{"id":1783,"date":"2016-09-20T00:09:54","date_gmt":"2016-09-20T03:09:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1783"},"modified":"2016-09-20T00:10:01","modified_gmt":"2016-09-20T03:10:01","slug":"show-no-paraguai-e-suas-ultimas-declaracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/09\/20\/show-no-paraguai-e-suas-ultimas-declaracoes\/","title":{"rendered":"SHOW NO PARAGUAI E SUAS \u00daLTIMAS DECLARA\u00c7\u00d5ES"},"content":{"rendered":"<p>macariojeremias@yahoo.com.br<\/p>\n<p>O compositor paraibano, odiado pelos militares, bem que tentou se apresentar em palcos brasileiros, em 17 de julho de 1982, no Sal\u00f3n Social \u00c1rea Dos, da Itaipu Binacional, mas seu show foi proibido pelas autoridades. O general Junot Rebello Guimar\u00e3es contribuiu para a proibi\u00e7\u00e3o depois que um jornal paranaense de Cascavel publicou uma reportagem onde apresenta Geraldo Vandr\u00e9 como \u201cinimigo do governo brasileiro\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/VANDR\u00c9-001.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1784\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/VANDR\u00c9-001.jpg\" alt=\"vandre-001\" width=\"250\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/VANDR\u00c9-001.jpg 250w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/VANDR\u00c9-001-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Depois de vinte dias esperando pela libera\u00e7\u00e3o, como cita Jorge Fernando, o show foi mesmo realizado em Puerto Stroessner, no Paraguai, que depois recebeu o nome de Ciudad del Leste. Acompanharam os m\u00fasicos Di Melo, Saldanha Rolim e Saulo Laranjeira e ainda contou com a presen\u00e7a de Birh\u00fa de Pirituba.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/VANDR\u00c9-002.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-1785\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/VANDR\u00c9-002.jpg\" alt=\"vandre-002\" width=\"250\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/VANDR\u00c9-002.jpg 250w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/VANDR\u00c9-002-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quando a apresenta\u00e7\u00e3o come\u00e7ou no Cine \u00d3pera, os m\u00fasicos entraram em fila indiana, todos de verde-oliva com botas pretas. A rep\u00f3rter do JB no Paran\u00e1, Ruth Bolognese, disse que \u201cn\u00e3o houve aplausos nem gritos. O cinema era escuro e a plateia paraguaia\u201d. Entre outros, estava l\u00e1 o amigo paraibano Ivo de Lima.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, Vandr\u00e9 cantou can\u00e7\u00f5es em espanhol e falou textos po\u00e9ticos, alguns de sua autoria e outros de Guimar\u00e3es Rosa. Ao lado de Jo\u00e3o Martinez, um dos donos do jornal Folha de Londrina, o m\u00fasico declarou ter desprezo pela imprensa brasileira. \u201cS\u00f3 dou entrevista porque estamos em outro pa\u00eds&#8230; No Brasil em que eu ainda vivo, n\u00e3o admito pedir licen\u00e7a a general nenhum pra falar\u201d.<\/p>\n<p>Em abril de 1984, mais uma vez, tentou se apresentar na Itaipu Binacional, mas s\u00f3 conseguiu em 1985. No momento mais emocionante do seu show, fica de frente para a bandeira do Brasil e, de costas para a plateia, canta \u201cCaminhando\u201d e recita versos perguntando \u201co que fizeram de ti, bandeira\u201d?<\/p>\n<p>Alias, ap\u00f3s seu retorno do ex\u00edlio, esteve por v\u00e1rias vezes em Foz do Igua\u00e7u onde cometeu algumas doideiras, como a de ter tirado fotoc\u00f3pias de d\u00f3lares, autentic\u00e1-las em cart\u00f3rio e tentado pass\u00e1-las em frente. N\u00e3o teve sucesso e ai disse que no Brasil nem os cart\u00f3rios s\u00e3o levados \u00e0 s\u00e9rio. H\u00e1 quem diga que fumava muita maconha e saia disparado pela cidade. Outras vezes se escondia atr\u00e1s de postes e \u00e1rvores, alegando estar sendo espionado por agentes da repress\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/VANDR\u00c9-003.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-1786\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/VANDR\u00c9-003-200x300.jpg\" alt=\"vandre-003\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/VANDR\u00c9-003-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/VANDR\u00c9-003.jpg 250w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Entre suas idas e vindas, ao saber que Vandr\u00e9 estava hospedado na Capitania dos Portos, o coronel Eug\u00eanio Menescal, parente de Roberto Menescal, escreve um alerta aos soldados dizendo que esta pessoa \u00e9 inimiga do ex\u00e9rcito brasileiro e sua entrada no batalh\u00e3o \u00e9 proibida. Insistente, um dia regeu a banda do Batalh\u00e3o. Furioso, o coronel o repreendeu: O que o senhor est\u00e1 fazendo aqui com minha banda? Vandr\u00e9 entregou a batuta e sorrindo disse: \u201cA banda que \u00e9 do ex\u00e9rcito \u00e9 muito boa, sua coisa nenhuma\u201d.<\/p>\n<p>O compositor ficou tamb\u00e9m num quartinho na sede do Di\u00e1rio da Cidade por conta do jornalista Rog\u00e9rio Romano Bonato. Por causa disso, recebeu uma ordem do coronel dizendo que ele teria doze horas para desalojar o h\u00f3spede indesejado. O rep\u00f3rter respondeu para o emiss\u00e1rio do oficial: \u201cDiga ao seu chefe que ele manda no batalh\u00e3o e eu, no meu jornal\u201d.<\/p>\n<p>Em 86\/87 seu conterr\u00e2neo Z\u00e9 Ramalho o encontrou em Foz de Igua\u00e7u e afirma que ele estava l\u00e1 por conta das coisas da aeron\u00e1utica. \u201cEstou aqui estudando a arte militar\u201d. Num show com Z\u00e9 Ramalho, no mesmo ano, entrou vestido de soldado, cantou de costas em alem\u00e3o \u201cPra Onde Foram Todas as Flores\u201d. \u201cDepois cantou tr\u00eas can\u00e7\u00f5es novas de arrepiar, em portugu\u00eas\u201d \u2013 disse Ramalho.<\/p>\n<p><!--more-->Entre muitas apari\u00e7\u00f5es, Vandr\u00e9 se fez presente na solenidade de posse do prefeito Paulo Maluf, em 1993. Perguntado por rep\u00f3rteres o que estava fazendo ali, disparou: \u201cVim garantir a posse\u201d.<\/p>\n<p>Com sua mania de persegui\u00e7\u00e3o, o jornalista Jo\u00e3o Paulo Soares lembra no livro biogr\u00e1fico de Vitor Nuzzi, que certa vez foi busc\u00e1-lo em seu apartamento, na Martins Fontes, para uma sess\u00e3o de entrevistas. Estava agitado e ao ver o porteiro segui-lo disse: Est\u00e1 vendo? Ele quer escutar nossa conversa. Ele \u00e9 um informante. Voc\u00eas mataram Cristo! Traidores! V\u00edboras! Ra\u00e7a de Traidores e traidores! Tu n\u00e3o entendes? O que tu v\u00eas \u00e9 um personagem&#8230; Essa barba, essa loucura, eles me olham e n\u00e3o entendem nada.<\/p>\n<p>Certa vez perguntado pelo amigo m\u00fasico Sargento Lago por que n\u00e3o gravava, respondeu: Vivo em outro pa\u00eds. Tamb\u00e9m o m\u00fasico Osmar de Lima Sabi\u00e1 sempre o admirou. Ele deu uma declara\u00e7\u00e3o dizendo que para uma pessoa nacionalista e de personalidade forte, \u00e9 duro ver o povo mergulhado na cultura de massa e na perda de valores.<\/p>\n<p>Vandr\u00e9, na vis\u00e3o do compositor Darlan Ferreira, sempre foi um poeta \u00edmpar. Talvez o maior patriota que eu j\u00e1 conheci. Ele ama a p\u00e1tria, n\u00e3o essa de hoje, mas aquela que no passado mereceu suas m\u00fasicas. Em 2008, numa entrevista ao rep\u00f3rter Leandro Colon, do Correio Braziliense, quando indagado do porqu\u00ea ter interrompido a carreira, declarou: Porque \u00e9 outro pa\u00eds, n\u00e3o o meu. Mudou demais. Em 2009, o jornal Cidade de Itapetininga publicou um artigo intitulado \u201cO Vandr\u00e9 que eu conheci\u201d. O rep\u00f3rter Celso Lungaretti diz que Vandr\u00e9 continua l\u00facido.<\/p>\n<p>Em 12 de setembro de 2010, data do seu anivers\u00e1rio, aparece na televis\u00e3o apresentado por S\u00e9rgio Chapelin como o maior enigma da m\u00fasica brasileira. Com bon\u00e9 verde-oliva e camisa com escudo da FAB, ele foi entrevistado por Geneton Moraes Neto. O compositor atende a equipe de reportagem nas instala\u00e7\u00f5es do clube da aeron\u00e1utica.<\/p>\n<p>Disse, na ocasi\u00e3o, que vive em outro Brasil e explica que n\u00e3o volta a cantar porque o tipo de m\u00fasica que sabe fazer n\u00e3o teria lugar num pa\u00eds dominado pela cultura de massa. Foi nesta entrevista que declarou que arte \u00e9 cultura in\u00fatil, \u201cmas eu hoje consegui ser mais in\u00fatil que qualquer artista. Eu sou advogado em um tempo sem lei. Quer coisa mais in\u00fatil que isso\u201d?<\/p>\n<p>Sobre o trabalho dos tropicalistas Gil Caetano, responde que eles continuam na mesma. Comenta que certa vez o ex-parceiro Gil disse que fazia qualquer coisa em m\u00fasica e que alguma teria que dar certo. \u201cEu n\u00e3o fa\u00e7o qualquer coisa\u201d. Destacou que jamais foi antimilitarista e tampouco fez parte de qualquer grupo pol\u00edtico. Confessa nunca ter sido preso e torturado e acha que protesto \u00e9 coisa de quem nunca teve poder. Em sua opini\u00e3o, no entanto, os versos de \u201cCaminhando\u201d est\u00e3o mais atuais do que nunca.<\/p>\n<p>O autor do livro descreve o cidad\u00e3o Geraldo Pedrosa de Ara\u00fajo Dias como um homem confuso, mas consciente do seu papel hist\u00f3rico. Desde que se conheceram, em 1978, ele se abriu em conversas com o conterr\u00e2neo Assis Angelo. Uma delas foi publicada em 1991 no Di\u00e1rio Popular. Explicando seu sil\u00eancio, disse que h\u00e1 pessoas que cantam por cantar. Eu, al\u00e9m de precisar de motivos pra cantar, lembrando Disparada, n\u00e3o cantar para enganar, j\u00e1 sei tamb\u00e9m que \u00e9 preciso \u00e0s vezes, n\u00e3o cantar. O sil\u00eancio que fa\u00e7o nesses 22 anos \u00e9 parte da minha can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Numa conversa com seu tamb\u00e9m conterr\u00e2neo Ricardo An\u00edsio, em fevereiro de 2004, fala sobre o motivo de n\u00e3o ter aceitado a anistia: Perdoado de qu\u00ea? De ter escrito uma can\u00e7\u00e3o? Acho que quem assinou o pedido de anistia decretou que havia cometido um delito, e eles nunca observaram isso. Depois sou eu quem n\u00e3o tem lucidez? Quando algu\u00e9m pensa diferente, o melhor \u00e9 chama-lo de louco, pra que ningu\u00e9m lhe d\u00ea import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Em entrevista concedida por escrito \u00e0 estudante de jornalismo, Jeane Vidal (trabalho de mestrado), em 2007, o compositor que abalou o regime militar distingue as condi\u00e7\u00f5es de exilado e asilado pol\u00edtico. O exilado n\u00e3o tem estatuto nem regras, que era a sua condi\u00e7\u00e3o. O asilado recorre a uma prote\u00e7\u00e3o formal e tem estatuto e normas jur\u00eddicas. \u201cA rigor, vivo exilado ainda de minha vida e de minhas atividades art\u00edsticas, desde 13 de dezembro de 1968. Sou m\u00edtico e mitologista. N\u00e3o sou m\u00edstico nem mistificador\u201d&#8230;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sua apresenta\u00e7\u00e3o de \u201cFabiana\u201d no Memorial da Am\u00e9rica Latina, em 1994, Vandr\u00e9 foi criticado por jornalistas e patrulheiros ideol\u00f3gicos. Na entrevista \u00e0 jovem Jeane Vidal ele escancara: \u201cOs canalhas que inventaram aquela hist\u00f3ria triste, antinacional e malversada em que Vandr\u00e9 aparecia como v\u00edtima das for\u00e7as armadas brasileiras, enfiaram a carapu\u00e7a na pr\u00f3pria cabe\u00e7a e, no dia seguinte, jogaram na m\u00eddia, controlada por eles as express\u00f5es Geraldo Vandr\u00e9 trocou de camisa, cantando com seus algozes\u201d.<\/p>\n<p>Em tom de desabafo, chamou a todos de miser\u00e1veis c\u00e3es de fila de editores alien\u00edgenas que fizeram de \u201cCaminhada\u201d um fruto proibido e, at\u00e9 hoje, ganham dinheiro com ele que n\u00e3o admitem outro sucesso de Geraldo Vandr\u00e9. Por falar em sucesso, entre suas mais de 100 can\u00e7\u00f5es gravadas e in\u00e9ditas, teve como parceiros musicais Alquimides Daera, Hilton Acioli, Erlon Chaves, Hermeto Pascoal, Marconi Campos, Carlos Castilho, Ely Arcoverde e tantos outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>macariojeremias@yahoo.com.br O compositor paraibano, odiado pelos militares, bem que tentou se apresentar em palcos brasileiros, em 17 de julho de 1982, no Sal\u00f3n Social \u00c1rea Dos, da Itaipu Binacional, mas seu show foi proibido pelas autoridades. 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