{"id":2293,"date":"2017-07-19T22:28:36","date_gmt":"2017-07-20T01:28:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2293"},"modified":"2017-07-19T22:28:47","modified_gmt":"2017-07-20T01:28:47","slug":"a-extincao-dos-cerrados-e-a-entrada-dos-camelos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/07\/19\/a-extincao-dos-cerrados-e-a-entrada-dos-camelos\/","title":{"rendered":"A EXTIN\u00c7\u00c3O DOS CERRADOS E A ENTRADA DOS CAMELOS"},"content":{"rendered":"<p>Ao longo dos anos o homem s\u00f3 tem explorado a natureza para extrair seus lucros e consumir desbravadamente. A reposi\u00e7\u00e3o tem sido insignificante ao tamanho da depreda\u00e7\u00e3o. Como n\u00e3o existe almo\u00e7o gr\u00e1tis, o meio ambiente agora cobra um custo alto atrav\u00e9s dos efeitos da polui\u00e7\u00e3o, do desaparecimento de rios e dos aqu\u00edferos com a escassez de \u00e1gua. As cat\u00e1strofes nas cidades e nos campos provocam mortes e elevados preju\u00edzos materiais. O barato est\u00e1 saindo bem mais caro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-039.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2294\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-039.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-039.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-039-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Todos os biomas brasileiros (Mata Atl\u00e2ntica, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Pampas e a Amaz\u00f4nia) sofrem amea\u00e7as constantes. Ai, regi\u00f5es do Brasil poder\u00e3o se transformar num Saara africano, uma boa forma de atrair turistas com a travessia de camelos. Os \u00faltimos governos, inclusive o do mordomo, que tem no Minist\u00e9rio da Agricultura um motosserra, apoiaram o desmatamento das florestas e a transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco tempo, pesquisadores brasileiros constataram que, se o \u00edndice de desmatamento do cerrado se mantiver como \u00e9 hoje, em trinta anos o bioma perder\u00e1 mais de mil esp\u00e9cies de plantas, maior extin\u00e7\u00e3o de vegetais da hist\u00f3ria. A revista Muito do A Tarde publicou uma entrevista sobre o assunto com o antrop\u00f3logo e arque\u00f3logo Altair Sales Barbosa, profundo conhecedor da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-038.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2295\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-038.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-038.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/JUAZEIRO-SOBRADINHO-038-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Para ele, essa extin\u00e7\u00e3o, em boa medida, j\u00e1 ocorreu e acrescentou ser uma fal\u00e1cia de que no cerrado ainda existem grandes quantidades de plantas. \u201cAlguns dos subsistemas do cerrado j\u00e1 foram totalmente extintos, como \u00e9 o caso das campinas e dos chapad\u00f5es, cuja vegeta\u00e7\u00e3o foi retirada para planta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p>Um bom exemplo disso est\u00e1 bem aqui perto de n\u00f3s, na Chapada Diamantina entre os munic\u00edpios de Ibicoara e Mucug\u00ea onde vastas terras foram reviradas para planta\u00e7\u00e3o de hortigranjeiros, com a constru\u00e7\u00e3o de barragens que provocaram grandes impactos ambientais no ecossistema.<\/p>\n<p><!--more--> Na avalia\u00e7\u00e3o do estudioso Altair Barbosa, temos hoje no m\u00e1ximo entre 2 e 5% de \u00e1rea preservada no cerrado, pequenas manchas que ainda est\u00e3o intactas, localizadas em algumas reservas ind\u00edgenas e outras \u00e1reas no vale do Parna\u00edba, entre os estados do Maranh\u00e3o e Piau\u00ed, onde est\u00e1 sendo implantado o projeto Matopiba (planta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os).<\/p>\n<p>Como os rios da regi\u00e3o est\u00e3o secando, diversas plantas e \u00e1rvores, como o Buriti, est\u00e3o em extin\u00e7\u00e3o. De acordo com o arque\u00f3logo, o modelo de agroneg\u00f3cio do cerrado com o uso de calc\u00e1rio, bem como inseticidas que matam os insetos nativos polinizadores, \u00e9 altamente predat\u00f3rio e n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o a hist\u00f3ria evolutiva do cerrado, mais de 45 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>\u201cO que ocorreu no oeste da Bahia \u00e9 algo nunca visto na hist\u00f3ria. Se voc\u00ea pegar uma imagem a\u00e9rea da regi\u00e3o, vai ver que n\u00e3o existe mais nada de intacto l\u00e1\u201d &#8211; denuncia Altair Barbosa. Segundo ele, a vegeta\u00e7\u00e3o foi varrida do local para planta\u00e7\u00e3o de eucalipto e pinus que n\u00e3o vingaram, e s\u00f3 depois vieram os gr\u00e3os.<\/p>\n<p>Explica que essas \u00e1reas desmatadas eram de recarga dos aqu\u00edferos, e o cerrado \u00e9 a maior caixa d\u00b4\u00e1gua da Am\u00e9rica do Sul. O que aconteceu no oeste da Bahia \u00e9 algo de causar espanto, \u201ccoisa nunca visto na hist\u00f3ria da humanidade. A devasta\u00e7\u00e3o foi tanta que v\u00e1rios tribut\u00e1rios menores dos rios maiores desapareceram de maneira irrevers\u00edvel\u201d. Quanto aos que existem atualmente, na sua avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo, incluindo o S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Ele cita que os rios importantes da regi\u00e3o, como o Grande, do Meio, Arrojado, Correntina e Carinhanha, respons\u00e1veis pela vida do S\u00e3o Francisco, foram mutilados de tal forma que suas nascentes avan\u00e7aram em dire\u00e7\u00e3o ao interior. A tend\u00eancia \u00e9 que esses rios desapare\u00e7am \u2013 sentencia.<\/p>\n<p>Sobre a transposi\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco, calculou que a t\u00e9cnica de bombeamento da \u00e1gua para diversos canais vai alterar a mec\u00e2nica do rio que vai correr mais r\u00e1pido e sugar seus afluentes com mais rapidez. Como consequ\u00eancia, os afluentes que correm sobre um arenito do aqu\u00edfero Urucuia v\u00e3o levar grande quantidade de sedimentos para o rio formando bancos de areia.<\/p>\n<p>A Barragem de Sobradinho, por exemplo, no Rio S\u00e3o Francisco, est\u00e1 com apenas 10% da sua capacidade. A vaz\u00e3o que era de 600 metros c\u00fabicos por segundo passou nesta semana para 550 metros c\u00fabicos. O mar invadiu sua foz e milhares de ribeirinhos n\u00e3o t\u00eam mais peixe nem \u00e1gua doce do rio. Em v\u00e1rias partes, bascos de m\u00e9dio porte deixaram de navegar por causa das pedras e dos bancos de areia. Dentro de mais 20 ou 30 anos, o S\u00e3o Francisco ser\u00e1 apenas um riacho, ou s\u00f3 ser\u00e1 conhecido atrav\u00e9s de fotografias do passado.<\/p>\n<p>Como sa\u00edda para amenizar o problema da regi\u00e3o, aponta que o caminho \u00e9 deixar intacto o que ainda existe no cerrado para que possamos entender essa matriz ambiental de maneira global. \u201cO problema da falta de \u00e1gua nas cidades ser\u00e1 eternamente crescente. Nossos rios dependem agora da chuva e n\u00e3o mais dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos que os abasteciam porque estes len\u00e7\u00f3is j\u00e1 chegaram ao n\u00edvel da base\u201d.<\/p>\n<p>Nos tempos atuais, o sujeito fica o tempo todo pedindo chuva para abastecer represa. \u00c1gua de enxurrada que vai encher represa, e n\u00e3o mais os rios perenes- diz o arque\u00f3logo. Ent\u00e3o, voltamos \u00e0quele ditado capitalista de que n\u00e3o existe almo\u00e7o gr\u00e1tis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo dos anos o homem s\u00f3 tem explorado a natureza para extrair seus lucros e consumir desbravadamente. A reposi\u00e7\u00e3o tem sido insignificante ao tamanho da depreda\u00e7\u00e3o. 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