{"id":2494,"date":"2017-11-08T23:15:12","date_gmt":"2017-11-09T02:15:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2494"},"modified":"2017-11-08T23:15:23","modified_gmt":"2017-11-09T02:15:23","slug":"dos-sumerios-a-babel-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/11\/08\/dos-sumerios-a-babel-i\/","title":{"rendered":"DOS SUM\u00c9RIOS A BABEL (I)"},"content":{"rendered":"<p>A MESOPOT\u00c2MIA \u2013 HIST\u00d3RIA, CIVILIZA\u00c7\u00c3O E CULTURA<\/p>\n<p>As vers\u00f5es d\u00e3o conta de que esses povos vieram das montanhas do C\u00e1ucaso, da \u00cdndia e de v\u00e1rias partes da Europa, alguns b\u00e1rbaros como refugiados escorra\u00e7ados por tribos inimigas, que se espalharam pelas terras da Mesopot\u00e2mia entre os rios Tigre e Eufrates (o Crescente F\u00e9rtil), hoje a Turquia, Iraque, Ir\u00e3, L\u00edbano, S\u00edria e at\u00e9 na Jord\u00e2nia e Israel.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4131.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2495\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4131.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4131.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4131-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Essas tribos se tornaram guerreiras, se destacando depois os Ass\u00edrios-Babil\u00f4nios que conquistaram toda regi\u00e3o, denominada de Quatro Partes do Mundo, durante quatro mil\u00eanios Antes de Cristo, batendo nas portas dos reinos de Jud\u00e1 e Israel destruindo tudo que encontravam pela frente, inclusive seus tempos sagrados.<\/p>\n<p>Mas, eles n\u00e3o apenas tiveram reis sanguin\u00e1rios. Foram ex\u00edmios na t\u00e9cnica da irriga\u00e7\u00e3o, cujos m\u00e9todos at\u00e9 hoje adotamos, abriram canais, constru\u00edram grandes cidades e torres, criaram a escrita e deixaram suas hist\u00f3rias em milhares de tabuinhas de barro, sem contar a arte da escultura e da arquitetura.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4136.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2496\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4136.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4136.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4136-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O autor do livro \u201cDos Sum\u00e9rios a Babel\u201d, Federico A. Arborio Mella\u00a0 diz, em seu pref\u00e1cio, dedicar a obra para os apaixonados pela hist\u00f3ria antiga dos grandes reis e generais Sarg\u00e3o II, Teglatfalassar, Assarhaddon, Senaquerib, Assurbanipal, Hammurabi, Ciro, Nabucodonosor e para quem a palavra \u201cMesopot\u00e2mia\u201d evoca a \u201csoberba N\u00ednive\u201d e a \u201cTorre de Babel\u201d.<\/p>\n<p>Apesar da escassez de documentos, aqui o autor faz um belo passeio narrativo sobre a epopeia sum\u00e9ria, a revolu\u00e7\u00e3o dos ac\u00e1dicos, as venturas e desventuras dos babil\u00f4nios, dos ass\u00edrios e de todos os povos que se instalaram nas f\u00e9rteis terras entre o Tigre e o Eufrates.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4139.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2497\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4139.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4139.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/IMG_4139-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Sagrada Escritura que extraiu muitas passagens b\u00edblicas desses antigos povos, inclusive delas fazendo suas pr\u00f3prias vers\u00f5es dos seus patriarcas e profetas, ( Isaias, Jeremias, Ezequiel) fala muito dos caldeus, de Babel, dos Ass\u00edrios, citando os nomes de Ur, Erek, Acad e outros. O historiador, na \u00e9poca rep\u00f3rter viajante Her\u00f3doto, o grego, descreve a Babil\u00f4nia com precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Como a obra tem como base central as descobertas arqueol\u00f3gicas a partir do s\u00e9culo XIX, o escritor oferece, na abertura, uma vis\u00e3o geral sobre os achados das grandes cidades, as inscri\u00e7\u00f5es deixadas pelos reis e seus feitos, lendas, deuses e grandes nomes dos estudiosos do assunto.<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0Como toda aquela civiliza\u00e7\u00e3o prosperava e girava em torno dos dois grandes rios, um dos maiores feitos da arqueologia foi protagonizado pelo nativo de Mossul (Iraque) Hormuzd Rassam que desenterrou, em 1854, documentos da Biblioteca de Assurbanipal. Conta que o grande rei, admirador da cultura, deu ordens aos seus enviados de comprar todas as obras cient\u00edficas, liter\u00e1rias e hist\u00f3ricas que pudessem encontrar. Trata-se de uma cole\u00e7\u00e3o de mais de 30 mil tabuinhas de argila.<\/p>\n<p>As inscri\u00e7\u00f5es deixadas pelos reis, especialmente sobre suas conquistas, muitas das quais exageradas e vaidosas, eram muito importantes como esta de Dario \u201cEste rei Dariavuch (Dario) ordena: Tu que nos dias que vir\u00e3o vires esta inscri\u00e7\u00e3o e estas figuras de homens que eu fiz esculpir na rocha, n\u00e3o danifiques e n\u00e3o destruas nada. Tem cuidado, para que deixe uma semente, e conserve-a intacta\u201d. Como esta inscri\u00e7\u00e3o \u00e9 atual e serve de li\u00e7\u00e3o para os v\u00e2ndalos brasileiros de monumentos p\u00fablicos!<\/p>\n<p>Na religi\u00e3o sum\u00e9ria predominaram cren\u00e7as r\u00fasticas que os historiadores chamavam de \u201cxamanismo\u201d, cren\u00e7as em esp\u00edritos malignos (Passu, Labartu e Lilitu), bruxarias e esconjuros contra os esp\u00edritos. Anu era o grande capit\u00e3o, inimigo dos homens e pai de todos os dem\u00f4nios. Enqui, a personifica\u00e7\u00e3o do subterr\u00e2neo e do abismo. Sin era deus da Lua, criador do mundo e dos seres vivos, quem confere ou tira a coroa dos reis. Ningal, sua esposa, era a Grande Senhora. Marduk, uma esp\u00e9cie de deus supremo, e muitos deles continuaram sendo adorados por toda Mesopot\u00e2mia durante os imp\u00e9rios ass\u00edrios-babil\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Como o tema \u00e9 extenso e descritivo, baseado nas descobertas cient\u00edficas arqueol\u00f3gicas desses povos, vamos nos ater a algumas passagens que mais chamam a aten\u00e7\u00e3o do leitor por serem mais marcantes na hist\u00f3ria, como A Epopeia de Guilgaamech, O Poema da Cria\u00e7\u00e3o, O C\u00f3digo de Hammurabi, O Mito de Adapa, Direito Penal, Guggu de Ludd, Nabucodonosor e A Lenda do Nascimento de Ciro.<\/p>\n<p>No per\u00edodo de 2900 a 2500, Uruk (a b\u00edblica Erech) foi a cidade mais poderosa da Sum\u00e9ria, fundada pela deusa Inanna, a Ichtar do poema b\u00edblico \u201cA Ascens\u00e3o de Ichtar\u201d onde seu pai Anu, j\u00e1 embriagado, deu-lhe de presente a divina Ess\u00eancia e a Coroa. Passada a bebedeira, numa ressaca danada que nem boldo cura, Anu tentou retomar seu bens, mas Ichtar desaforada n\u00e3o deixou e instalou-se toda presun\u00e7osa em Uruk.<\/p>\n<p>Inanna tinha como amante Dumuzi (Tamuzu em ac\u00e1dico). Um dia ele afundou com seu barco e foi para o inferno onde os esp\u00edritos o mantiveram como prisioneiro. Desse epis\u00f3dio mitol\u00f3gico nasceu uma das mais po\u00e9ticas obras da literatura mesopot\u00e2mica, conhecida como \u201cDescida de Ichtar aos Infernos\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o vendo seu amante retornar, Ichtar (Inanna) resolveu descer ao Arallu, cidade dos mortos. Com todo \u00edmpeto bate no port\u00e3o amea\u00e7ando derrub\u00e1-lo. O guardi\u00e3o pede para esperar enquanto vai falar com Erechquigal, rainha dos infernos e a pr\u00f3pria irm\u00e3 de Ichtar. Ela fica perplexa, mas a deixa passar, com a exig\u00eancia de que tire a coroa na primeira porta, os brincos na segunda, o colar na terceira, o peitoral na quarta, a cinta na quinta, os braceletes na sexta e as vestes na \u00faltima. Como quem desce \u00e0 sepultura, a rainha fica totalmente nua.<\/p>\n<p>As duas irm\u00e3s se agridem e Ichtar exige seu amante, mas Erechquigal a aprisiona no seu pal\u00e1cio. Com isso, na terra, a vida amorosa extinguiu-se com a aus\u00eancia da deusa da fertilidade. O mensageiro dos deuses Pap-sukkal recorre ao s\u00e1bio Ea, ou Enqui. Este cria um arauto, o afeminado, e envia a Erechquigal que o transforma em r\u00e3. Resolve, ent\u00e3o chamar seu guardi\u00e3o e convoca uma assembleia entre os deuses da terra para apresentar sua irm\u00e3 que \u00e9 libertada e aspergida com a \u00e1gua da vida. Recebe suas vestes e enfeites de volta e \u00e9 entregue a Uruk.<\/p>\n<p>Seu amante, consegue a permiss\u00e3o para voltar \u00e0 terra, mas, a cada ver\u00e3o, quando o gr\u00e3o \u00e9 ceifado, sete dem\u00f4nios tiram Dumuzi do pal\u00e1cio e o levam \u00e0 cidade dos mortos. Cabe a Ichtar esperar pela pr\u00f3xima primavera. Seu amante tornou-se deus do renascer da vegeta\u00e7\u00e3o. A cada Ano Novo, uma representa\u00e7\u00e3o sacra recita a morte de Dumuzi. O rei aparecia em pessoa, caracterizado como Dumuzi, junto com a sacerdotisa. Assim come\u00e7a o Ano Novo, em mar\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A MESOPOT\u00c2MIA \u2013 HIST\u00d3RIA, CIVILIZA\u00c7\u00c3O E CULTURA As vers\u00f5es d\u00e3o conta de que esses povos vieram das montanhas do C\u00e1ucaso, da \u00cdndia e de v\u00e1rias partes da Europa, alguns b\u00e1rbaros como refugiados escorra\u00e7ados por tribos inimigas, que se espalharam pelas terras da Mesopot\u00e2mia entre os rios Tigre e Eufrates (o Crescente F\u00e9rtil), hoje a Turquia, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2494"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2494"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2494\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2498,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2494\/revisions\/2498"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}