{"id":2663,"date":"2018-02-02T23:24:12","date_gmt":"2018-02-03T02:24:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2663"},"modified":"2018-02-02T23:24:20","modified_gmt":"2018-02-03T02:24:20","slug":"uma-republiqueta-de-triste-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2018\/02\/02\/uma-republiqueta-de-triste-realidade\/","title":{"rendered":"UMA REPUBLIQUETA DE TRISTE REALIDADE"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil quando se pensa que j\u00e1 se viu de tudo em termos de absurdo, ai aparece um fato que supera os outros. A deputada do PTB Cristiane Brasil, indicada a ministra do Trabalho aparece num v\u00eddeo em uma lancha entre sarados bem dotados seminus (apar\u00eancia de gangster) reivindicando o cargo que virou uma batalha jur\u00eddica.<\/p>\n<p>Uma coisa, como pessoa p\u00fablica, \u00e9 ter compostura no uso do seu espa\u00e7o com liberdade para falar, a outra \u00e9 cair no rid\u00edculo p\u00fablico. N\u00e3o se trata de moralismo. O modus operandi refor\u00e7a aquela imagem de que o Brasil \u00e9 mesmo uma republiqueta. Em defesa e rebatendo as cr\u00edticas, o ministro Marun &#8211; logo ele t\u00e3o conservador e retr\u00f3grado &#8211; chama a m\u00eddia de talib\u00e3 enrustida. Por essas e outras \u00e9 que o Brasil l\u00e1 fora \u00e9 visto como uma piada.<\/p>\n<p>Os ju\u00edzes continuam culpando o povo por ter deixado, segundo eles, fazer o processo de biometria eleitoral para \u00faltima hora. Na verdade, o maior culpado mesmo \u00e9 a crueldade do pr\u00f3prio sistema eleitoral que, sem estrutura, exp\u00f4s a popula\u00e7\u00e3o pobre a severas torturas (n\u00e3o se viu rico e pol\u00edtico nas repugnantes filas). J\u00e1 observaram como a palavra cidad\u00e3o no Brasil foi banalizada e vulgarizada, tanto quanto o nome de Deus!<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o \u00e9 sobre as trapalhadas do governo do mordomo de Dr\u00e1cula que quero falar (hoje qualquer um pode ser ministro). Muito mais grave, como uma doen\u00e7a altamente contagiosa que faz todo organismo sangrar at\u00e9 a morte, \u00e9 a triste realidade dos n\u00fameros e dos fatos da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Isto, ao longo dos anos, tem transformado o Brasil numa simples republiqueta.<\/p>\n<p>Vamos, ent\u00e3o, direto aos fatos. O nosso Brasil tem hoje quase 12 milh\u00f5es de analfabetos de 15 anos ou mais, o equivalente a mais de 7% dessa popula\u00e7\u00e3o. No Nordeste, regi\u00e3o que sempre apresentou os piores \u00edndices sociais no \u00e2mbito nacional, inclusive de extrema pobreza, a taxa sobe para 14,8%, quatro vezes superior ao que ocorre no sul, que registrou 3,6% de analfabetos. A disparidade tamb\u00e9m se d\u00e1 pela cor entre negros e brancos.<\/p>\n<p>Com base em 2016, os dados foram levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE \u2013 PNAD Cont\u00ednua). Estudo da Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico mostra que 53% dos jovens brasileiros estavam matriculados no ensino m\u00e9dio em 2015, enquanto a m\u00e9dia dos pa\u00edses que integram a Organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 de 95%. Estima-se que mais 1,5 milh\u00e3o de jovens entre 15 a 17 anos ainda estejam fora da escola. No conjunto, o Brasil tem cerca de 2,5 milh\u00f5es de crian\u00e7as fora das salas de aula. Os alarmantes \u00edndice de analfabetos nos remetem \u00e0s \u00a0disparidades regionais e \u00e0s profundas desigualdades sociais.<\/p>\n<p>\u201cMenos de 1% das crian\u00e7as de 6 a 14 anos est\u00e1 fora da escola, mas o sistema n\u00e3o faz com que fiquem at\u00e9 o fim do ensino m\u00e9dio\u201d. \u00c9 o subt\u00edtulo de uma mat\u00e9ria (O problema \u00e9 manter os estudos) publicada por um jornal do Rio de Janeiro sobre a triste realidade da nossa educa\u00e7\u00e3o. A baixa qualifica\u00e7\u00e3o dos professores, a defici\u00eancia na estrutura das escolas e a evas\u00e3o nos impedem de comemorar qualquer n\u00famero na educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p>De acordo com artigo de um especialista do ve\u00edculo, o problema hoje n\u00e3o \u00e9 atrair a crian\u00e7a e o jovem para a escola, mas mant\u00ea-lo estudando. Para o avan\u00e7o em manter as crian\u00e7as dessa faixa et\u00e1ria nas escolas contribu\u00edram a diminui\u00e7\u00e3o das taxas de fecundidade e pol\u00edticas p\u00fablicas eficientes, como o Fundeb e o Bolsa Fam\u00edlia. No entanto, esta escola n\u00e3o est\u00e1 conseguindo manter esses alunos no sistema at\u00e9 o 17 anos.<\/p>\n<p><!--more--> Pouco mais de metade (51%) da popula\u00e7\u00e3o de 25 anos ou mais tinha apenas o ensino fundamental completo em 2016 (o dado permanece o mesmo, ou pior). Sem forma\u00e7\u00e3o adequada, o pa\u00eds perde cada vez mais produtividade e competitividade em n\u00edvel global. Aumenta cada vez mais o fosso no n\u00edvel de desenvolvimento entre outras na\u00e7\u00f5es, inclusive entre os emergentes.<\/p>\n<p>\u201cNo momento em que foi realizada a pesquisa, 24,8 milh\u00f5es de pessoas de 14 a 29 anos \u2013 48% da popula\u00e7\u00e3o nesta faixa \u2013 n\u00e3o frequentavam a escola e n\u00e3o haviam passado por todo ciclo educacional at\u00e9 a conclus\u00e3o do ensino superior\u201d. O mais triste e lament\u00e1vel \u00e9 que este quadro s\u00f3 faz piorar e, sem educa\u00e7\u00e3o, empurra o brasileiro para a subservi\u00eancia, o comodismo de espirito miser\u00e1vel e para a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo educadores, o Brasil n\u00e3o teve, nos \u00faltimos anos, nenhuma pol\u00edtica forte para combater estes indicadores negativos de evas\u00e3o escolar. Educa\u00e7\u00e3o nunca foi prioridade dos pol\u00edticos e dos governos, tudo para que a ignor\u00e2ncia se perpetue e eles continuem mandando no poder como imperadores mon\u00e1rquicos.<\/p>\n<p>Dentro desta triste realidade, existem outras ainda piores e constrangedoras como consequ\u00eancia do p\u00e9ssimo ensino no pa\u00eds. Uma delas vem do Enem, com destaque para a temida reda\u00e7\u00e3o. Em 2016 foram 291.806 reda\u00e7\u00f5es com a nota zero. Em 2017 o n\u00famero saltou para 309.157.<\/p>\n<p>Outro dado do Enem foi no quesito quantitativo de estudantes que tiraram mil na reda\u00e7\u00e3o, a nota m\u00e1xima. Em 2016 foram 77 textos com a m\u00e1xima pontua\u00e7\u00e3o, caiando para 53 no ano passado. Um cen\u00e1rio estarrecedor. Praticamente n\u00e3o se v\u00ea mais jovem lendo um livro nos tempos atuais, mas com um celular na m\u00e3o, na grande maioria falando e escrevendo (errado) besteiras, ou at\u00e9 praticando intoler\u00e2ncia e \u00f3dio. Isto eles sabem muito bem fazer.<\/p>\n<p>Por n\u00e3o praticarem a leitura, o tema da reda\u00e7\u00e3o para estes jovens \u00e9 sempre considerado como dif\u00edcil e inesperado. Sem conhecimento e preparo, o mercado de trabalho fica cada vez mais distante, sem contar que formandos com diploma de terceiro grau (n\u00edvel superior) est\u00e3o cada vez mais ganhando menos e se sujeitando a empregos de baixa categoria.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o pol\u00edtica materialista-t\u00e9cnica do capital, herdada dos norte-americanos, e at\u00e9 de educadores e dos governos, a sa\u00edda \u00e9 a profissionaliza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica onde o cara se especializa em fazer uma \u00fanica coisa, como, por exemplo, apertar parafusos e porcas como no filme de Charles Chaplin.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia mesmo \u00e9 termos em futuro pr\u00f3ximo &#8211; ali\u00e1s j\u00e1 vivemos neste mundo &#8211; um bando de cabe\u00e7as vazias sem forma\u00e7\u00e3o humana, conhecimento geral e conscientiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Na verdade, temos uma multid\u00e3o de rob\u00f4s de express\u00e3o limitada, sem sabedoria e sem capacidade de discuss\u00e3o. Sem leitura, sem pesquisa e o estudo em outras \u00e1reas, a reda\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode mesmo ser zero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil quando se pensa que j\u00e1 se viu de tudo em termos de absurdo, ai aparece um fato que supera os outros. A deputada do PTB Cristiane Brasil, indicada a ministra do Trabalho aparece num v\u00eddeo em uma lancha entre sarados bem dotados seminus (apar\u00eancia de gangster) reivindicando o cargo que virou uma batalha [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2663"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2663"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2663\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2664,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2663\/revisions\/2664"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2663"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2663"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2663"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}