{"id":2684,"date":"2018-02-16T08:58:55","date_gmt":"2018-02-16T11:58:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2684"},"modified":"2018-02-16T08:59:04","modified_gmt":"2018-02-16T11:59:04","slug":"pais-sem-cultura-e-pais-sem-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/02\/16\/pais-sem-cultura-e-pais-sem-alma\/","title":{"rendered":"PA\u00cdS SEM CULTURA \u00c9 PA\u00cdS SEM ALMA"},"content":{"rendered":"<p>O BRASIL \u00c9 UM PA\u00cdS SEM ALMA QUE A VENDEU AOS OUTROS<\/p>\n<p>Por que as nossas crian\u00e7as e at\u00e9 os adultos ficam fascinados com as estampas coloridas dos super-her\u00f3is norte-americanos nos cadernos escolares e n\u00e3o valorizam nossas personagens da cultura local? Por que preferem mais festejar o dia da bruxa nos Estados Unidos que o saci, a caipora, a lenda do boto, a mula sem cabe\u00e7a ou o bumba-meu-boi? Por que de tantos nomes em ingl\u00eas nas vitrines das lojas do que o uso de letreiros em nossa l\u00edngua portuguesa? Nos eventos promocionais do com\u00e9rcio lojista, n\u00e3o temos uma data ou uma cria\u00e7\u00e3o de festejo, exclusivamente nosso.<\/p>\n<p>Antes era a Fran\u00e7a o nosso espelho da moda, da etiqueta, da gastronomia e das ideias revolucion\u00e1rias, e o Brasil adorava e idolatrava tudo que vinha da terra de Victor Hugo, Voltaire, Lavoisier, Rousseau e outros tantos intelectuais, pensadores e fil\u00f3sofos. Da col\u00f4nia ao imp\u00e9rio, os brasileiros imitavam tudo o que chegava de l\u00e1, at\u00e9 talheres, pratos e x\u00edcaras. Come\u00e7amos a partir dai a vender nossa alma cultural e a negar nossa identidade.<\/p>\n<p>Depois vieram os Estados Unidos para ditar a sua cultura e roubaram a nossa maneira de pensar e de viver. At\u00e9 hoje ficamos deslumbrados com seu cinema, seus super-her\u00f3is enlatados, filmes de \u201carrasa quarteir\u00e3o\u201d, sua pol\u00edtica capitalista neoliberal, suas escolas de pensamento egoc\u00eantrico e prepotente de donos do mundo e suas cria\u00e7\u00f5es de endeusamento do consumismo como forma de incentivar as vendas e o poder de compra.<\/p>\n<p>O consenso de Washington, da Am\u00e9rica dos norte-americanos, impregnou em nossas peles. Como subalternos e pobres coloniais sofrendo do complexo de inferioridade, esquecemo-nos da nossa cultura e ficamos sem alma. Deixamos que eles impusessem suas pol\u00edticas, seus costumes e ficamos euf\u00f3ricos em visitar seu pa\u00eds, mesmo sendo constrangidos e humilhados nos aeroportos como clandestinos. Perdemos a autoestima, e tudo que vem de l\u00e1 \u00e9 bom, \u00e9 o melhor e deve ser imitado.<\/p>\n<p>Continuamos pobres, inclusive de esp\u00edrito, apesar de possuirmos um grande caldeir\u00e3o cultural recheado de diversidades, com uma riqueza enorme em todo territ\u00f3rio. A mistura de povos entre \u00edndios, negros e brancos ib\u00e9ricos expandiu o leque cultural multifacetado. Temos grandes m\u00fasicos, artistas, escritores e mat\u00e9ria-prima suficiente para cultuarmos o que \u00e9 nosso, mas destru\u00edmos como v\u00e2ndalos nosso patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>Com um sistema perverso que privilegia as elites burguesas, desde os tempos do coronelismo e dos senhores de engenhos, em detrimento das camadas desfavorecidas que foram ao longo dos \u00faltimos anos escravizadas na mis\u00e9ria, a nossa cultura foi se diluindo e perdendo sua real identidade. A pr\u00f3pria oligarquia se rendeu ao produto de fora, e os governantes entreguistas incentivaram a cria\u00e7\u00e3o externa.<\/p>\n<p>Damos muito mais valor aos cadernos de Batman, do Homem Aranha, do Homem de Ferro, da Mulher Maravilha, do Huck e outros her\u00f3is estrangeiros do que os personagens do desenhista Maur\u00edcio de Souza. N\u00e3o cuidamos bem do que \u00e9 nosso como o Bumba-Meu-Boi, o Maracatu, a Capoeira, o Reisado, o Samba, o Forr\u00f3 e outras express\u00f5es, como \u00e9 o caso do Carnaval.<\/p>\n<p>A festa momesca, por exemplo, foi infestada de batuques, rebolados e m\u00fasicas de baixo n\u00edvel. A estupidez das cantorias invadiu as ruas e aniquilou nossa cultura. Na Bahia, os banz\u00earos, \u201cos gigantes\u201d as falsas rainhas e pr\u00edncipes s\u00e3o os nossos \u201crepresentantes culturais\u201d nas vozes de trios e bandas do n\u00edvel de \u201c\u00c9 o Tchan\u201d. O mesmo vem acontecendo com o nosso Forr\u00f3, cada vez mais descaracterizado e emporcalhado pelo estrangeirismo.<\/p>\n<p>A m\u00eddia submissa e idiotizada abre largos espa\u00e7os para estes artistas das letras sem sentido que nada dizem. Cada gesto e atitude de um deles s\u00e3o acompanhados como grandes acontecimentos e feitos. O nascimento de um filho ou filha torna-se um espet\u00e1culo e um show \u00e0 parte, com manchetes de p\u00e1ginas e imagens de bajula\u00e7\u00f5es carregadas de elogios baratos.<\/p>\n<p>Cada ve\u00edculo quer sair na frente com mais sensacionalismo que puder, para angariar mais simpatia, audi\u00eancia e ades\u00e3o dos s\u00faditos do \u201ctira os p\u00e9s do ch\u00e3o\u201d, \u00e1vidos por not\u00edcias de seus \u201c\u00eddolos e her\u00f3is\u201d. Tudo isso \u00e9 estampado numa sociedade de profundas desigualdades sociais de filhos abandonados, desnutridos e incultos onde muitos morrem nos corredores sujos dos hospitais.<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0Bebemos, todos n\u00f3s, desse caldo amargo de crise moral e \u00e9tica, preparado pelos poderes legislativo, judici\u00e1rio e executivo que empurraram nossa cultura para o fundo do po\u00e7o. Agora mesmo, o Tribunal Superior Eleitoral aprovou uma verba extra para o Congresso de R$888,7 milh\u00f5es que ser\u00e3o usados para custeio dos 35 partidos pol\u00edticos em atividade no pa\u00eds (mais 56 aguardam aprova\u00e7\u00e3o do TSE).<\/p>\n<p>Esse valor a ser repassado \u00e9 equivalente aos recursos da Uni\u00e3o previstos este ano para a pasta do Minist\u00e9rio da Cultura e representa mais uma fonte de despesas que poderia ser aplicada na educa\u00e7\u00e3o, na sa\u00fade e na seguran\u00e7a. Sem o suporte da cultura, a alma do pa\u00eds, passa-se a incorporar e a se incarnar em tudo o que vem de fora como forma de se continuar vivo. Perde-se assim a autoestima e o orgulho pelo o que \u00e9 nacional.<\/p>\n<p>A alta grana aos partidos \u00e9 mais um custo do governo federal (dinheiro nosso), respons\u00e1vel por manter a C\u00e2mara dos Deputados que consome R$5,9 bilh\u00f5es em sal\u00e1rios, benef\u00edcios e custeio por ano, al\u00e9m de R$4,2 bilh\u00f5es para o Senado, R$11,4 bilh\u00f5es para a Justi\u00e7a Federal e mais R$2 bilh\u00f5es para o Tribunal de Contas. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds sem alma cultural.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O BRASIL \u00c9 UM PA\u00cdS SEM ALMA QUE A VENDEU AOS OUTROS Por que as nossas crian\u00e7as e at\u00e9 os adultos ficam fascinados com as estampas coloridas dos super-her\u00f3is norte-americanos nos cadernos escolares e n\u00e3o valorizam nossas personagens da cultura local? 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