{"id":2746,"date":"2018-03-17T10:05:35","date_gmt":"2018-03-17T13:05:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2746"},"modified":"2018-03-17T10:05:46","modified_gmt":"2018-03-17T13:05:46","slug":"a-sagrada-carteira-que-ja-teve-sua-valia-e-os-caloteiros-da-terceirizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/03\/17\/a-sagrada-carteira-que-ja-teve-sua-valia-e-os-caloteiros-da-terceirizacao\/","title":{"rendered":"A SAGRADA CARTEIRA QUE J\u00c1 TEVE SUA VALIA E OS CALOTEIROS DA TERCEIRIZA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p>Foi-se o tempo em que ter uma Carteira do Trabalho era uma honra para o trabalhador brasileiro que sempre carregava a dign\u00edssima no bolso com seguran\u00e7a para comprovar nas batidas policiais que n\u00e3o era um vagabundo qualquer.<\/p>\n<p>Hoje com a crise econ\u00f4mica, o desemprego e a reforma trabalhista que escravizou de vez a m\u00e3o-de-obra, ela anda saudosista amarelada pelos cantos, e o seu dono cabisbaixo se sujeitando \u00e0s negociatas opressoras do patr\u00e3o, para n\u00e3o morrer de fome. Quando demitido aceita acordos de concilia\u00e7\u00e3o sem antes passar pela rescis\u00e3o como ainda manda a lei.<\/p>\n<p>A grande maioria dos ativos aptos a trabalhar est\u00e1 na informalidade fazendo bicos pelas ruas para levar um pouco de comida para casa. S\u00f3 em janeiro deste ano mais de dois milh\u00f5es entraram no mercado informal se somando a outros milh\u00f5es de invis\u00edveis \u00e0s leis e aos direitos trabalhistas. Mais de 80% desconhecem os termos da nova reforma.<\/p>\n<p>A pobre da Carteira, que j\u00e1 foi s\u00edmbolo de autoestima, perdeu sua valia. Como agora o negociado est\u00e1 acima do legislado num pa\u00eds de 13 milh\u00f5es de desempregados e de profundas desigualdades sociais de famintos, o capital ganancioso e concentrador de renda dita suas normas.<\/p>\n<p>Do outro lado do balc\u00e3o, humilhado e desprezado, o escravo oper\u00e1rio \u00e9 obrigado a aceitar tudo calado se quiser comprar um peda\u00e7o do caro p\u00e3o para seus filhos. Existe ainda a figura do intermitente, aquele coitado avulso que s\u00f3 \u00e9 chamado de tempos em tempos para mais um servi\u00e7o. Dele extrai o rent\u00e1vel lucro f\u00e1cil, sem gastos adicionais de adicionais \u00a0trabalhistas.<\/p>\n<p>As f\u00e9rias foram esquartejadas, e o d\u00e9cimo terceiro profanado em peda\u00e7os. O santo labor do suor derramado com sacrif\u00edcio foi prostitu\u00eddo. Tem empresa que deixa o empregado acumular v\u00e1rias f\u00e9rias por mais de dois anos e, para disfar\u00e7ar de uma fiscaliza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o mais existe, manda o servi\u00e7al trabalhar sem bater o ponto. Acabou o sagrado descanso.<\/p>\n<p>No lugar da dor f\u00edsica e moral do chicote do senhor no lombo at\u00e9 abrir a carne em sangue do negro africano, criaram o mour\u00e3o da reforma trabalhista do Brasil \u201cmoderno\u201d onde s\u00f3 existe o poder de barganha do lado capitalista burgu\u00eas. Embora com outros m\u00e9todos disfar\u00e7ados de bater e castigar, a dor no corpo e na alma em chagas continua intensa e dolorida. O psicol\u00f3gico sente-se destru\u00eddo pela envergadura da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Toda classe empresarial apoiou e bateu palmas, mas a reforma \u00e9 um tiro no p\u00e9 no prop\u00f3sito intencional do governo de aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o da previd\u00eancia social, sem contar o tempo maior que o trabalhador ter\u00e1 que arcar para se aposentar.<\/p>\n<p><!--more--> Al\u00e9m de ser um engodo, \u00e9 um instrumento das elites para o emprego de uma m\u00e3o-de-obra barata e escrava. Existe ainda a rotatividade permanente para contratar outro profissional por sal\u00e1rio mais baixo ainda e burlar a Justi\u00e7a, como tem feito os oportunistas de plant\u00e3o.<\/p>\n<p>Como aprovada pelo Congresso Nacional, a reforma \u00e9 para pa\u00edses do Reino Unido, da Fran\u00e7a e da Alemanha que t\u00eam economias s\u00f3lidas, menos desigualdades, sindicatos fortes e leis judiciais punitivas, n\u00e3o para o Brasil, Bangladesch e outros pa\u00edses pobres onde o trabalho n\u00e3o tem quase nenhum poder de negocia\u00e7\u00e3o com o capital.<\/p>\n<p>Aqui, com poucas exce\u00e7\u00f5es, os sindicatos, embora muitos e at\u00e9 demais, t\u00eam pouca representatividade perante sua categoria. A maioria das entidades \u00e9 \u201cdirigida\u201d por aventureiros e aproveitadores que est\u00e3o mais preocupados com seus interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>OS CALOTEIROS<\/p>\n<p>Num pa\u00eds onde a justi\u00e7a \u00e9 lenta e as leis repletas de brechas e interpreta\u00e7\u00f5es variadas, a terceiriza\u00e7\u00e3o amplia o cativeiro em todos os segmentos da empresa, seja p\u00fablica ou privada. Nela os caloteiros das contrata\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os encontraram um terreno f\u00e9rtil para suas a\u00e7\u00f5es criminosas de ganhar muita grana, com remunera\u00e7\u00e3o bem mais baixa. Por pura necessidade, at\u00e9 pessoas qualificadas entram nesse al\u00e7ap\u00e3o.<\/p>\n<p>Aqui mesmo em Vit\u00f3ria da Conquista e na Bahia s\u00e3o in\u00fameros os exemplos de atrasos no pagamento dos sal\u00e1rios e do n\u00e3o cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas por parte das terceirizadas, verdadeiras arapucas armadas para explorar o trabalhador. Sem dinheiro e desempregadas, muitas fam\u00edlias penam e passam apertos na m\u00e3o desses caloteiros.<\/p>\n<p>O pior \u00e9 que quando isso acontece, o trabalhador fica no jogo de empurra entre a empresa ou \u00f3rg\u00e3o onde ele atua e o terceirizado, o qual alega n\u00e3o repasse dos recursos do contratado. Falta de gest\u00e3o ou trambique mesmo, o certo \u00e9 que sobra para o pobre coitado que fica sem receber. A Justi\u00e7a, a Defensoria e o Minist\u00e9rio P\u00fablico quase nada fazem.<\/p>\n<p>Tem terceirizado que ainda subcontrata o servi\u00e7o, e muitos, para driblar qualquer tipo de puni\u00e7\u00e3o judicial de cobran\u00e7a, compra bens m\u00f3veis e coloca em nome de parentes e amigos, sumindo com a verba recebida da empresa contratante. A\u00ed o trabalhador fica a ver navios e a chorar sozinho sua dor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi-se o tempo em que ter uma Carteira do Trabalho era uma honra para o trabalhador brasileiro que sempre carregava a dign\u00edssima no bolso com seguran\u00e7a para comprovar nas batidas policiais que n\u00e3o era um vagabundo qualquer. 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