{"id":2697,"date":"2018-02-23T23:58:43","date_gmt":"2018-02-24T02:58:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2697"},"modified":"2018-02-24T00:09:09","modified_gmt":"2018-02-24T03:09:09","slug":"as-tres-mortes-de-che-guevara-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/02\/23\/as-tres-mortes-de-che-guevara-i\/","title":{"rendered":"&#8220;AS TR\u00caS MORTES DE CHE GUEVARA&#8221; (I)"},"content":{"rendered":"<p>\u201c(&#8230;) ELE N\u00c3O FOI APENAS UM REVOLUCION\u00c1RIO, UM PENSADOR E UM INTELECTUAL, MAS O MAIS COMPLETO SER HUMANO DA NOSSA \u00c9POCA\u201d \u2013 Jean Paul Sartre<\/p>\n<p>FOI EXCLU\u00cdDO, ALIJADO, TRA\u00cdDO E PARTIU EM BUSCA DA IMOLA\u00c7\u00c3O NO CONGO E NA BOL\u00cdVIA.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4796.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2698\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4796.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4796.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4796-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Por discordar de Fidel Castro, seu companheiro-amigo-irm\u00e3o mais fiel de luta, quanto a forma de ocupa\u00e7\u00e3o dos sovi\u00e9ticos na Ilha, Ernesto Guevara de la Serna, o Che, que combateu bravamente em Sierra Maestra para derrubar o regime de Fulg\u00eancio Batista, em 1959, teve que se afastar das decis\u00f5es do comando do governo comunista, colocando a revolu\u00e7\u00e3o acima de suas ideias.<\/p>\n<p>Sua fuga desesperada, angustiada, improvisada e \u00e0s pressas come\u00e7ou logo no final de 1964 quando passou tr\u00eas meses longe de Cuba em viagens pelo Egito, Tanz\u00e2nia e Arg\u00e9lia, para combinar sua a\u00e7\u00e3o guerrilheira no Congo, num ca\u00f3tico ambiente de indisciplina e desorganiza\u00e7\u00e3o entre os soldados \u00a0que se recusavam receber ordens.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4795.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2699\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4795.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4795.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4795-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os russos, ressentidos por sua prefer\u00eancia pela presen\u00e7a da China em Cuba, continuaram em seus calcanhares, e o Che s\u00f3 pode continuar no Congo at\u00e9 meados de 1965. Tentou adiar seu retornou a Cuba ficando uns tempos na \u00c1frica e em Praga onde aproveitou para se refazer fisicamente dos desgastes sofrido no Congo. Estava muito debilitado na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Em solo cubano onde n\u00e3o mais lhe pertencia por sentir-se fora dos destinos do povo, n\u00e3o demorou muito e rumou, com pouca prepara\u00e7\u00e3o, para as selvas bolivianas onde foi abandonado e esquecido por Fidel, sob press\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica que n\u00e3o aceitava mais um trotskista em suas fileiras. Depois de ferido num acidente, foi impiedosamente executado pelo ex\u00e9rcito boliviano, em 8 de outubro de 1967.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4797.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2700\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4797.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4797.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4797-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Toda sua trajet\u00f3ria, desde sua viagem de motocicleta pela Am\u00e9rica do Sul e Central como rec\u00e9m-formado em medicina, seu relacionamento familiar, seu encontro com Fidel no M\u00e9xico, sua ida para Cuba, seu auge como ministro e sua decad\u00eancia s\u00e3o contados pelo jornalista e escritor Fl\u00e1vio Tavares, no livro \u201cAs Tr\u00eas Mortes de Che Guevara\u201d \u2013 o disparo em Cuba, a agonia no Congo e a execu\u00e7\u00e3o na Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>No seu livro, de atraente leitura, o jornalista fala tamb\u00e9m do seu primeiro encontro com o Che em 9 de agosto de 1961 em Punta del Este (Uruguai), na abertura da Confer\u00eancia da OEA. Sobre sua vida, cita suas andan\u00e7as de motocicleta com o amigo Alberto Granado pelo Chile, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Venezuela, Guatemala e outros pa\u00edses at\u00e9 o M\u00e9xico, em 1952. Da viagem, destaca os escritos e impress\u00f5es do Che em \u201cDi\u00e1rios de Motocicleta\u201d.<\/p>\n<p><!--more-->\u00c9 uma narra\u00e7\u00e3o baseada em entrevistas, testemunhos de companheiros fieis que lutaram ao lado do Che, cartas-documentos, depoimentos da sua m\u00e3e C\u00e9lia, simpatizantes, inimigos de combate, fatos cobertos pela imprensa e outras fontes que comprovam que o jovem m\u00e9dico argentino sempre sonhou com o \u201chomem novo\u201d, mas foi tra\u00eddo pela pr\u00f3pria revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No desenrolar da narrativa, com argumentos bem amarrados em \u00a0linguagem din\u00e2mica, o autor deixa claro que o Che foi empurrado para a armadilha da morte e, como n\u00e3o tinha outra op\u00e7\u00e3o, aventurou-se novamente nas selvas para construir outras revolu\u00e7\u00f5es, como fez antes quando seguiu sem amigo-irm\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Cuba.<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio Tavares faz v\u00e1rias perguntas e deixa interroga\u00e7\u00f5es sobre a atitude de um homem experiente que parece saber que est\u00e1 indo para a morte depois de ter sido superministro na ilha cubana. Mesmo assim, ele prefere recome\u00e7ar tudo como no in\u00edcio contra a opress\u00e3o do imperialismo.<\/p>\n<p>Tudo leva a crer que ele ficou desiludido com o poder e da forma como a revolu\u00e7\u00e3o foi se desviando daquilo que ele imaginava ser. N\u00e3o se conformava com os m\u00e9todos impostos pelos sovi\u00e9ticos e passou a divergir de determinadas linhas de a\u00e7\u00e3o do regime com o comandante Fidel.<\/p>\n<p>Foram horas e horas de discuss\u00e3o e, por n\u00e3o concordar com certos pontos de vista, foi sendo retirado, propositalmente, de cena. Ele pr\u00f3prio percebeu isso quando partiu para guerrear como um ing\u00eanuo em outras terras estranhas, cheias de adversidades, como se estivesse em busca da imola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPor que morreu do jeito que morreu, no abandono pol\u00edtico e pessoal, incompreendido em Cuba e de l\u00e1 tendo de sair para continuar a ser o homem que era? Por que na Bol\u00edvia (antes no Congo) continuou isolado pelos que diziam lutar por aquilo que ele lutava, pela utopia que buscava alcan\u00e7ar\u201d?<\/p>\n<p>S\u00e3o indaga\u00e7\u00f5es feitas pelo pr\u00f3prio autor na abertura do seu livro no cap\u00edtulo \u201cA vida do homem novo\u201d. O inquieto viajante aventureiro foi capturado no dia 8 de outubro de 1967 e executado no dia seguinte aos 39 anos, tr\u00eas meses e 25 dias pelo sargento do ex\u00e9rcito boliviano M\u00e1rio Ter\u00e1n. Neste dia, Fl\u00e1vio Tavares estava preso no quartel do ex\u00e9rcito em Juiz de Fora (MG) e n\u00e3o acreditou na not\u00edcia. Foi atrav\u00e9s de uma artimanha do sargento Ter\u00e1n que o ativista e te\u00f3rico das guerrilhas, o franc\u00eas R\u00e9gis Debray, preso na Bol\u00edvia, entregou a localiza\u00e7\u00e3o Che.<\/p>\n<p>Foi justamente a partir dos anos 60 que a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana passou a exercer profundo fasc\u00ednio em todos grupos sociais pelo mundo, especialmente na Am\u00e9rica Latina. Da ilha surgia uma nova vis\u00e3o libert\u00e1ria. Cuba era, ent\u00e3o, el territ\u00f3rio libre de Am\u00e9rica \u2013 comenta o escritor de \u201cAs Tr\u00eas Mortes de Che Guevara\u201d, ao narrar o ambiente da capital Havana dominada pela m\u00e1fia norte-americana at\u00e9 1\u00ba de janeiro de 1959.<\/p>\n<p>Diante de todas as dificuldades econ\u00f4micas e pol\u00edticas, nacionaliza\u00e7\u00e3o de multinacionais, que rejeitaram refinar o petr\u00f3leo russo, e da invas\u00e3o de mercen\u00e1rios dos Estados Unidos (1961), a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica aparece na escolha de Fidel Castro como reden\u00e7\u00e3o, guardi\u00e3o e guarda chuva do Estado, com seu marxismo autorit\u00e1rio e arrogante.<\/p>\n<p>Diz o biografo de Guevara, o norte-americano Jon Lee Anderson, que na sua primeira viagem \u00e0 R\u00fassia, o Che voltara desiludido com o que viu, no caso a vida elitista e a predile\u00e7\u00e3o por luxos burgueses adotados por autoridades do Kremlin, em contraste com as condi\u00e7\u00f5es austeras do cidad\u00e3o comum sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o foi a de que o Che considerava porcaria a grande maioria dos produtos fornecidos pelos sovi\u00e9ticos, da maquinaria aos parafusos, segundo confessou seu amigo confidente argentino Ricardo Rojo. Os sovi\u00e9ticos e os pa\u00edses da \u00f3rbita de Moscou pagavam um bom pre\u00e7o pelo a\u00e7\u00facar, mas quase tudo em moeda n\u00e3o convers\u00edvel para trocas internacionais.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Tavares, o Che queria algo mais, al\u00e9m de Estado benfeitor que imitava o capitalismo, explorador do outro &#8211; conforme interpreta em sua obra. Ele queria criar o \u201chomem novo\u201d e assim instituiu o trabalho volunt\u00e1rio, inspirado nas comunas populares da China &#8211; escreveu.<\/p>\n<p>Aquilo foi o estopim para entrar em colis\u00e3o com Fidel e ser alijado do centro do poder. Seu primeiro gesto de rebeldia foi n\u00e3o comparecer, em novembro de 1964, ao congresso dos partidos comunistas da Am\u00e9rica Latina, em Havana, com assist\u00eancia de Fidel e da c\u00fapula do Partido Popular Socialista de Cuba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c(&#8230;) ELE N\u00c3O FOI APENAS UM REVOLUCION\u00c1RIO, UM PENSADOR E UM INTELECTUAL, MAS O MAIS COMPLETO SER HUMANO DA NOSSA \u00c9POCA\u201d \u2013 Jean Paul Sartre FOI EXCLU\u00cdDO, ALIJADO, TRA\u00cdDO E PARTIU EM BUSCA DA IMOLA\u00c7\u00c3O NO CONGO E NA BOL\u00cdVIA. 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