{"id":2175,"date":"2017-05-16T22:53:11","date_gmt":"2017-05-17T01:53:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2175"},"modified":"2017-05-16T22:53:58","modified_gmt":"2017-05-17T01:53:58","slug":"um-centro-historico-agonizante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/05\/16\/um-centro-historico-agonizante\/","title":{"rendered":"UM CENTRO HIST\u00d3RICO AGONIZANTE"},"content":{"rendered":"<p>Estive em Salvador no in\u00edcio do m\u00eas e confesso que fiquei horrorizado ao visitar o agonizante Centro Hist\u00f3rico e suas imedia\u00e7\u00f5es no Com\u00e9rcio. D\u00e1 pena e dor ver casar\u00f5es caiando aos peda\u00e7os como o pr\u00e9dio dos azulejos azuis na Pra\u00e7a Cairu ao redor do Mercado Modelo que j\u00e1 foi bem mais atraente com os cantadores cordelista comandados pelo grande\u201d Bule-Bule\u201d.<\/p>\n<p>Uma na\u00e7\u00e3o que n\u00e3o preserva seu patrim\u00f4nio art\u00edstico e cultural, seus costumes e h\u00e1bitos perde seu passado e sua identidade. Isso s\u00f3 acontece no Brasil atrasado onde um Minist\u00e9rio da Cultura funciona como um jarro decorativo para enfeitar a mesa do governo que nunca deu prioridade \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Os soteropolitanos, infelizmente, continuam sem entender a import\u00e2ncia da cultura do turismo e atendem mal o visitante. Existem muitos mitos em torno da hospitalidade do baiano e pouca realidade.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_3282.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2176\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_3282.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_3282.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_3282-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 lament\u00e1vel e vergonhoso mostrar a carca\u00e7a do Centro Hist\u00f3rico de Salvador para turistas, principalmente vindos do exterior. Os casar\u00f5es agora est\u00e3o servindo de moradias para morcegos. Melhor seria que toda \u00e1rea fosse interditada para que ningu\u00e9m visse tanta feiura e desmazelo juntos. Parece que o Centro sofreu um bombardeio de guerra. Mas n\u00e3o, os governantes e pol\u00edticos preferem exibir os pr\u00e9dios escorados e as paredes caiando. Bem que o Pelourinho pode ser usado para cenas de filme de terror, com morcegos e tudo!<\/p>\n<p>Al\u00e9m do abandono, d\u00e1 medo andar no Pelourinho e nas imedia\u00e7\u00f5es da Igreja do S\u00e3o Francisco e Ladeira da Pra\u00e7a at\u00e9 a baixa dos Sapateiros devido \u00e0 quase total falta de seguran\u00e7a nesta \u00e9poca do ano. Com passos apressados e olhando para todos os lados e cantos, topei com poucos policiais e s\u00f3 tive um pouco de al\u00edvio na Pra\u00e7a da S\u00e9. A sujeira tamb\u00e9m tomou conta dos lugares com cal\u00e7adas quebradas e esgotos \u00e0 vista. Eu e minha esposa sa\u00edmos ilesos com vida, mas roubaram a lanterna do nosso carro.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_3296.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2177\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_3296.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_3296.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_3296-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Andei pela Rua Chile que me fez aflorar as recorda\u00e7\u00f5es dos bons tempos dos magazines, da escada rolante das lojas Americanas, dos caf\u00e9s, dos bares e boates noturnas frequentados por intelectuais, artistas, jornalistas e mo\u00e7as lindas da sociedade que despertavam cobi\u00e7a aos transeuntes. \u00c9 claro que a Mulher de Roxo era a personagem principal que n\u00e3o poderia faltar no cen\u00e1rio. Senti um cheiro \u00famido de limo, n\u00e3o o refrescante de antigamente.<\/p>\n<p>Aquilo ali fervilhava de gente dia e noite at\u00e9 ainda quando funcionava a governadoria. Os governantes e os \u201centendidos gestores\u201d da pol\u00edtica e da cultura acharam de desativar tudo e deixar no abandono. Agora est\u00e3o querendo ativar com a instala\u00e7\u00e3o do novo Palace e um hotel onde funcionou o pr\u00e9dio do jornal A Tarde, na Castro Alves. N\u00e3o acredito. Encontrei o poeta condoreiro consumindo sua solid\u00e3o e revoltado com o que deixaram de fazer para proteger o Centro Hist\u00f3rico que est\u00e1 dando seus \u00faltimos suspiros de morte.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_3290.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2178\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_3290.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_3290.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_3290-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Bem, desci o Elevador Lacerda, meu companheiro de viagem quando trabalhava como rep\u00f3rter da \u00e1rea de economia, e fui atacado por um bando de vendedores ambulantes de correntinhas, fitas e outras bugigangas. S\u00f3 de ver o estado dos casar\u00f5es da Rua Portugal e adjac\u00eancias, n\u00e3o deu mais vontade de romper em frente nas outras art\u00e9rias entupidas do Com\u00e9rcio. At\u00e9 que o Mercado est\u00e1 arrumado, mas precisa de mais organiza\u00e7\u00e3o em seu entorno, especialmente no que tange a seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Com uma lei in\u00f3cua de isen\u00e7\u00e3o do IPTU para os propriet\u00e1rios que cuidarem de seus estabelecimentos, a Prefeitura Municipal fala de recupera\u00e7\u00e3o do Centro Hist\u00f3rico, mas tudo n\u00e3o passa mesmo de mais uma fal\u00e1cia, sem praticidade. A conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico tem que ser uma responsabilidade conjunta do Munic\u00edpio, do Estado e da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Como um todo, com exce\u00e7\u00f5es das belezas naturais de suas praias e da Ba\u00eda de Todos os Santos, Salvador est\u00e1 cada vez mais feia e desumanizada por dentro com as arma\u00e7\u00f5es pesadas de concreto armado, como a Via Expressa que matou a Heitor Dias, Baixa de Quintas e a Caixa D\u00b4\u00c1gua. Senti-me sufocado ao visitar esta regi\u00e3o e ver tantos viadutos, sujeira, balb\u00fardia, inseguran\u00e7a e congestionamento de carros. A R\u00f3tula do Abacaxi continua um abacaxi azedo e podre.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o \u00fanico lugar do mundo que tem a fa\u00e7anha est\u00fapida e ignorante de deixar ao abandono e destruir seus lugares hist\u00f3ricos, monumentos, pr\u00e9dios e marcos do passado. Por falta de educa\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00e3o social negada aos brasileiros, os v\u00e2ndalos roubam e depredam tudo que represente a arte. E assim, o pa\u00eds vai apagando seu passado de hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estive em Salvador no in\u00edcio do m\u00eas e confesso que fiquei horrorizado ao visitar o agonizante Centro Hist\u00f3rico e suas imedia\u00e7\u00f5es no Com\u00e9rcio. 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