{"id":2564,"date":"2017-12-14T09:44:34","date_gmt":"2017-12-14T12:44:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2564"},"modified":"2017-12-14T09:45:19","modified_gmt":"2017-12-14T12:45:19","slug":"dos-sumerios-a-babel-v","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/12\/14\/dos-sumerios-a-babel-v\/","title":{"rendered":"DOS SUM\u00c9RIOS A BABEL (V)"},"content":{"rendered":"<p>O POEMA DA CRIA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>No livro \u201cDos Sum\u00e9rios a Babel\u201d, o autor Federico A. Arb\u00f3rio Mella cita que, provavelmente, Hammurabi (1792-1750 a.C.) foi o maior rei da Mesopot\u00e2mia, e Babel era uma cidade pr\u00f3spera no mesmo porte de Assur, Larsa e Echunna. Para manter boas rela\u00e7\u00f5es com estas pot\u00eancias, o jovem rei usou da diplomacia atrav\u00e9s de cartas com frases gentis e cheias de promessas.<\/p>\n<p>Com suas habilidades, disciplina, acordos e for\u00e7a, Hammurabi conseguiu dominar todas as na\u00e7\u00f5es em torno do seu reino, inclusive Mari, do \u00faltimo Zimri-Lim. No decorrer de nove anos, fundou um imp\u00e9rio e empreendeu o grande trabalho de unifica\u00e7\u00e3o entre sum\u00e9rios, ac\u00e1dicos, amorritas, cananeus, ass\u00edrios e tribos das montanhas. Proclamou-se, ent\u00e3o, rei das Quatro Partes do Mundo, com o t\u00edtulo de \u201cSol de Babel\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/IMG_4406.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2565\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/IMG_4406.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/IMG_4406.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/IMG_4406-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No seu reinado, procurou montar um Estado centralizado, nomeando governadores a ele subordinados; criou taxas para os templos; distribuiu terras para seus soldados; e dividiu a popula\u00e7\u00e3o em classes sociais entre burgueses, plebes e escravos.<\/p>\n<p>Seu prop\u00f3sito era criar uma Na\u00e7\u00e3o, e t\u00e3o logo, reuniu seus s\u00e1bios e ordenou que inventassem o ac\u00e1dico-babil\u00f4nio como l\u00edngua diplom\u00e1tica daquela parte do mundo. A unifica\u00e7\u00e3o se deu tamb\u00e9m no plano religioso, n\u00e3o proibindo a liberdade de culto, mas impondo ordem entre os milhares de deuses sem\u00edticos e sum\u00e9rios.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/IMG_4409.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2566\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/IMG_4409.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/IMG_4409.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/IMG_4409-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nas escolas de teologia nasceram as grandes trindades de Anu, Enlil e Ea (C\u00e9u, Terra e \u00c1gua Doce). Depois deles, Sin, Chamach, Ictar e um novo deus Abad, da tempestade. Marduk, o deus da capital Babel, assumiu import\u00e2ncia emblem\u00e1tica. Para conferir-lhe esplendor, os sacerdotes criaram o \u201cPOEMA DA CRIA\u00c7\u00c3O\u201d, o mais sacro da Mesopot\u00e2mia, chamado de \u201cEnuma Elich\u201d, o que significa \u201cQuando no Alto\u201d.<\/p>\n<p>O C\u00e9u n\u00e3o tinha nome, e embaixo s\u00f3 existia o Apsu (o Oceano) e Mummu (reuni\u00e3o das \u00e1guas doces com as \u00e1guas salgadas). Como o Destino ainda n\u00e3o estava estabelecido, Apsu e sua mulher Tiamat criaram os primeiros deuses Lakhmu, Anchar e Quichar. Anchar procriou Anu, igual a si mesmo, e Anu fez Nudimmud (Ea, Enqui).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/IMG_4410.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2567\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/IMG_4410.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/IMG_4410.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/IMG_4410-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Depois deles nasceram muitos outros que tomaram toda terra fazendo muito barulho, n\u00e3o deixando Apsu e Tiamat dormirem em paz. Irritado, Apsu resolveu exterminar este enxame de vagabundos, seguindo os conselhos malignos de Mummu, mas a mulher se op\u00f4s.<\/p>\n<p>As v\u00edtimas divinas choram, e o s\u00e1bio Ea, compadecido, deteve a amea\u00e7a pondo em a\u00e7\u00e3o um esconjuro mortal com o qual consegue matar Apsu no sono. Depois se apodera de Mummu, amarra-o, tira-lhe a coroa, castra-o e lhe arrebenta o c\u00e9rebro. O vitorioso fixa os lugares sagrados do oceano e ali estabelece sua resid\u00eancia.<\/p>\n<p>Foi, ent\u00e3o, no meio do Oceano, no Santu\u00e1rio dos Destinos, que a mulher de Ea colocau Marduk no mundo, o mais s\u00e1bio dos deuses. De belas formas, nutrido com leite divino, seu pai lhe deu duplas virilidade, vis\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o. Quando Marduk estava irado, da sua boca saiam chamas e seu esplendor era igual a de dez deuses.<\/p>\n<p><!--more--> Do outro lado, triste por causa do assassinato do seu marido, Tiamat, como vingan\u00e7a, criou horr\u00edveis monstros (v\u00edbora furiosa, grande le\u00e3o, c\u00e3o raivoso, homem-escorpi\u00e3o e outros animais), para lutar contra os deuses. De um destes, denominado de Quingu, nomeia-o como marido e comandante-chefe com poderes divinos. Amarra em seu pesco\u00e7o as T\u00e1buas do Destino.<\/p>\n<p>Ela e seu ex\u00e9rcito declaram guerra aos deuses. Ea desmaia ao v\u00ea-la. Recuperado, vai ao pai Anchar que tamb\u00e9m fica empalidecido e envia Anu a Tiamat para um acordo. Ao ver aquele ex\u00e9rcito horr\u00edvel, Anu foge e, temeroso, re\u00fane a assembleia dos deuses. No voto, ningu\u00e9m quer enfrentar Tiamat. Sem op\u00e7\u00e3o, Anchar designa o corajoso Marduk para a batalha.<\/p>\n<p>O deus se apresenta para a empreitada, mas quer saber com quem vai lutar. Anchar d\u00e1 a entender que se trata de Tiamat e seu s\u00e9quito de monstros, mas ele n\u00e3o se intimida e se diz pronto para partir. No entanto, pela vit\u00f3ria Marduk imp\u00f5e condi\u00e7\u00f5es, e uma delas \u00e9 que seu destino seja mudado, que lhe seja dado um lugar proeminente na hierarquia divina.<\/p>\n<p>Para decidir a exig\u00eancia, realiza-se uma assembleia entre os deuses, regada a banquete. No final, Marduk foi honrado entre os grandes deuses como o vingador e, ao sentar-se perante \u00e0 assembleia, foi-lhe concedido a realeza do poder sobre o universo das coisas. \u201cQue as tuas armas aniquilem os inimigos\u201d. Sem perder tempo, Marduk arma-se de flecha, arco, uma grande rede, a erva do veneno e como aliados escolhe os sete ventos impetuosos.<\/p>\n<p>No in\u00edcio ele desfalece quando v\u00ea a boca escancarada de Quingu, e Tiamat solta gritos atrozes de maldi\u00e7\u00f5es contra Marduk. O temor \u00e9 substitu\u00eddo pela ira e o deus enfurecido a insulta e a desafia para o duelo. Envolvida pela raiva, Tiamat se lan\u00e7a contra o inimigo com as faces abertas, prontas a abocanh\u00e1-lo.<\/p>\n<p>O deus aproveita o momento e joga dentro dela o vento mau que a impede de fechar a boca e, imediatamente, sua mort\u00edfera flecha que atravessa seu cora\u00e7\u00e3o. Seus seguidores tentam fugir, mas Marduk apanha todos com a rede, pisa sobre suas cabe\u00e7as e os faz prisioneiros.<\/p>\n<p>Depois corta a carca\u00e7a de Tiamat em duas partes como uma ostra. Com a metade superior forja o C\u00e9u, fixando-o com ferrolhos e pondo-lhe guardi\u00e3es, para que suas \u00e1guas n\u00e3o fujam. No C\u00e9u coloca a morada dos deuses, as estrelas, os signos e a Lua, confiando-lhe a noite. Com a outra parte cria a Terra.<\/p>\n<p>De Quingu, tira as T\u00e1buas do Destino e pendura-as no seu pesco\u00e7o, tornando-se assim o dominador do universo. Depois, o mata. Com seu sangue conforma a argila e cria Lilu, o homem, e em seguida os animais, as plantas e as v\u00e1rias partes do mundo. Ao homem designa o servi\u00e7o dos deuses, e estes foram divididos por Marduk em dois grupos: Os Iguigui (deuses do C\u00e9u), e os Anunn\u00e1qui, os deuses da Terra.<\/p>\n<p>No final, todos os deuses exprimem sua gratid\u00e3o levantando para Marduk um grande santu\u00e1rio, a Torre de Babel (Entemenanqui). No dia da inaugura\u00e7\u00e3o oferecem um suntuoso banquete e cantam em louvor ao seu salvador.<\/p>\n<p>O poema era lido por ocasi\u00e3o do Ano Novo com representa\u00e7\u00e3o sacra e alus\u00f5es a significados astrais. Tiamat reviver\u00e1 ainda na simbologia da B\u00edblia (monstro an\u00e1logo nos Livros de J\u00f3, Salmos e em Isaias) onde toma o nome de Leviat\u00e3. No her\u00f3i Marduk, autores se inspiraram no arcanjo S\u00e3o Miguel e S\u00e3o Jorge.<\/p>\n<p>O C\u00d3DIGO DE HAMMURABI<\/p>\n<p>No Susa, em Elam (1902), arque\u00f3logos encontraram uma famosa estela de Hammurabi, com mais de dois metros de altura. Sobre toda parte inferior da obra de arte estava gravado uma esp\u00e9cie de c\u00f3digo civil e penal. Nas escolas, Hammurabi tornou-se c\u00e9lebre e conhecido como primeiro legislador da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Explica, no entanto, o autor do livro \u201cDos Sum\u00e9rio a Babel\u201d, que ele n\u00e3o foi o primeiro, nem o grande, mas limitou-se a transcrever uma s\u00e9rie de senten\u00e7as j\u00e1 julgadas, tornando-se v\u00e1lidas em todos os lugares. No direito civil se inspirou nas consagradas normas sum\u00e9rias e ac\u00e1dicas. No penal, introduziu a \u201cLei de Tali\u00e3o\u201d, recolhida de alguma tribo do deserto, na base \u201cdo olho por olho e dente por dente\u201d, que Mois\u00e9s adotou seis s\u00e9culos depois.<\/p>\n<p>Segundo autores entendidos no assunto, a obra de Hammurabi \u00e9 considerada como retrocesso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o sum\u00e9ria. No livro, o autor cita uma s\u00e9rie de artigos conhecidos das leis de Ur-Nammu, como \u201cse um homem feriu o p\u00e9 de um outro, pagar\u00e1 10 siclos de prata. Se um filho ofender sua m\u00e3e (&#8230;) seja expulso de casa.<\/p>\n<p>Nas novas leis de Hammurabi, se um homem quebra um osso a um outro, se lhe quebrar\u00e1 o mesmo osso. Se um filho bater em seu pai, que se lhe corte a m\u00e3o. A pena de morte \u00e9 prevista para furto com arrombamento, recepta\u00e7\u00e3o, cumplicidade, saques, adult\u00e9rios e estupros.<\/p>\n<p>\u201cSe um mestre de obras construir uma casa, e a casa desabar causando a morte do propriet\u00e1rio, o mestre de obras ser\u00e1 morto; se perder a vida tamb\u00e9m o filho do dono, ser\u00e1 morto tamb\u00e9m o filho do mestre de obras. Se o cidad\u00e3os bater na filha de outro cidad\u00e3o e esta morrer, a filha dele ser\u00e1 morta\u201d.<\/p>\n<p>Estas leis, entretanto, n\u00e3o s\u00e3o iguais para todos. Se um cidad\u00e3o vaza um olho ou quebra um osso a um cidad\u00e3o de n\u00edvel inferior, pagar\u00e1 uma mina de prata. Se a um escravo, pagar\u00e1 a metade de seu valor de aquisi\u00e7\u00e3o. Na pr\u00e1tica, estas leis se tornavam inoperantes por outras provid\u00eancias terr\u00edveis contra o arb\u00edtrio, como, \u201cse um cidad\u00e3o culpa outro por homic\u00eddio sem poder fornecer provas, ser\u00e1 morto\u201d.<\/p>\n<p>O mesmo acontece para falso testemunho em processos que impliquem pena capital. Um juiz que tenha emitido uma senten\u00e7a viciada pagar\u00e1 12 vezes o valor do objeto da querela e ser\u00e1 destitu\u00eddo. A pena de morte s\u00f3 era aplicada em casos de indiscut\u00edvel culpabilidade.<\/p>\n<p>Deixando de lado a \u201cLei de Tali\u00e3o\u201d, existia tamb\u00e9m indulg\u00eancias nos confrontos dos mais fracos, sobretudo com os devedores pobres. Defendia-se a pequena propriedade rural e punia-se o peculato e a corrup\u00e7\u00e3o administrativa. Quem se sentia injusti\u00e7ado podia recorrer ao rei, que de imediato realizava um inqu\u00e9rito. Qualquer cidad\u00e3o poderia citar em ju\u00edzo a Coroa, se achasse que o rei cometeu algum abuso.<\/p>\n<p>Na guerra, a lei prescrevia que a popula\u00e7\u00e3o civil das cidades conquistadas deveria ser poupada nos limites do poss\u00edvel. Hammurabi deixou um imp\u00e9rio em perfeita ordem, com finan\u00e7as pr\u00f3speras e com\u00e9rcio em expans\u00e3o. Fez de Babel a capital cultural de toda \u00c1sia.<\/p>\n<p>Na l\u00edngua ac\u00e1dico-babil\u00f4nia foram traduzidos, nesta \u00e9poca, o Poema de Guilgamech, o mito de Etana e muitos outros. A escola teol\u00f3gica do Esaguila tornou-se a mais importante da Mesopot\u00e2mia. O rei deixou para Babel um patrim\u00f4nio cultural reconhecido no mundo.<\/p>\n<p>No Livro do profeta Jeremias est\u00e1 dito que Babel tornou-se \u201cuma ta\u00e7a de ouro nas m\u00e3os do Senhor, que inebriou toda a terra\u201d. Marduk tornou-se o mais importante deus dos semitas pelo prest\u00edgio que derivava da cidade da qual era deus, n\u00e3o pela imposi\u00e7\u00e3o de Hammurabi, pois seu deus era Chamach.<\/p>\n<p>A partir do seu apogeu, Babel passou a ser considerada por toda Mesopot\u00e2mia, como Babil\u00f4nia, s\u00f3 que Babel era a cidade, e Babil\u00f4nia a regi\u00e3o. O escritor faz esta refer\u00eancia para que n\u00e3o haja confus\u00e3o nas interpreta\u00e7\u00f5es entre uma coisa e outra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O POEMA DA CRIA\u00c7\u00c3O No livro \u201cDos Sum\u00e9rios a Babel\u201d, o autor Federico A. Arb\u00f3rio Mella cita que, provavelmente, Hammurabi (1792-1750 a.C.) foi o maior rei da Mesopot\u00e2mia, e Babel era uma cidade pr\u00f3spera no mesmo porte de Assur, Larsa e Echunna. 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