{"id":2270,"date":"2017-07-01T22:39:14","date_gmt":"2017-07-02T01:39:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2270"},"modified":"2017-07-01T22:39:26","modified_gmt":"2017-07-02T01:39:26","slug":"um-rio-no-seu-leito-de-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/07\/01\/um-rio-no-seu-leito-de-morte\/","title":{"rendered":"UM RIO NO SEU LEITO DE MORTE"},"content":{"rendered":"<p>O sert\u00e3o est\u00e1 verde, mas o S\u00e3o Francisco, o \u201cVelho Chico\u201d, ao longo dos seus 2.830 quil\u00f4metros, est\u00e1 seco e com suas margens degradadas pelo perverso homem, o animal mais perigoso e destruidor do planeta. Eu vi tudo isso, menino, viajando de Bom Jesus da Lapa e Juazeiro! As chuvas deixaram o sert\u00e3o esverdeado com lavouras robustas e vi\u00e7osas, mas o \u201cVelho Chico\u201d continua a penar, com seus dias contados pela brutalidade humana.<\/p>\n<p>No roteiro de Vit\u00f3ria da Conquista, passando por Ruy Barbosa, Piritiba e Senhor do Bonfim, as festas de S\u00e3o Jo\u00e3o n\u00e3o nos contam as hist\u00f3rias do passado de menino do aut\u00eantico forr\u00f3 p\u00e9 de serra. Para piorar, voc\u00ea se depara com o S\u00e3o Francisco em estado agonizante. Depois de depredarem o rio, os hip\u00f3critas de plant\u00e3o inventam o Dia das \u00c1guas, proibindo seu uso \u00e0s quartas-feiras, para enganar os bestas de que agora est\u00e3o preocupados com sua bacia hidrogr\u00e1fica. Trata-se mais de remorso e dor de consci\u00eancia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3646.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2271\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3646.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3646.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3646-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em Juazeiro, os alicerces da hist\u00f3rica ponte que liga a Petrolina (Pernambuco) j\u00e1 aparecem fora da \u00e1gua. D\u00e1 para se ver todo v\u00e3o descoberto. Pessoas aproveitam para lavar roupas, bicicletas e outros objetos em suas margens desmatadas. Vez por outra os governos anunciam projetos pontuais de revitaliza\u00e7\u00e3o do rio, mas n\u00e3o liberam os recursos. A eros\u00e3o \u00e9 percept\u00edvel. A maior parte da irriga\u00e7\u00e3o das lavouras ainda usa t\u00e9cnica atrasada, o que acarreta um desperd\u00edcio superior a 40% de suas \u00e1guas que retornam sujas ao rio.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3654.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2272\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3654.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3654.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3654-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 anos que o homem s\u00f3 faz tirar \u00e1gua para o consumo e irriga\u00e7\u00f5es; abrir canais e transposi\u00e7\u00f5es; construir barragens para produzir energia, mas quase nada de repor e conservar o \u201cVelho Chico\u201d. S\u00f3 medidas paliativas. Assim, a tend\u00eancia um dia \u00e9 que os recursos h\u00eddricos se esgotem de vez. Como sempre, colocam a culpa em S\u00e3o Pedro que n\u00e3o manda chuvas suficientes.<\/p>\n<p>Reuni\u00f5es n\u00e3o faltam dos \u00f3rg\u00e3os que fazem de contam que cuidam do rio, prometendo solucionar seus problemas. No entanto, as quantidades de peixes s\u00f3 reduzem. Os pescadores e ribeirinhos sofrem com o impacto provocado pela gan\u00e2ncia de tirar proveito dos seus recursos naturais. Constru\u00edram grandes hidrel\u00e9tricas como Xing\u00f3,(Alagoas) Sobradinho (Bahia) e Tr\u00eas Marias, em Minas Gerais, que encantam os olhos dos turistas mas fazem derramar l\u00e1grimas dos nativos que sempre dependeram do sustento do rio.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3694.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2273\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3694.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3694.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3694-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Recentemente realizaram um encontro em Juazeiro para discutir quest\u00f5es relacionadas \u00e0s bacias hidrogr\u00e1ficas onde voltaram a propor a transposi\u00e7\u00e3o das \u00e1guas do Rio Tocantins para socorrer o S\u00e3o Francisco. A proposi\u00e7\u00e3o foi feita h\u00e1 quase 20 anos por especialistas no assunto, mas n\u00e3o prosperou. N\u00e3o \u00e9 preciso ser estudioso e t\u00e9cnico para saber que antes de qualquer coisa tinha que ser feita a revitaliza\u00e7\u00e3o e o ordenamento do rio.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3696.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2274\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3696.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3696.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/IMG_3696-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Cad\u00ea os vapores que circulavam em suas \u00e1guas lembrando as antigas chalanas? Da sua orla fiquei observando os barquinhos cruzarem entre as cidades de Juazeiro e Petrolina, levando passageiros e turistas. Facilmente percebe-se que o rio est\u00e1 raso pelo recuo de suas \u00e1guas e o surgimento de bancos de areias. Mesmo depredado, o rio ainda exibe suas belezas, mas, imaginei, com seus dias contados. Toda vez que visito o \u201cVelho Chico\u201d, em seu leito de morte, fico mais triste e pensando como o homem \u00e9 uma besta e est\u00fapido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sert\u00e3o est\u00e1 verde, mas o S\u00e3o Francisco, o \u201cVelho Chico\u201d, ao longo dos seus 2.830 quil\u00f4metros, est\u00e1 seco e com suas margens degradadas pelo perverso homem, o animal mais perigoso e destruidor do planeta. Eu vi tudo isso, menino, viajando de Bom Jesus da Lapa e Juazeiro! 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