{"id":2339,"date":"2017-08-24T00:13:45","date_gmt":"2017-08-24T03:13:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2339"},"modified":"2017-08-24T00:14:03","modified_gmt":"2017-08-24T03:14:03","slug":"e-a-biblia-tinha-razao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/08\/24\/e-a-biblia-tinha-razao\/","title":{"rendered":"&#8220;E A B\u00cdBLIA TINHA RAZ\u00c3O&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Pela metade do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX, principalmente, arque\u00f3logos, pesquisadores e historiadores franceses, alem\u00e3es, norte-americanos e ingleses realizaram com maior intensidade escava\u00e7\u00f5es nas regi\u00f5es da Mesopot\u00e2mia (F\u00e9rtil Crescente dos rios Tigre e Eufrates), na Terra Santa (Israel e Palestina), junto ao Nilo, no Egito, nas margens do Mar Morto e do Mediterr\u00e2neo, e at\u00e9 na S\u00edria, que depois vieram comprovar lugares, fatos e acontecimentos citados pela B\u00edblia, o Livro dos Livros, hoje traduzido por cerca de 1.200 l\u00ednguas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3815.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2340\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3815.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3815.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3815-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Mais tarde, reunindo todos estes achados e descobertas cient\u00edficas, o historiador Werner Keller, num \u00e1rduo trabalho de estudo, publicou, em 1955, a primeira edi\u00e7\u00e3o de \u201cE A B\u00edblia Tinha Raz\u00e3o\u201d, revisada em 1978 por Joachim Rehork. Em mar\u00e7o de 1981 saiu a 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o com quase 400 p\u00e1ginas, repletas de ilustra\u00e7\u00f5es, fotos e mapas dessas antigas civiliza\u00e7\u00f5es e dos grandes patriarcas, desde Abra\u00e3o.<\/p>\n<p>Li a obra sem pressa, mesmo porque \u00e9 um assunto que muito me interessa e me deixa fascinado. Diante de todas as ocorr\u00eancias ao longo dos s\u00e9culos, o autor procura defender sua teoria de que a B\u00edblia tinha mesmo raz\u00e3o, apesar de deixar muitas d\u00favidas pelo caminho. Senti muito forte o cheiro da f\u00e9 religiosa em suas convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3814.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2341\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3814.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3814.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3814-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Por\u00e9m, na minha leitura, o \u201cLivro dos Livros\u201d se apropriou de muitas lendas, mitologias de deidades sum\u00e9rias e babil\u00f4nicas, de fen\u00f4menos da natureza e fatos reais contados por aquelas tribos primitivas, para transform\u00e1-los em milagres de Deus e assim refor\u00e7ar e fortalecer sua exist\u00eancia de uma divindade \u00fanica perante o povo hebreu de Mois\u00e9s que \u201ccaminhava perdido\u201d pelo deserto.<\/p>\n<p>Alguns povos antigos, como os babil\u00f4nios, adotavam um deus supremo (Marduck) que comandava todos os outros. No cristianismo e no juda\u00edsmo, especialmente, existe um s\u00f3 Deus, mas na evolu\u00e7\u00e3o do catolicismo foram criados outros deuses, os santos diversos, aos quais os fi\u00e9is recorrem quando deles necessitam para ampar\u00e1-los nos momentos dif\u00edceis.<\/p>\n<p>Cochonilhas com excre\u00e7\u00f5es de man\u00e1<\/p>\n<p>Forma\u00e7\u00f5es v\u00edtreas claras num galho de tamargueira, carregado de cochonilhas. S\u00e3o galhos de man\u00e1 (mannit)<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3813.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2342\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3813.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3813.jpg 250w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3813-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O dil\u00favio narrado pela mitologia sum\u00e9ria h\u00e1 4.000 anos a.C. que inundou a Mesopot\u00e2mia, pelas indica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, foi a passagem de tuf\u00f5es, ou furac\u00f5es pela regi\u00e3o com tempestades e chuvas torrenciais nunca vistos. A hist\u00f3ria \u00e9 citada no livro de Federico Arborio Mella em \u201cDos Sum\u00e9rios a Babel\u201d atrav\u00e9s das 12 tabuinhas cuneiformes durante a epopeia do rei Guilgamech, da cidade de Uruk.<\/p>\n<p>Diz a mitologia que Enqui, o deus do Abismo, convidou Utnapichtim a construir uma embarca\u00e7\u00e3o capaz de carregar a semente da vida de cada esp\u00e9cie. \u201cConstrua r\u00e1pido o barco e leve-o no mar de \u00e1guas doces, carregando-o com o que for necess\u00e1rio\u201d. Depois da tormenta de doze horas duplas, vi despontar no horizonte uma ilha. Minha nau ficou encalhada sobre o monte Nissir durante seis dias. No s\u00e9timo, tomei uma pomba e deixei-a partir&#8230; \u2013 conta Utnapichtim que, como sobrevivente, ganhou a imortalidade.<\/p>\n<p><!--more--> Relata Federico Mella que a introdu\u00e7\u00e3o do epis\u00f3dio do dil\u00favio universal na B\u00edblia \u00e9 muito tardia e data da segunda metade do s\u00e9culo V a.C., mesmo que a tradi\u00e7\u00e3o oral hebraica afunda suas ra\u00edzes num passado remoto. Diz mais ainda que nas compila\u00e7\u00f5es anteriores do G\u00eanese, o protagonista, que tomar\u00e1 o posto de Utnapichtim com o nome de No\u00e9, figura somente como o inventor do vinho.<\/p>\n<p>Mais de 2.000 mil anos depois o l\u00edder Mois\u00e9s libertava seu povo escravo das m\u00e3os do Fara\u00f3, do Egito, e vagava pelo deserto numa estrat\u00e9gia militar sua e de seu general Josu\u00e9 para chegar at\u00e9 a Terra Prometida. No percurso encontrou v\u00e1rios obst\u00e1culos, como a passagem pelo Mar Vermelho (dizem que foi pelo Mar dos Juncos), a falta de \u00e1gua e de comida.<\/p>\n<p>Conforme explica o pr\u00f3prio autor de \u201ce a B\u00edblia tinha raz\u00e3o\u201d, Mois\u00e9s era um ex\u00edmio conhecedor daquele deserto e sabia muito bem como sobreviver, pois foi um exilado fugitivo naquela regi\u00e3o entre tribos diversas depois de ter matado o capataz do Fara\u00f3, para defender seu povo.<\/p>\n<p>Mois\u00e9s era um l\u00edder pol\u00edtico bem intencionado e n\u00e3o podia falhar em sua miss\u00e3o, mesmo porque aqueles mais de seis mil seguidores j\u00e1 estavam revoltados e desesperados. A \u00e1gua que jorrou da pedra, o man\u00e1 dos c\u00e9us, as perdizes que ca\u00edram no deserto eram e ainda s\u00e3o fen\u00f4menos naturais.<\/p>\n<p>As pesquisas geol\u00f3gicas, arqueol\u00f3gicas e cient\u00edficas constataram que bastava bater forte com um tronco ou p\u00e1 num lugar certo da pedra calc\u00e1ria para encontrar \u00e1gua. O man\u00e1 doce como mel \u00e9 uma cochonilha com forma\u00e7\u00f5es v\u00edtreas claras, que surge dentro da neve num galho de tamargueira no per\u00edodo do inverno. \u00a0As perdizes fugiam do ver\u00e3o quente do Egito em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Palestina e terminavam caiando no deserto devido ao cansa\u00e7o.<\/p>\n<p>A sar\u00e7a ardente que n\u00e3o se consome, n\u00e3o passa de um arbusto rasteiro alaranjado que fica debaixo de uma planta, encontrado no Monte Sinai, e fica todo avermelhado quando exposto ao sol. O ditos \u201cmilagres\u201d do man\u00e1, da \u00e1gua e das perdizes evocados por Mois\u00e9s tinham mais a for\u00e7a de acalmar seu povo e uni-lo em torno de um Deus \u00fanico, como forma de renegar os deuses adorados do Egito. Era tamb\u00e9m uma maneira de impor sua moral.<\/p>\n<p>Essa simbologia divina \u00fanica, pintada com temor, autoridade punitiva e de pai vingativo, era necess\u00e1ria para que n\u00e3o houvesse divis\u00f5es. Mois\u00e9s, que nunca falou diretamente com Deus, temia fracassar em sua miss\u00e3o libert\u00e1ria.<\/p>\n<p>Como os outros povos antigos ancestrais, o C\u00f3digo de Hamurabi, as leis de Nabucodonosor e de outros tantos reis, Mois\u00e9s tamb\u00e9m criou os dez mandamentos com leis espec\u00edficas de Deus, que tinham que ser obedecidas. Sem uma legisla\u00e7\u00e3o, tudo terminaria em degenera\u00e7\u00e3o e Mois\u00e9s perderia o total controle da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No posf\u00e1cio da nova edi\u00e7\u00e3o revista do livro \u201ce a B\u00edblia tinha raz\u00e3o\u201d, Joachim Rehork destaca que a quest\u00e3o de os fatos relatados pelo Livro estarem certos ou errados \u00e9 de import\u00e2ncia secundaria. Para cientistas, te\u00f3logos, historiadores e arque\u00f3logos, a B\u00edblia encerra uma mensagem religiosa.<\/p>\n<p>No entanto, Joachim diz que os pesquisadores tiveram que quebrar a cabe\u00e7a para esclarecer in\u00fameros paradoxos, contradi\u00e7\u00f5es e repeti\u00e7\u00f5es nos textos b\u00edblicos, como os dois relatos da Cria\u00e7\u00e3o, uma que aponta que Deus criou o homem em \u00faltimo lugar e o segundo que o homem foi criado em primeiro lugar. Deus fez o homem como \u201cvar\u00e3o e f\u00eamea\u201d, ou formou o homem do \u201cbarro da terra\u201d e, posteriormente, da costela do homem formou o Senhor Deus uma mulher?<\/p>\n<p>O nome do sogro de Mois\u00e9s aparece em tr\u00eas vers\u00f5es. Uma vez \u00e9 dado como Jetro, em outra como Raguel e, por fim, como Hobab. Como Mois\u00e9s podia descrever a pr\u00f3pria morte? Ser\u00e1 que os primeiros cinco livros da B\u00edblia eram realmente da autoria de Mois\u00e9s, visto que neles se fala da sua pr\u00f3pria morte?<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Mois\u00e9s ainda beb\u00ea salvo num cesto no rio Nilo bate com a do rei Sarg\u00e3o em anos bem mais distantes do nascimento do profeta. Quanto a Jos\u00e9, filho de Jac\u00f3, que depois de ter sido abandonado pelos irm\u00e3os foi parar no Egito e l\u00e1 se tornou gr\u00e3o-vizir (vice-governador) do Fara\u00f3, os historiadores s\u00e3o enf\u00e1ticos em afirmar ser imposs\u00edvel. Segundo eles, os fara\u00f3s detestavam as tribos n\u00f4mades da Palestina e nunca iria promover um deles a fazer parte do reino como esp\u00e9cie de primeiro ministro.<\/p>\n<p>Para o caso, existe outra vers\u00e3o de que existiu um Jos\u00e9 bem antes que chegou a ser vizir do Fara\u00f3, ou que o Jos\u00e9 descendente de Abra\u00e3o tenha sido vice-governador do Egito quando este pa\u00eds sofreu uma invas\u00e3o estrangeira vinda l\u00e1 da S\u00edria.<\/p>\n<p>De qualquer forma, os textos b\u00edblicos evolu\u00edram, em sua maior parte, entre o s\u00e9culo VI a.C e o s\u00e9culo I d. C, quando se constitu\u00edram na obra total, conhecida como B\u00edblia &#8211; conforme nos atesta Joachim, acrescentando que levou s\u00e9culos para que a colet\u00e2nea fosse compilada e codificada.<\/p>\n<p>A B\u00edblia \u201cencerra elementos dos g\u00eaneros liter\u00e1rios mais diversos, desde o tratado edificante at\u00e9 o romance policial, do serm\u00e3o at\u00e9 o texto jur\u00eddico, do hino lit\u00fargico \u00e0 can\u00e7\u00e3o de amor, da historiografia \u00e0 novela, e tampouco nela faltam lendas, anedotas e contos populares\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela metade do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX, principalmente, arque\u00f3logos, pesquisadores e historiadores franceses, alem\u00e3es, norte-americanos e ingleses realizaram com maior intensidade escava\u00e7\u00f5es nas regi\u00f5es da Mesopot\u00e2mia (F\u00e9rtil Crescente dos rios Tigre e Eufrates), na Terra Santa (Israel e Palestina), junto ao Nilo, no Egito, nas margens do Mar Morto e do Mediterr\u00e2neo, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2339"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2339"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2339\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2343,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2339\/revisions\/2343"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2339"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}