{"id":273,"date":"2014-06-11T23:14:07","date_gmt":"2014-06-12T02:14:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=273"},"modified":"2014-06-11T23:21:58","modified_gmt":"2014-06-12T02:21:58","slug":"sobre-nossas-ferrovias-v","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2014\/06\/11\/sobre-nossas-ferrovias-v\/","title":{"rendered":"SOBRE NOSSAS FERROVIAS (V)"},"content":{"rendered":"<p>LINHA PROVINCIAL<\/p>\n<p>No decorrer do ano de 1879 a Companhia volta a sofrer outras dificuldades financeiras na contrata\u00e7\u00e3o do trecho Onha \u2013 Santo Ant\u00f4nio de Jesus. Apesar dos problemas, em 7 de setembro de 1880 foram inauguradas v\u00e1rias esta\u00e7\u00f5es, inclusive a de Santo Ant\u00f4nio de Jesus no quil\u00f4metro 33,746 a partir da Esta\u00e7\u00e3o de Nazar\u00e9, passando a ser conhecida como Linha Provincial.<\/p>\n<p>De fabrica\u00e7\u00e3o francesa, o trem inaugural foi puxado pela locomotiva Lucena (n\u00famero 3) em homenagem ao presidente da Prov\u00edncia Henrique Pereira de Lucena, ou Bar\u00e3o de Lucena. Ap\u00f3s oito anos de situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, termina sendo constitu\u00edda a Tram-Road Nazar\u00e9 (linha Nazar\u00e9 \u2013 Santo Ant\u00f4nio).<\/p>\n<p>Como n\u00e3o conseguiu superar a crise, a Companhia requereu da Assembl\u00e9ia Legislativa, em mar\u00e7o de 1882, a dispensa de pagamento de juros de 7% ao ano. A Assembl\u00e9ia aprovou, mas o presidente da Prov\u00edncia, Pedro Luis Pereira de Souza vetou. Em 1884, com a entrega de 2.500 a\u00e7\u00f5es, a Companhia liquida seu d\u00e9bito com a Prov\u00edncia que passa a ser a acionista do projeto.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Rodovia-pela-Ferrovia-C\u00f3pia1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-279\" alt=\"Rodovia pela Ferrovia - C\u00f3pia\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Rodovia-pela-Ferrovia-C\u00f3pia1.jpg\" width=\"550\" height=\"339\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Rodovia-pela-Ferrovia-C\u00f3pia1.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Rodovia-pela-Ferrovia-C\u00f3pia1-300x184.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><!--more-->A partir de 1885 come\u00e7a o tra\u00e7ado para a vila de Amargosa, passando por S\u00e3o Miguel depois de atravessar tabuleiros, rios, vales e riachos num terreno bastante acidentado.<\/p>\n<p>O autor do estudo Alberto Oliveira descreve ser essa \u00e1rea de Amargosa o maior centro agr\u00edcola da Bahia, cortado pelos rios Dona, Corta-M\u00e2o, Ribeir\u00e3o e Jequiri\u00e7\u00e1, com muitas matas virgens. Caf\u00e9, a\u00e7\u00facar e fumo eram os principais produtos. Da Tram-Road de Nazar\u00e9, a linha Santo Ant\u00f4nio \u2013 S\u00e3o Miguel at\u00e9 Amargosa era a mais remunerativa.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1886, a Assembl\u00e9ia Geral de Acionista aprova a eleva\u00e7\u00e3o do capital da Companhia para constru\u00e7\u00e3o da linha at\u00e9 S\u00e3o Miguel. A diretoria se dirige ao imperador D. Pedro II e consegue ajuda para a obra, com privil\u00e9gios e juros mais baixos para a Estrada Santo Ant\u00f4nio-Amargosa na extens\u00e3o de 63 quil\u00f4metros. Ajudou muito na empreitada a nova verba\u00a0 aprovada por lei imperial, em outubro de 1889, al\u00e9m de empr\u00e9stimos com o Banco da Bahia.<\/p>\n<p>RAMAL DE AMARGOSA<\/p>\n<p>As obras foram iniciadas no final de 1889, dividindo a linha em quatro sec\u00e7\u00f5es: Rio da Dona; de S\u00e3o Miguel; Corta-M\u00e2o e Amargosa. Depois de muitos obst\u00e1culos, a empresa abriu o tr\u00e1fego at\u00e9 Corta-M\u00e2o, em fevereiro de 1892, numa dist\u00e2ncia de 42 quil\u00f4metros. Em dezembro estava conclu\u00edda \u00a0a Linha Federal at\u00e9 Amargosa, distante 65 quil\u00f4metros de Santo Ant\u00f4nio de Jesus.<\/p>\n<p>Entregue a Esta\u00e7\u00e3o de Amargosa ao servi\u00e7o p\u00fablico, a Estrada ficou sujeita a dois regimes de administra\u00e7\u00e3o. O trecho Nazar\u00e9 \u2013 Santo Ant\u00f4nio sob a fiscaliza\u00e7\u00e3o do Estado e o de Santo Ant\u00f4nio a Amargosa sob a fiscaliza\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Em agosto de 1905 o Governo do Estado resolve encampar a Tram-Road de Nazar\u00e9. J\u00e1 em maio de 1906, a Uni\u00e3o transfere ao Estado da Bahia o direito de resgate do trecho Santo Ant\u00f4nio-Amargosa e a construir em tr\u00eas anos a linha at\u00e9 Jequi\u00e9.<\/p>\n<p>A escritura definitiva de transfer\u00eancia para o Estado foi lavrada em outubro do mesmo ano, mediante pagamento de 4.500 ap\u00f3lices da d\u00edvida p\u00fablica estadual no valor nominal de um conto de r\u00e9is cada uma. Em dezembro de 1906, o Governo mudou a denomina\u00e7\u00e3o de Tram-Road de Nazar\u00e9 para Estrada de Ferro Nazar\u00e9, incorporando \u00e0 Estrada de S\u00e3o Miguel a Areia.<\/p>\n<p>As primeiras locomotivas foram adquiridas da Companhia Fives Lille em 1872. Ambas foram pioneiras das estradas de ferro, seguidas pela locomotiva Lucena que inaugurou a linha Santo Ant\u00f4nio de Jesus em 7 de setembro de 1880, de fabrica\u00e7\u00e3o francesa.<\/p>\n<p>A \u201cS\u00e3o Louren\u00e7o\u201d foi restaurada em 1949, considerada rel\u00edquia hist\u00f3rica da Estrada Nazar\u00e9. J\u00e1 a Saraiva inaugurou a Esta\u00e7\u00e3o Onha em 1875; trabalhou na constru\u00e7\u00e3o da Estrada S\u00e3o Miguel \u00e0 Areia e depois foi vendida como sucata. De maior capacidade, a Lucena foi desmontada e, at\u00e9 pouco tempo, sua caldeira estava nas Oficinas Gerais de Nazar\u00e9. J\u00e1 a locomotiva Baroneza foi a primeira m\u00e1quina a vapor que correu sobre os trilhos do pa\u00eds, pertencente a Estrada de Ferro Central do Brasil.<\/p>\n<p>Para transportar todo material como m\u00e1quinas, ferros, pe\u00e7as, trilhos necess\u00e1rios \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da Estrada Nazar\u00e9, os barcos a vela e a Companhia de Navega\u00e7\u00e3o Bahia tiveram papel fundamental. \u00a0Quase toda Estrada, especialmente de Santo Ant\u00f4nio a Amargosa, \u00e9 cortada por plan\u00edcies e montanhas com largas produ\u00e7\u00f5es de caf\u00e9, cacau, cana-de-a\u00e7\u00facar, cereais, mandioca e outros produtos.<\/p>\n<p>VALE DO JEQUIRI\u00c7\u00c1<\/p>\n<p>O Vale do Jequiri\u00e7\u00e1 \u00e9 outra regi\u00e3o f\u00e9rtil produtora de cacau, caf\u00e9 e fumo, precisando exportar suas produ\u00e7\u00f5es e importar os g\u00eaneros de primeira necessidade. Visando desenvolver a regi\u00e3o, o Governo estabeleceu em 1893 o Plano Geral de Via\u00e7\u00e3o do Estado para as Estradas de Ferro. Em 1895, o Estado contratou com a Cia. Tram-Road de Nazar\u00e9, a constru\u00e7\u00e3o da Estrada S\u00e3o Miguel a Areia. Por falta de dinheiro, o contrato foi rescindido e em 1898 e o Governo resolveu fazer a obra.<\/p>\n<p>Nesse mesmo ano, o engenheiro Alu\u00edzio Augusto Ramos contratou com o Governo os estudos da Estrada Corta-M\u00e2o, passando pela vila Nova de Jequiri\u00e7\u00e1 at\u00e9 Areia, numa extens\u00e3o de 55 quil\u00f4metros.\u00a0 Essa nova via teve como ponto de partida a vila de S\u00e3o Miguel e o povoado de Corta-M\u00e3o (Km 72) em dire\u00e7\u00e3o ao povoado de Nova Laje.<\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar que se tratava de um trecho bastante acidentado e de dif\u00edcil acesso. Mesmo assim, foram erguidas importantes obras de arte. Na \u00e9poca, Luis Viana era o governador da Bahia que inaugurou os servi\u00e7os de terraplenagem em mar\u00e7o de 1899. \u00a0J\u00e1 no final do mesmo ano, foram contratados 70 carros para passageiros e mercadorias.<\/p>\n<p>O assentamento da linha foi iniciado em mar\u00e7o de 1900, ano em que o Governo firmou contrato com a Tram-Road e a Estrada S\u00e3o Miguel &#8211; Areia para regular as condi\u00e7\u00f5es de tr\u00e1fego. Possu\u00eda a Estrada duas locomotivas Baldwin \u2013 a Rio de Contas e a Jequiri\u00e7\u00e1 &#8211; al\u00e9m de uma Consolidation, denominada Nova Laje.<\/p>\n<p>Essa Estrada sofreu muitos atrasos na sua constru\u00e7\u00e3o, principalmente em decorr\u00eancia de doen\u00e7as por febres palustres. Toda zona vivia em p\u00e9ssimo estado sanit\u00e1rio. A seca nos anos 89\/99 foi outro fator que prejudicou o andamento da obra, deixando as economias do Estado em prec\u00e1ria situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Num relat\u00f3rio ao Governo, o engenheiro Joseph Gomes Neto recomenda o prolongamento da Estrada at\u00e9 a cidade de Conde\u00faba, de menor custo por causa do terreno plano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LINHA PROVINCIAL No decorrer do ano de 1879 a Companhia volta a sofrer outras dificuldades financeiras na contrata\u00e7\u00e3o do trecho Onha \u2013 Santo Ant\u00f4nio de Jesus. 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