{"id":1936,"date":"2016-11-30T23:48:21","date_gmt":"2016-12-01T02:48:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1936"},"modified":"2016-11-30T23:48:30","modified_gmt":"2016-12-01T02:48:30","slug":"chape-um-exemplo-para-o-conquista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/11\/30\/chape-um-exemplo-para-o-conquista\/","title":{"rendered":"CHAPE, UM EXEMPLO PARA O CONQUISTA"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Alb\u00e1n Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista<\/p>\n<p>Lamentavelmente, um tr\u00e1gico acidente a\u00e9reo chamou a aten\u00e7\u00e3o do brasileiro, e at\u00e9 mesmo do exterior, para uma cidade no oeste de Santa Catarina. Chapec\u00f3, que na l\u00edngua ind\u00edgena caingangue significa \u201cpequeno local onde \u00e9 avistado o caminho da ro\u00e7a\u201d, \u00e9 um exemplo das diferen\u00e7as, culturais, econ\u00f4micas e esportivas, que existem entre o Sul e o Norte\/Nordeste do Brasil. Vale destacar que essa desigualdade tem muito a ver com os povos que contribu\u00edram com um est\u00e1gio, mais ou menos avan\u00e7ado da sociedade humana.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o me alongar nesse aspecto, porque pretendo abordar o futebol praticado nas duas cidades, vou mostrar alguns dados referentes a Chapec\u00f3 e a Vit\u00f3ria da Conquista, que t\u00eam, respectivamente, 99 e 176 anos de funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com uma \u00e1rea de 624.308 km\u00b2, a 555 km de Florian\u00f3polis, Chapec\u00f3 tem um \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0.796 (67\u00ba entre os munic\u00edpios brasileiros); seu PIB per capita \u00e9 de R$ 33.441,42. Sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de 209.553 habitantes (81% de brancos, 14% de pardos e 2% de negros), descendente de italianos, alem\u00e3es e espanh\u00f3is. Suas terras s\u00e3o cortadas por duas rodovias federais, uma deles com oito pistas, duas ferrovias, e o seu aeroporto internacional recebe 450 mil passageiros por m\u00eas, com um movimento de 750 aeronaves mensais. A capital brasileira da agroind\u00fastria \u00e9 tamb\u00e9m chamada de capital catarinense do turismo de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Com uma \u00e1rea de 3.204.257 km\u00b2, a 510 km de Salvador, Vit\u00f3ria da Conquista tem um IDH de 0.678; seu PIB per capita \u00e9 de R$ 14.647,17. Sua popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de 350.284 habitantes (56% pardos, 32% de brancos e 10% de negros), descendente de portugueses e \u00edndios. Sua economia se concentra principalmente no com\u00e9rcio, contando com a colabora\u00e7\u00e3o de uma enorme popula\u00e7\u00e3o flutuante, procedente de mais de 100 munic\u00edpios do oeste e sul baianos e do norte de Minas Gerais, abandonados pelo poder p\u00fablico. A produ\u00e7\u00e3o industrial conquistense \u00e9 escoada por duas rodovias federais e pelo porto de Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p><!--more-->Bem, chegou o momento de comparar o futebol das duas cidades. Inicialmente, quero insistir no fato de que o torcedor\u00a0 de Chapec\u00f3, com o apoio da classe empresarial, abra\u00e7ou o seu time, que tem 43 anos de fundado, abandonando a pr\u00e1tica nociva de valorizar os clubes do Rio e S\u00e3o Paulo e os da capital do seu estado. Em Conquista, ocorre o inverso. Assisti, domingo passado, torcedores do Palmeiras espocando foguetes, comemorando um t\u00edtulo; em Caetit\u00e9, a poucos quil\u00f4metros daqui, palmeirenses exageraram nos festejos e danificaram a ilumina\u00e7\u00e3o do Natal Luz.<\/p>\n<p>A Chapecoense \u00e9 um exemplo no futebol brasileiro. Em cinco anos subiu da s\u00e9rie D do Brasileir\u00e3o para a s\u00e9rie A, onde se encontra desde 2014. No momento, \u00e9 o 9\u00ba colocado no Nacional, deixando para tr\u00e1s clubes de express\u00e3o no futebol do pa\u00eds. Com os resultados que vinha conseguindo na Copa Sul-Americana, interrompidos pelo acidente em Medellin, a Chapecoense estava pr\u00f3xima de obter uma vaga na Libertadores de 2017.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2005, o clube, com d\u00edvidas de R$ 1,5 milh\u00e3o, quase fechou as portas. A ajuda financeira veio atrav\u00e9s de um grupo de empres\u00e1rios ligados ao ramo de frigor\u00edficos e ao agroneg\u00f3cio. Dois anos depois venceu o campeonato catarinense (s\u00e3o cinco t\u00edtulos estaduais) e em 2019 subiu da s\u00e9rie D para a C do Brasileiro.<\/p>\n<p>O sucesso nos gramados se refletiu no or\u00e7amento, que saltou de R$ 13 milh\u00f5es em 2013 para R$ 45 milh\u00f5es nesta temporada. A folha salarial \u00e9 de R$ 2 milh\u00f5es, paga com as rendas dos jogos no Arena Cond\u00e1 (m\u00e9dia de 7,6 mil torcedores), as mensalidades dos s\u00f3cios e os patrocinadores (a Caixa contribui com R$ 4 milh\u00f5es por ano, bem inferior aos R$ 30 milh\u00f5es recebidos pelo Corinthians).<\/p>\n<p>Ao assumir a presid\u00eancia em 2008, o empres\u00e1rio Sandro Pallaoro, morto no acidente a\u00e9reo, implantou uma pol\u00edtica de austeridade, contratando apenas jogadores que revelem amor pelo time verde e branco. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o era o meia Cleber Santana, de 36 anos, uma das v\u00edtimas da trag\u00e9dia, com passagens pelo Atl\u00e9tico de Madrid e Mallorca (Espanha). Pallaoro surpreendeu no final do ano passado ao pagar o 14\u00ba sal\u00e1rio aos funcion\u00e1rios e jogadores.<\/p>\n<p>A Chapecoense se orgulha do seu CT, inaugurado em 2014, com 83 mil m\u00b2, com tr\u00eas campos de treinamento, cinco vesti\u00e1rios, academia, salas de massagem e de fisioterapia. O custo foi de R$ 2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao concluir, confesso que, al\u00e9m de prestar minha homenagem \u00e0 Chapecoense, que s\u00f3 vim conhecer mais intimamente agora, \u00e9 a de colocar o clube catarinense, que tem as mesmas cores do Vit\u00f3ria da Conquista, como um exemplo a ser seguido pelos homens de neg\u00f3cio, desportistas e gestores municipais desta cidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Alb\u00e1n Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista Lamentavelmente, um tr\u00e1gico acidente a\u00e9reo chamou a aten\u00e7\u00e3o do brasileiro, e at\u00e9 mesmo do exterior, para uma cidade no oeste de Santa Catarina. 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