{"id":2484,"date":"2017-10-27T23:14:12","date_gmt":"2017-10-28T02:14:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2484"},"modified":"2017-10-27T23:14:21","modified_gmt":"2017-10-28T02:14:21","slug":"cai-producao-de-alunos-com-deficiencia-no-ensino-fundamental-e-universitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/10\/27\/cai-producao-de-alunos-com-deficiencia-no-ensino-fundamental-e-universitario\/","title":{"rendered":"CAI PRODU\u00c7\u00c3O DE ALUNOS COM DEFICI\u00caNCIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E UNIVERSIT\u00c1RIO"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil, por incompet\u00eancia e guiados pelos v\u00edcios de seguir a lei simplista do menor esfor\u00e7o, os governos tentam resolver os problemas cr\u00f4nicos da sociedade atrav\u00e9s de decretos e portarias, como acontecem, principalmente, nas \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o e da seguran\u00e7a p\u00fablica, sem dar o devido suporte estruturante.<\/p>\n<p>\u00c9 uma forma demag\u00f3gica encontrada para enganar, agradar e ludibriar os brasileiros, a maioria inculta que engole tudo que vem de cima para baixo, sem antes refletir. Com legisla\u00e7\u00f5es, c\u00f3digos e estatutos modernos\u00a0 d\u00e3o a impress\u00e3o de que est\u00e3o combatendo o problema na raiz, mas \u00e9 tudo uma deslavada mentira.<\/p>\n<p>Caso t\u00edpico das medidas de inclus\u00e3o escolar para as crian\u00e7as e adolescentes com algum tipo de defici\u00eancia mental ou f\u00edsica, sem antes criar a devida estrutura nas escolas com profissionais especializados para receber e lidar com os alunos que necessitam de ajuda diferenciada dos outros. Os pais acreditaram e o resultado para a maioria foi frustrante por n\u00e3o ver seus filhos evolu\u00edrem como deveriam.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio censo da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de 2016 constatou que a participa\u00e7\u00e3o de estudantes com defici\u00eancia cai a cada ano. \u201cA sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de estar em uma ribanceira. Meu filho foi indo e, de repente, jogado ladeira abaixo. E n\u00e3o havia ningu\u00e9m l\u00e1 esperando por ele\u201d. \u00c9 o desabafo da m\u00e3e de um garoto com S\u00edndrome Down, quando ela decidiu tirar o filho do 9\u00ba ano da escola tradicional.<\/p>\n<p>Apesar dos esfor\u00e7os de inclus\u00e3o, a verdade \u00e9 que os estudantes com defici\u00eancia t\u00eam avan\u00e7ado em menor propor\u00e7\u00e3o na escada do sistema educacional. O estudo mostrou que no ensino fundamental, 3% t\u00eam alguma defici\u00eancia f\u00edsica ou intelectual, caindo para 0,9% no ensino m\u00e9dio. No ensino superior, o \u00edndice baixa para 0,5%. A legisla\u00e7\u00e3o diz, no entanto, que devem ter o direito de concluir todas as etapas.<\/p>\n<p>De acordo com relatos tristes de pais, seus filhos t\u00eam sido usados mais como \u201ccobaias\u201d porque os pr\u00f3prios professores confessam que n\u00e3o t\u00eam preparo para ensinar essas pessoas que precisam de acompanhamentos especializados. Como em todos os outros setores da vida, os governos brasileiros aprenderam a tocar gente como gado.<\/p>\n<p>Se no fundamental n\u00e3o existe estrutura adequada, no m\u00e9dio a situa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 mais complicada. Por falta de forma\u00e7\u00e3o de docentes, metodologia de ensino e infraestrutura, muitos alunos terminam deixando a escola. Mesmo sem condi\u00e7\u00f5es estruturais, foi implantado nos in\u00edcio dos anos 2000, a Pol\u00edtica Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Especial na Perspectiva da Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva, obrigando as redes educacionais matricular alunos com defici\u00eancia em salas regulares.<\/p>\n<p>Para quem sofre de paralisia cerebral, a batalha da adapta\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 mais complicada. Muitas m\u00e3es tentam o col\u00e9gio regular, mas terminam retornando para um especial depois dos resultados negativos. N\u00e3o tem gente para segurar nas m\u00e3os das crian\u00e7as ou dar comida na boca. Na maioria dos casos, os professores n\u00e3o sabem ensinar para esse tipo espec\u00edfico de aluno.<\/p>\n<p><!--more-->Outro problema grave \u00e9 a deficiente acessibilidade existente nas unidades escolares p\u00fablicas. Os escassos investimentos do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o neste setor n\u00e3o atende a grande demanda. E assim, os governos v\u00e3o empurrando o problema e enganando \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de que o Brasil disp\u00f5e de um programa e uma boa legisla\u00e7\u00e3o de inclus\u00e3o escolar do deficiente.<\/p>\n<p>Na capital baiana, as universidades estaduais s\u00e3o praticamente desprovidas de profissionais para atender alunos com defici\u00eancia visual, auditiva, intelectual, com transtorno de espectro autista e de aprendizagem. No interior, o quadro j\u00e1 \u00e9 bem melhor na Universidade Estadual de Feira de Santana e nos campus de Vit\u00f3ria da Conquista, Jequi\u00e9 e Itapetinga, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb.<\/p>\n<p>BAIXA AVALIA\u00c7\u00c3O EM LEITURA E ESCRITA<\/p>\n<p>Como estamos falando de educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 triste mais uma vez constatar o menosprezo dos governos para com o setor, t\u00e3o essencial ao desenvolvimento da na\u00e7\u00e3o. Falta prioridade. Na Avalia\u00e7\u00e3o Nacional da Alfabetiza\u00e7\u00e3o (ANA), a Bahia teve o sexto pior resultado do pa\u00eds nas provas de leitura e matem\u00e1tica. Os testes foram realizados em 2016 para alunos do 3\u00ba ano do fundamental da rede p\u00fablica com oito anos ou mais.<\/p>\n<p>No c\u00f4mputo geral, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), 73% dos alunos no estado tiveram resultados considerados insuficientes nos exames de leitura e matem\u00e1tica, e 55% n\u00e3o atingiram o \u00edndice esperado pelo \u00f3rg\u00e3o na avalia\u00e7\u00e3o de escrita.<\/p>\n<p>Em termos nacionais, mais da metade dos estudantes do 3\u00ba ano do fundamental t\u00eam n\u00edvel de leitura e matem\u00e1tica considerado \u201cindiferentes\u201d, conforme divulga\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, o n\u00edvel \u00e9 baixo. Em escrita, mais de um ter\u00e7o das crian\u00e7as que estudam na rede p\u00fablica est\u00e3o aqu\u00e9m do considerado razo\u00e1vel, cometendo erros b\u00e1sicos de gram\u00e1tica e compreens\u00e3o de textos.<\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar que os alunos da faixa de oito anos (quase 90% dos avaliados) j\u00e1 deveriam estar alfabetizados, mas n\u00e3o est\u00e3o. S\u00f3 13% alcan\u00e7aram o patamar desej\u00e1vel na avalia\u00e7\u00e3o. Em leitura, o cen\u00e1rio \u00e9 de estagna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda sobre educa\u00e7\u00e3o, o intelectual, pensador e escritor Joaci G\u00f3es sugeriu, nesta semana, que o ensino fundamental no Brasil seja federalizado porque os munic\u00edpios est\u00e3o sem condi\u00e7\u00f5es de arcar com os custos. Por outro lado, no \u00e2mbito das universidades p\u00fablicas, ele entende que os estudantes que podem pagar, devem custear seus cursos, da mesma maneira que os pobres fazem nas escolas superiores particulares. Concordo plenamente com Joaci.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, por incompet\u00eancia e guiados pelos v\u00edcios de seguir a lei simplista do menor esfor\u00e7o, os governos tentam resolver os problemas cr\u00f4nicos da sociedade atrav\u00e9s de decretos e portarias, como acontecem, principalmente, nas \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o e da seguran\u00e7a p\u00fablica, sem dar o devido suporte estruturante. \u00c9 uma forma demag\u00f3gica encontrada para enganar, agradar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2484"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2484"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2484\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2485,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2484\/revisions\/2485"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}