{"id":2582,"date":"2017-12-20T00:42:29","date_gmt":"2017-12-20T03:42:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2582"},"modified":"2017-12-20T00:42:39","modified_gmt":"2017-12-20T03:42:39","slug":"os-peixes-sumiram-do-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/12\/20\/os-peixes-sumiram-do-rio\/","title":{"rendered":"OS PEIXES SUMIRAM DO RIO!"},"content":{"rendered":"<p>Sentei num bar na orla de Juazeiro e veio logo \u00e0quela vontade de saborear um peixe, de prefer\u00eancia um surubim. Gosto demais!<\/p>\n<p>Chamei o gar\u00e7om e pedi a iguaria, sem me atentar do desastre ecol\u00f3gico provocado pela irracionalidade do homem.<\/p>\n<p>Para minha decep\u00e7\u00e3o, prontamente o gar\u00e7om respondeu que tinha carne bovina, de caprino, algumas aves, frango, menos peixe, meu senhor.<\/p>\n<p>Mas, mo\u00e7o! Voc\u00eas aqui \u00e0s margens do Rio S\u00e3o Francisco e n\u00e3o tem um peixe para servir?<\/p>\n<p>O Velho Chico est\u00e1 a\u00ed morrendo ao lado &#8211; apontou para o rio o gar\u00e7om, um tanto triste e envergonhado.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/CARRANCA-021-C\u00f3pia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2583\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/CARRANCA-021-C\u00f3pia.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/CARRANCA-021-C\u00f3pia.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/CARRANCA-021-C\u00f3pia-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 essa a situa\u00e7\u00e3o em que se encontra o Rio S\u00e3o Francisco, vivendo seus \u00faltimos dias em estado agonizante, enquanto os safados l\u00e1 em cima roubam, inventam de fazer transposi\u00e7\u00e3o de suas \u00e1guas, canais, adutoras para comprar votos e desviam os recursos que deveriam ser investidos na sua revitaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/JUAZEIRO-ANIVERS\u00c1RIO-059.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2584\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/JUAZEIRO-ANIVERS\u00c1RIO-059.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/JUAZEIRO-ANIVERS\u00c1RIO-059.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/JUAZEIRO-ANIVERS\u00c1RIO-059-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Por coincid\u00eancia, minutos depois do meu r\u00e1pido di\u00e1logo com o gar\u00e7om, sentou ao meu lado o primo Washington Mac\u00e1rio de Oliveira, t\u00e9cnico- agente do Inema que luta para preservar o que ainda resta da destrui\u00e7\u00e3o, e isso sem a estrutura ideal que deveria receber do \u00f3rg\u00e3o estadual.<\/p>\n<p>Relatei do meu espanto por n\u00e3o encontrar nenhum tira-gosto de peixe para acompanhar a cerveja gelada. Fiz um discurso sobre a inconsequ\u00eancia do homem frente \u00e0 natureza e destilei toda minha ira nos governantes e pol\u00edticos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/JUAZEIRO-ANIVERS\u00c1RIO-053.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2585\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/JUAZEIRO-ANIVERS\u00c1RIO-053.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/JUAZEIRO-ANIVERS\u00c1RIO-053.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/JUAZEIRO-ANIVERS\u00c1RIO-053-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ele concordou, acrescentou outros pontos concretos com base em suas andan\u00e7as de trabalho de fiscaliza\u00e7\u00e3o. Para meu consolo, informou que as \u00e1guas do Velho Chico subiram um pouco em Bom Jesus da Lapa, na Bahia, com as \u00faltimas chuvas.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 estava revoltado mesmo, disse secamente que S\u00e3o Pedro n\u00e3o deveria mandar mais chuvas nas cabeceiras do Velho Chico. Chega de depender dele!<\/p>\n<p>O que \u00e9 isso, cara! Falou o primo com express\u00e3o de horror indo de encontro \u00e0 minha afirma\u00e7\u00e3o, at\u00e9 certo ponto maluca.<\/p>\n<p>Expliquei que, se os mandat\u00e1rios perdul\u00e1rios j\u00e1 se acomodaram quanto \u00e0 renova\u00e7\u00e3o do rio em todo seu leito, ai \u00e9 que n\u00e3o v\u00e3o fazer nada mesmo com a chagada das chuvas. V\u00e3o continuar sempre esperando pela divina provid\u00eancia, enquanto o rio morre ano a ano, Se as \u00e1guas retornam ai \u00e9 que eles recolhem novamente os projetos para suas respectivas gavetas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/JUAZEIRO-ANIVERS\u00c1RIO-042.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2586\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/JUAZEIRO-ANIVERS\u00c1RIO-042.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/JUAZEIRO-ANIVERS\u00c1RIO-042.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/JUAZEIRO-ANIVERS\u00c1RIO-042-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em seguida fiz uma indaga\u00e7\u00e3o: E quando a seca bater novamente no sert\u00e3o? Vamos sempre ficar dependentes das chuvas e cada vez mais retirando \u00e1gua do rio de forma desordenada, com esse \u00edmpeto avassalador de destrui\u00e7\u00e3o? N\u00e3o s\u00e3o as chuvas passageiras e tempor\u00e1rias que v\u00e3o ressuscitar o Velho Chico e fazer com que eu chegue aqui e tenha a satisfa\u00e7\u00e3o de comer um peixe nessa margem que j\u00e1 foi bela.<\/p>\n<p>Com minha tirada inesperada, levei o primo a fazer uma reflex\u00e3o e, em parte, concordou comigo, contando mais outras de suas hist\u00f3rias do trabalho incans\u00e1vel de fiscaliza\u00e7\u00e3o para impedir que o homem est\u00fapido primitivo fa\u00e7a mais desgra\u00e7a contra a natureza.<\/p>\n<p>ARRAST\u00c3O DE PEDINTES E AMBULANTES<\/p>\n<p>Ainda continua linda a paisagem que resta do \u201cVelho Chico\u201d debru\u00e7ado entre as cidades de Juazeiro e Petrolina. N\u00e3o \u00e9 mais o tempo dos navios vapores e as chalanas. N\u00e3o mais o encanto de antes. Mesmo assim, ficamos \u00a0ali pensando e imaginando coisas, inclusive das nossas vidas.<\/p>\n<p>Tudo respira poesia, infelizmente at\u00e9 a pobreza com seu grito de socorro. Mudamos de conversa e observei outra revoltante degrada\u00e7\u00e3o humana, provocada pela demagogia e desleixo dos mandantes ego\u00edstas que s\u00f3 cuidam de si.<\/p>\n<p>Primo, j\u00e1 percebeu quantos pedintes e ambulantes passaram em nossa mesa nesses poucos momentos em que estamos aqui? \u2013 Perguntei.<\/p>\n<p>Outro papo de reflex\u00e3o. A cena que constatei na orla de Juazeiro mais parecia um arrast\u00e3o de pedintes esfomeados e outros vendendo tudo quanto \u00e9 bagulho e miudezas para conseguir uns trocados.<\/p>\n<p>\u00c9 bom que fique claro que isso n\u00e3o acontece apenas em Juazeiro, mas, em todas as cidades multiplica a cada dia o n\u00famero de pessoas vivendo na extrema pobreza. Estamos em plena marcha r\u00e9 do retrocesso acelerado imposto pelas pol\u00edticas fascistas do lucro a qualquer pre\u00e7o, empurrando o brasileiro para a escravid\u00e3o. Cada um s\u00f3 pensa em si e o resto que se dane.<\/p>\n<p>A orla de Juazeiro \u00e9 apenas um dos tristes exemplos de cenas de agress\u00e3o social e tamb\u00e9m ecol\u00f3gica, com sujeiras nos passeios e nas margens do rio que tanto abasteceu o homem com suas generosidades. Retribu\u00edmos com o instinto perverso e assassino do mal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sentei num bar na orla de Juazeiro e veio logo \u00e0quela vontade de saborear um peixe, de prefer\u00eancia um surubim. Gosto demais! Chamei o gar\u00e7om e pedi a iguaria, sem me atentar do desastre ecol\u00f3gico provocado pela irracionalidade do homem. 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