{"id":2153,"date":"2017-04-25T01:13:45","date_gmt":"2017-04-25T04:13:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2153"},"modified":"2017-04-25T01:13:57","modified_gmt":"2017-04-25T04:13:57","slug":"o-romantismo-condoreiro-indignado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/04\/25\/o-romantismo-condoreiro-indignado\/","title":{"rendered":"O ROMANTISMO CONDOREIRO INDIGNADO"},"content":{"rendered":"<p>(Em homenagem ao Dia do Livro, em 23 de abril, num pa\u00eds que pouco se l\u00ea)<\/p>\n<p>Diferente de \u00c1lvaro de Azevedo e Cassimiro de Abreu, mais adocicados e piegas, sua poesia al\u00e7ou voos mais altos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s causas sociais, como a defesa da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. Seu romantismo condoreiro da \u00faltima fase era vigoroso, retumbante, indignado e expressava o \u00e9pico social, com a fun\u00e7\u00e3o de den\u00fancia, como em \u201cO S\u00e9culo\u201d. Em vida s\u00f3 publicou um livro.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise critica de Marisa Lajolo e Samira Campedelli, em Literatura Comentada, da \u201cAbril Educa\u00e7\u00e3o\u201d, seu l\u00edrico-amoroso \u00e9 incisivo, passional, emotivo e sentimental, sem queixas e lamenta\u00e7\u00f5es, como nos poemas \u201cO Adeus de Teresa\u201d e \u201cOnde Est\u00e1s\u201d. Sua musa era Eug\u00eania C\u00e2mara que lhe deu partida para a sensualidade.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/O-Poeta-dos-Escravos-e-de-Caetit\u00e9-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2154\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/O-Poeta-dos-Escravos-e-de-Caetit\u00e9-1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"280\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c1lvaro de Azevedo falou da morte, Goncalves Dias do \u00edndio e ele dos escravos, mas tamb\u00e9m sofreu influ\u00eancia do Byronismo quando aos dezessete anos escreveu \u201cMocidade e Morte\u201d, ao sentir uma dor no peito. Valeu-se tamb\u00e9m da hip\u00e9rbole, o exagero das imagens, em \u201cTrag\u00e9dia no Mar\u201d e em \u201cNavio Negreiro\u201d.<\/p>\n<p>Seus altos voos de condor grandiloquente (\u201cOde ao Dos de Julho\u201d) est\u00e3o inseridos na poesia do negro quando fez \u201cA Can\u00e7\u00e3o do Africano\u201d e \u201cVozes d\u00b4\u00c1frica\u201d. Do grotesco ao sublime da sua poesia dram\u00e1tica, foi considerado o Victor Hugo Brasileiro. Sua obra condoreira foi voltada para a vida e para a liberdade. \u201cOs Escravos\u201d e \u201cHinos do Equador\u201d fora suas maiores obras p\u00f3stumas.<\/p>\n<p>Contempor\u00e2neo de Jos\u00e9 de Alencar, Tobias Barreto e Machado de Assis, fundou com Rui Barbosa a Sociedade Abolicionista do Recife. Foi aluno de Ernesto Carneiro Ribeiro, na Bahia, e de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, em S\u00e3o Paulo. Em vida, publicou seu \u00fanico livro \u201cEspumas Flutuantes\u201d, grande parte da obra escrita quando retornava de navio do Rio de Janeiro para a Bahia.<\/p>\n<p><!--more--> Bem, a esta altura todos sabem de quem estou falando. S\u00f3 poderia ser do poeta maior Ant\u00f4nio Frederico de Castro Alves, para os mais \u00edntimos, Cec\u00e9u, nascido em 14 de mar\u00e7o de 1847, na fazenda Cabaceiras, munic\u00edpio de Castro Alves, na Bahia.<\/p>\n<p>De fam\u00edlia coronelista e aristocr\u00e1tica, segundo filho de Ant\u00f4nio Jos\u00e9 (m\u00e9dico) e m\u00e3e Cl\u00e9lia Bras\u00edlia da Silva Castro, o poeta se tornou um subversivo revolucion\u00e1rio contra as injusti\u00e7as sociais.<\/p>\n<p>Ainda crian\u00e7a, mudou-se para Salvador em 1854 onde se matriculou no Gin\u00e1sio Baiano. Um dos seus colegas foi o renomado jur\u00eddico Rui Barbosa. Em 1862 foi para Recife preparar-se para entrar na Faculdade de Direito. L\u00e1 escreveu o poema \u201cA Destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m\u201d. Talvez muito empolgado com as ideias abolicionistas tenha relaxado nos livros e foi reprovado em Geometria.<\/p>\n<p>Foi nessa \u00e9poca que passou a colaborar com a imprensa atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o de seus versos, os quais o poeta e cr\u00edtico Manuel Bandeira os classificou de ruins. Viveu um tempo ao lado de Idalina, mas numa de suas sa\u00eddas noturnas de boemia conhece Eug\u00eania C\u00e2mara no Teatro Santa Isabel (Recife). Nesse per\u00edodo de 62 a 63 escreveu \u201cPesadelo\u201d, \u201cMeu Segredo\u201d, \u201cCansa\u00e7o\u201d, \u201cNoite de Amor\u201d, \u201cA Can\u00e7\u00e3o do Africano\u201d, dentre outros poemas.<\/p>\n<p>Sem televis\u00e3o e outros tipos de entretenimentos, a op\u00e7\u00e3o era o teatro. Existiam at\u00e9 torcidas e brigas entre os estudantes pela prefer\u00eancia de pe\u00e7as e artistas. Numa dessas, Castro Alves rivalizou-se com Tobias Barreto na torcida entre Adelaide Amaral e Eug\u00eania C\u00e2mara, no Recife. Foi assim que esta se tornou a maior musa do poeta.<\/p>\n<p>Finalmente, em 1864 ingressa na Escola de Direito, mas foi reprovado. No outro ano leva a vida na flauta e foi ovacionado ao declamar o poema \u201cO S\u00e9culo\u201d. Com Eug\u00eania aumenta sua produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e resolve fazer uma pe\u00e7a teatral, com cunho pol\u00edtico para sua amada. Assim nasce \u201cGonzaga ou a Revolu\u00e7\u00e3o de Minas\u201d que trata da Inconfid\u00eancia Mineira. No ano de 1866 em que criou com Rui Barbosa a Sociedade Abolicionista de Recife, morre seu pai.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a levou o poeta e Eug\u00eania a S\u00e3o Paulo, mas antes, em 1867, deram uma parada em Salvador onde a temporada na capital foi marcada por esc\u00e2ndalo e sucesso. Da Bahia foi para o Rio de Janeiro em 1868 onde conheceu Jos\u00e9 de Alencar e Machado de Assis que redigiu no \u201cCorreio Mercantil\u201d um artigo sobre o poeta baiano. S\u00f3 no final de mar\u00e7o de 1868 chega a S\u00e3o Paulo onde os dois retomaram a vida bo\u00eamia dos sal\u00f5es e saraus.<\/p>\n<p>Entre os dois, muitas brigas por causa de ci\u00fames, mas Castro Alves continuou fazendo suas poesias e na sua luta social, declamando em com\u00edcios, sacadas e palanques, exaltando a Rep\u00fablica\u00a0 e condenando a escravid\u00e3o. Em S\u00e3o Paulo, o poeta recome\u00e7a seus estudos de Direito, reencontra Rui Barbosa e tem Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio como professor. Com as brigas, termina seu romance com Eug\u00eania C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Numa ca\u00e7ada no arrabalde do Br\u00e1s, em S\u00e3o Paulo, Castro Alves \u00e9 atingido em seu p\u00e9 por um disparo acidental da sua espingarda. Diante das complica\u00e7\u00f5es foi para o Rio, em maio de 1869, para se tratar. Foi preciso amputar a perna no seu ter\u00e7o inferior.<\/p>\n<p>A sa\u00fade j\u00e1 debilitada pela tuberculose piorou. Retorna \u00e0 Bahia e na viagem de regresso escreve \u201cEspumas Flutuantes\u201d ao contemplar a esteira de espumas do navio. Ora em Salvador, ora numa fazenda de parentes, o poeta continua escrevendo, mas falece em 6 de julho de 1871, precocemente aos 24 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Em homenagem ao Dia do Livro, em 23 de abril, num pa\u00eds que pouco se l\u00ea) Diferente de \u00c1lvaro de Azevedo e Cassimiro de Abreu, mais adocicados e piegas, sua poesia al\u00e7ou voos mais altos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s causas sociais, como a defesa da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura. 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