{"id":2310,"date":"2017-08-04T22:00:15","date_gmt":"2017-08-05T01:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2310"},"modified":"2017-08-04T22:00:33","modified_gmt":"2017-08-05T01:00:33","slug":"a-tarde-e-os-impressos-baianos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/08\/04\/a-tarde-e-os-impressos-baianos\/","title":{"rendered":"A TARDE E OS IMPRESSOS BAIANOS"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3785.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2311\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3785.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3785.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3785-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Bons tempos quando o centen\u00e1rio jornal \u201cA Tarde\u201d era um dos maiores do Norte e Nordeste e l\u00edder absoluto na capital baiana em termos de circula\u00e7\u00e3o e prefer\u00eancia dos leitores.<\/p>\n<p>Entre as d\u00e9cadas de 60, 70 e 80 Salvador contava com grandes impressos como Di\u00e1rio de Not\u00edcias, Jornal da Bahia, Tribuna da Bahia e, posteriormente, o Correio, sem contar pequenos seman\u00e1rios especializados que fechavam o c\u00edrculo da informa\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de esportes, pol\u00edtica, economia, entretenimento, literatura, ci\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o e cultura em geral.<\/p>\n<p>Com grandes profissionais, esta foi praticamente a \u00e9poca de ouro do jornalismo baiano, juntando os velhos provisionados, no modo de dizer, com os novos sa\u00eddos da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia, da qual fui aluno e me formei.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3786.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2312\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3786.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3786.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3786-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os \u201cfocas\u201d aprendendo com os experientes e vice-versa. Um bom time de jornalistas bem refor\u00e7ado. N\u00e3o se trata simplesmente de saudosismo, mas a disputa era t\u00e3o acirrada que o A Tarde foi obrigado a passar de vespertino para matutino para n\u00e3o perder espa\u00e7o no mercado para os outros.<\/p>\n<p>E isso eu estou falando dos meus tempos quando ingressei no jornal A Tarde em 1973 como revisor. Nem se sonhava com a internet. Comandavam nas reda\u00e7\u00f5es as m\u00e1quinas de datilografia, o telefoto, o fotolito e a impress\u00e3o a quente do teletipo.<\/p>\n<p>Sem muitos recursos t\u00e9cnicos, os impressos caprichavam no conte\u00fado e na fidelidade da not\u00edcia. Hoje se tem muita tecnologia e os impressos pecam na qualidade de suas reportagens. A Tarde reinava na capital e no interior, tanto que se dizia que s\u00f3 nele a informa\u00e7\u00e3o virava verdade, mas os outros chegavam perto na concorr\u00eancia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3787.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2313\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3787.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3787.jpg 250w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/IMG_3787-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No interior do estado, a m\u00eddia impressa, pejorativamente chamada de \u201ccaipira\u201d, tamb\u00e9m era destaque nos principais centros como Vit\u00f3ria da Conquista que hoje, infelizmente, n\u00e3o tem um di\u00e1rio, Juazeiro, Feira de Santana e Itabuna que ainda mant\u00e9m seus di\u00e1rios e Ilh\u00e9us. Grandes jornais em Conquista, por exemplo, entraram para a hist\u00f3ria, como O Conquistense, A Palavra, A Conquista, O Avante, O Combate, o Sertanejo, entre outros.<\/p>\n<p>Como o foco \u00e9 o \u201cA Tarde\u201d onde atuei por 34 anos, lembro muito bem dos anos 70, 80 e 90 quando a dire\u00e7\u00e3o da empresa, sob o comando do saudoso administrador Arthur D\u00b4Almeida Couto e Jorge Calmon (Jornalismo) fortaleceram o jornal no interior atrav\u00e9s da estrutura\u00e7\u00e3o das suas sucursais. Criaram at\u00e9 o slogan: \u201cO Jornal do Interior.\u201d<\/p>\n<p>Com a morte de Arthur Couto no in\u00edcio dos anos 90 houve um enfraquecimento, mas a pol\u00edtica de interioriza\u00e7\u00e3o se manteve, inclusive com a expans\u00e3o do \u201cCaderno dos Munic\u00edpios.\u201d Antes as not\u00edcias do interior eram divulgadas em p\u00e1ginas di\u00e1rias. No entanto, muitos fatos importantes chegavam a ser manchetes de 1\u00aa, 2\u00aa, e 3\u00aa, p\u00e1ginas.<\/p>\n<p><!--more--> Neste per\u00edodo o \u201cA Tarde\u201d tinha uma tiragem entre 400 a 500 mil exemplares nos dias de semana e at\u00e9 um milh\u00e3o aos domingos, mesmo assim, considerada pequena para o tamanho da popula\u00e7\u00e3o do estado, mais de 12 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Aqui em Conquista, na d\u00e9cada de 90, (assumi a chefia da sucursal em 1991) cheg\u00e1vamos a comercializar entre assinaturas e vendas avulsas mil jornais. Hoje n\u00e3o passa de 100 exemplares ao todo, e o peri\u00f3dico chega na cidade no final da tarde e, muitas vezes, nem vem.<\/p>\n<p>Converso com pessoas nas ruas e nas bancas de revistas, ali\u00e1s, estas n\u00e3o chegam a quatro &#8211; sinais da decad\u00eancia da nossa cultura que tem apenas uma livraria na terceira maior cidade baiana \u2013 e vejo estampado em seus rostos a decep\u00e7\u00e3o pelo \u201csumi\u00e7o\u201d do di\u00e1rio. A pergunta \u00e9 sempre, o qu\u00ea aconteceu?<\/p>\n<p>O A Tarde come\u00e7ou a se distanciar do interior a partir dos anos 2000 com o esvaziamento das sucursais, agravando mais ainda a situa\u00e7\u00e3o com o fim do \u201cCaderno dos Munic\u00edpios\u201d, decretado pelo senhor todo poderoso Ricardo Nublat, contratado a peso de ouro pela empresa, e que desmantelou outros suplementos que davam mais suporte e credibilidade ao jornal.<\/p>\n<p>A grande maioria dos bons profissionais foi demitida e o jornal foi definhando, principalmente no interior, com o fim total das sucursais h\u00e1 dez anos. Os servi\u00e7os de distribui\u00e7\u00e3o foram precariamente terceirizados.<\/p>\n<p>Aqui em Conquista, por exemplo, ficou por conta de In\u00eas Galv\u00e3o que vinha com muito sacrif\u00edcio mantendo 100 assinaturas e vendendo cerca de 30 jornais por dia nas bancas. Recentemente, cortaram sem avisar a sua concess\u00e3o e os jornais sumiram, temporariamente, das bancas e s\u00f3 agora voltando aos poucos. O mesmo aconteceu em Juazeiro onde estive h\u00e1 pouco e conversei com o \u00fanico jornaleiro da cidade. \u201cNos bons tempos, constru\u00ed casa e sustentei minha fam\u00edlia com as vendas do jornal A Tarde\u201d Uma falta de considera\u00e7\u00e3o para os colaboradores e leitores em geral que sempre deram credibilidade e acompanharam o jornal.<\/p>\n<p>OS IMPRESSOS NA BAHIA<\/p>\n<p>Sobre a quest\u00e3o, veja a observa\u00e7\u00e3o do meu amigo e companheiro jornalista Carlos Gonzalez que tamb\u00e9m atuou comigo no jornal A Tarde. \u201cEm conversa com o dono da banca de jornais da av. Ol\u00edvia Flores fui informado que no passado ele chegava a vender 100 exemplares de &#8220;A Tarde&#8221; aos domingos, mesmo tendo um concorrente a poucos metros. Nos \u00faltimos anos ele se dava por satisfeito quando vendia dois exemplares\u201d.<\/p>\n<p>Por toda situa\u00e7\u00e3o de desprest\u00edgio que est\u00e3o atravessando os impressos na Bahia e no Brasil em geral, Gonzalez aponta como fatores a internet, a televis\u00e3o, jornalistas mal preparados pelas faculdades, falta de acompanhamento de fatos relevantes e jornais dirigidos por empres\u00e1rios que s\u00f3 visam o lucro f\u00e1cil atrav\u00e9s de verbas publicit\u00e1rias oficiais.<\/p>\n<p>Gonzalez lembra que h\u00e1 cerca de dez anos AT tirava um milh\u00e3o de exemplares aos domingos, Hoje, o Correio, que ultrapassou em tiragem &#8220;o vetusto vespertino da pra\u00e7a Castro Alves&#8221;, revela que tira 400 mil exemplares, 40% a mais do &#8220;jornal B&#8221;, onde t\u00ednhamos orgulho de trabalhar.<\/p>\n<p>No meado de julho o ve\u00edculo fundado por ACM abriu inqu\u00e9rito no Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual se queixando de que o governo do estado est\u00e1 boicotando a libera\u00e7\u00e3o de verbas publicit\u00e1rias para o Correio, n\u00e3o fazendo uma distribui\u00e7\u00e3o correta como deve entre os \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o. A Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o do Estado foi notificada pela institui\u00e7\u00e3o para prestar esclarecimentos. O caso tamb\u00e9m est\u00e1 sendo analisado pelo Tribunal de Contas do Estado.<\/p>\n<p>De acordo com apura\u00e7\u00e3o feita pelo jornalista Gonzalez, o Correio \u00e9 o ve\u00edculo impresso de maior circula\u00e7\u00e3o no estado, segundo dados do Instituto Verificador de Comunica\u00e7\u00e3o (IVC). \u00c9 o l\u00edder em circula\u00e7\u00e3o na Bahia e no Nordeste, com m\u00e9dia di\u00e1ria de 44.229 exemplares em maio, 43% maior que o segundo colocado, conforme o IVC. O site do jornal, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/\"><strong>correio24horas.com.br<\/strong><\/a>, \u00e9 o de maior audi\u00eancia da Bahia e do Nordeste. Por\u00e9m, o jornal n\u00e3o foi contemplado com an\u00fancios publicit\u00e1rios da administra\u00e7\u00e3o estadual.<\/p>\n<p>No final de julho, por exemplo, an\u00fancios sobre o programa Partiu Est\u00e1gio e sobre a Campus Party foram publicados em outros jornais, mas n\u00e3o no Correio. Na \u00faltima semana, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Jornais (ANJ)\u00a0<a href=\"http:\/\/www.correio24horas.com.br\/detalhe\/salvador\/noticia\/associacao-de-jornais-repudia-boicote-do-governo-do-estado-ao-correio\/?cHash=27d129cbec51c66c767eab3725819538\"><strong>divulgou uma nota de rep\u00fadio<\/strong><\/a>\u00a0informando que desde o ano passado a publicidade foi reduzida drasticamente no jornal.<\/p>\n<p>Em entrevista, o governador Rui Costa (PT) disse desconhecer os cortes e afirmou que todos os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o do estado recebem verbas do governo, \u201csejam elas da administra\u00e7\u00e3o direta ou indireta, sem exce\u00e7\u00f5es. Os editais s\u00e3o publicados em todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o e os an\u00fancios tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o podemos esquecer que a campanha &#8220;n\u00e3o deixe essa chama se apagar&#8221; criada pelo Jornal da Bahia na d\u00e9cada de 90 n\u00e3o vingou. Foi mais uma trucul\u00eancia de ACM, que por pouco n\u00e3o atingiu AT, que ficou sem as verbas do estado e da prefeitura por muito tempo.<\/p>\n<p>\u201cLembrei-me de mais dois epis\u00f3dios envolvendo ACM e a imprensa: a apreens\u00e3o dos exemplares de &#8220;Veja&#8221;, que exibia na capa o esc\u00e2ndalo da pasta cor de rosa, e a proibi\u00e7\u00e3o dada \u00e0s bancas e livrarias, em 2001, de vender o livro &#8220;Mem\u00f3rias das Trevas&#8221;, do jornalista Jo\u00e3o Carlos Teixeira Gomes (Joca), que revela, entre outras\u00a0malvadezas de ACM, o &#8220;empastelamento&#8221; do Jornal da Bahia\u201d.<\/p>\n<p>Para Gonzalez, nosso povo ressente de falta de cultura. \u201cNos tr\u00eas anos e meio que estou em Conquista\u00a0nunca vi algu\u00e9m com um\u00a0jornal nas m\u00e3os. Uma \u00fanica rua de Buenos Aires, a Florida, tem mais livrarias do que todo a Bahia. Nas minhas andan\u00e7as pela Espanha, Portugal e Inglaterra, observava que no interior do transporte coletivo quase todos os passageiros estavam se dedicando \u00e0 leitura de jornais e livros. Nas esta\u00e7\u00f5es do metr\u00f4 de Londres um tabloide \u00e9 oferecido gratuitamente aos\u00a0passageiros\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bons tempos quando o centen\u00e1rio jornal \u201cA Tarde\u201d era um dos maiores do Norte e Nordeste e l\u00edder absoluto na capital baiana em termos de circula\u00e7\u00e3o e prefer\u00eancia dos leitores. 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