{"id":2319,"date":"2017-08-10T10:23:43","date_gmt":"2017-08-10T13:23:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2319"},"modified":"2017-08-10T10:24:16","modified_gmt":"2017-08-10T13:24:16","slug":"a-linha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/08\/10\/a-linha\/","title":{"rendered":"A LINHA ENTRE AS MENTIRAS E AS VERDADES"},"content":{"rendered":"<p>No \u201cP\u00f3s-Verdade\u201d, termo eleito como o maior voc\u00e1bulo do ano de 2016 pelo Dicion\u00e1rio Oxford, \u201cos fatos objetivos t\u00eam menos influ\u00eancia em moldar a opini\u00e3o p\u00fablica do que apelos \u00e0 emo\u00e7\u00e3o e a cren\u00e7as pessoais\u201d. Tudo isso define o momento em que vivemos.<\/p>\n<p>Para definir estas circunst\u00e2ncias do nosso tempo, o professor, doutor em lingu\u00edstica e refer\u00eancia do pensamento cr\u00edtico sobre jornalismo brasileiro, Nilson Lage, disse que \u00e9 da natureza humana recusar fatos que contrariam nossa vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 revista \u201cMuito\u201d de o A Tarde, veja o que fala o professor sobre a informa\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, da qual n\u00e3o se deve confiar totalmente, de acordo com sua recomenda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para ele, as pessoas tendem a aderir \u00e0 informa\u00e7\u00e3o que confirma suas cren\u00e7as e valores; prestigiam o que \u00e9 surpreendente; contrariam a l\u00f3gica ou \u00e9 mais f\u00e1cil de compreender \u2013 tecnicamente tem menor custo neuronal.<\/p>\n<p>Em sua an\u00e1lise, n\u00e3o h\u00e1 coisa mais axiom\u00e1tica do que a not\u00edcia: N\u00e3o argumenta, n\u00e3o costuma comprovar o que informa e, raramente, cita a fonte ou a fonte \u00e9 acess\u00edvel.<\/p>\n<p><!--more-->Uma pesquisa mostrou que 78% dos brasileiros utilizam as redes sociais para se informar, mas, como contradit\u00f3rio e aberrante, apenas 6% dos usu\u00e1rios dizem confiar totalmente no que veem na rede.<\/p>\n<p>Nilson Lage afirma que confiar cegamente \u00e9 sempre uma atitude insensata. \u201cTrocamos informa\u00e7\u00e3o o tempo todo sem a certeza de sua veracidade e, principalmente, sem saber se o que ainda n\u00e3o foi dito ser\u00e1 falso\u201d.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 checagem dos fatos, o professor \u00e9 categ\u00f3rico quando declara que a m\u00eddia n\u00e3o checa um por cento daquilo que publica. A m\u00eddia confia em fontes oficiais, que mentem pelos cotovelos; relatos de testemunhas que contam um conto e acrescentam v\u00e1rios pontos; ag\u00eancias internacionais com vieses que se desconhecem; e assume vers\u00f5es tortas de advogados espertos. \u201cAt\u00e9 um jogador de time de v\u00e1rzea tem assessor de imprensa. Ningu\u00e9m fala \u00e0 m\u00eddia sem que tenha alguma inten\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Em sua opini\u00e3o, um fato admite \u00b4n\u00b4vers\u00f5es. Para exemplificar, cita a morte do ministro Teori Zavascki como fato que tem uma causa objetiva para ser investigada. Adianta o professor que a morte do ministro \u00e9 menos relevante do que o conjunto das vers\u00f5es que suscita. \u201cEstas n\u00e3o podem ser desmentidas facilmente. Podem apenas ser avaliadas e confrontadas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cDevemos ser educados a decodificar o sentido expresso e oculto das mensagens. Em suma, desconfiar antes de confiar\u201d.<\/p>\n<p>Sobre um marco regulat\u00f3rio para a m\u00eddia brasileira, Lage destaca que a recusa \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o de normas vem da distor\u00e7\u00e3o do conceito de liberdade de imprensa. \u201cEssa \u00e9 uma distor\u00e7\u00e3o de que se aproveitaram as Organiza\u00e7\u00f5es Globo para montar seu monop\u00f3lio da informa\u00e7\u00e3o, associando-se aos representantes de oligarquias regionais. \u00c9 uma distor\u00e7\u00e3o que atravessa o di\u00e1logo e distorce a democracia\u201d.<\/p>\n<p>Aponta ainda que a concentra\u00e7\u00e3o da m\u00eddia n\u00e3o s\u00f3 limita a liberdade de informar como elimina o direito de os cidad\u00e3os serem informados. Segundo ele, a perda de credibilidade na m\u00eddia foi bastante acentuada e crescente. \u00a0Da minha parte, sempre tenho dito que o direito \u00e0 liberdade de imprensa acaba quando n\u00e3o se tem \u00e9tica e responsabilidade com a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u201cP\u00f3s-Verdade\u201d, termo eleito como o maior voc\u00e1bulo do ano de 2016 pelo Dicion\u00e1rio Oxford, \u201cos fatos objetivos t\u00eam menos influ\u00eancia em moldar a opini\u00e3o p\u00fablica do que apelos \u00e0 emo\u00e7\u00e3o e a cren\u00e7as pessoais\u201d. Tudo isso define o momento em que vivemos. 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