{"id":2491,"date":"2017-11-07T00:50:33","date_gmt":"2017-11-07T03:50:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2491"},"modified":"2017-11-07T00:50:42","modified_gmt":"2017-11-07T03:50:42","slug":"4-de-novembro-48-anos-do-assassinato-de-carlos-marighella","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/11\/07\/4-de-novembro-48-anos-do-assassinato-de-carlos-marighella\/","title":{"rendered":"4 DE NOVEMBRO: 48 ANOS DO ASSASSINATO DE CARLOS MARIGHELLA"},"content":{"rendered":"<p>Por Alexandre Aguiar<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que muitos dizem sobre a vida e obra de Marighella, no meu entendimento, penso que a principal contribui\u00e7\u00e3o do baiano seja &#8220;Considera\u00e7\u00f5es sobre a renda da terra!&#8221; em 1958, ele cultivou a paz, mas desde a primeira at\u00e9 a \u00faltima pris\u00e3o sofrida, por motivos pol\u00edticos, ele foi obrigado a ir para a clandestinidade e para a luta armada em raz\u00e3o da supress\u00e3o dos direitos fundamentais, da liberdade e da pr\u00f3pria opress\u00e3o, que na \u00e9poca de Marighella se traduzia e ainda hoje se traduz na chamada viol\u00eancia de Estado no Brasil.<\/p>\n<p>Marighella foi preso a primeira vez pelo interventor Juracy Magalh\u00e3es, na Bahia, em raz\u00e3o de ter feito uma poesia. Depois foi preso por tentar organizar partidos e movimentos sociais nos anos 30, sendo que a certa altura foi encarcerado e levado para a pris\u00e3o da Ilha de Fernando de Noronha, onde ap\u00f3s anos de c\u00e1rcere, com o fim da Ditadura do Estado Novo, foi anistiado.<\/p>\n<p>Uma vez candidato a Deputado Federal pela Bahia, foi eleito atrav\u00e9s do voto popular pelo PCB &#8211; antigo partid\u00e3o, ao lado de Fernando Santana e Jorge Amado, estes tr\u00eas parlamentares baianos foram decisivos no Congresso Nacional, para aprova\u00e7\u00e3o do texto da Constitui\u00e7\u00e3o de 1946, na sequ\u00eancia em 1947, foi mais uma vez suprimido direitos pol\u00edticos de Marighella com a cassa\u00e7\u00e3o da legenda do Partido Comunista, tendo os comunistas sido perseguidos e levados \u00e0 clandestinidade do final da d\u00e9cada 40 at\u00e9 um pouco adiante da metade dos anos 1950.<\/p>\n<p>Restaurada a democracia, no Governo Jo\u00e3o Goulart abrandou-se as distens\u00f5es contra Marighella, por\u00e9m com o in\u00edcio da Ditadura Civil-Militar de 1964, salvo engano, em meados de 1965, Marighella foi baleado e preso quando sa\u00eda de uma sess\u00e3o de cinema, n\u00e3o recordo se em S\u00e3o Paulo ou no Rio de Janeiro, e adiante, ele escreveu o livro \u201cPor que Resisti a Pris\u00e3o!\u201d. Marighella sempre era levado preso ou vivia tangido, foi criminalizado por ser poeta e pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Em 1967 ele discordou da dire\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica do Partido Comunista e s\u00f3 a\u00ed ele foi para Guerrilha, contra os Atos Instrucionais e a\u00ed passou a fazer teses e estrat\u00e9gias program\u00e1ticas de resist\u00eancia \u00e0 ditadura civil-militar. Portanto, foi devido \u00e0 incapacidade da sociedade brasileira e do Estado em conviver com opini\u00f5es e posi\u00e7\u00f5es diferentes pacificamente, que Marighella se rebelou e combateu por meio da Guerrilha Urbana.<\/p>\n<p>Marighella\u00a0 foi um incompreendido e sem alternativas, sem garantia da liberdade e dos direitos pol\u00edticos, depois de muito labutar, \u00a0resolveu usar a for\u00e7a f\u00edsica e lutar, era Engenheiro Civil e deixou filho!<\/p>\n<p>Marighella fez pelo menos 180 pronunciamentos no Congresso Nacional durante a Constituinte que aprovou a Constitui\u00e7\u00e3o de 1946 e naquela ocasi\u00e3o, garantiu entre outras conquistas a liberdade de cren\u00e7a e culto religioso, instaurando o respeito \u00e0s religi\u00f5es e at\u00e9 ao direito de n\u00e3o ter religi\u00e3o, em todas as suas formas.<\/p>\n<p>Uma curiosidade \u00e9 que ao longo de sua trajet\u00f3ria Marighella foi \u00e0 R\u00fassia, ent\u00e3o Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Sovi\u00e9ticas, foi \u00e0 China e tamb\u00e9m esteve em Cuba. N\u00e3o concordo com a luta armada como alternativa de um povo, por isso carrego essa diverg\u00eancia final com Marighella, mas tenho pela hist\u00f3ria dele profundo respeito e penso que o Brasil deve sempre aproveitar o exemplo da trajet\u00f3ria dele para constru\u00e7\u00e3o da paz, do respeito comum entre n\u00f3s brasileiros e conciliar as contradi\u00e7\u00f5es entre ricos e n\u00e3o ricos, para superar as diferen\u00e7as de oportunidades e garantir a emancipa\u00e7\u00e3o da gente pelo caminho da concilia\u00e7\u00e3o entre trabalhadores e n\u00e3o trabalhadores.<\/p>\n<p><!--more-->Prefiro sempre ressaltar os aspectos favor\u00e1veis da trajet\u00f3ria de Marighella e nunca os momentos de confronto. Sim, Marighella era um homem inteligente e sens\u00edvel.<\/p>\n<p>A minha poesia predileta de Marighella \u00e9 &#8220;Canto para Atabaque&#8221;, onde o baiano faz uma men\u00e7\u00e3o tristonha \u00e0 trajet\u00f3ria do l\u00edder Congol\u00eas Pretrice Lumuba, Primeiro Ministro escolhido pelo voto popular, deposto e assinado em 1960, na Rep\u00fablica do Congo, em raz\u00e3o do seu perfil pol\u00edtico pan-africanista.<\/p>\n<p>Canto para Atabaque<\/p>\n<p>Ei bum!<br \/>\nQui bum-rum!<br \/>\nQui bum-rum!<br \/>\nBum! Bumba!<\/p>\n<p>Ei lu!<br \/>\nQui lu-lu!<br \/>\nQui lu-lu!<br \/>\nLumumba!<\/p>\n<p>Ei Brasil!<br \/>\nEi bumba meu-boi!<\/p>\n<p>\u201cMansu, manseba,<br \/>\ntraz a navalheta<br \/>\npra fazer a barba<br \/>\ndeste maganeta.\u201d<\/p>\n<p>L\u00e1 vem beberr\u00e3o,<br \/>\nl\u00e1 vem Basti\u00e3o,<br \/>\ntocando bexiga<br \/>\nem tudo que \u00e9 gente.<\/p>\n<p>O engenheiro medindo,<br \/>\nempata-samba empatando,<br \/>\ncavalo-marinho<br \/>\ndan\u00e7ando, dan\u00e7ando.<br \/>\nO boi requebrando,<br \/>\no boi est\u00e1 morrendo,<br \/>\no boi levantando&#8230;<\/p>\n<p>Ei Brasil-africano!<br \/>\nMinha av\u00f3 era nega hauss\u00e1,<br \/>\nela veio foi da \u00c1frica,<br \/>\nnum navio negreiro.<br \/>\nMeu pai veio foi da It\u00e1lia,<br \/>\noper\u00e1rio imigrante.<br \/>\nO Brasil \u00e9 mesti\u00e7o,<br \/>\nmistura de \u00edndio, de negro, de branco.<\/p>\n<p>Bum! Qui bum-rum! Qui bum-rum! Bum-bum!<\/p>\n<p>Quem fez o Brasil<br \/>\nfoi trabalho de negro,<br \/>\nde escravo, de escrava,<br \/>\ncom banzo, sem banzo,<br \/>\nmas l\u00e1 na senzala,<br \/>\no fil\u00e3o do Brasil<br \/>\nveio de l\u00e1 foi da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Ei bum!<br \/>\nQui bum-rum!<br \/>\nQui bum-rum!<br \/>\nBum! Bumba!<\/p>\n<p>Ei lu!<br \/>\nQui lu-lu!<br \/>\nQui lu-lu!<br \/>\nLumumba!<\/p>\n<p>Penso que as palavras negro, \u00edndio, branco, pobre, favelado, rico, mulher, homem, crian\u00e7a, adulto, idoso, comunista, socialista, capitalista, crist\u00e3o, judeu, \u00e1rabe, indiano, brasileiro, americano, africano, gay, l\u00e9sbicas, trans, etc&#8230; deveriam todas ser substitu\u00eddas apenas por pessoa humana.<\/p>\n<p>Pessoas Humanas, sem distin\u00e7\u00e3o, sem competi\u00e7\u00e3o, com o respeito ao o &#8220;eu e ao outro&#8221;, sobretudo &#8220;ao outro&#8221;, em todas as suas singularidades, sendo que o x da quest\u00e3o no Mundo est\u00e1 na adequada propor\u00e7\u00e3o do direito de propriedade, para supera\u00e7\u00e3o de quaisquer diferen\u00e7as ou estranhamentos entre pessoas humanas.<\/p>\n<p>Defendo constitucionalismo e humanidade a todas, por todas e para todas as pessoas humanas. Queria viver em um Mundo feliz e sem medos. Em 1950 Marighella escreveu manifesto com duras cr\u00edticas a constru\u00e7\u00e3o da bomba at\u00f4mica e pela manuten\u00e7\u00e3o da paz entre os povos no Mundo. PAZ!<\/p>\n<p>Alexandre Aguiar \u00e9 um conquistense radicado na Chapada Diamantina e advogado, sendo que dedicou estas palavras ao seu conterr\u00e2neo, amigo e colega, o humanista, Dimitri Sales, que reside no Estado de S\u00e3o Paulo, por ocasi\u00e3o da lembran\u00e7a dos 48 anos do assassinato do baiano Carlos Marighella.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alexandre Aguiar Ao contr\u00e1rio do que muitos dizem sobre a vida e obra de Marighella, no meu entendimento, penso que a principal contribui\u00e7\u00e3o do baiano seja &#8220;Considera\u00e7\u00f5es sobre a renda da terra!&#8221; em 1958, ele cultivou a paz, mas desde a primeira at\u00e9 a \u00faltima pris\u00e3o sofrida, por motivos pol\u00edticos, ele foi obrigado a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2491"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2491"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2491\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2492,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2491\/revisions\/2492"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}