{"id":2729,"date":"2018-03-13T09:36:11","date_gmt":"2018-03-13T12:36:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2729"},"modified":"2018-03-13T09:36:35","modified_gmt":"2018-03-13T12:36:35","slug":"sarau-comenta-poesia-de-castro-alves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/03\/13\/sarau-comenta-poesia-de-castro-alves\/","title":{"rendered":"SARAU COMENTA POESIA DE CASTRO ALVES"},"content":{"rendered":"<p>Foi uma noite muito proveitosa na troca de conhecimento sobre a poesia de Castro Alves quando o \u201cSarau A Estrada\u201d e a Academia de Letras de Vit\u00f3ria da Conquista prestaram, no \u00faltimo s\u00e1bado (dia 10), uma homenagem ao poeta condoreiro que defendeu a liberdade, a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura no Brasil e sempre se colocou ao lado das causas sociais.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4832.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2730\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4832.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4832.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4832-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A sess\u00e3o solene, antecipando a data do seu nascimento em 14 de mar\u00e7o de 1847, foi aberta pela presidente da Academia, Nelma Suely Almeida Vieira, com a declama\u00e7\u00e3o do poema \u201cNavio Negreiro\u201d, seguida de um resumo da vida do poeta baiano pelo jornalista e escritor Jeremias Mac\u00e1rio. Os debates prosseguiram com Benjamim Nunes e outros presentes ao encontro que tamb\u00e9m deram suas contribui\u00e7\u00f5es culturais sobre o tema.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4848.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2731\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4848-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4848-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4848.jpg 550w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O acad\u00eamico e confrade Italvo Cavalcante de Oliveira chamou a aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da obra do poeta no s\u00e9culo XIX do Brasil escravo e indagou quais quest\u00f5es mais ele abordaria caso vivesse nos tempos atuais num mundo t\u00e3o conturbado, lembrando as levas de refugiados das guerras e das crises sociais.<\/p>\n<p>Ele transportou Castro Alves para os dias de hoje e disse que certamente iria empunhar seus versos em defesa dos refugiados e das injusti\u00e7as contra a humanidade. O professor Itamar Aguiar trouxe para todos participantes da reuni\u00e3o uma pesquisa pouco conhecida sobre a \u00faltima entrevista do poeta poucos dias antes de falecer em 6 de julho de 1871.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4883.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-2732\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4883-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4883-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4883.jpg 550w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nesta entrevista, Castro Alves fez grandes revela\u00e7\u00f5es sobre seu pensamento quando afirmou que a poesia, antes de tudo, tem que ser libert\u00e1ria e sempre se posicionar em defesa das causas sociais. Contou sobre sua passagem por Recife no curso de Direito quando foi colega de Rui Barbosa e com ele fundou a Sociedade Abolicionista do Recife.<\/p>\n<p>O poeta n\u00e3o se furtou na sua \u00faltima entrevista de falar sobre seus entreveros e discord\u00e2ncias ideol\u00f3gicas com o escritor e intelectual sergipano Tobias Barreto. Revelou seu desejo de publicar outros livros, al\u00e9m do seu \u00fanico \u201cEspumas Flutuantes\u201d, s\u00f3 que sua doen\u00e7a lhe tirou a vida aos 24 anos antes de realizar seus projetos.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio geral da Academia, Evandro Gomes Brito e sua esposa Roz\u00e2nia A. Gomes Brito se confraternizaram com todos e falaram da satisfa\u00e7\u00e3o do encontro em conjunto com a turma do \u201cSarau A Estrada\u201d que neste ano est\u00e1 completando oitos anos de debates e discuss\u00f5es sobre v\u00e1rias quest\u00f5es, inclusive j\u00e1 abrigou em sua sede no Espa\u00e7o Cultural do mesmo nome o lan\u00e7amento do filme \u201cCorpo Fechado\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4884.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2733\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4884.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4884.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_4884-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Num clima fraternal e descontra\u00eddo, o evento tamb\u00e9m contou com as presen\u00e7as do ex-inspetor da PRF, Adalberto Peixoto do Couto, o conhecido Canarinho, Neide (esposa de Nunes), do grupo do \u201cSarau Colaborativo\u201d, Baducha e C\u00e9u, Walter Lajes, Marta Moreno, Mano Di Souza e sua esposa Cleide, que nos brindaram com suas violas e cantorias at\u00e9 altas horas da madrugada, em complemento aos debates.<\/p>\n<p>O fot\u00f3grafo Jos\u00e9 Carlos D\u00b4Almeida cuidou da cobertura fotogr\u00e1fica e a anfitri\u00e3 Vandilza Gon\u00e7alves, sempre cordial e atenciosa, acolheu a todos com sua simpatia. O professor Jos\u00e9 Carlos e sua acompanhante e nosso companheiro Gild\u00e1sio Amorim tamb\u00e9m se juntaram a n\u00f3s nesta noite memor\u00e1vel onde, no bom sentido, a poesia de Castro Alves foi dissecada com debates liter\u00e1rios de alto n\u00edvel.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o poderia faltar num bom papo e \u00e0 batida da viola, acompanharam as discuss\u00f5es uma boa comida, o vinho e a cerveja gelada trazidos por todos colaboradores do Sarau. Num clima harmonioso e de respeito, mas com temas calorosos e at\u00e9 acirrados em algumas ocasi\u00f5es, outros assuntos foram tratados, al\u00e9m do central sobre a poesia do condoreiro indignado.<\/p>\n<p>Com aprova\u00e7\u00e3o de todos, o pr\u00f3ximo \u201cSarau A Estrada\u201d ficou marcado para o dia 5 de maio, com o tema \u201c50 Anos dos Movimentos Revolucion\u00e1rios de 1968 que Sacudiram a Terra\u201d onde vamos fazer uma viagem passando pelos protestos na Fran\u00e7a, M\u00e9xico, Estados Unidos, Alemanha, Brasil e na Tchecoslov\u00e1quia, principalmente.<\/p>\n<p>O VICTOR HUGO BRASILEIRO<\/p>\n<p><!--more--> Seus altos voos de condor grandiloquente (\u201cOde ao Dos de Julho\u201d) est\u00e3o inseridos na poesia do negro quando fez \u201cA Can\u00e7\u00e3o do Africano\u201d e \u201cVozes d\u00b4\u00c1frica\u201d. Do grotesco ao sublime da sua poesia dram\u00e1tica, foi considerado o Victor Hugo Brasileiro. Sua obra condoreira foi voltada para a vida e para a liberdade. \u201cOs Escravos\u201d e \u201cHinos do Equador\u201d foram suas maiores obras p\u00f3stumas.<\/p>\n<p>Contempor\u00e2neo de Jos\u00e9 de Alencar, Tobias Barreto e Machado de Assis,\u00a0 foi aluno de Ernesto Carneiro Ribeiro, na Bahia, e de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, em S\u00e3o Paulo. Em vida, publicou seu \u00fanico livro \u201cEspumas Flutuantes\u201d, quando retornava de navio do Rio de Janeiro para a Bahia.<\/p>\n<p>O poeta maior Ant\u00f4nio Frederico de Castro Alves, para os mais \u00edntimos, Cec\u00e9u, nasceu em 14 de mar\u00e7o de 1847, na fazenda Cabaceiras, munic\u00edpio de Castro Alves, na Bahia. De fam\u00edlia coronelista e aristocr\u00e1tica, segundo filho de Ant\u00f4nio Jos\u00e9 (m\u00e9dico) e m\u00e3e Cl\u00e9lia Bras\u00edlia da Silva Castro, tornou-se um subversivo revolucion\u00e1rio contra as injusti\u00e7as sociais.<\/p>\n<p>Ainda crian\u00e7a, mudou-se para Salvador em 1854 onde se matriculou no Gin\u00e1sio Baiano. Em 1862 foi para Recife preparar-se para entrar na Faculdade de Direito. L\u00e1 escreveu o poema \u201cA Destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Foi nessa \u00e9poca que passou a colaborar com a imprensa atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o de seus versos, os quais o poeta e cr\u00edtico Manuel Bandeira os classificou de ruins. Viveu um tempo ao lado de Idalina, mas numa de suas sa\u00eddas noturnas de boemia conhece Eug\u00eania C\u00e2mara no Teatro Santa Isabel (Recife). Nesse per\u00edodo de 62 a 63 escreveu \u201cPesadelo\u201d, \u201cMeu Segredo\u201d, \u201cCansa\u00e7o\u201d, \u201cNoite de Amor\u201d, \u201cA Can\u00e7\u00e3o do Africano\u201d, dentre outros poemas.<\/p>\n<p>Sem televis\u00e3o e outros tipos de entretenimentos, a op\u00e7\u00e3o era o teatro. Existiam at\u00e9 torcidas e brigas entre os estudantes pela prefer\u00eancia de pe\u00e7as e artistas. Numa dessas, Castro Alves rivalizou-se com Tobias Barreto na torcida entre Adelaide Amaral e Eug\u00eania C\u00e2mara, no Recife. Foi assim que esta se tornou a maior musa do poeta.<\/p>\n<p>Finalmente, em 1864 ingressa na Escola de Direito, mas foi reprovado. No outro ano leva a vida na flauta e foi ovacionado ao declamar o poema \u201cO S\u00e9culo\u201d. Com Eug\u00eania aumenta sua produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e resolve fazer uma pe\u00e7a teatral, com cunho pol\u00edtico para sua amada. Assim nasce \u201cGonzaga ou a Revolu\u00e7\u00e3o de Minas\u201d que trata da Inconfid\u00eancia Mineira.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a levou o poeta e Eug\u00eania a S\u00e3o Paulo, mas antes, em 1867, deram uma parada em Salvador onde a temporada na capital foi marcada por esc\u00e2ndalo e sucesso. Da Bahia foi para o Rio de Janeiro em 1868 onde conheceu Jos\u00e9 de Alencar e Machado de Assis que redigiu no \u201cCorreio Mercantil\u201d um artigo sobre o poeta baiano. S\u00f3 no final de mar\u00e7o de 1868 chega a S\u00e3o Paulo onde os dois retomaram a vida bo\u00eamia dos sal\u00f5es e saraus.<\/p>\n<p>Apesar das brigas entre os dois, Castro Alves continuou fazendo suas poesias, declamando em com\u00edcios, sacadas e palanques, exaltando a Rep\u00fablica e condenando a escravid\u00e3o. Em S\u00e3o Paulo, o poeta recome\u00e7a seus estudos de Direito, reencontra Rui Barbosa e tem Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio como professor. Por fim, termina seu romance com Eug\u00eania C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Numa ca\u00e7ada no arrabalde do Br\u00e1s, em S\u00e3o Paulo, Castro Alves \u00e9 atingido em seu p\u00e9 por um disparo acidental da sua espingarda. Diante das complica\u00e7\u00f5es foi para o Rio, em maio de 1869, para se tratar. Foi preciso amputar a perna no seu ter\u00e7o inferior.<\/p>\n<p>A sa\u00fade j\u00e1 debilitada pela tuberculose piorou. Retorna \u00e0 Bahia e na viagem de regresso escreve \u201cEspumas Flutuantes\u201d ao contemplar a esteira de espumas do navio. Ora em Salvador, ora numa fazenda de parentes, o poeta continua escrevendo, mas falece em 6 de julho de 1871, precocemente aos 24 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi uma noite muito proveitosa na troca de conhecimento sobre a poesia de Castro Alves quando o \u201cSarau A Estrada\u201d e a Academia de Letras de Vit\u00f3ria da Conquista prestaram, no \u00faltimo s\u00e1bado (dia 10), uma homenagem ao poeta condoreiro que defendeu a liberdade, a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura no Brasil e sempre se colocou ao [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2729"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2729"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2729\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2734,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2729\/revisions\/2734"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2729"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}