{"id":2524,"date":"2017-11-29T01:13:51","date_gmt":"2017-11-29T04:13:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2524"},"modified":"2017-11-29T01:14:01","modified_gmt":"2017-11-29T04:14:01","slug":"dos-sumerios-a-babel-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/11\/29\/dos-sumerios-a-babel-iii\/","title":{"rendered":"DOS SUM\u00c9RIOS A BABEL (III)"},"content":{"rendered":"<p>A EPOPEIA DE GUILGAMECH (II)<\/p>\n<p>Para historiadores, arque\u00f3logos e pesquisadores, a lenda passada na antiga Mesopot\u00e2mia (maior parte do Iraque), bombardeada na atualidade pela estupidez humana por v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es, que fala do rei em parte divino e humano Guilgamech (Gilgam\u00e9s), \u00e9 uma das mais lindas e ricas da humanidade, mas pouco comentada pela literatura.<\/p>\n<p>Na Mesopot\u00e2mia antiga, a hist\u00f3ria era contada nas estradas durante as caravanas tribais, no trabalho do dia a dia erguendo templos e constru\u00e7\u00f5es, bebendo nas tabernas e nas casas \u00e0 noite em rodas de amigos. Ent\u00e3o vamos para a segunda parte da epopeia, conforme as inscri\u00e7\u00f5es das doze tabuinhas de argila encontradas pelos arque\u00f3logos.<\/p>\n<p>Depois de entrar triunfalmente em Uruk coma a cabe\u00e7a de Khumbaba, o rei se limpa, veste novas roupas e p\u00f5e a coroa em sua cabe\u00e7a. Vendo todo aquele esplendor, a deusa Ichtar se arde de desejo e se oferece para ser sua amante, prometendo riquezas e poder sem limites, mas Gilgam\u00e9s a recusa.<\/p>\n<p>\u201cDesprezo o teu corpo cheio de fasc\u00ednio, recuso o teu p\u00e3o (&#8230;); as tuas artes s\u00e3o quentes, mas o teu cora\u00e7\u00e3o \u00e9 gelado. Onde est\u00e1 o amante que amarias para sempre? Ao teu jovem amante Tamuzu (Dumuzi), deus da Primavera, s\u00f3 reservaste o pranto, ano ap\u00f3s ano; depois, arranjastes um jovem pastor, quebraste-lhe as asas e agora ele vaga em l\u00e1grimas pelos bosques (&#8230;). Passaste a outro pastor e, com o bast\u00e3o, fizeste um lobo. Hoje, os outros pastores o amea\u00e7am e seus pr\u00f3prios c\u00e3es o mordem\u201d.<\/p>\n<p>E assim o rei vai narrando as maldades praticadas pela deusa contra quem ficava com ela e at\u00e9 quem se recusava, como num animal da lama. \u201cQueres meu amor para reservar-me o mesmo tratamento\u201d \u2013 respondeu Gilgam\u00e9s.<\/p>\n<p>Ichtar ficou furiosa e saiu pelos c\u00e9us a pedir vingan\u00e7a ao deus Anu pelo ultraje de que foi v\u00edtima. A deusa pede que ele crie um enorme touro para aterrorizar o rei e, se n\u00e3o for atendida amea\u00e7a golpear o deus com terrores e assombros. Para tanto, descer\u00e1 aos infernos, abrir\u00e1 todas suas portas, at\u00e9 que todos os dem\u00f4nios e mortos saiam e venham \u00e0 terra. Anu, ent\u00e3o, advertiu que este tipo de vingan\u00e7a acarretaria sete anos de carestia e pergunta se h\u00e1 trigo suficiente nos celeiros, no que a deusa garante que sim.<\/p>\n<p>Sem sa\u00edda, Anu faz surgir da montanha dos deuses um touro imenso e envia a Uruk onde devasta os campos e arrasta centenas de homens. Gilgam\u00e9s e seu amigo Enquidu enfrentam ferozmente o touro e enfiam uma espada no seu peito. Os dois se congratulam por terem dado nova gl\u00f3ria aos seus nomes, agora que matamos o touro. Depois se prostram perante o deus sol Chamach. Irada, Ichtar lan\u00e7a as piores maldi\u00e7\u00f5es contra o rei, Seu amigo irm\u00e3o Enquidu arranca uma coxa do touro e lan\u00e7a ao rosto da deusa. Depois lavam suas armas no Eufrates, festejando a luta e a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p><!--more--> Na s\u00e9tima t\u00e1bua Enquidu conta ao seu amigo-irm\u00e3o um terr\u00edvel sonho que teve: Uma \u00e1guia depois de t\u00ea-lo agarrado o leva para o ponto mais alto e ao fim quando a terra parecia pequena como uma papa de farinha e o oceano uma vasilha, a ave o deixa cair. Fiquei jazendo na terra com os ossos quebrados. Gilgam\u00e9s advinha o press\u00e1gio: Um esp\u00edrito te aferrar\u00e1 com suas garras; os deuses decidiram causar uma desgra\u00e7a e conforta o amigo por v\u00e1rios dias.<\/p>\n<p>A sa\u00fade de Enquidu se agrava e perde suas for\u00e7as e voz. Gilgam\u00e9s chora pelo irm\u00e3o que era forte como le\u00e3o e amado pelas belas mulheres de Uruk. Lembra os grandes feitos dos dois juntos e lamenta os malef\u00edcios vingativos dos deuses devido a ofensa cometida contra Ichtar. Enquidu exala o \u00faltimo suspiro e seu amigo se dilacera em dor. Urrou como le\u00e3o atingido por flechas, arrancou os cabelos, rasgou as vestes e envergou sua t\u00fanica de luto. Por seis dias e seis noites lamenta a morte do amigo, e no s\u00e9timo o sepulta.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o funeral, vaga perdido pelos campos. Um ca\u00e7ador vendo seu horr\u00edvel aspecto lhe enaltece por ter matado o guarda da floresta dos cedros, o monstro Khumbaba, os le\u00f5es dos montes, o touro e agora se mostra p\u00e1lido. Por que h\u00e1 tristeza em vosso semblante e seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 cheio de lamentos? Gilgam\u00e9s conta, ent\u00e3o, o acontecido com seu amigo que foi golpeado pelo destino de todo homem. Como posso calar minha dor, se meu amigo tornou-se p\u00f3 e argila? Deverei eu tamb\u00e9m jazer como ele por toda eternidade.<\/p>\n<p>PELA BUSCA DA IMORTALIDADE<\/p>\n<p>A partir dai, inicia-se o poema do her\u00f3i lastimoso na desesperada busca da imortalidade. Seu pranto continua pela morte do amigo. A ideia da morte n\u00e3o o deixa em paz. Decide, ent\u00e3o, encontrar o grande Utinapistin na procura de uma resposta sobre a vida eterna. Resolve fazer uma longa jornada e, depois de dias, se depara na alta montanha chamada Machu, composta de dois altos picos que sustentam o c\u00e9u. Entre os dois picos se abre a porta atrav\u00e9s da qual sai o sol. A porta \u00e9 vigiada por dois gigantes meio homens e meio escorpi\u00f5es.<\/p>\n<p>Um deles o interroga sobre seu triste aspecto e o que pretende em sua longa viagem. Gilgam\u00e9s responde que quer se encontrar com Utinapistin, seu antepassado que entrou para a assembleia dos deuses. Quero interrog\u00e1-lo sobre o destino e sobre a vida. O vigia o adverte que o sendeiro que passa por entre as montanhas n\u00e3o pode ser percorrido pelos p\u00e9s dos mortais e descreve sobre a obscura garganta, que o sol atravessa quando ilumina os pa\u00edses e para onde retorna quando volta da sua viagem noturna pelo oceano do c\u00e9u.<\/p>\n<p>Conta que atr\u00e1s da montanha se encontra o mar que circunda os pa\u00edses da terra e destaca que n\u00e3o pode percorrer o caminho do sol porque este conduz ao reino dos deuses. Utinapistin tamb\u00e9m habita l\u00e1, perto da desembocadura da corrente, al\u00e9m das \u00e1guas da Morte e n\u00e3o h\u00e1 barco que possa levar-te \u00e0 outra margem. O corajoso rei n\u00e3o se d\u00e1 por vencido, e o gigante lhe abre passagem dizendo que ir\u00e1 percorrer uma garganta horr\u00edvel que dura dez horas duplas. Gilgam\u00e9s adentra pelo caminho do sol.<\/p>\n<p>Relatam as inscri\u00e7\u00f5es que as trevas eram profundas e o rei n\u00e3o conseguia distinguir o que estava atr\u00e1s de si, nem o que estava \u00e0 sua frente. Depois de dez horas duplas, eis que aparece um clar\u00e3o na garganta que se abre. Diante dele surgem os espl\u00eandidos jardins dos deuses, frutos de rubi, magn\u00edficos cachos de uva e o her\u00f3i ergue seus bra\u00e7os ao sol. O caminho foi fatigante e ele teve que matar animais da floresta para se alimentar e cobrir seu corpo com as peles.<\/p>\n<p>Pediu ao Sol que lhe guiasse ao barqueiro para lhe levar a salvo al\u00e9m do oceano e das \u00e1guas da morte, a fim de que eu possa informar-me sobre a vida. O deus Sol o admoesta: Para onde corres, \u00f3 Gilgam\u00e9s? Jamais encontrar\u00e1s a vida que procuras, mas o her\u00f3i n\u00e3o desiste, o suplica. Chamach recomenda procurar Siduri-Sabitu, a senhora da montanha celeste, sentada no trono do jardim dos deuses, que protege a \u00e1rvore da vida. S\u00f3 ela poder\u00e1 indicar o caminho para Utinapistin. O rei vai ao encontro da s\u00e1bia senhora a fim de completar sua jornada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A EPOPEIA DE GUILGAMECH (II) Para historiadores, arque\u00f3logos e pesquisadores, a lenda passada na antiga Mesopot\u00e2mia (maior parte do Iraque), bombardeada na atualidade pela estupidez humana por v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es, que fala do rei em parte divino e humano Guilgamech (Gilgam\u00e9s), \u00e9 uma das mais lindas e ricas da humanidade, mas pouco comentada pela literatura. 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