{"id":2081,"date":"2017-03-31T00:16:48","date_gmt":"2017-03-31T03:16:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2081"},"modified":"2017-03-31T00:17:02","modified_gmt":"2017-03-31T03:17:02","slug":"a-crise-no-esporte-olimpico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/03\/31\/a-crise-no-esporte-olimpico\/","title":{"rendered":"A CRISE NO ESPORTE OL\u00cdMPICO"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Alb\u00e1n Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista<\/p>\n<p>Oito meses ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da Rio &#8211; 2016, a cerim\u00f4nia de premia\u00e7\u00e3o da 18\u00aa edi\u00e7\u00e3o do \u201cBrasil Ol\u00edmpico\u201d, na noite da \u00faltima quarta-feira (dia 29), n\u00e3o apresentou o mesmo brilhantismo dos anos anteriores. O clima entre os atletas e a plateia, apesar do discurso ufanista de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comit\u00ea Ol\u00edmpico Brasileiro (COB), organizador da festa, revelava a crise financeira que se abateu sobre o ilus\u00f3rio esporte amador, com o cancelamento dos investimentos que eram feitos pela Petrobras e por algumas empresas estatais, com a fuga de patrocinadores e a perda de visibilidade dos atletas na m\u00eddia. Entre os que apadrinhavam o esporte, apenas os Correios, esfacelado com um rombo de quase R$ 3 bilh\u00f5es em suas contas, se fizeram presente.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo o palco da cerim\u00f4nia foi mudado, do suntuoso Theatro Municipal do Rio de Janeiro para o Pal\u00e1cio das Artes. A impress\u00e3o que se tirava do ambiente era de que no local iria se realizar uma solenidade militar. \u00a0Mais de 80% dos atletas de 43 modalidades que subiram ao palco para serem homenageados ostentavam uniformes das tr\u00eas For\u00e7as Armadas, com as divisas de sargento, com destaque para as jovens marinheiras. O pugilista baiano\u00a0 Robson Concei\u00e7\u00e3o, hoje profissional, ouro no Rio, ap\u00f3s receber seu trof\u00e9u, perfilou-se e bateu contin\u00eancia (para quem?).<\/p>\n<p>Na sua fala, Nuzman parece ter esquecido de destacar o apoio das institui\u00e7\u00f5es militares ao esporte, atrav\u00e9s do Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR) das For\u00e7as Armadas, criado pelo Minist\u00e9rio da Defesa. Entre os 465 atletas que competiram nos Jogos do Rio 145 (31,2%) recebem os mesmos soldos de um soldado, cabo ou sargento (m\u00e1ximo de R$ 3,5 mil), com a obriga\u00e7\u00e3o \u00fanica de treinar. Dos 19 brasileiros que subiram ao p\u00f3dio 13 eram militares.<\/p>\n<p>Vale lembrar que, no per\u00edodo da Guerra Fria, os pa\u00edses do Leste Europeu, em especial a extinta Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, al\u00e9m da ex-Alemanha Oriental, aperfei\u00e7oavam \u00a0seus atletas nas For\u00e7as Armadas, como uma forma de mostrar ao mundo o poderia do bloco socialista. Esse processo, condenado pelas na\u00e7\u00f5es ocidentais, sob a alega\u00e7\u00e3o de que seus advers\u00e1rios praticavam um falso amadorismo, mais tarde foi imitado pelos cubanos. Hoje, os norte-americanos concentram alguns dos seus melhores atletas em excelentes universidades, frequentadas, inclusive, por nadadores brasileiros.<\/p>\n<p><!--more-->A judoca Rafaela Silva ganhou merecidamente o pr\u00eamio de melhor atleta feminina de 2016, al\u00e9m de receber a maior vota\u00e7\u00e3o dos torcedores; o cano\u00edsta baiano Isaquias Queiroz, que conquistou tr\u00eas medalhas, levou o pr\u00eamio pelo segundo ano consecutivo. Aproveitou a oportunidade para pedir sua noiva Laina Guimar\u00e3es, gr\u00e1vida de quatro meses, em casamento, ofertando-lhe um anel. Destaque para a homenagem especial \u2013 Trof\u00e9u Adhemar Ferreira da Silva \u2013 ao t\u00e9cnico Bernardinho, bicampe\u00e3o ol\u00edmpico, e a entrega das medalhas de bronze \u00e0s participantes do revezamento brasileiro nos Jogos de Pequim-2008.<\/p>\n<p>Presidente do COB desde 1995, gra\u00e7as ao apoio incondicional de mais de 90% das confedera\u00e7\u00f5es esportivas, o advogado carioca Carlos Arthur Nuzman, de 75 anos, reconheceu na noite de premia\u00e7\u00e3o, numa entrevista com a imprensa, que o cen\u00e1rio do esporte ol\u00edmpico no Brasil \u201cn\u00e3o \u00e9 nada bom, pois os investimentos retrocederam ao n\u00edvel dos anos 90\u201d, mesmo ap\u00f3s o pa\u00eds sediar o Pan-Americano de 2007, os Jogos Militares de 2011 e a \u00faltima Olimp\u00edada.<\/p>\n<p>Acusado de falta de transpar\u00eancia na gest\u00e3o de recursos, Nuzman admite que o COB est\u00e1 trabalhando em busca de novos investidores. Reconhece que o Brasil n\u00e3o atingiu no Rio-2016 a meta de ficar entre os dez melhores colocados \u2013 foi o 13\u00ba, com sete ouros, seis pratas e seis bronzes. Garantiu que o pa\u00eds se tornar\u00e1 uma pot\u00eancia ol\u00edmpica, \u201cainda n\u00e3o ser\u00e1 em T\u00f3quio-2020\u201d, o que significa que ele \u00a0tem planos de permanecer no cargo, no m\u00ednimo, por mais sete anos.<\/p>\n<p>A crise financeira para o COB pode ser mostrada num \u00fanico exemplo: em 2017, o comit\u00ea vai receber 17,3% menos recursos da Lei 10.264\/2001 (Lei Agnelo Piva), que destina parte dos lucros das loterias federais. S\u00e3o esperados, aproximadamente, R$ 200 milh\u00f5es, contra os R$ 242 milh\u00f5es no ano passado. As\u00a0 verbas destinadas \u00e0s confedera\u00e7\u00f5es v\u00e3o cair de R$ 98 milh\u00f5es para R$ 85 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Obviamente, na conversa com a imprensa Nuzman n\u00e3o abordou as investiga\u00e7\u00f5es que est\u00e3o em curso na Fran\u00e7a com a finalidade de apurar a den\u00fancia feita pelo jornal Le Monde, no come\u00e7o de mar\u00e7o, de que delegados do Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional receberam propina para votar no Rio de Janeiro como sede dos Jogos de 2016. Segundo o di\u00e1rio, a quantia de US$ 1,5 milh\u00e3o foi entregue pelo empres\u00e1rio brasileiro Arthur C\u00e9sar de Menezes Soares Filho, ligado aos governantes fluminenses, \u00a0ao senegal\u00eas Papa Diack, filho de Lamine Diack, ent\u00e3o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Federa\u00e7\u00f5es de Atletismo (IAAAF), repassada para delegados africanos.<\/p>\n<p>No dia 2 de outubro de 2009, uma numerosa e entusiasmada delega\u00e7\u00e3o brasileira se encontrava em Copenhague, na Dinamarca, para assistir ao sorteio organizado pelo COI. Capitaneados pelo presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, estavam presentes, dentre outros, o governador e prefeito do Rio, S\u00e9rgio Cabral e Eduardo Paes, o ministro do Esporte Orlando Silva e o presidente do COB Carlos Nuzman.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Rio, concorriam \u00e0 indica\u00e7\u00e3o as cidades de Chicago, T\u00f3quio e Madri. A capital espanhola, que liderou as tr\u00eas primeiras vota\u00e7\u00f5es, perdeu no \u00faltimo escrut\u00ednio para a capital fluminense, por 66 a 32. Mais do que o resultado, o placar revoltou os japoneses, que ficaram no terceiro lugar. O prefeito de T\u00f3quio, Shintaro Ishihara, levantou imediatamente a suspeita de corrup\u00e7\u00e3o por parte dos brasileiros. H\u00e1 evid\u00eancias de que houve irregularidades na escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014 e na conquista do Mundial de Clubes pelo Corinthians em 2012.<\/p>\n<p>Em resumo, o legado deixado pelo Pan-Americano de 2007, pelos Jogos Rio-2016 e pelo Mundial de 2014 s\u00e3o os est\u00e1dios e equipamentos esportivos abandonados, transformados em \u201celefantes brancos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Alb\u00e1n Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista Oito meses ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da Rio &#8211; 2016, a cerim\u00f4nia de premia\u00e7\u00e3o da 18\u00aa edi\u00e7\u00e3o do \u201cBrasil Ol\u00edmpico\u201d, na noite da \u00faltima quarta-feira (dia 29), n\u00e3o apresentou o mesmo brilhantismo dos anos anteriores. 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