{"id":2067,"date":"2017-03-24T23:29:52","date_gmt":"2017-03-25T02:29:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2067"},"modified":"2017-03-24T23:30:03","modified_gmt":"2017-03-25T02:30:03","slug":"por-que-fazemos-o-que-fazemos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/03\/24\/por-que-fazemos-o-que-fazemos\/","title":{"rendered":"POR QUE FAZEMOS O QUE FAZEMOS?"},"content":{"rendered":"<p>Afli\u00e7\u00f5es vitais sobre trabalho, carreira e realiza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A filosofia n\u00e3o deixa de ser uma autoajuda no sentido de que \u00e9 o pensamento que leva o indiv\u00edduo em sociedade a refletir sobre suas a\u00e7\u00f5es, decis\u00f5es e como se comportar no cotidiano da vida, no trabalho e diante dos desafios que fazem parte da exist\u00eancia humana.<\/p>\n<p>O livro do fil\u00f3sofo Mario S\u00e9rgio Cartella, intitulado \u201cPor Que Fazemos o Que Fazemos?\u201d nos leva a tudo isso e ajuda o ser a se conhecer, n\u00e3o apenas como um ter interessado unicamente em sobreviver nesse emaranhado de competi\u00e7\u00e3o onde vale o levar vantagem em tudo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/IMG_3138.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-2068\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/IMG_3138.jpg\" alt=\"IMG_3138\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/IMG_3138.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/IMG_3138-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A obra, um presente carinhoso da consultora Karine em meu anivers\u00e1rio de 70 anos no \u00faltimo dia 11 de fevereiro \u2013 infelizmente, nos dias atuais n\u00e3o se d\u00e1 mais livro de presente como se fazia h\u00e1 30 e 40 anos- traz na abertura \u201cVida com Prop\u00f3sito!\u201d um trecho do poema \u201cDa Morte\u201d, de M\u00e1rio Quintana, que diz \u201cUm dia &#8230;pronto!&#8230;, me acabo. Pois seja o que tem de ser. Morrer: que me importa!&#8230; O diabo \u00e9 deixar viver!<\/p>\n<p>\u00c9 uma leitura prazerosa e at\u00e9 relaxante, mas que faz o leitor pensar no que faz e o que pode vir a fazer, ligando passado, presente e futuro. Cartella nos brinda com v\u00e1rias cita\u00e7\u00f5es de fil\u00f3sofos pensadores e profissionais do trabalho, como do jornalista Apar\u00edcio Torelli, o Bar\u00e3o de Itarar\u00e9: \u201cA \u00fanica coisa que voc\u00ea leva da vida \u00e9 a vida que voc\u00ea leva\u201d.<\/p>\n<p>Entre outros, o autor cita o pensador alem\u00e3o Karl Marx, do s\u00e9culo XIX, que falou da recusa \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o como ideia de vida como prop\u00f3sito. Infelizmente, vivemos hoje num pa\u00eds de alienados que n\u00e3o compreende a raz\u00e3o do que produz, como bem definiu o fil\u00f3sofo alem\u00e3o Hegel sobre o conceito de aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Marx, a necessidade faz com que o indiv\u00edduo fa\u00e7a. Para isso, o esp\u00edrito precisa se elaborar. Na concep\u00e7\u00e3o de Hegel, \u00e9 o esp\u00edrito que tem necessidade de se mostrar.<\/p>\n<p>Segundo Cartella, Marx fazia uma distin\u00e7\u00e3o clara sobre o reino da vida; O da necessidade e o da liberdade, e \u00e9 nesse ponto que o autor do livro afirma que \u201cpara ser um mochileiro \u00e9 preciso ser livre de uma s\u00e9rie de outras restri\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Na quest\u00e3o do trabalho, lazer, partilha, reparti\u00e7\u00e3o e aliena\u00e7\u00e3o, Cartella faz um retrospecto sobre o primeiro documento do papa Le\u00e3o XIII, a Rerum Novarum, de 1891, que reivindicou uma jornada organizada de trabalho. J\u00e1 o escritor franc\u00eas Paul Lafargue reivindicava o direito \u00e0 pregui\u00e7a que consistia em se dedicar mais tempo \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 uma introdu\u00e7\u00e3o do livro \u201cPor Que Fazemos o Que Fazemos\u201d para levar o leitor a se descobrir no que ele \u00e9 e no que faz com consci\u00eancia e n\u00e3o de forma alienada.<\/p>\n<p>No tema \u201cOdeio Segunda-Feira\u201d, Cartella entende que a pessoa que se sente assim, n\u00e3o est\u00e1 cansada. \u201cNa verdade, ela n\u00e3o est\u00e1 se encontrando naquilo que faz, precisa rever os prop\u00f3sitos que tem para aquilo que est\u00e1 fazendo.\u201d<\/p>\n<p>O autor ainda nos ensina que rotina n\u00e3o \u00e9 monotonia. Para ele, a rotina consiste numa serie de procedimentos \u2013padr\u00e3o com os quais um processo se completa. O trabalho rotineiro \u00e9 um trabalho organizado, estruturado. \u201cA monotonia \u00e9 a morte da motiva\u00e7\u00e3o\u201d!<\/p>\n<p>N\u00e3o simplesmente como um livro de autoajuda que se encontra aos montes nas livrarias entre os mais vendidos, que fala o tempo todo sobre competi\u00e7\u00e3o e como vencer e sobreviver neste louco mercado, o fil\u00f3sofo Cartella abre as portas par um pensar mais sossegado e livre.<\/p>\n<p>Ele procura fazer com que o leitor reflita sobre diversas quest\u00f5es da vida, como a origem da motiva\u00e7\u00e3o, o que mais desmotiva, trabalho com significa\u00e7\u00e3o, \u00e9tica do esfor\u00e7o, valores e prop\u00f3sitos, por que fazer? E por que n\u00e3o fazer? Sobre o tempo e tantos outros assuntos cotidianos da vida.<\/p>\n<p>Bem, o autor fala a l\u00edngua dos fil\u00f3sofos da antiga Gr\u00e9cia (S\u00f3crates, Arist\u00f3teles, Plat\u00e3o e outros) transportando-a para os tempos atuais. A leitura fez me lembrar das memor\u00e1veis aulas de filosofia\u00a0 no per\u00edodo do curso Cl\u00e1ssico do Semin\u00e1rio, quando ainda t\u00ednhamos uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade. O resto \u00e9 s\u00f3 adquirir o livro e ler numa sentada s\u00f3. \u00c9 de f\u00e1cil e compreens\u00edvel linguagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Afli\u00e7\u00f5es vitais sobre trabalho, carreira e realiza\u00e7\u00e3o A filosofia n\u00e3o deixa de ser uma autoajuda no sentido de que \u00e9 o pensamento que leva o indiv\u00edduo em sociedade a refletir sobre suas a\u00e7\u00f5es, decis\u00f5es e como se comportar no cotidiano da vida, no trabalho e diante dos desafios que fazem parte da exist\u00eancia humana. 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