{"id":2151,"date":"2017-04-21T00:24:32","date_gmt":"2017-04-21T03:24:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2151"},"modified":"2017-04-21T00:24:45","modified_gmt":"2017-04-21T03:24:45","slug":"uma-historia-hilaria-do-frei-cisco-e-outras-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/04\/21\/uma-historia-hilaria-do-frei-cisco-e-outras-parte-i\/","title":{"rendered":"UMA HIST\u00d3RIA HIL\u00c1RIA DO FREI CISCO E OUTRAS (Parte I)"},"content":{"rendered":"<p>Muito tempo atr\u00e1s um velho Griot reuniu sua gente na cabana da sua aldeia e contou para seus filhos, netos e bisnetos uma hist\u00f3ria hil\u00e1ria que se passou no reino de Bacu. Era uma vez um l\u00edder dos trabalhadores da grande cidade conhecido pelo nome de Frei Cisco, vindo com seus irm\u00e3os de uma long\u00ednqua terra, \u00e1rida agreste e seca, muito pobre at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Fugidos da fome e da explora\u00e7\u00e3o dos senhores propriet\u00e1rios, m\u00e3e e filhos vieram batendo poeira pelas estradas num Pau-de-Arara, tipo de transporte mais usado naquela \u00e9poca. Entre todos, o irm\u00e3o de apelido \u201cGula\u201d era o mais esperto e bom vivan que gostava mesmo era de curtir os botecos e contar causos da sua regi\u00e3o do seu povo sofrido, dos coron\u00e9is e jagun\u00e7os valent\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o gostava l\u00e1 muito de trabalhar, mas seu jeito popular desembara\u00e7ado de falar, com eloqu\u00eancia, desenvoltura e convencimento, encantava a todos que o ouviam. De bom papo, aonde chegava eram abra\u00e7os e a conversa era bem animada. Frei Cisco viu no irm\u00e3o um grande dote para comandar o movimento dos oper\u00e1rios e o convidou para um tal de sindicato, mas ele logo resistiu. N\u00e3o queria se meter em confus\u00e3o, nem tampouco tomar seu tempo de porres para resolver problemas dos outros.<\/p>\n<p>Depois de muita insist\u00eancia, \u201cGula\u201d aceitou participar da organiza\u00e7\u00e3o trabalhista e tomou gosto pela atividade, tanto que logo virou dirigente e passou a atrair companheiros com seus discursos inflamados, decretando greves contra o patronado. O reino de Bacu vivia uma terr\u00edvel ditadura l\u00e1 pelos anos 70 e 80 e mandou prender \u201cGula\u201d que, \u00e0quela altura, j\u00e1 estava escolado em negocia\u00e7\u00f5es e outras malandragens.<\/p>\n<p>Solto, correu o reino, fez caravanas refazendo todo seu caminho de origem pregando justi\u00e7a, \u00e9tica, honestidade e com a promessa de n\u00e3o se misturar com os maus. Perdeu o reino, mas com os ensinamentos do marqueteiro astuto por nome \u201cBuda\u201d, espalhou bondade e, em pouco mais de 10 anos de pleitos, \u201cGula\u201d se tornou rei de Bacu, depois de ter feito acordos esp\u00farios com o capital e personagens mais nefastas da nobreza, gente da esc\u00f3ria que vivia de saquear os bens da pobre rica coroa. Frei Cisco perdeu prest\u00edgio, caiu em desgra\u00e7a e no esquecimento, enquanto \u201cGula\u201d se deleitava e se lambuzava com o poder.<\/p>\n<p><!--more--> O rei escolheu \u201cJ\u00f4 Someu\u201d como seu fiel escudeiro, conselheiro-despachante mor, tipo Rasputin feiticeiro engenhoso, temido por toda a corte. \u201cTodo rei tem seu feitor\u201d. Os dois abriram concess\u00f5es ao capitalismo, mandaram fazer programas sociais assistencialistas, abriram Bolsa Fam\u00edlia para matar a fome dos pobres e criaram um \u201cmensal\u00e3o\u201d, esp\u00e9cie de agrado em dinheiro para seus reis, duques e valetes de espada, para manter o poder sem amea\u00e7as de fora.<\/p>\n<p>Ricos e pobres ficaram contentes e todos aplaudiram o esquema. Tudo ia bem quando descobriram a tramoia do \u201cMensal\u00e3o\u201d e um seu aliado de nome \u201cTrov\u00e3o\u201d botou a boca no trombone. Foi um fuzu\u00ea danado no reino, mas \u201cGula\u201d logo livrou a cara dizendo que nada sabia. Tinha traidor na sua camarilha. Mandou \u201cdecapitar\u201d. Outros foram para a \u201cforca\u201d.<\/p>\n<p>A lamban\u00e7a dos aloprados rendeu a pris\u00e3o de muitos nobres e lordes, mas entre feridos e expurgados, o rei se salvou da tormenta. Pelas m\u00e3os do novo mago marqueteiro \u201cRaspadinhas\u201d, os s\u00faditos votaram no rei \u201cinocente\u201d que ficou ainda mais forte e com superpoderes. O homem se fez at\u00e9 de Cristo.<\/p>\n<p>Em meio a tantas farturas, fortunas e gastan\u00e7as, todos felizes em festas e farras, l\u00e1 um dia o rei lembrou do seu irm\u00e3o Frei Cisco que precisava de uma ajudinha para ter suas mordomias e fazer suas farrinhas. Afinal de contas, o homem tamb\u00e9m era filho de Deus.<\/p>\n<p>Ai o rei \u201cGula\u201d pediu uma mesada para seu velho irm\u00e3o ao grande chefe todo poderoso, dono da empreiteira \u201cOdeflechet\u201d, chamada pelos \u00edndios de a \u201cGrande Montanha\u201d. Aproveitou tamb\u00e9m para pedir para seus filhos, outros parentes e amigos.<\/p>\n<p>O chefe da grana disse: Eu ajudo seu filho e voc\u00ea ajuda o meu. Tudo combinado. O Frei Cisco que nunca fez voto de pobreza, vendo tantas facilidades, cobrou logo um reajuste de quase 100% da sua mesada. Indagado sobre a mesada ao seu irm\u00e3o, o ex-rei simplesmente respondeu que a \u201cGrande Montanha\u201d deu por que quis. Certamente Frei Cisco \u00e9 um \u201cmonge\u201d muito bondoso e caridoso com os pobres.<\/p>\n<p>Entre idas e vindas, rachas e trapa\u00e7as, o sistema de propinas continuou correndo solto, agora atrav\u00e9s da \u201cBacubr\u00e1s\u201d, a joia da coroa produtora de petr\u00f3leo. Um dia apareceu um juiz da corte de nome \u201cTouro Duro\u201d e com uma opera\u00e7\u00e3o denominada de \u201cLeva Rato\u201d desbancou toda farsa e saiu prendendo gente gra\u00fada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito tempo atr\u00e1s um velho Griot reuniu sua gente na cabana da sua aldeia e contou para seus filhos, netos e bisnetos uma hist\u00f3ria hil\u00e1ria que se passou no reino de Bacu. 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