{"id":2737,"date":"2018-03-15T00:03:36","date_gmt":"2018-03-15T03:03:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2737"},"modified":"2018-03-15T00:03:45","modified_gmt":"2018-03-15T03:03:45","slug":"o-porque-e-o-jornalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/03\/15\/o-porque-e-o-jornalismo\/","title":{"rendered":"O PORQU\u00ca E O JORNALISMO"},"content":{"rendered":"<p>Depois que a not\u00edcia virou espet\u00e1culo, recheado de apelos piegas e sensacionalismos, o jornalismo passou a esquecer de colocar em suas mat\u00e9rias o porqu\u00ea dos fatos, deixando um vazio para seu p\u00fablico leitor, ouvinte ou o telespectador. Confundiram a arte de bem informar com o teatro e a novela.<\/p>\n<p>Isso tem acontecido muito nas trag\u00e9dias, nas cat\u00e1strofes e nos desastres e, com raras exce\u00e7\u00f5es, as coberturas n\u00e3o t\u00eam questionado o porqu\u00ea dos acontecimentos, fazendo um hist\u00f3rico complementar \u00e0 pauta em quest\u00e3o. Geralmente, faz-se o factual, explorando o sentimentalismo, sem investigar o outro lado da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Um exemplo mais recente disso foi o desabamento de um pr\u00e9dio de quatro andares, em Salvador. Ficou sublinhado no notici\u00e1rio que a constru\u00e7\u00e3o foi erguida sem o acompanhamento de um engenheiro respons\u00e1vel, tampouco teve a licen\u00e7a do poder p\u00fablico como reza a lei. O que aconteceu, na verdade, foi uma trag\u00e9dia anunciada.<\/p>\n<p>Sobre esta quest\u00e3o das irregularidades na edifica\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios, n\u00e3o somente em Salvador, sem a interdi\u00e7\u00e3o por parte dos \u00f3rg\u00e3os competentes, a m\u00eddia n\u00e3o deu destaque e quase nada falou sobre o assunto. Ateve-se apenas aos pesares sentimentais das fam\u00edlias v\u00edtimas da trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>Ao lado do factual, cabiam outras reportagens, atrav\u00e9s de entrevistas com especialistas, mostrando os riscos de se construir pr\u00e9dios sem o aval da engenharia e em locais inapropriados. N\u00e3o se indagou do por que a obra n\u00e3o foi interditada pela prefeitura.<\/p>\n<p>Limitou-se a dizer que o pr\u00e9dio foi feito com muito sacrif\u00edcio por gente pobre, como se este fato social estivesse acima da vida. Depois do desastre, como sempre, todos passam a usar o nome de Deus em v\u00e3o e criam-se os milagres, inclusive a pr\u00f3pria m\u00eddia, a qual deveria ser mais racional.<\/p>\n<p>Na maioria das vezes, uma ocorr\u00eancia rende o desdobramento de outras pautas de cunho pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social levando o p\u00fablico a pensar e a refletir. Nos bons tempos da imprensa, quando ainda n\u00e3o havia internet, essa vis\u00e3o partia dos chefes de reportagens, dos editores e dos secret\u00e1rios de reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos dias de hoje parece que o jornalismo nosso de cada dia ficou pregui\u00e7oso e lerdo, se contentando com o \u00f3bvio. A preocupa\u00e7\u00e3o maior, especialmente na m\u00eddia televisada (no r\u00e1dio ainda \u00e9 pior), \u00e9 com o apelo sensacionalista.<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o que se tem \u00e9 que o editor-chefe n\u00e3o filtra a apura\u00e7\u00e3o do rep\u00f3rter, e a mat\u00e9ria \u00e9 publicada cheia de buracos e furos. Est\u00e1 mais para calhau. O resultado \u00e9 que a informa\u00e7\u00e3o sai capenga e incompleta, aspecto pouco analisado pelo leigo que recebe o produto deformado.<\/p>\n<p>Claro que existe o jornalismo omisso, tendencioso, anti\u00e9tico e parcial com o prop\u00f3sito firme de distorcer ou ocultar os fatos, mas, muita coisa tem sido mesmo falta de profissionalismo da m\u00eddia atual. O que se percebe \u00e9 que n\u00e3o se faz mais coberturas jornal\u00edsticas como antigamente, com compet\u00eancia e responsabilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois que a not\u00edcia virou espet\u00e1culo, recheado de apelos piegas e sensacionalismos, o jornalismo passou a esquecer de colocar em suas mat\u00e9rias o porqu\u00ea dos fatos, deixando um vazio para seu p\u00fablico leitor, ouvinte ou o telespectador. Confundiram a arte de bem informar com o teatro e a novela. 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