{"id":1764,"date":"2016-09-09T00:24:52","date_gmt":"2016-09-09T03:24:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1764"},"modified":"2016-09-09T00:25:13","modified_gmt":"2016-09-09T03:25:13","slug":"por-uma-politica-cultural-propria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/09\/09\/por-uma-politica-cultural-propria\/","title":{"rendered":"POR UMA POL\u00cdTICA CULTURAL PR\u00d3PRIA"},"content":{"rendered":"<p>Antes de come\u00e7ar a falar sobre uma pol\u00edtica cultural conquistense, daria um pr\u00eamio de um milh\u00e3o de d\u00f3lares para quem descobrir na propaganda eleitoral onde est\u00e1 o terminal de passageiros do novo aeroporto de Vit\u00f3ria da Conquista, cujo processo de licita\u00e7\u00e3o est\u00e1 completando um ano e quatro meses para ser divulgado.<\/p>\n<p>Daria dois milh\u00f5es para quem acertar o m\u00eas e o ano de conclus\u00e3o da barragem de abastecimento de \u00e1gua da cidade e quando a educa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 prioridade de qualidade. Quando vai terminar a reforma do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, fechado h\u00e1 dois anos? Fiquei envergonhado quando uma pessoa em Juazeiro me perguntou como estava o nosso centro em termos de atividades art\u00edsticas.<\/p>\n<p>Bem, deixando de lado estas quest\u00f5es sempre pendentes e de grande import\u00e2ncia para o munic\u00edpio e regi\u00e3o, atrevo-me a tratar da nossa cultura que continua sendo capenga e um objeto decorativo dos governantes, mais para enfeitar a mesa do que para incentivar, preservar tradi\u00e7\u00f5es e disseminar conhecimento. N\u00e3o me refiro apenas \u00e0s festas juninas e natal\u00edcias, mas da cria\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica cultural pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Vou procurar ser objetivo e ir direto ao assunto. Como em Salvador e outros munic\u00edpios pelo Brasil, Conquista precisa ter tamb\u00e9m sua pr\u00f3pria lei de incentivo \u00e0 cultura que contemple todas as linguagens art\u00edsticas, como a m\u00fasica, o teatro, a dan\u00e7a, a literatura, as artes pl\u00e1sticas e as express\u00f5es populares diversas. O que temos hoje \u00e9 muito pouco.<\/p>\n<p>Falo de uma pol\u00edtica planejada com projetos estruturantes que disponibilizem recursos or\u00e7ament\u00e1rios pr\u00f3prios destinados \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o dos nossos eventos culturais, t\u00e3o carentes em Conquista, n\u00e3o dependendo t\u00e3o somente das verbas estaduais e federais. Junto com a C\u00e2mara, Salvador, por exemplo, conta com a Lei de Incentivo \u00e0 Cultura.<\/p>\n<p><!--more--> N\u00e3o sou especialista em legisla\u00e7\u00e3o, mas nos moldes do Fazcultura, da Lei Rouanet, Funda\u00e7\u00e3o Pedro Calmon e Greg\u00f3rio de Mattos, poder\u00edamos ter nosso fundo e nossos pr\u00f3prios instrumentos, trabalhando em parceria com o setor privado no levantamento de recursos suplementares, tornando o acesso dos fazedores e produtores locais da cultura bem menos burocr\u00e1tico na sele\u00e7\u00e3o de suas obras.<\/p>\n<p>Por que numa cidade como Conquista, a terceira maior do interior da Bahia, polo regional de mais de mais de 80 munic\u00edpios em seu entorno, com universidades e faculdades n\u00e3o existe uma feira liter\u00e1ria como a Flip, em Paraty, e a Flic de Cachoeira? N\u00e3o temos concursos de poemas, contos, romances e outras express\u00f5es culturais visando estimular e divulgar trabalhos de novos talentos?<\/p>\n<p>Numa cidade que n\u00e3o \u00e9 litor\u00e2nea, sem muita op\u00e7\u00e3o de lazer e entretenimento, Conquista \u00e9 carente de eventos culturais nos finais de semana. A n\u00e3o ser algumas realiza\u00e7\u00f5es pontuais, n\u00e3o existe uma programa\u00e7\u00e3o cultural mais intensa que atraia as crian\u00e7as, os jovens e adultos \u00e0 pr\u00e1tica e \u00e0 conviv\u00eancia das artes. N\u00e3o me refiro \u00e0 cultura de massa.<\/p>\n<p>Aqui, por exemplo, t\u00eam passado despercebidas as datas comemorativas ao livro, \u00e0 poesia, \u00e0 fotografia e a outras linguagens art\u00edsticas. Por que n\u00e3o recriar aqui os verdadeiros festivais da m\u00fasica popular das d\u00e9cadas de 60 e 70?\u00a0 Pelo seu tamanho e pela sua rica hist\u00f3ria, temos poucos museus em Conquista.<\/p>\n<p>S\u00f3 para citar um exemplo, certa feita comentei sobre a viabilidade de cria\u00e7\u00e3o do museu da imprensa do sudoeste onde seria memorizada toda trajet\u00f3ria dos jornais que aqui circularam. Hoje temos exemplares, equipamentos gr\u00e1ficos e redacionais em m\u00e3os de particulares que poderiam fazer parte deste museu.<\/p>\n<p>Temos uma universidade estadual, uma federal e um curso de Comunica\u00e7\u00e3o que poderiam contribuir e apoiar na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento para a comunidade a que est\u00e3o inseridos, tudo feito em parceria com estas institui\u00e7\u00f5es de ensino e empresas locais.<\/p>\n<p>Mesmo com o advento da internet e das redes sociais ainda existe espa\u00e7o para um jornal di\u00e1rio ou uma revista de cunho cultural. Neste setor, a cidade de Conquista, que poderia ser porta receptora para o turismo da Chapada Diamantina, n\u00e3o tem um roteiro de bares, restaurantes e locais atrativos para visitantes.<\/p>\n<p>Tem muito por fazer em Vit\u00f3ria da Conquista al\u00e9m das festas de S\u00e3o Jo\u00e3o, Natal no final de ano e do festival de massa que est\u00e1 mais para shows musicais de bandas e cantores. O povo de um modo geral tem sede de cultura e gosta de apreciar coisa boa e de qualidade. Para tanto, precisamos de uma pol\u00edtica cultural pr\u00f3pria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de come\u00e7ar a falar sobre uma pol\u00edtica cultural conquistense, daria um pr\u00eamio de um milh\u00e3o de d\u00f3lares para quem descobrir na propaganda eleitoral onde est\u00e1 o terminal de passageiros do novo aeroporto de Vit\u00f3ria da Conquista, cujo processo de licita\u00e7\u00e3o est\u00e1 completando um ano e quatro meses para ser divulgado. 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