cultural artificial e descart\u00e1vel.<\/p>\n<p>QUASE NADA SOBRE A DITADURA<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o \u00e9 somente nesta quest\u00e3o que a nossa m\u00eddia tem cometido seu pecado capital. Ela se habituou a cobrir esc\u00e2ndalos, trag\u00e9dias humanas e naturais, b\u00e1rbaros assassinatos, execu\u00e7\u00f5es (caso da morte de Marielle Franco), chacinas e fatos hist\u00f3ricos lament\u00e1veis e logo depois se afasta da cena sem dar o devido seguimento, as chamadas \u201csu\u00edtes\u201d. Neste sentido ela tem colaborado para que o povo esque\u00e7a sua hist\u00f3ria e assim repita os mesmos erros do passado.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os exemplos que poderiam ser aqui listados, mas vou me reportar ao 1\u00ba de abril de hoje de 2018, que est\u00e1 completando 54 anos da ditadura civil-militar que, com sua repress\u00e3o de fogo e ferro, torturou e matou muitos brasileiros que se levantaram contra o regime. Pouco se tem falado da data para o p\u00fablico, enquanto os generais festejam em seus quarteis como uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d que tirou o povo do cativeiro.<\/p>\n<p>A m\u00eddia tem a obriga\u00e7\u00e3o de exercer seu papel hist\u00f3rico, de estar sempre relembrando estes acontecimentos atrav\u00e9s de entrevistas, reportagens jornalistas exclusivas e document\u00e1rios. Isto serve para que a popula\u00e7\u00e3o tome conhecimento, principalmente os nossos jovens que, no caso espec\u00edfico da ditadura de 64, quase nada sabem do assunto.<\/p>\n<p>\u00c9 por estas e outras que tem muita gente maluca por a\u00ed pedindo a volta dos militares ao poder, e a maioria inculta entra no embalo, falando improp\u00e9rios e repetindo besteiras que escuta dos extremistas retr\u00f3grados. Como as feridas continuam abertas com a anistia dos torturadores, essa sa\u00edda suicida de acabar com a liberdade ganha cada vez mais espa\u00e7o na sociedade.<\/p>\n<p>A m\u00eddia tem muita culpa nisso porque ela se distanciou da sua miss\u00e3o prec\u00edpua de bem informar sobre os fatos e passou a fazer apenas o factual de sempre, com cunho mais publicit\u00e1rio e consumista, s\u00f3 pensando na audi\u00eancia e no faturamento.<\/p>\n<p>Para resumir, a nossa m\u00eddia est\u00e1 mais pobre em conte\u00fado. Deixou de fazer com que as pessoas reflitam mais sobre sua realidade e sua hist\u00f3ria. Ela perdeu muito o seu lado investigativo e provocador. \u00c9 lament\u00e1vel, mas \u00e9 a verdade. Alguns impressos ainda pontuam estas quest\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Menos incita\u00e7\u00e3o ao consumismo e mais humanismo. \u00c9 isso que se espera da m\u00eddia que tem se esquecido da dura realidade brasileira. 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