{"id":262,"date":"2014-06-11T00:03:25","date_gmt":"2014-06-11T03:03:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=262"},"modified":"2014-06-11T00:03:36","modified_gmt":"2014-06-11T03:03:36","slug":"na-estrada-com-a-literatura-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2014\/06\/11\/na-estrada-com-a-literatura-3\/","title":{"rendered":"NA ESTRADA COM A LITERATURA"},"content":{"rendered":"<p>GALEANO RENEGA \u201cAS VEIAS ABERTAS&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Traduzido para mais de 12 idiomas (vendeu mais de um milh\u00e3o de c\u00f3pias) e recomendado pelas principais universidades do mundo, o livro \u201cAs Veias Abertas da Am\u00e9rica Latina\u201d foi renegado pelo seu pr\u00f3prio autor, o uruguaio Eduardo Galeano. Ningu\u00e9m esperava por essa, e poucos se atreveram em p\u00fablico criticar e condenar seu trabalho.<\/p>\n<p>O texto can\u00f4nico, anticolonialista e antiamericano foi escrito logo no in\u00edcio dos anos 70 e conta como o povo da Am\u00e9rica Latina foi expoliado, esmagado e massacrado pela Espanha, Inglaterra e pelos pr\u00f3prios Estados Unidos, desde o final do s\u00e9culo XV no descobrimento de Crist\u00f3v\u00e3o Colombo aos tempos atuais.<\/p>\n<p>Pois \u00e9, somente agora o escritor de 73 anos deu uma entrevista \u00e0 m\u00eddia declarando que n\u00e3o tinha qualifica\u00e7\u00e3o para tratar do assunto e que o texto foi mal escrito. Foi assim que escreveu o comentarista do The New York Times (suplemento A Tarde), Larry Rohter.<\/p>\n<p><!--more-->Em uma feira liter\u00e1ria no Brasil chegou a dizer que \u201cVeias Abertas tentou ser um livro sobre economia pol\u00edtica, mas eu ainda n\u00e3o tinha o treinamento necess\u00e1rio e tampouco o preparo\u201d, e acrescentou: \u201cEu n\u00e3o conseguiria ler esse livro novamente; eu desmaiaria. Para mim, essa narrativa da esquerda tradicional \u00e9 extremamente carregada, e a minha constitui\u00e7\u00e3o f\u00edsica n\u00e3o consegue toler\u00e1-la&#8221;.<\/p>\n<p>Quando Eduardo Galeano escreveu o livro, em 1971(300 p\u00e1ginas), boa parte da regi\u00e3o era governada por ditaduras militares repressivas apoiadas pelos Estados Unidos. Atra\u00eddos pelo ouro e o a\u00e7\u00facar, segundo o escritor, os colonizadores europeus fizeram uma verdadeira pilhagem na Am\u00e9rica Latina, levando seu povo ao subdesenvolvimento cr\u00f4nico.<\/p>\n<p>Apesar de se considerar como homem de esquerda, Galeano afirmou no Brasil que, \u00e0s vezes, essa corrente comete erros graves quando est\u00e1 no poder. Alguns entenderam seu recado como uma cr\u00edtica a Cuba e ao gerenciamento da Venezuela. Do outro lado, elogiou os experimentos da social democracia. V\u00e1 entender!<\/p>\n<p>Muitos ficaram surpresos com a declara\u00e7\u00e3o do uruguaio, inclusive a chilena Isabel Allende que escreveu o pref\u00e1cio da edi\u00e7\u00e3o inglesa. Ela confessou que, quando jovem, devorou o livro e o levou em seu ex\u00edlio ap\u00f3s Pinochet tomar o poder em seu pa\u00eds. Em meados da d\u00e9cada de 90, escritores defensores do livre mercado, incluindo a\u00ed o peruano Vargas Llosa, consideraram \u201cVeias Abertas\u201d como \u201ca b\u00edblia do imbecil\u201d.<\/p>\n<p>A obra narra como se deu o saque europeu ao povo da Am\u00e9rica Latina, com dados hist\u00f3ricos e n\u00fameros do que o autor denominou de pilhagem. Num dos trechos diz que a concentra\u00e7\u00e3o internacional da riqueza em benef\u00edcio da Europa impediu, nas regi\u00f5es saqueadas, o salto para a acumula\u00e7\u00e3o de capital industrial.<\/p>\n<p>Talvez o escritor tenha renegado o livro a partir de cr\u00edticas direcionadas a determinadas pol\u00edticas governistas da \u00e9poca. Ele fala de diversidade humana, mas n\u00e3o se aprofundou na quest\u00e3o da autocr\u00edtica. Passados 43 anos, o contexto pol\u00edtico \u00e9 outro, mas, mesmo assim, quem n\u00e3o leu o livro deve ler para conhecer como aconteceu historicamente o colonialismo na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GALEANO RENEGA \u201cAS VEIAS ABERTAS&#8230;\u201d Traduzido para mais de 12 idiomas (vendeu mais de um milh\u00e3o de c\u00f3pias) e recomendado pelas principais universidades do mundo, o livro \u201cAs Veias Abertas da Am\u00e9rica Latina\u201d foi renegado pelo seu pr\u00f3prio autor, o uruguaio Eduardo Galeano. 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