{"id":257,"date":"2014-06-10T23:29:03","date_gmt":"2014-06-11T02:29:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=257"},"modified":"2014-06-10T23:48:05","modified_gmt":"2014-06-11T02:48:05","slug":"na-estrada-com-o-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2014\/06\/10\/na-estrada-com-o-cinema\/","title":{"rendered":"NA ESTRADA COM O CINEMA"},"content":{"rendered":"<p>OS 50 ANOS DE \u201cDEUS E O DIABO\u201d&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 50 anos o golpe civil-militar batia em nossas portas e o Teatro Vila Velha, em Salvador, abria suas portas para os shows de Caetano, Gil, Beth\u00e2nia, Tom Z\u00e9 e Gal Costa, anunciando a vinda do Tropicalismo. H\u00e1 50 anos o baiano de Vit\u00f3ria da Conquista, Glauber Rocha, exibia seu filme \u201cDeus e o Diabo na Terra do Sol\u201d, aclamado no Festival de Cannes.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/ESTUDANTES-E-GLAUBER-001.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-259\" alt=\"ESTUDANTES E GLAUBER 001\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/ESTUDANTES-E-GLAUBER-001-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/ESTUDANTES-E-GLAUBER-001-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/ESTUDANTES-E-GLAUBER-001.jpg 550w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Foi uma \u00e9poca de ouro e muita efervesc\u00eancia cultural com a poesia, a dan\u00e7a, o teatro, a literatura e a m\u00fasica exibindo seus talentos atrav\u00e9s de suas in\u00e9ditas obras. O Clube do Cinema, fundado por Walter da Silveira, em janeiro de 1950, ganhava seu devido espa\u00e7o no cen\u00e1rio nacional com filmes de tem\u00e1tica social.<\/p>\n<p>Veio a ditadura para apagar toda aquela bela paisagem pintada por mentes que jorravam cultura e queriam fazer uma revolu\u00e7\u00e3o. Depois de \u201cBarravento\u201d, em 1962, Glauber Rocha, mesmo com seus intervalos de depress\u00e3o e questionamentos incompreendidos, resolveu fazer \u201cDeus e o Diabo na Terra do Sol\u201d, um meio faroeste que mostra o poderio do senhor da terra sobre os pobres. Um panorama das desigualdades sociais.<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0Nascido em Vit\u00f3ria da Conquista, em 1939, o homem tempestade partiu logo cedo para a capital e n\u00e3o deixou se abater pelos seus tormentos e fantasmas. Prosseguiu sua obra cinematogr\u00e1fica sem condi\u00e7\u00f5es financeiras, s\u00f3 com uma c\u00e2mara na m\u00e3o e uma ideia na cabe\u00e7a, como dizia, e filmou, em 1967, \u201cTerra em Transe\u201d, outro filme de reinos diferentes.<\/p>\n<p>Mais tarde, em 1969, monta \u201cO Drag\u00e3o da Maldade contra o Santo Guerreiro\u201d, ganhando um pr\u00eamio de destaque em dire\u00e7\u00e3o no Festival de Cannes. \u201cA Idade da Terra\u201d, em 1980, feito com a venda da casa da m\u00e3e dona L\u00facia Rocha, tinha uma trama muito complexa para ser entendido. Esbravejou e xingou muita gente no Festival de Veneza (It\u00e1lia). Desgostoso e desiludido, morreu um ano depois no seu autoex\u00edlio.<\/p>\n<p>Antes disso, em 1970, no lugar de ficar na Europa, se aventurou pela \u00c1frica e no Congo, em Brazzaville, fez \u201cO Le\u00e3o de Sete Cabe\u00e7as\u201d, restaurado tempos depois, que fala da coloniza\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o dos povos africanos pelos europeus.<\/p>\n<p>O artista inquieto e que n\u00e3o gostava de ser contrariado em suas ideias, fez parte do Cinema Nova com Luiz Paulino dos Santos e Roberto Pires, de \u201cReden\u00e7\u00e3o\u201d, em 1959. Glauber chegou a colaborar com a montagem em 35mm de \u201cUm Dia na Rampa\u201d (1955), de Luiz Paulino. No formato de 16mm, um ano depois, Roberto Pires criou \u201cSonho\u201d, \u201cCalcanhar de Aquiles\u201d e \u201cBahia\u201d.<\/p>\n<p>Glauber Rocha a tudo via e resolveu mostrar que tamb\u00e9m podia fazer. Pegou sua velha c\u00e2mara, em 1959, e realizou o curta \u201cO P\u00e1tio e Cruz na Pra\u00e7a\u201d. A s\u00e9tima arte na Bahia se expandia e corria mundo, tanto que de 1959 a 1964 foram sete longas, destacando a \u201cGrande Feira\u201d (1961) e \u201cTocaia no Asfalto\u201d (1962), do mestre Roberto Pires, sem contar \u201cO Caipira\u201d, de Oscar Santana.<\/p>\n<p>Dentre os grandes nomes da cinematografia que projetaram a Bahia l\u00e1 fora n\u00e3o poderia deixar de citar a figura de Olney S\u00e3o Paulo com o \u201cGrito da Terra\u201d, filmado em Feira de Santana entre 1964\/65. Por sua obra e suas ideias, Olney foi mais tarde barbaramente torturado pela ditadura civil-militar.<\/p>\n<p>A Bahia come\u00e7ou a conhecer esta arte pelas m\u00e3os de Diomedes Gramacho e Jos\u00e9 Dias da Costa por volta de 1910. Em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias fizeram pequenas proje\u00e7\u00f5es sobre \u201cRegatas da Bahia\u201d, \u201cSegunda-Feira do Bonfim\u201d, \u201cReal Theatro S\u00e3o Jo\u00e3o\u201d e o \u201cPolytheama\u201d.<\/p>\n<p>De 1930 a 1950, Alexandre Robato Filho foi outro grande incentivador do cinema na Bahia. Com seus recursos, fez \u201cDesfile de Quatro S\u00e9culos\u201d e o \u201cRegresso de Marta Rocha\u201d (1955). Ao lado de Walter da Silveira, a Bahia deve muito a estes grandes desbravadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OS 50 ANOS DE \u201cDEUS E O DIABO\u201d&#8230; H\u00e1 50 anos o golpe civil-militar batia em nossas portas e o Teatro Vila Velha, em Salvador, abria suas portas para os shows de Caetano, Gil, Beth\u00e2nia, Tom Z\u00e9 e Gal Costa, anunciando a vinda do Tropicalismo. 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