{"id":2665,"date":"2018-02-05T22:56:11","date_gmt":"2018-02-06T01:56:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2665"},"modified":"2018-02-05T22:56:22","modified_gmt":"2018-02-06T01:56:22","slug":"deuses-tumulos-e-sabios-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/02\/05\/deuses-tumulos-e-sabios-ii\/","title":{"rendered":"&#8220;DEUSES, T\u00daMULOS E S\u00c1BIOS&#8221; (II)"},"content":{"rendered":"<p>OS LADR\u00d5ES DE T\u00daMULOS E A \u201cPRAGA DO FARA\u00d3\u201d<\/p>\n<p>Para se livrar dos ladr\u00f5es e quebrar a tradi\u00e7\u00e3o, Tutm\u00e9s I (1545 a 1515 a.C.), ainda no tempo dos \u201cFilhos do Sol\u201d (Rams\u00e9s I e II (1350 a 1200 a.C),\u00a0 foi o primeiro rei que tomou a resolu\u00e7\u00e3o de separar o t\u00famulo do templo, n\u00e3o mais depositando seu corpo em vis\u00edvel e imponente monumento tumular e sim numa c\u00e2mara oculta sob a rocha. O Vale dos Reis era visado.<\/p>\n<p>Antes, todos os t\u00famulos de reis foram saqueados. Mesmo assim, a medida n\u00e3o impediu a a\u00e7\u00e3o dos ladr\u00f5es, Os corpos de Rams\u00e9s III (tr\u00eas vezes), Amosis, Tutm\u00e9s II e outros foram v\u00edtimas dos saqueadores. O pr\u00f3prio Tutm\u00e9s teve que ser retirado da sua cova para outro lugar como forma de prote\u00e7\u00e3o contra os ladroes. Nem mesmo o seu t\u00famulo na rocha parecia seguro. No de Tutanc\u00e2mon entraram ladr\u00f5es, quinze anos depois da sua morte e, no de Tutm\u00e9s IV, deixaram seu cart\u00e3o de visita atrav\u00e9s de rabiscos nas paredes com deboches.<\/p>\n<p>Outros grandes arque\u00f3logos de destaque foram o norte-americano Howard Carter que escavou o t\u00famulo de Tutanc\u00e2mon, o rei mais rico, Lepsius e Petrie atuaram no Egito. Paul Emile Bota e Layard fizeram grandes descobertas na Mesopot\u00e2mia, Schlieman e Evans assombrou o mundo com o achado de Troia e Cnossos, Stephens e Thompson (EUA), em Iucat\u00e3, na Am\u00e9rica Central e Koldewey e Wooley, na Babil\u00f4nia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4765.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2666\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4765.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4765.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4765-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O achado de Tutanc\u00e2mon (1927\/28), cuja m\u00famia foi examinada pelo Dr. Derry, pode ser considerado o maior da hist\u00f3ria da antiguidade e rendeu enorme visibilidade para o mundo quando muito se falou da \u201cPraga do Fara\u00f3\u201d. \u201cA Vingan\u00e7a do Fara\u00f3\u201d e \u201cNova V\u00edtima de Tutanc\u00e2mon\u201d foram, entre outras, manchetes estampadas na m\u00eddia daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>\u201cA morte vir\u00e1 com asas ligeiras para aqueles que perturbarem o repouso do Fara\u00f3\u201d \u2013 diz uma das vers\u00f5es da \u201cpraga\u201d que estaria inscrita no t\u00famulo de Tutanc\u00e2mon. O pr\u00f3prio Carter se manifestou dizendo que \u201co investigador faz seu trabalho com profundo respeito e a mais pura gravidade, mas livre desse arrepio a cuja misteriosa sedu\u00e7\u00e3o sucumbe t\u00e3o facilmente a multid\u00e3o sedenta de sensa\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas\u201d. Ele descreve hist\u00f3rias rid\u00edculas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4766.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2667\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4766.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4766.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4766-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Paul Emile Botta, sem d\u00favida, foi tamb\u00e9m refer\u00eancia no campo da arqueologia que realizou escava\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o dos rios Tigre e Eufrates, ber\u00e7o da cultura da antiga Sum\u00e9ria e Ass\u00edria (Assur-Babil\u00f4nia), cidades que alcan\u00e7aram maior esplendor sob o dom\u00ednio dos ass\u00edrios e babil\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Outro prod\u00edgio da ci\u00eancia, Botta estudou chin\u00eas aos 14 anos. Em 1840 foi agente consular em Mossul (hoje Iraque). Com sua insist\u00eancia, descobriu esculturas do tempo da exist\u00eancia de N\u00ednive, o maior centro comercial, onde achou, em 1843, o pal\u00e1cio ass\u00edrio do rei Sarg\u00e3o. Eugene Napoleon Flandin muito contribuiu com sua expedi\u00e7\u00e3o como desenhista.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4768.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2668\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4768.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4768.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4768-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O trabalho de Botta teve prosseguimento com o arrojado ingl\u00eas Henry Layard que encontrou os restos da resid\u00eancia de Dario e Xerxes, enorme pal\u00e1cio destru\u00eddo por Alexandre Magno durante um festim com muita bebedeira. Conta que a dan\u00e7arina Tais, na f\u00faria da sua dan\u00e7a, tirou um ti\u00e7\u00e3o do altar e jogou ao meio das colunas de madeira. Alexandre e seus seguidores fizeram o mesmo. Existem d\u00favidas sobre esta hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Como decifrador da escrita cuneiforme, o destaque vai para o alem\u00e3o Georg Friedrich Grotefend, nascido em junho de 1775. Tanto ele como os s\u00e1bios da \u00e9poca estavam familiarizados com o antigo soberano persa de Pers\u00e9polis (Ciro), sobretudo pela leitura dos autores gregos. Sabia-se que Ciro havia aniquilado a Babil\u00f4nia l\u00e1 pelos anos 540 a.C., fundando o primeiro grande imp\u00e9rio persa.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4772.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2669\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4772.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4772.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/IMG_4772-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Outro famoso lingu\u00edstico foi o ingl\u00eas Henry Rawlinson, c\u00f4nsul em Bagd\u00e1, em 1840,considerado aventureiro, juntamente com Henry Layard e Botta. Layard, por exemplo, baseado nas leituras de \u201cMil e Uma Noites\u201d, realizou importantes escava\u00e7\u00f5es na Mesopot\u00e2mia nas colinas de Nemrod onde encontrou um dos maiores pal\u00e1cios ass\u00edrios de N\u00ednive, por volta de 1845.<\/p>\n<p><!--more--> Nas escava\u00e7\u00f5es, Layard achou a est\u00e1tua de um dos deuses astrais ass\u00edrios identificados com os quatro pontos cardeais: Marduk, touro alado; Nebo, ser humano; Nergal, le\u00e3o alado e Ninurta, a \u00e1guia. Encontrou tamb\u00e9m os\u00a0 pal\u00e1cios de Assurbanipal II (884 a 859 a.C.) e Senaquerib (704 a 681 a. C.).<\/p>\n<p>Sobre N\u00ednive, conta que o nome originou-se de Nin, a grande deusa da Mesopot\u00e2mia. Pelo ano de 1930 a.C., o legislador Hammurabi cita o templo de Istar em volta do qual fora constru\u00edda a cidade. N\u00ednive sempre foi provinciana, enquanto Assur e Kalchu se tornaram moradas reais.<\/p>\n<p>Sobre o reinado de Assurbanipal, N\u00ednive viveu seu per\u00edodo de maior esplendor, com maior n\u00famero de comerciantes, sendo foco da pol\u00edtica, da economia, da cultura, da ci\u00eancia e da arte. Era a Roma do tempo dos C\u00e9sares. Ciaxares cercou a cidade e arrasou tudo, transformando-a num monte de ru\u00ednas. N\u00ednive sempre foi ligada a assassinato, saque, repress\u00e3o, guerra e terror. Senaquerib foi o primeiro C\u00e9sar louco que ocupou o trono da primeira metr\u00f3pole civilizadora, tal como mais tarde foi Nero em Roma.<\/p>\n<p>N\u00ednive foi a Roma ass\u00edria, dominada por uma camada privilegiada, cujo poder derivava do sangue, da ra\u00e7a, da nobreza, do ouro, da viol\u00eancia e povoada por uma massa amorfa de povo maltratado e sem direitos. A fun\u00e7\u00e3o desse povo era trabalhar, com a ilus\u00e3o dada de que assim atuava para o bem de todos. Era uma massa em fermenta\u00e7\u00e3o que oscilava entre extremos de revolta social e da escravid\u00e3o resignada, ora transformada em multid\u00e3o incontida, ora recaindo na in\u00e9rcia bruta como reses que seguem cega e humildemente para o matadouro descreve o autor do livro \u201cDeuses, T\u00famulos e S\u00e1bios\u201d.<\/p>\n<p>A cidade tamb\u00e9m teve seu sanguin\u00e1rio rei Senaquerib que mandou derrubar edif\u00edcios para erguer nela seu suntuoso pal\u00e1cio sem igual. Sua f\u00faria construtora atingiu seu auge na edifica\u00e7\u00e3o do pal\u00e1cio de banquetes do deus ASSUR. Ele come\u00e7ou seu reinado renegando seu pai Sarg\u00e3o e criou sua origem nos reis pr\u00e9-diluvianos e semideuses.<\/p>\n<p>Sob seu comando, atacou Babil\u00f4nia, marchou contra os galeus e cossitas, Tiro, Sidon e Ascalon no ano de 701, e tamb\u00e9m contra o rei Hezequias, de Jud\u00e1, cujo conselheiro era o profeta Isaias. Disse ter conquistado 46 fortalezas e in\u00fameras aldeias nas terras de Israel. No entanto, diante de Jerusal\u00e9m teve a primeira derrota profetizada por Isaias. Conta o profeta que o anjo do Senhor saiu e feriu no acampamento dos ass\u00edrios 185 mil homens, tornando-os todos mortos.<\/p>\n<p>Na verdade, conforme an\u00e1lises, a peste atacou seu ex\u00e9rcito. Senaquerib atingiu o \u00e1pice do seu despotismo no ano de 689 quando decidiu varrer da face da terra a rebelde Babel. Conta a hist\u00f3ria que os habitantes foram mortos um por um at\u00e9 que as ruas ficaram atulhadas de cad\u00e1veres.<\/p>\n<p>Bem, retornando aos \u201cdeuses\u201d, arque\u00f3logos, decifradores e estudiosos da antiguidade, podemos citar ainda o ingl\u00eas George Smith que teve a proeza, de em 1872, decifrar a obra que fala da epopeia de Gilgam\u00e9s, mandada por Hormuzd Rassam atrav\u00e9s das tabuinhas. Este ingl\u00eas desvendou as fa\u00e7anhas de Gilgam\u00e9s, inclusive foi ele quem encontrou as outras partes que faltavam para completar a obra.<\/p>\n<p>O alem\u00e3o Roberto Koldewey realizou escava\u00e7\u00f5es em Assos e Lesbos, bem como em Babil\u00f4nia pelo ano de 1887. Esteve ainda na S\u00edria, sul da It\u00e1lia. Como cientista um tanto estranho, teve o privil\u00e9gio de descobrir os \u201cJardins de Sem\u00edramis\u201d; desenterrou o muro de Babil\u00f4nia e a Torre de Babel, a maior cidade fortaleza que o mundo j\u00e1 viu, maior mesmo que N\u00ednive, por volta de 1889.<\/p>\n<p>Ele encontrou, nada mais nada menos, que a cidade de Nabucodonosor feita de tijolos cozidos no forno, ao inv\u00e9s de tijolos de argila cozidos ao sol. Escavou a torre que sempre carregou o s\u00edmbolo de arrog\u00e2ncia humana, al\u00e9m de uma estrada maravilhosa que era o caminho pela qual passava a prociss\u00e3o ao culto em homenagem ao deus Marduk, cujo olhar os simples mortais n\u00e3o poderiam suportar. S\u00f3 uma mulher escolhida permanecia l\u00e1 no templo noite ap\u00f3s noite para o prazer do deus.<\/p>\n<p>Em redor do templo, cercado por muros, erguiam-se as casas onde ficavam os peregrinos que vinha de longe para os grandes festejos, enquanto se preparavam para a prociss\u00e3o. Tukulti-Ninurta, Sarg\u00e3o, Senaquerib e Assurbanipal atacaram o muro e destru\u00edram o santu\u00e1rio, mas vieram Nabopolassar e Nabucodonosor para reconstruir tudo. Ciro foi o primeiro conquistador que n\u00e3o destruiu e deu liberdade de religi\u00e3o para todos.<\/p>\n<p>O autor de \u201cDeuses, T\u00famulos e S\u00e1bios\u201d cita outros grandes arque\u00f3logos e estudiosos no assunto como Ernest De Sarzec que trabalhou em Nippur no final do s\u00e9culo XIX, e os norte-americanos Hilprecht e Peters que escreveram sobre os sumerianos, chamados de \u201ccabe\u00e7as negras\u201d ( civiliza\u00e7\u00e3o superior), que povoaram a terra e foram extirpados por povos b\u00e1rbaros depois do grande dil\u00favio.<\/p>\n<p>O ingl\u00eas Leonard Wolley escavou na regi\u00e3o de Ur, terra do patriarca Abra\u00e3o, desvendando os minist\u00e9rios de reis que dominaram e conquistaram v\u00e1rias tribos da Mesopot\u00e2mia, como Sarg\u00e3o I (2684 a 2630), primeiro soberano que reuniu vasto territ\u00f3rio. A lenda em torno do seu nascimento se assimila a de Ciro, Mois\u00e9s, R\u00f4mulo, Perseu e outros.<\/p>\n<p>Seu trabalho de pesquisador serviu para atestar que Hammurabi (1955 a !913 a.C.) conseguiu notabilidade a partir de golpes pol\u00edticos e militares. J\u00e1 no reinado de Sarg\u00e3o II (722 a 705 a.C.), a Ass\u00edria atingiu o maior grau de coes\u00e3o. Este foi o pai de Senaquerib (704 a 681 a.C), o louco cruel, cujo filho Asarhadon come\u00e7ou a reconstruir Babil\u00f4nia, juntamente com seus descendentes Nabopolassar e Nabucodonosor.<\/p>\n<p>Sobre os \u201ccabe\u00e7as negras\u201d, Leonard nos passa o dom\u00ednio dos sumerianos na constru\u00e7\u00e3o dos arcos arquitet\u00f4nicos que se tornaram conhecidos na Europa com as conquistas de Alexandre Magno quando os engenheiros gregos se agarraram a esta nova forma de edifica\u00e7\u00e3o e introduziram no mundo ocidental.<\/p>\n<p>Os romanos assumiram, posteriormente, o papel dos gregos. O arco constitu\u00eda um tipo de constru\u00e7\u00e3o comum na Babil\u00f4nia e, inclusive, Nabucodonosor empregou na reconstru\u00e7\u00e3o da cidade no ano 600 a.C. Um esgoto arqueado de Nippur deve datar de uns 3000 a.C. Os arcos de Ur fazem recuar este principio arquitet\u00f4nico a outros 500 anos.<\/p>\n<p>Diz o autor em seu livro que \u201ca for\u00e7a criadora da cultura sumeriana era extraordin\u00e1ria e que seu influxo permeou todos os dom\u00ednios. Tudo o que floresceu exuberantemente em Babil\u00f4nia e N\u00ednive tinha suas ra\u00edzes em terreno sumeriano\u201d.<\/p>\n<p>NA AM\u00c9RICA LATINA<\/p>\n<p>Saindo da Sum\u00e9ria, na Mesopot\u00e2mia, o escritor do livro penetra na Am\u00e9rica Latina, especificamente na civiliza\u00e7\u00e3o maia (Honduras e Guatemala) e na terra dos astecas, no M\u00e9xico. Nesses territ\u00f3rios, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos, se destacaram grandes exploradores e estudiosos no assunto, como John Lloyd Stephens, Edward Herbert Thompson, William Prescott, Diego de Landa e muitos outros que deixaram suas contribui\u00e7\u00f5es para a humanidade.<\/p>\n<p>Stephens, por exemplo, chegou a comprar a cidade de Comot\u00e1n, entre Honduras e Guatemala, em 1839, para descobrir os monumentos maias e suas expans\u00f5es em Chiapas e Iucat\u00e3. Diego de Landa, uma grande refer\u00eancia do tema, escreveu, em 1566, sobre o Iucat\u00e3 e realizou um trabalho profundo a respeito do mist\u00e9rio das cidades abandonadas pelos maias. Prescott escreveu sobre a hist\u00f3ria dos astecas.<\/p>\n<p>Thompson est\u00e1 para Iucat\u00e3 como o alem\u00e3o Schlieman para Troia. O norte-americano, com sua valentia e coragem, foi o respons\u00e1vel por desvendar o mist\u00e9rio do Po\u00e7o Sagrado onde os sacerdotes empurravam as donzelas como oferendas aos deuses em tempos de seca para que eles se acalmassem e mandassem chuva.<\/p>\n<p>Narra Diego de Landa que em tempos de seca os sacerdotes e o povo seguiam em prociss\u00e3o por uma larga estrada at\u00e9 ao po\u00e7o, a fim de apaziguarem a c\u00f3lera do deus da chuva. Jovens donzelas e mo\u00e7os eram empurrados para o po\u00e7o. Os nativos da regi\u00e3o acreditavam que enormes serpentes e estranhos monstros viviam nas profundezas escuras do Po\u00e7o Sagrado.<\/p>\n<p>Com atrevimento, Thompson contratou homens, aperfei\u00e7oou t\u00e9cnicas e penetrou at\u00e9 o fundo do po\u00e7o, contra todos os progn\u00f3sticos de morte pelos nativos, e descobriu tesouros e preciosidades antigas que eram jogados ao deus, bem como ossos de cad\u00e1veres.<\/p>\n<p>Um ponto interessante nas descobertas dos arque\u00f3logos foi a constata\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia dos rios no desenvolvimento das principais civiliza\u00e7\u00f5es do mundo, mas as dos americanos (incas, maias e astecas) n\u00e3o foram fluviais, embora tenham demonstrado florescimento e prosperidade. Os mais tinham agricultura, mas n\u00e3o cria\u00e7\u00e3o de gado. \u00c9 a \u00fanica civiliza\u00e7\u00e3o sem animais dom\u00e9sticos e de cargas. Nunca usaram o arado na terra.<\/p>\n<p>Sobre esta import\u00e2ncia dos rios, veja o que fala o autor de \u201cDeuses, T\u00famulos e S\u00e1bios\u201d. Mais de tr\u00eas mil\u00eanios antes de Cristo os chineses fundaram seu imp\u00e9rio ao longo dos dois maiores rios, o Hoang-ho e Iangts\u00e9. Os indianos estabeleceram suas primeiras col\u00f4nias sobre o Indo e Ganges.<\/p>\n<p>Das primeiras comunidades sumerianas nasceu a civiliza\u00e7\u00e3o ass\u00edrio-babil\u00f4nica entre o Tigre e o Eufrates, na Mesopot\u00e2mia. Os eg\u00edpcios foram sustentados e cresceram atrav\u00e9s do Nilo. \u201cO que para estes povos foram os rios, foi para os antigos gregos o estreito do Mar Egeu. As grandes civiliza\u00e7\u00f5es do passado foram fluviais\u201d.<\/p>\n<p>As civiliza\u00e7\u00f5es americanas foram decapitadas. \u201cAtr\u00e1s dos espanh\u00f3is, com cavalos e espadas, seguiam sacerdotes que queimavam em fogueiras os escritos e esculturas que nos teriam dado informa\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Na civiliza\u00e7\u00e3o maia, o seu maior destaque foi o poder de calcular o tempo. De acordo com estudiosos, o calend\u00e1rio dos maias era o melhor do mundo. Com o modo de calcular o tempo, os maias atingiram uma precis\u00e3o superior \u00e0 de qualquer outro calend\u00e1rio.<\/p>\n<p>No ano 238 a.C. Ptolomeu III aperfei\u00e7oou a contagem do tempo dos antigos eg\u00edpcios. J\u00falio C\u00e9sar aproveitou essa solu\u00e7\u00e3o que foi utilizada at\u00e9 ao ano 1582 da nossa era como Calend\u00e1rio Juliano, quando, por iniciativa do Papa Greg\u00f3rio XIII, se instituiu o Calend\u00e1rio Gregoriano.<\/p>\n<p>No caso do mist\u00e9rio das cidades abandonadas dos maias, historiadores t\u00eam explica\u00e7\u00f5es diversas, como a de que a na\u00e7\u00e3o se mudava quando as terras se exauriam de tantas queimadas. Os maias tiveram dois imp\u00e9rios, o antigo e o novo. O antigo ficava ao sul da pen\u00ednsula de Iucat\u00e3 (Honduras, Guatemala, Chiapas e Tabasco). O novo ao norte foi fundado por pioneiros como col\u00f4nia do antigo em terras virgens, com manifesta\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p>O povo do melhor calend\u00e1rio tornou-se escravo dele. Constru\u00edam seus pr\u00e9dios e edif\u00edcios quando o calend\u00e1rio lhes ordenava. Entre cinco, dez ou vinte anos eles levantavam um novo pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>Assim contam historiadores: Um povo inteiro de cidades levantou pouso e abandonou as casas s\u00f3lidas, as ruas, as pra\u00e7as, os templos e os pal\u00e1cios e emigrou para vasta e selvagem regi\u00e3o do norte. Ningu\u00e9m voltou mais. O local ficou deserto, a floresta invadiu as ruas e as ervas daninhas cobriram as escadas&#8230; Nunca mais p\u00e9s humanos pisaram o pavimento dos p\u00e1tios ou subiram os degraus das pir\u00e2mides.<\/p>\n<p>Dizem que os maias foram o \u00fanico povo do mundo que expandiu o seu imp\u00e9rio de fora para dentro. O mais antigo data at\u00e9 374 da nossa era (cidades de Uaxact\u00fan, Cop\u00e1n e Piedras Negras). O per\u00edodo m\u00e9dio foi de 374 a 472 (Chiapas e Tabasco) e o grande per\u00edodo, de 472 a 610 (Flores, Seib\u00e1l e Viejo). A ordem social era implac\u00e1vel e existia um abismo entre classes (nobres, sacerdotes e povo).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OS LADR\u00d5ES DE T\u00daMULOS E A \u201cPRAGA DO FARA\u00d3\u201d Para se livrar dos ladr\u00f5es e quebrar a tradi\u00e7\u00e3o, Tutm\u00e9s I (1545 a 1515 a.C.), ainda no tempo dos \u201cFilhos do Sol\u201d (Rams\u00e9s I e II (1350 a 1200 a.C),\u00a0 foi o primeiro rei que tomou a resolu\u00e7\u00e3o de separar o t\u00famulo do templo, n\u00e3o mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2665"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2665"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2665\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2670,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2665\/revisions\/2670"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}