{"id":2506,"date":"2017-11-18T00:13:32","date_gmt":"2017-11-18T03:13:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2506"},"modified":"2017-11-18T00:14:05","modified_gmt":"2017-11-18T03:14:05","slug":"dos-sumerios-a-babel-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/11\/18\/dos-sumerios-a-babel-ii\/","title":{"rendered":"DOS SUM\u00c9RIOS A BABEL (II)"},"content":{"rendered":"<p>A EPOPEIA DE GUILGAMECH (I)<\/p>\n<p>Da poderosa cidade de Uruk nasce a hist\u00f3ria da Epopeia de Guilgamech (Gilgam\u00e9s), o poema mais famoso da literatura da Mesopot\u00e2mia, descoberto na Biblioteca de Assurbanipal (N\u00ednive), atrav\u00e9s das tabuinhas de barro pelo arque\u00f3logo Hormuzd Rassam e decifrado por George Smith.\u00a0 \u00c9 tamb\u00e9m uma vers\u00e3o ass\u00edria. Os deuses s\u00e3o semitas, mas os lugares da a\u00e7\u00e3o s\u00e3o sum\u00e9rios, com ra\u00edzes da \u00e9poca de Uruck. A Epopeia foi gravada em doze tabuinhas de argila.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4132.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2507\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4132.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4132.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4132-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na Biblioteca de Assurbanipal, por volta de 600 A.C, diz o autor de \u201cDeuses, T\u00famulos e S\u00e1bios\u201d, C.W.Ceram, que a obra liter\u00e1ria foi a primeira grande epopeia da humanidade, a lenda do maravilhoso e terr\u00edvel Gilgam\u00e9s. Segundo ele, a hist\u00f3ria, quando foi decifrada, lan\u00e7ava uma luz completamente nova e surpreendente sobre o nosso mais antigo passado.<\/p>\n<p>O escritor lamenta que os autores modernos da literatura n\u00e3o t\u00eam dado o devido destaque merecido. Citam algumas linhas e \u201cpassam por alto o conte\u00fado\u00a0 que \u00e9 o que nos conduz ao ber\u00e7o da ra\u00e7a humana, ao primeiro antepassado da humanidade\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4134.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2508\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4134.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4134.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4134-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>De in\u00edcio, a obra estava fragmentada (faltava algo para fechar a hist\u00f3ria) e, ent\u00e3o, George Smith foi atr\u00e1s do resto nas escava\u00e7\u00f5es perto de Mossul (Iraque), justamente a parte que falava do dil\u00favio, contada por Utnapisti que era o No\u00e9, da B\u00edblia. Trata-se da hist\u00f3ria daquele mesmo dil\u00favio que a B\u00edblia viria a contar muito mais tarde.<\/p>\n<p>Logo de in\u00edcio, o her\u00f3i Guilgamech (Gilgam\u00e9s), dois ter\u00e7os divino e um humano, \u00e9 apresentado como grande ca\u00e7ador de le\u00f5es. Uruck tem poderosos muros, um grandioso templo e um pal\u00e1cio branco constru\u00eddos por Ensi, temido pelos seus s\u00faditos. Ele imp\u00f5e a todos um trabalho sem cessar, e s\u00e3o as mulheres que elevam protestos aos deuses. Anu reconhece que seus lamentos s\u00e3o justos e encarrega a deusa criadora Aruru de formar um indiv\u00edduo forte, que n\u00e3o seja um animal do deserto, para distrair Guilgamech.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4140.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2509\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4140.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4140.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4140-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Aruru toma um pouco de argila, molda-a, cospe em cima e surge um her\u00f3i do sangue de Ninib, deus da guerra chamado de Enquidu (Enkidu), n\u00e3o muito atraente, de cabelos longos como o trigo que se veste de peles, bebe com as manadas e come grama junto com as gazelas. Logo, torna-se protetor dos animais que arrebenta redes e inutiliza armadilhas dos ca\u00e7adores. O local torna-se um Parque Nacional.<\/p>\n<p><!--more--> Um dos ca\u00e7adores descobre aquele estranho indiv\u00edduo que se assemelhava a um dem\u00f4nio dos montes. Fala com o pai que aconselha tomar do soberano uma bela mo\u00e7a e mostr\u00e1-la nua para que ele se distraia e pense em outra coisa. O ca\u00e7ador vai a Ensi e conta tudo sobre o cabeludo gigante. Guilgamech d\u00e1 permiss\u00e3o de liberar uma mulher do templo, e o ca\u00e7ador a deixa no rio onde a previs\u00e3o se cumpre. Enquidu ficou com a mulher por seis dias e seis noites e se uniram em amor.<\/p>\n<p>Enquanto ele estava com a mulher, os animais se distanciam dele. Com sua arte de sedu\u00e7\u00e3o, a mulher o convence de abandonar o campo e ir at\u00e9 ao encontro do her\u00f3i Guilgamech para enfrent\u00e1-lo. Enquidu se enche de vaidade e quer mostrar a toda a Uruck que ele tamb\u00e9m \u00e9 forte. Os dois s\u00e3o recebidos com festa no pal\u00e1cio. Um vidente prev\u00ea a luta contra Guilgamech, de grande estatura e m\u00fasculos duros como o metal.<\/p>\n<p>Pela sua descomunal estatura, Enquidu \u00e9 admirado e temido por todos, inclusive pelos guardas do templo. Na celebra\u00e7\u00e3o das sagradas n\u00fapcias de Ano Novo, os dois se observam e a briga \u00e9 inevit\u00e1vel. Na luta entre os dois pesos pesados, o rei arremessa Enquidu aos p\u00e9s da rainha-m\u00e3e. Este solta um urro desesperado, levanta-se, deixa cair os bra\u00e7os ao seu lado e seus olhos se enchem de l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>A rainha o ampara e diz: \u00c9s meu filho e te gerei hoje mesmo; sou tua m\u00e3e, e este \u2013 indicando Guilgamech \u2013 \u00e9 teu irm\u00e3o. O rei o reconhece como irm\u00e3o e o chama para lutar ao seu lado, para custodiar a Floresta Sagrada dos Cedros que circunda a morada dos deuses. O deus Bel tinha colocado o tem\u00edvel guardi\u00e3o de nome Khumbaba com voz de trov\u00e3o, h\u00e1lito forte que se permitia a algumas liberdades de sair do bosque para aterrorizar o povo, matando a quem encontrasse em seu caminho. Os dois resolvem seguir juntos para enfrentar e matar o guardi\u00e3o monstro.<\/p>\n<p>Antes de partir, Enquidu tem saudade dos seus animais e desaparece no campo. Guilgamech re\u00fane a Assembleia dos Anci\u00f5es e lamenta tristemente a falta do irm\u00e3o que se arrepende de tudo e maldiz a mulher que o seduziu. Ele pede ao seu povo que leve tudo para Enquidu, enquanto promete procur\u00e1-lo por toda plan\u00edcie.<\/p>\n<p>O deus Sol Chamach repreende a atitude de Enquidu dizendo que a mulher lhe deu de tudo, luxo, festas, vestes finas, e que o povo de Uruk est\u00e1 de luto por ele, e o irm\u00e3o o procura por toda parte. Enquidu acalma o seu cora\u00e7\u00e3o e volta a se encontrar com Guilgamech. Conta-lhe um terr\u00edvel sonho de que tinha enfrentado um homem forte, de semblante escuro como a noite, parecido com uma hiena com poderosas garras de abutre. Apanhou-me e me comprimiu com seu peso tal como uma montanha. Sentiu-se no fundo do abismo onde quem entra n\u00e3o sai mais.<\/p>\n<p>No sonho, o monstro lhe ordena a ir pela estrada da qual ningu\u00e9m pode sair, a entrar na casa sem luz onde os habitantes se alimentam de p\u00f3 e lama, t\u00eam asas de morcego e residem nas trevas. Enquidu adentra no reino dos mortos onde os grandes e os servos s\u00e3o todos iguais, dominados por Erechquigal, rainha dos infernos, que manda a escriv\u00e3 registrar seu nome na argila. Guilgamech conforta o amigo e faz o ritual dos esconjuros. Oferece ao deus Sol uma ta\u00e7a de mel, permitindo que ele a lambesse.<\/p>\n<p>Chamach gostou da oferenda e incentivou os dois a enfrentarem Khumbaba. Ent\u00e3o, depois de ouvir o Conselho dos Nobres, os irm\u00e3os partiram com as b\u00ean\u00e7\u00e3os da rainha. Na floresta, o primeiro a ser morto foi o guarda, cujo corpo foi entregue aos abutres. Enquidu roga prud\u00eancia ao irm\u00e3o e o aconselha para acampar \u00e0 noite, mas Guilgamech encoraja-o a seguir em frente, sem medo, para combaterem juntos. Todos os pa\u00edses da terra (dos Quatro Mundos) cantar\u00e3o em nosso louvor.<\/p>\n<p>Os dois ficaram fascinados pela floresta de cedros, morada dos deuses, e pelas suas calmas alamedas. Avan\u00e7am por entre \u00e1rvores at\u00e9 o cair da noite entre as estrelas. Cansados, deitam para dormir. Na aurora, ambos retomam a marcha por trinta horas at\u00e9 o monte da Sagrada Terra da deusa Inanna. De repente ergue-se a figura monstruosa de Khumbaba com suas patas de le\u00e3o, corpo de escamas de bronze, cabe\u00e7a de b\u00fafalo selvagem e cauda em forma de cabe\u00e7as de serpentes.<\/p>\n<p>Juntos lan\u00e7am suas flechas contra o monstro, mas elas caem inertes. Khumbaba enterra suas garras em Enquidu fazendo-o cair. Guilgamech empunha seu machado e o decapita. Seu corpo \u00e9 arrastado para um pasto aberto e entregue aos abutres em sinal de triunfo.<\/p>\n<p>Depois da luta, sobem at\u00e9 o ponto mais alto do monte e ouvem a voz da deusa que adverte que ningu\u00e9m pode chegar ao alto do monte e ver a face dos deuses, sob pena de morrer. A deusa ordena, ent\u00e3o, que retornem a Uruk, e assim \u00e9 feito. No caminho, matam le\u00f5es e tiram suas peles. Na lua cheia chegam a Uruk com a cabe\u00e7a de Khumbaba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A EPOPEIA DE GUILGAMECH (I) Da poderosa cidade de Uruk nasce a hist\u00f3ria da Epopeia de Guilgamech (Gilgam\u00e9s), o poema mais famoso da literatura da Mesopot\u00e2mia, descoberto na Biblioteca de Assurbanipal (N\u00ednive), atrav\u00e9s das tabuinhas de barro pelo arque\u00f3logo Hormuzd Rassam e decifrado por George Smith.\u00a0 \u00c9 tamb\u00e9m uma vers\u00e3o ass\u00edria. 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