{"id":1993,"date":"2017-01-24T22:28:33","date_gmt":"2017-01-25T01:28:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1993"},"modified":"2017-01-24T22:29:04","modified_gmt":"2017-01-25T01:29:04","slug":"como-acontece-a-eugenia-no-brasil-dos-poderosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2017\/01\/24\/como-acontece-a-eugenia-no-brasil-dos-poderosos\/","title":{"rendered":"COMO ACONTECE A EUGENIA NO BRASIL DOS PODEROSOS"},"content":{"rendered":"<p>Durante s\u00e9culos, desde o in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o, a elite capitalista brasileira sempre foi opressora, tir\u00e2nica e nunca aceitou repartir os benef\u00edcios das riquezas com os mais pobres, principalmente com os negros que serviram de escravos sujeitos ao tronco e \u00e0 chibata. \u00c9 bom lembrar que a desigualdade no Brasil sempre foi estrutural, n\u00e3o resultado das crises.<\/p>\n<p>Este poder capital ego\u00edsta dos donos absolutos da terra na forma dos coron\u00e9is e depois da burguesia urbana \u201cprogressista\u201d comercial e industrial, por\u00e9m conservadora, terminou por fincar no Brasil as ra\u00edzes de um processo lento de eugenia atrav\u00e9s das profundas desigualdades sociais que v\u00e3o eliminando os mais fracos.<\/p>\n<p>No nazismo da Alemanha houve uma pol\u00edtica pr\u00e9-estabelecida de um partido que procurou fazer a depura\u00e7\u00e3o das ra\u00e7as ao condenar \u00e0 morte milh\u00f5es de considerados impuros. No Brasil, o pr\u00f3prio sistema explorat\u00f3rio e predat\u00f3rio de subjuga\u00e7\u00e3o se encarregou de depurar e excluir as pessoas. Tamb\u00e9m tivemos e temos aqui nossos campos de exterm\u00ednios.<\/p>\n<p>Quando a coisa esquenta um pouco, esse pessoal da plutocracia fala em di\u00e1logo, s\u00f3 que os poderosos nunca abriram m\u00e3o de nada e fecham o cerco todas as vezes que o pobre come\u00e7a a ganhar um dinheirinho. Para disfar\u00e7ar e enganar, criam secretarias da mulher, do idoso, do negro e agora inventaram a Secretaria Nacional da Juventude que cheira mais a fascismo.<\/p>\n<p>Foi assim no Governo de Get\u00falio Vargas no seu segundo mandato a partir dos anos 50 quando os dominadores da riqueza acossaram o presidente e tentaram um golpe. Get\u00falio se suicidou em 54, mas eles nunca desistiram. Voltaram com toda for\u00e7a em 1964 contra as reformas de base e depuseram com tanques, fuzis e metralhadoras o presidente Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p>No poder, os opressores generais, com apoio dos Estados Unidos e aval da burguesia oligarca nacional, impuseram o maior arrocho aos trabalhadores, aposentados e demais categorias desfavorecidas. Todos tiveram que sofrer calados. Milhares foram torturados e centenas mortos nos por\u00f5es da ditadura. Com a tirania dos coturnos militares foi mais f\u00e1cil praticar a eugenia.<\/p>\n<p>Bastaram ocorrer as barbaridades de esquartejamentos nas penitenci\u00e1rias do Norte e do Nordeste, regi\u00f5es de baixo \u00edndice de desenvolvimento humano, para o secret\u00e1rio da Juventude dar uma declara\u00e7\u00e3o nazista, diz ele que neste ponto era um coxinha, de que deveria ter rebeli\u00f5es todas as semanas, com mais e mais matan\u00e7as. Na sua vis\u00e3o, s\u00f3 assim se acabaria de vez com a ra\u00e7a dos marginais, v\u00edtimas de uma sociedade individualista.<\/p>\n<p><!--more--> Na verdade, o que ele afirmou, milh\u00f5es de brasileiros tamb\u00e9m comungam do mesmo pensamento. Ningu\u00e9m tocou mais no assunto sobre a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal para menores. Est\u00e3o esperando que aconte\u00e7am outras trag\u00e9dias. A bola da vez s\u00e3o as pris\u00f5es que viraram masmorras medievais da pior esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>S\u00f3 aqui j\u00e1 citei v\u00e1rias pr\u00e1ticas severas de eugenia no Brasil que se perpetuam ao longo dos tempos, funcionando como exterm\u00ednio lento dos menos favorecidos e dos miser\u00e1veis que vivem na extrema pobreza. A educa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria que atua como f\u00e1brica de ignorantes sem consci\u00eancia pol\u00edtica e a falta de sa\u00fade nos hospitais, cujos corredores servem para empilhar doentes que t\u00eam suas vidas abreviadas, s\u00e3o formas de eugenia.<\/p>\n<p>A m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o educacional, que a oligarquias assim fizeram quest\u00e3o de preservar, instalando bols\u00f5es de massas desinformadas, sempre contribuiu para entravar as mudan\u00e7as sociais, t\u00e3o carentes nas na\u00e7\u00f5es subdesenvolvidas, ou emergentes, como queiram. Depois criaram campos f\u00e9rteis para a segrega\u00e7\u00e3o, para o \u00f3dio e a intoler\u00e2ncia<\/p>\n<p>N\u00e3o enxerga assim quem n\u00e3o quer e at\u00e9 acha exagero, s\u00f3 que n\u00e3o \u00e9. Tomados pela inseguran\u00e7a e pela viol\u00eancia que no Brasil matam por ano mais que nas guerras, as pr\u00f3prias v\u00edtimas que justamente s\u00e3os as classes injusti\u00e7adas e de menor poder aquisitivo, pedem aos poderosos que deixaram o Brasil neste estado, que decretem a pena de morte.<\/p>\n<p>Acontece que este povo \u00e9 t\u00e3o inocente \u00fatil que ainda n\u00e3o percebeu que a pena de morte j\u00e1 existe h\u00e1 anos. Com o ferro da subservi\u00eancia cravado em brasas em nossas carnes, ainda temos os capatazes e os capit\u00e3es do mato que atuam e servem fielmente aos seus patr\u00f5es e matam quando \u00e9 necess\u00e1rio. Basta uma ordem vinda de cima.<\/p>\n<p>Teve uma esquerda recente no governo que prometeu com honestidade, seriedade e \u00e9tica, aliviar este fardo pesado de nossas costas, reduzir as desigualdades sociais e redistribuir a renda aos mais pobres e carentes atrav\u00e9s de cotas, bolsas, pens\u00f5es, aux\u00edlios e at\u00e9 do conhecimento, mas a turma do esquema terminou se lambuzando com o mel dos poderosos.<\/p>\n<p>Essa gente se misturou com a corrup\u00e7\u00e3o, e na vaidade de imitar os ricos, se contaminou. At\u00e9 hoje este grupo de aloprados considera que tinha direito de tamb\u00e9m se locupletar das vantagens oferecidas pela elite endinheirada. De olho na cumbuca, os oportunistas de outrora aproveitaram a brecha para assaltar mais uma vez o pal\u00e1cio do poder.\u00a0 O resultado disso tudo est\u00e1 a\u00ed no caos pol\u00edtico, econ\u00f4mico, moral e \u00e9tico.\u00a0 Os donos do dinheiro nunca foram t\u00e3o felizes e ganharam tanta grana como nos 13 anos desta esquerda.<\/p>\n<p>Os trabalhadores, pensionistas e demais benefici\u00e1rios que j\u00e1 estavam acreditando nas melhorias da esquerda insensata e populista, est\u00e3o hoje a ver navios e amea\u00e7ados a entregar suas \u00faltimas moedas para refor\u00e7ar todo sistema empresarial e banqueiro do pa\u00eds, isto \u00e9, os poderosos. Mudamos para pior, para uma eugenia mais r\u00e1pida das classes baixas.<\/p>\n<p>No emprego da representatividade popular para construir suas riquezas, o pa\u00eds sempre foi comandado pela plutocracia e pela cleptocracia (governo de ladr\u00f5es), alternando ditadura com democracia, esta sempre ligada a estas malditas \u201ccracias\u201d e \u201cismos\u201d. Hoje, o que temos, na verdade, \u00e9 uma democracia de injusti\u00e7as, desigualdades e de barriga e mentes vazias, propiciando a eugenia praticada pelos poderosos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante s\u00e9culos, desde o in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o, a elite capitalista brasileira sempre foi opressora, tir\u00e2nica e nunca aceitou repartir os benef\u00edcios das riquezas com os mais pobres, principalmente com os negros que serviram de escravos sujeitos ao tronco e \u00e0 chibata. \u00c9 bom lembrar que a desigualdade no Brasil sempre foi estrutural, n\u00e3o resultado das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1993"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1993"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1993\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1994,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1993\/revisions\/1994"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}