{"id":2038,"date":"2017-03-01T10:20:53","date_gmt":"2017-03-01T13:20:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=2038"},"modified":"2017-03-01T10:21:01","modified_gmt":"2017-03-01T13:21:01","slug":"carnaval-cinzas-e-protestos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/03\/01\/carnaval-cinzas-e-protestos\/","title":{"rendered":"CARNAVAL, CINZAS E PROTESTOS"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Alb\u00e1n Gonz\u00e1lez<\/p>\n<p>A imprensa de Salvador vestiu a fantasia e entrou alegremente no Carnaval da cidade, promovendo as mesmas figuras carimbadas, repetindo o que escreveram ou exibiram pelas \u00a0TVs nos\u00a0anos anteriores. Como sempre, a m\u00eddia deu prefer\u00eancia ao circuito Dod\u00f4 (Ondina-Barra), onde bandas que desfilam e camarotes luxuosos recebem um p\u00fablico selecionado, que se sente\u00a0incomodado, algumas vezes, por teimosos &#8220;pipocas&#8221;. Os organizadores dos festejos ainda n\u00e3o entenderam que Salvador perdeu o t\u00edtulo de &#8220;melhor Carnaval de rua do pa\u00eds&#8221;. Cariocas e paulistanos encontraram a f\u00f3rmula de promover uma festa mais participativa, reduzindo os custos e levando milh\u00f5es de foli\u00f5es a cantar as marchinhas e sambas antigos, atraindo os turistas que, no passado, iam \u00e0 capital baiana.<\/p>\n<p>O esc\u00e2ndalo do \u201cPetrol\u00e3o\u201d obrigou a Petrobras a suspender o repasse de verbas para os blocos; governo e prefeitura tamb\u00e9m reduziram a ajuda que davam \u00e0s entidades carnavalescas. A crise econ\u00f4mica porque passa o pa\u00eds reflete, salvo para poucos carnavalescos (artistas e empres\u00e1rios)\u00a0privilegiados, na festa\u00a0de Salvador, mantida financeiramente, praticamente, com o dinheiro das cervejarias.<\/p>\n<p>A crise tirou dos circuitos os blocos \u201cNana Banana\u201d, \u201cAraketu\u201d e \u201cCheiro de Amor\u201d; foli\u00f5es com maior poder aquisitivo, que pagam caro por um abad\u00e1 (as vendas tiveram uma queda acentuada), a fim de poder brincar com seguran\u00e7a, protegidos por \u201ccordeiros\u201d mal remunerados, surpresos e constrangidos, viram este ano seu espa\u00e7o, sem cordas, ser ocupado, pelo plebeu da periferia da cidade.<\/p>\n<p>O soteropolitano mais atento observou que o governador e o prefeito de Salvador n\u00e3o entoaram a mesma can\u00e7\u00e3o. A \u201cguerra fria\u201d que eles v\u00eam travando h\u00e1 meses adquiriu novas estrat\u00e9gicas \u201cb\u00e9licas\u201d nos dias da folia. N\u00e3o foi uma batalha de confetes, serpentinas e lan\u00e7a-perfume, que, no passado, coloriam as festas de sal\u00e3o dos clubes Fantoches da Euterpe, Cruz Vermelha, Inocentes em Progresso e Espanhol. Rui Costa preferiu o camarote do Campo Grande, enquanto ACM Neto passeou pelos camarotes da Avenida Oce\u00e2nica.<\/p>\n<p><!--more-->Nessa disputa por mais visibilidade perante os eleitores visando \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2018 ocorreu neste Carnaval um lance pitoresco: a prefeitura apreendeu um carregamento que se destinava ao camarote do governo do Estado. N\u00e3o se tratava de armas de fogo e muni\u00e7\u00e3o, como aqueles de esp\u00edrito belicoso podem imaginar, mas de alguns engradados de uma determinada marca de\u00a0cerveja, relacionada\u00a0entre as proibidas de serem consumidas nos circuitos da folia. Ap\u00f3s um &#8220;cessar fogo&#8221;, a bebida foi liberada.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica, aliada \u00e0 censura, tamb\u00e9m se fez presente no Carnaval baiano. O cantor e vereador Kann\u00e1rio, em plena avenida, \u201cabriu o bico\u201d e revelou para os seus f\u00e3s e eleitores\u00a0que h\u00e1 muitos desonestos entre os seus colegas do Legislativo municipal, e que muitos conchavos s\u00e3o feitos nos gabinetes do velho pr\u00e9dio da Pra\u00e7a Municipal. Na ter\u00e7a-feira da pr\u00f3xima semana, quando voltar ao &#8220;trabalho&#8221;, Kann\u00e1rio vai ter que revelar para os seus pares porque \u201cdesafinou\u201d neste Carnaval.<\/p>\n<p>J\u00e1 o l\u00edder da banda BaianaSystem, Russo Passapusso, est\u00e1 amea\u00e7ado de puni\u00e7\u00e3o, que vai desde a advert\u00eancia \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o desfilar em 2018, por ter infringido uma das cl\u00e1usulas do C\u00f3digo de \u00c9tica, editado pelo Conselho Municipal do Carnaval (Comcar). O \u201cFora, Temer\u201d, apoiado pelo cantor na Avenida Oce\u00e2nica, pode ser classificado como um ato de car\u00e1ter pol\u00edtico, segundo Pedro Costa, presidente do Comcar, advertindo que tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o toleradas manifesta\u00e7\u00f5es religiosas, racistas e homof\u00f3bicas. O elogio est\u00e1 liberado.<\/p>\n<p>A cantora Preta Gil, filha do compositor Gilberto Gil, se declarou contra esse tipo de censura, revelando que iria incluir em seu repert\u00f3rio a m\u00fasica \u201cFricote\u201d, de autoria do consagrado compositor Lamartine Babo (1904-1963), autor dos hinos dos grandes clubes do Rio. A marcha, que fez muito sucesso nos carnavais passados, faz refer\u00eancia \u00e0s cabeleiras das afrodescendentes.<\/p>\n<p>O que de mais positivo aconteceu neste Carnaval, at\u00e9 o momento em que escrevo estas linhas, foi a homenagem prestada aos 50 anos do nascimento da Tropic\u00e1lia, um movimento que mudou o cen\u00e1rio cultural brasileiro, passando atrav\u00e9s das\u00a0can\u00e7\u00f5es uma mensagem codificada, dirigida a uma juventude que se opunha \u00e0 ditadura. Estiveram no palco montado no Pelourinho, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Jos\u00e9 Carlos Capinam, l\u00edderes tropicalistas. A Tropic\u00e1lia tamb\u00e9m foi lembrada pelo \u201cParaoano sai milho\u201d, que h\u00e1 53 anos atrai um p\u00fablico selecionado pelas ruas do Centro Hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Saltando de Salvador para o Rio ressalto a participa\u00e7\u00e3o de Ivete Sangalo no desfile da Escola de Samba Grande Rio, que levou ao Samb\u00f3dromo o enredo \u201cIvete, do Rio ao Rio\u201d. A baiana, sem d\u00favida, mostrou muita vitalidade e incendiou as arquibancadas. Participou, inicialmente, da Comiss\u00e3o de Frente, terminando o desfile, com ajuda de batedores e seguran\u00e7as, num carro aleg\u00f3rico, ao lado do marido Daniel Cady e do filho Marcelo. Apesar de Ivete, acho dif\u00edcil a Grande Rio obter uma boa coloca\u00e7\u00e3o: o samba enredo diz muito pouco sobre a artista; os carnavalescos praticamente esqueceram o Velho Chico, a vinicultura da regi\u00e3o do S\u00e3o Francisco e a figura do vaqueiro, elemento-s\u00edmbolo da caatinga.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, sem o mesmo destaque que a imprensa deu a Ivete Sangalo, a \u201cVai-Vai\u201d prestou homenagem a outra baiana. Com o enredo \u201cNo Xir\u00e9 do Anhembi, a Oxum mais bonita surgiu \u2013 Menininha, m\u00e3e da Bahia \u2013 ialorix\u00e1 do Brasil\u201d, a agremia\u00e7\u00e3o contou a trajet\u00f3ria de vida de Maria Escol\u00e1stica da Concei\u00e7\u00e3o Nazar\u00e9 (1894 \u2013 1986).<\/p>\n<p>Em Vit\u00f3ria da Conquista, o Carnaval Cultural, realizado na Pra\u00e7a da Bandeira, reacendeu o esp\u00edrito alegre daqueles que n\u00e3o se ausentaram da cidade. O deputado Fabr\u00edcio Falc\u00e3o (PCdoB) ressalta a participa\u00e7\u00e3o popular e revela que a festa foi financiada por uma estatal do estado. J\u00e1 a Prefeitura local chama para si o sucesso do evento.<\/p>\n<p>Lament\u00e1vel o ato de viol\u00eancia praticado por diretores e seguran\u00e7as\u00a0do bloco &#8220;Cerveja &amp; Cia&#8221;, no circuito Barra-Ondina, contra a advogada conquistense Camila Nunes Silveira, que alimentava o desejo de brincar a folia em Salvador. Ela foi acusada pelos seus agressores de usar um abad\u00e1 (custo de quase 700 reais)\u00a0falsificado e obrigada a troc\u00e1-lo por uma camiseta de &#8220;cordeiro&#8221;. Expulsa do bloco, sem nem ao menos poder falar com os amigos que lhe acompanhavam, Camila deu queixa numa delegacia policial e espera que os culpados sejam punidos.<\/p>\n<p>Observa\u00e7\u00e3o: Se me permite meu amigo e companheiro Carlos Gonzalez algu\u00e9m a\u00ed deve dizer para os artistas contratados pelo poder p\u00fablico municipal e estadual que \u00e9 o povo j\u00e1 lascado, espoliado e maltratado pelos pol\u00edticos e governantes quem paga seus cach\u00eas polpudos. Ao inv\u00e9s de dizer obrigado Rui Costa ou ACM Neto, numa tremenda bajula\u00e7\u00e3o e puxa-saquismo sem conta, que digam: Obrigado povo que est\u00e1 pagando a festa. Seria bem mais digno e realista. Do jeito como falam d\u00e1 a entender que o senhor Rui est\u00e1 tirando o dinheiro do seu pr\u00f3prio bolso. No mais, a m\u00eddia n\u00e3o se cansa de fazer a tietagem, sem cr\u00edticas, sem questionamentos. E assim marcamos firmes guiando a tropa da aliena\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Alb\u00e1n Gonz\u00e1lez A imprensa de Salvador vestiu a fantasia e entrou alegremente no Carnaval da cidade, promovendo as mesmas figuras carimbadas, repetindo o que escreveram ou exibiram pelas \u00a0TVs nos\u00a0anos anteriores. 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