{"id":1774,"date":"2016-09-16T09:52:58","date_gmt":"2016-09-16T12:52:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1774"},"modified":"2016-09-16T09:53:14","modified_gmt":"2016-09-16T12:53:14","slug":"vandre-o-homem-que-disse-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/09\/16\/vandre-o-homem-que-disse-nao\/","title":{"rendered":"&#8220;VANDR\u00c9 &#8211; O HOMEM QUE DISSE N\u00c3O&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O rei dos festivais e poeta maior da can\u00e7\u00e3o nordestina que bebeu na fonte do cordelismo e at\u00e9 da Bossa Nova, n\u00e3o fazia camuflagens. Era direto com suas letras de protesto contra a ditadura militar. Entre colegas at\u00e9 instigava a sua derrubada. No final do seu ex\u00edlio, de pouco mais de quatro anos, caiu doente de tanto sofrer de saudade da p\u00e1tria. Depois do seu retorno, em 1973, nas v\u00e9speras do golpe do general Pinochet no Chile, virou um enigma, nunca confessou ter sido torturado e sempre declarou que suas m\u00fasicas eram de amor.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/GERALDO-VANDR\u00c9-011.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1775\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/GERALDO-VANDR\u00c9-011.jpg\" alt=\"geraldo-vandre-011\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/GERALDO-VANDR\u00c9-011.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/GERALDO-VANDR\u00c9-011-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Seu auge e seu fim come\u00e7aram com a can\u00e7\u00e3o sucesso no in\u00edcio dos anos de chumbo e at\u00e9 hoje cantada \u201cPra n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei das flores (Caminhando)\u201d, tornando-se a partir dai, em final de 1968, o inimigo n\u00famero um das for\u00e7as armadas entre os compositores brasileiros. Voltou amargurado, renegando a m\u00eddia e a cultura de massa. Para quem pregou um dia que a arte tinha que ser de protesto e retratar a realidade, disse depois num de seus momentos mais depressivos, que \u201cconseguiu ser mais in\u00fatil do que qualquer artista\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/GERALDO-VANDR\u00c9-008.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1776\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/GERALDO-VANDR\u00c9-008.jpg\" alt=\"geraldo-vandre-008\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/GERALDO-VANDR\u00c9-008.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/GERALDO-VANDR\u00c9-008-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Para n\u00e3o ser preso e morto partiu clandestinamente para o Chile no in\u00edcio de 1969 e de l\u00e1 para a Fran\u00e7a. Perambulou pela Europa onde participou de um festival de m\u00fasica na Bulg\u00e1ria. Irregular, foi pressionado a deixar a Fran\u00e7a. Constrangido, acuado e acossado pela opress\u00e3o contra o livre pensar e se expressar, tentou se conciliar com os generais e at\u00e9 fez a can\u00e7\u00e3o \u201cFabiana\u201d em homenagem \u00e0 FAB. Vestiu farda da aeron\u00e1utica a quem denominou de \u201cex\u00e9rcito azul\u201d. Sua \u201cloucura\u201d foi atribu\u00edda a poss\u00edveis torturas sofridas nos por\u00f5es da ditadura.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 70, em pleno auge da ditadura, o compositor participou com Manduka de um festival em Lima, no Peru, com a m\u00fasica \u201cP\u00e1tria amada, idolatrada, salve, salve\u201d, na tentativa de acalmar os \u00e2nimos dos generais que nutriam \u00f3dio por ele. No entanto, os fardados da linha dura o condenaram mais ainda por ter usado trechos do Hino Nacional.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/GERALDO-VANDR\u00c9-012.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1777\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/GERALDO-VANDR\u00c9-012.jpg\" alt=\"geraldo-vandre-012\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/GERALDO-VANDR\u00c9-012.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/GERALDO-VANDR\u00c9-012-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sempre foi um patriota convicto. Numa de suas apresenta\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos, do seu jeito esquentado, se invocou com um baixista norte-americano da banda porque n\u00e3o falava uma palavra em portugu\u00eas, enquanto os brasileiros tinham que aprender o ingl\u00eas para se relacionar com sua gente. Encheu tanto o \u201csaco\u201d do cara com esta discuss\u00e3o que o m\u00fasico, um neg\u00e3o forte, o suspendeu at\u00e9 a parede e quase o esmagava, n\u00e3o fosse seu parceiro brasileiro que lhe salvou da ira do ianque.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que estou falando do paraibano Geraldo Vandr\u00e9 e do livro do jornalista e escritor mineiro Jorge Fernando dos Santos que publicou a biografia n\u00e3o autorizada de \u201cVandr\u00e9 &#8211; o homem que disse n\u00e3o\u201d, que completou 81 anos no \u00faltimo dia 12 de setembro. Continua recluso e de temperamento complicado, restrito a alguns amigos em seu apartamento em S\u00e3o Paulo, os quais evitam falar com ele sobre ter sido preso e torturado.<\/p>\n<p><!--more--> O escritor conta na abertura da Introdu\u00e7\u00e3o da sua obra que \u201ca gera\u00e7\u00e3o AI-5 cresceu embalada pela can\u00e7\u00e3o \u201cPra n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei das flores (Caminhando)\u201d, classificada em segundo lugar na fase nacional do 3\u00ba FIC (Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o). Com apenas dois acordes ao viol\u00e3o e a voz embargada, Geraldo Vandr\u00e9 \u201cincendiou\u201d o Maracan\u00e3zinho\u201d. A classificada em primeiro lugar foi \u201cSabi\u00e1\u201d, de Chico Buarque e Tom Jobim, composi\u00e7\u00e3o esta vaiada por uma plateia de 30 mil pessoas da 3\u00ba FIC, em 29 de setembro de 1968.<\/p>\n<p>Como f\u00e3 do artista de \u201cCaminhando\u201d, desde sua juventude, Jorge Fernando fez seu primeiro texto sobre Vandr\u00e9 em 1975 quando participou e venceu uma premia\u00e7\u00e3o sobre o compositor promovida pelo Jornal de Minas. O jornalista narra que ficou emocionado com a entrevista concedida por Vandr\u00e9 ao canal Globo News, em 12 de setembro de 2010.<\/p>\n<p>No final de 2013, ao participar da 9\u00aa Feira Internacional do Livro de Foz de Igua\u00e7u, ficou sabendo que o ex-cantor havia morado naquela cidade. \u201cEsta foi a senha para que eu me lan\u00e7asse \u00e0 tarefa de escrever este livro, levando em conta os 80 anos do cidad\u00e3o Geraldo Pedrosa de Ara\u00fajo Dias, em 2015\u201d.<\/p>\n<p>Controverso e pol\u00eamico, Vandr\u00e9 sempre foi um defensor intransigente da m\u00fasica popular brasileira e ansiava por derrubar a ditadura, embora nunca tenha participado de organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e participado da luta armada. N\u00e3o aceitava ser contestado e partia para a briga como ocorreu com Caetano Veloso e um parceiro com quem usou o bra\u00e7o.<\/p>\n<p>Na sua volta do ex\u00edlio n\u00e3o quis mais se apresentar no Brasil porque achava que a cultura de massa transformou seu pa\u00eds, n\u00e3o lhe pertencia mais. Angustiado e com uma intelig\u00eancia acima do normal, tinha momentos de \u201cloucura\u201d como o de declamar seus poemas para um poste, conforme revelou um amigo seu. Morando num apartamento bagun\u00e7ado, cheio de pap\u00e9is, nunca parou de escrever e compor suas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>T\u00e3o logo retornou do Chile, o autor de \u201cCaminhando\u201d ficou detido por v\u00e1rios dias. Uns acreditam que Vandr\u00e9 foi destru\u00eddo pela ditadura militar, outros que sua aproxima\u00e7\u00e3o com as tr\u00eas armas seria um sintoma da s\u00edndrome de Estocolmo, depend\u00eancia psicol\u00f3gica desenvolvida por ref\u00e9ns em rela\u00e7\u00e3o aos seus algozes. Al\u00e9m da can\u00e7\u00e3o \u201cFabiana\u201d, tamb\u00e9m homenageou a marinha e fez o hino \u201cA casa do sol nascente\u201d, para a FAB.<\/p>\n<p>No 3\u00ba FIC de 1968, realizado pela TV Globo e governo do estado da Guanabara, \u201cCaminhando\u201d virou um hino nacional, principalmente depois da morte do estudante Edson Luis de Lima Souto, no restaurante Calabou\u00e7o, em 28 de mar\u00e7o, atingido por um tiro disparado por um oficial da PM.<\/p>\n<p>No FIC aconteceu a maior vaia da hist\u00f3ria da TV brasileira contra \u201cSabi\u00e1\u201d, onde Vandr\u00e9 tentou acalmar a plateia dizendo \u201cGente, sabe o que eu acho? &#8230;Jobim e Chico merecem o nosso respeito&#8230; A vida n\u00e3o se resume em festivais\u201d. Jorge Fernando, em seu livro, conta fatos in\u00e9ditos que ocorreram nos bastidores daquele evento. Segundo um jurado, \u201cCaminhando\u201d representou a gl\u00f3ria e a ru\u00edna de Vandr\u00e9. No parecer de Mill\u00f4r Fernandes, um hino nacional perfeito&#8230; \u201c\u00c9 a nossa Marselhesa\u201d.<\/p>\n<p>Tempos pol\u00eamicos ideologicamente vigiados nas d\u00e9cadas de 60 e 70. Antes do seu sucesso, em 1\u00ba de maio de 68, o pr\u00f3prio cancioneiro nordestino foi chamado de \u201cpelego de Sodr\u00e9\u201d, o Abreu Sodr\u00e9, governador de S\u00e3o Paulo, refugiado na Catedral da S\u00e9 pelos manifestantes. Tudo porque Vandr\u00e9 lhe dera socorro.<\/p>\n<p>Em 12 de setembro de 1935, (ano da Intentona Comunista, ou Revolta Vermelha) na capital Jo\u00e3o Pessoa (Para\u00edba), nasce Geraldo Pedrosa de Ara\u00fajo Dias (aquele que governa com a lan\u00e7a), filho de Jos\u00e9 Vandreg\u00edselo de Ara\u00fajo Dias (m\u00e9dico filiado ao PCB) e Maria Marta Pedrosa Dias (pianista por divers\u00e3o). No in\u00edcio da sua carreira musical, depois de diplomado em Direito, no Rio de Janeiro, usa a part\u00edcula do nome do seu pai e vira Geraldo Vandr\u00e9.<\/p>\n<p>T\u00edpico nordestino e de g\u00eanio rebelde, ainda na adolesc\u00eancia o menino Geraldo recebe o bilhete de uma colega que dizia: \u201cVoc\u00ea \u00e9 o pr\u00e9-hist\u00f3rico que habita a caverna do meu cora\u00e7\u00e3o\u201d. Estudou o prim\u00e1rio no Col\u00e9gio Estadual da Para\u00edba e depois foi transferido para o internato do Gin\u00e1sio S\u00e3o Jos\u00e9, em Nazar\u00e9 da Mata (Pernambuco), onde se divertia ouvindo os cantadores de feira. Sua primeira apresenta\u00e7\u00e3o musical foi na R\u00e1dio Tabajara de Jo\u00e3o Pessoa. Vale salientar que antes de se mudar em definitivo para o Rio de Janeiro, seus pais tiveram breve passagem por Juiz de Fora (Minas Gerais).<\/p>\n<p>Em sua obra n\u00e3o autorizada, Jorge Fernando contextualiza passagens da vida de Vandr\u00e9 com a hist\u00f3ria brasileira (era Get\u00falio Vargas, nascimento da televis\u00e3o em 50 &#8211; Di\u00e1rios Associados de Assis Chateaubriand &#8211; e da ditadura militar, principalmente).<\/p>\n<p>Conta que aos dezesseis anos, j\u00e1 no Rio, com nome art\u00edstico de Carlos Dias (homenagem a Carlos Galhardo), o futuro comp\u00f3sito se inscreve como calouro no Programa C\u00e9sar de Alencar, atra\u00e7\u00e3o de maior prest\u00edgio da R\u00e1dio Nacional. No Rio, passa a frequentar a boate \u201cTudo Azul\u201d onde o pianista \u00e9 o poeta Ant\u00f4nio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (O Tom Jobim). Com ajuda da sua m\u00e3e, custeou a primeira produ\u00e7\u00e3o de um disco (bolacha) com seu vozeir\u00e3o ao estilo Orlando Silva.<\/p>\n<p>Depois disso consegue um lugar no programa Raps\u00f3dia 5, na R\u00e1dio Roquete Pinto, interpretando Francisco Alves. Em 1955 conquista o pr\u00eamio de melhor interprete com \u201cMenina\u201d num festival da TV Rio. Tempos depois, Carlos Lyra, seu primeiro parceiro musical, diria que Vandr\u00e9 come\u00e7ou a cantar m\u00fasica brasileira quando escolheu \u201cMenina\u201d.<\/p>\n<p>Sua primeira parceria musical foi com Carlos Lyra, em 1960, compondo com ele \u201cAruanda\u201d e depois \u201cQuem Quiser Encontrar o Amor\u201d. O mesmo diria depois que ficava impressionado como ele fazia a letra com tanta rapidez, s\u00f3 ouvindo a m\u00fasica. N\u00e3o demorou a se enturmar com o pessoal da Bossa Nova e fez com Baden Powell \u201cFim de Tristeza\u201d, \u201cNosso Amor\u201d, \u201cSamba de Mudar\u201d, \u201cSe a Tristeza Chegar\u201d e \u201cRosa Flor\u201d. Com Ala\u00edde Costa comp\u00f4s \u201cCan\u00e7\u00e3o do Amor Sem Fim\u201d.<\/p>\n<p>Em 1961 lan\u00e7a seu primeiro disco profissional \u201cQuem Quiser Encontrar o Amor\u201d e \u201cSonho de Amor e Paz\u201d. \u201cFica Mal com Deus\u201d, em 1962. Grava primeiro LP solo em 1964 com \u201cSamba em Prel\u00fadio\u201d, \u201cFica Mal com Deus\u201d, \u201cCan\u00e7\u00e3o Nordestina\u201d, \u201cNingu\u00e9m Pode Mais Sofrer\u201d e \u201cTristeza de Amar\u201d. Em 1965 \u201cHora de Lutar\u201d. No ano seguinte \u201c5 Anos de Can\u00e7\u00e3o\u201d; em 68 \u201cCanto Geral\u201d; e em 1973, quando ainda estava no ex\u00edlio, \u201cDas Terras de Benvir\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>O rei dos festivais praticamente participou de todos os eventos da M\u00fasica Popular Brasileira, como em 65 do primeiro Festival Nacional da MPB na TV Excelsior, interpretando Sonho de Carnaval, de Chico Buarque, e ainda concorreu com \u201cHora de Lutar\u201d. Venceu \u201cArrast\u00e3o\u201d, de Edu Lobo e Venicius. Em 66, no segundo Festival da mesma TV Excelsior, arranca o primeiro lugar com \u201cPorta Estandarte\u201d, em parceria com Fernando Lona.<\/p>\n<p>No Mesmo ano, no segundo Festival da Record (1\u00ba foi em 1960), \u201cDisparada\u201d com Theo Barros e a \u201cBanda\u201d, de Chico ficam em primeiro lugar (empate t\u00e9cnico). O terceiro Festival da Record, em 1967, tamb\u00e9m teve a presen\u00e7a de Vandr\u00e9 com \u201cVentania\u201d. As premiadas foram \u201cPonteio\u201d, de Edu Lobo, \u201cDomingo no Parque\u201d, Gil e \u201cRoda Viva\u201d, de Chico.<\/p>\n<p>Vandr\u00e9 tamb\u00e9m se fez presente nas principais FICs, realizadas entre 1966 a 1972. Na primeira, ele e seu parceiro Tuca ficaram em segundo lugar com \u201cO Cavaleiro\u201d. Seu maior destaque mesmo foi na 3\u00aa FIC, em 1968, com \u201cCaminhando\u201d. Em 1997 o Quinteto Violado lan\u00e7a o disco \u201cQuinteto Canta Vandr\u00e9. A apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 assinada pelo cr\u00edtico Mauro Dias que considera Vandr\u00e9 mais um messi\u00e2nico que revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Numa entrevista em 26 de outubro de 1968 ao rep\u00f3rter Carlos Cruz para \u201cO Cruzeiro\u201d, Vandr\u00e9 fala com lucidez sobre o papel do artista numa sociedade competitiva, mas na qual as pessoas almejam viver em liberdade. Enquanto isso, a m\u00eddia noticiava a apreens\u00e3o de \u201cCaminhando\u201d pelos agentes do DOPS.<\/p>\n<p>Toda obra de arte traz em si o protesto. Mesmo as de amor carecem de dizer alguma coisa \u2013 afirma Vandr\u00e9 ao rep\u00f3rter. Ressalta que a express\u00e3o de amor musical tem implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas a partir do momento que representa culturalmente um povo, mesmo no caso do amor individual, de cada um de n\u00f3s. \u201cArte s\u00f3 pode ser considerada como tal quando se envolve com a vida, entrega-se a ela\u201d.<\/p>\n<p>Reafirma que \u201cCaminhando\u201d n\u00e3o se trata de uma can\u00e7\u00e3o belicosa ou de guerra. \u201c\u00c9 de ang\u00fastia com o que vejo e gostaria que fosse diferente\u201d. Garante que a maior alegria que sua m\u00fasica lhe deu foi a sua identifica\u00e7\u00e3o com o povo. Sobre o verso que fala da fome em grandes planta\u00e7\u00f5es declarou: \u201cEu sei que a fome existe e isso me deixa muito triste. N\u00e3o sabe quem n\u00e3o quer saber ou quem se enriquece \u00e0 custa da fome dos outros. A indecis\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o do mundo inteiro, n\u00e3o s\u00f3 do Brasil. A juventude quer ir, mas n\u00e3o sabe pra onde\u201d.<\/p>\n<p>Apesar do seu g\u00eanio complicado, ele mant\u00e9m amizade com antigos parceiros como Ala\u00edde Costa, Carlos Lyra, Di Melo, Heraldo do Monte, Assis Angelo, T\u00e9o Azevedo, Darlan Ferreira e sua leal f\u00e3 dos tempos dos festivais, Tel\u00e9 Cardin.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rei dos festivais e poeta maior da can\u00e7\u00e3o nordestina que bebeu na fonte do cordelismo e at\u00e9 da Bossa Nova, n\u00e3o fazia camuflagens. Era direto com suas letras de protesto contra a ditadura militar. Entre colegas at\u00e9 instigava a sua derrubada. 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