{"id":1714,"date":"2016-08-19T22:58:23","date_gmt":"2016-08-20T01:58:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1714"},"modified":"2016-08-19T22:58:30","modified_gmt":"2016-08-20T01:58:30","slug":"notas-sobre-as-olimpiadas-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/08\/19\/notas-sobre-as-olimpiadas-ii\/","title":{"rendered":"NOTAS  SOBRE AS OLIMP\u00cdADAS &#8211; II"},"content":{"rendered":"<p>Jornalista Carlos Gonzalez<\/p>\n<ul>\n<li>Dois atletas baianos ganharam as primeiras medalhas de ouro para o Brasil nos Jogos Rio2016, o pugilista Robson Concei\u00e7\u00e3o e o cano\u00edsta Izaquias Queiroz, que tamb\u00e9m faturou um bronze. Ambos t\u00eam suas ra\u00edzes em comunidades pobres. Natural de Ubaitaba, no sul do estado, Izaquias perdeu um rim em consequ\u00eancia de uma queda. Robson \u00e9 o aut\u00eantico boxeador brasileiro, com uma baixa instru\u00e7\u00e3o. Empolgado com a conquista, hoje o \u00eddolo de Boa Vista de S\u00e3o Caetano n\u00e3o se separa da medalha um s\u00f3 instante. Exigiu festa, mocot\u00f3 no jantar e desfile em carro do Corpo de Bombeiros na chegada a Salvador. \u201cBaiano j\u00e1 faz festa, mesmo sem motivo\u201d, comentou o jornalista Ricardo Boechat, no jornal que apresenta na Bandnews.<\/li>\n<li><\/li>\n<li>O clima provocado pelos torcedores no Engenh\u00e3o durante a disputa final do salto com vara para homens foi comparado pelo atleta franc\u00eas e recordista mundial, Renaud Lavillenie, ao do est\u00e1dio ol\u00edmpico de Berlim, por ocasi\u00e3o dos Jogos de 1936. H\u00e1 80 anos, o negro norte-americano Jesse Owens conquistou, debaixo de vaias, quatro medalhas de ouro, derrubando com a concep\u00e7\u00e3o nazista da superioridade ariana, pregada por Adolf Hitler, que se recusou a apertar a m\u00e3o do vencedor. Os apupos nas competi\u00e7\u00f5es da Rio2016 t\u00eam sido uma t\u00f4nica, condenada pelo COI e pela imprensa internacional. Lavillenie atribuiu as manifesta\u00e7\u00f5es da torcida \u00e0 perda da medalha de ouro para o brasileiro Thiago Braz da Silva. O t\u00e9cnico franc\u00eas Philippe d\u2019 Encausse foi mais adiante, sugerindo que o paulista de Mar\u00edlia tinha feito um pacto com for\u00e7as sobrenaturais, m\u00edsticas, provavelmente do candombl\u00e9; que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds bizarro, que estava passando uma p\u00e9ssima imagem dos Jogos; e que a torcida se comportava\u00a0 como se estivesse num campo de futebol.<\/li>\n<li><\/li>\n<\/ul>\n<p><!--more-->O fato de ter sido ajudado pelos orix\u00e1s, como acreditou os franceses, Thiago Braz chegou a ser chamado de baiano. Abandonado pelos pais aos dois anos de idade, &#8211; \u201cj\u00e1 os perdoei\u201d &#8211; o recordista ol\u00edmpico do salto com vara nasceu em Mar\u00edlia, S\u00e3o Paulo, tentou o basquete e o futebol antes de ser incentivado pelo tio a praticar o atletismo, optando por uma modalidade das mais dif\u00edceis, o salto com vara. Thiago e Renaud estavam h\u00e1 algum tempo com as rela\u00e7\u00f5es estremecidas, que se agravaram na briga pelo ouro. O franc\u00eas voltou a ser vaiado na cerim\u00f4nia de premia\u00e7\u00e3o, chorando durante a execu\u00e7\u00e3o do hino nacional brasileiro. Coube a uma das lendas do esporte, o russo Sergei Bubka, a promover a paz entre ambos.<\/p>\n<p>O salto com vara continua em evid\u00eancia: sem a presen\u00e7a no Rio da musa russa, recordista mundial e bicampe\u00e3 ol\u00edmpica, Yelena Isinbayeva, era a oportunidade para que a brasileira Fabiana Murer ganhasse o ouro. Diante de milhares de torcedores, Fabiana \u201camarelou\u201d mais uma vez, n\u00e3o passando da fase de classifica\u00e7\u00e3o. Nos Jogos de Pequim 2008 ela se queixou da perda de sua vara preferida; em Londres 2012 foi o vento que atrapalhou. E no Rio, Fabiana? Agora, com que cara voc\u00ea vai encarar seus patrocinadores e torcedores?<\/p>\n<p>Convidado para assistir aos Jogos do Rio, o fundista et\u00edope Haile Gebrselassie, campe\u00e3o ol\u00edmpico nos 2.000 metros, em Atlanta 1996 e Sidney 2000, e nove vezes campe\u00e3o mundial, disse uma verdade: \u201cO Brasil n\u00e3o forma atletas de ponta em esportes individuais porque os garotos daqui s\u00f3 pensam em futebol; querem se tornar outro Neymar. Na Eti\u00f3pia e no Qu\u00eania, as crian\u00e7as, desde os tr\u00eas anos, vivem sempre correndo, raz\u00e3o pela qual os dois pa\u00edses t\u00eam produzido centenas de atletas especializados em maratonas e provas de fundo\u201d. Acrescentaria ao coment\u00e1rio de Haile: o brasileiro quando come\u00e7a a chutar uma bola pensa logo numa transfer\u00eancia para o exterior, onde d\u00f3lares e euros t\u00eam mais\u00a0 valor.<\/p>\n<p>\u201cMeu companheiro, meu amigo\u201d, referiu-se a amazona holandesa Adelinde Cornelissen ao cavalo Parzival, sua montaria nas competi\u00e7\u00f5es de hipismo desde as Olimp\u00edadas de Londres 2012, quando ganhou medalhas de prata e bronze. Picado por um inseto o animal adoeceu, mas foi liberado pelos veterin\u00e1rios para participar das provas de adestramento. Adelinde, no entanto, desistiu de montar para n\u00e3o prejudicar a sa\u00fade do seu \u201camigo\u201d.<\/p>\n<p>Uma hist\u00f3ria emocionante e de supera\u00e7\u00e3o protagonizou o velejador argentino Santiago Lange. Aos 54 anos competiu na sua quinta olimp\u00edada, conquistando o ouro na disputa da classe Nacra 17, ao lado de Cec\u00edlia Carranza Saroli, 29. Em setembro de 2015 ele teve que retirar parte de um pulm\u00e3o por causa de um c\u00e2ncer. A vit\u00f3ria foi efusivamente comemorada num trecho da Praia do Flamengo, no Rio, por dezenas de \u201chermanos\u201d, inclusive os filhos do campe\u00e3o, Klaus e Yago, que tamb\u00e9m fazem parte da equipe de vela argentina.<\/p>\n<p>Celeiro de mesa-tenistas, a China, nos \u00faltimos anos, tem \u201cexportado\u201d alguns dos seus melhores jogadores para diversos pa\u00edses, inclusive o Brasil. Muitos deles, naturalmente naturalizados, est\u00e3o no Rio competindo sob outras bandeiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalista Carlos Gonzalez Dois atletas baianos ganharam as primeiras medalhas de ouro para o Brasil nos Jogos Rio2016, o pugilista Robson Concei\u00e7\u00e3o e o cano\u00edsta Izaquias Queiroz, que tamb\u00e9m faturou um bronze. 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