{"id":2298,"date":"2017-07-20T23:51:13","date_gmt":"2017-07-21T02:51:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2298"},"modified":"2017-07-20T23:51:27","modified_gmt":"2017-07-21T02:51:27","slug":"pelos-buracos-da-nossa-midia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/07\/20\/pelos-buracos-da-nossa-midia\/","title":{"rendered":"PELOS BURACOS DA NOSSA M\u00cdDIA"},"content":{"rendered":"<p>\u201cA LEITURA \u00c9 UMA FONTE INESGOT\u00c1VEL DE PRAZER, MAS, POR INCR\u00cdVEL QUE PARE\u00c7A, A QUASE TOTALIDADE N\u00c3O SENTE ESTA SEDE\u201d \u2013 Carlos Drummond de Andrade.<\/p>\n<p>Uma boa reportagem jornal\u00edstica come\u00e7a pelo entrevistador e termina na fonte. O rep\u00f3rter deve antes pesquisar e ler sobre o assunto para fazer perguntas firmes e seguras, sempre se colocando como leitor, ouvinte ou telespectador, que deseja informa\u00e7\u00f5es completas e fidedignas sobre os fatos.<\/p>\n<p>A fonte deve ser preparada e conhecedora do tema em quest\u00e3o. Muitos rep\u00f3rteres esquecem a fun\u00e7\u00e3o das perguntas e fazem afirmativas sobre o tema como se pondo no lugar do entrevistado que est\u00e1 ali para prestar esclarecimentos.<\/p>\n<p>\u00c9 horr\u00edvel, sem contar que muitas mat\u00e9rias s\u00e3o requentadas e repetitivas. Falta criatividade nas pautas, de modo a sair do factual, dos boletins de ocorr\u00eancias e das mesmices. De um modo geral, pouco mudou com o advento da internet.<\/p>\n<p>Em geral, a m\u00eddia conquistense, principalmente a televisiva, deixa muito a desejar e peca desde a entrevista \u00e0 cobertura dos fatos. Os buracos s\u00e3o constantes e a informa\u00e7\u00e3o fica capenga, com vazios que at\u00e9 o leigo do jornalismo percebe.<\/p>\n<p>A maior falha est\u00e1 quando o p\u00fablico passa a indagar o porqu\u00ea de outros dados importantes n\u00e3o terem sido divulgados. Muitas mat\u00e9rias ficam faltando colocar o porqu\u00ea, o que, como, quem, o onde e at\u00e9 o quando. A not\u00edcia n\u00e3o pode ser apenas um espet\u00e1culo. Ela pede conte\u00fado.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos exemplos de mat\u00e9rias \u201cjornal\u00edsticas\u201d publicadas incompletas. Um dos casos foi a morte de uma crian\u00e7a depois de ter extra\u00eddo um dente e passado uma semana na ro\u00e7a. Nem os pais e nem o dentista foram ouvidos. O que aconteceu com o procedimento durante e depois da extra\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0Uma atra\u00e7\u00e3o musical vinda de fora \u00e9 entrevistada sobre seu show na cidade. Fala, canta e no final a m\u00eddia n\u00e3o revela aonde ser\u00e1 realizada a apresenta\u00e7\u00e3o do artista. O interessado em ir ao show tem que procurar o local em outra fonte.<\/p>\n<p>Recentemente um caminh\u00e3o ba\u00fa desgovernado descendo a Serra do Periperi saiu arrastando v\u00e1rios carros pela Avenida Integra\u00e7\u00e3o, provocando a morte de uma pessoa e ferindo outras. N\u00e3o se entrevistou o motorista, n\u00e3o ficaram esclarecidos os motivos do acidente, nem a carga do ve\u00edculo, tampouco o nome da v\u00edtima e dos feridos. A mat\u00e9ria n\u00e3o passou de um boletim de ocorr\u00eancia malfeito.<\/p>\n<p>O outro fato mais recente foi o acidente de um ciclista na BA- 262 Conquista-Anag\u00e9 por um caminh\u00e3o pequeno em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trafegar. Tamb\u00e9m o motorista n\u00e3o foi entrevisto, n\u00e3o se divulgou a placa do ve\u00edculo, e o mais grave: N\u00e3o se indagou da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Estadual como o carro todo irregular, sem documentos, passou no posto.<\/p>\n<p>Da cobertura do desabamento de uma obra irregular na Avenida Bartolomeu de Gusm\u00e3o ficou a sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o existe nenhuma fiscaliza\u00e7\u00e3o por parte dos poderes p\u00fablicos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis. Ningu\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel, s\u00f3 quem morreu. No jornalismo, um acontecimento cabe outras reportagens complementares. Explorar e investigar \u00e9 a receita mais acertada.<\/p>\n<p>Existem muitos outros exemplos que poderiam ser aqui citados. O jornalista respons\u00e1vel pela cobertura tem culpa nas falhas e nos buracos deixados, ou quando passa uma informa\u00e7\u00e3o incompleta, mas, a maior culpa \u00e9 do chefe de reportagem e do pr\u00f3prio editor do ve\u00edculo que n\u00e3o exige do rep\u00f3rter mais rigor na apura\u00e7\u00e3o dos fatos. Publica-se do jeito que veio da rua, com defeitos, erros e omiss\u00f5es de dados.<\/p>\n<p>Temos aqui uma faculdade de comunica\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de jornalismo e multim\u00eddia, criada pela Uesb (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia) em 1998, que visa preparar bons profissionais para o mercado, mas a produ\u00e7\u00e3o local tem deixado muito a desejar. A comunidade esperava um jornalismo bem melhor, mas n\u00e3o foi isso o que ocorreu.<\/p>\n<p>Mesmo com a evolu\u00e7\u00e3o da internet e dos meios eletr\u00f4nicos, nosso jornalismo continua fraco e capenga, com falhas nas coberturas. Quem s\u00e3o os maiores culpados? O tema merece muitas reflex\u00f5es e debates regionais com as empresas, profissionais, estudantes, professores e a sociedade. O jornalista precisa ler mais e se preparar melhor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA LEITURA \u00c9 UMA FONTE INESGOT\u00c1VEL DE PRAZER, MAS, POR INCR\u00cdVEL QUE PARE\u00c7A, A QUASE TOTALIDADE N\u00c3O SENTE ESTA SEDE\u201d \u2013 Carlos Drummond de Andrade. Uma boa reportagem jornal\u00edstica come\u00e7a pelo entrevistador e termina na fonte. O rep\u00f3rter deve antes pesquisar e ler sobre o assunto para fazer perguntas firmes e seguras, sempre se colocando [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2298"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2298"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2299,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2298\/revisions\/2299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}