{"id":1710,"date":"2016-08-19T00:17:37","date_gmt":"2016-08-19T03:17:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1710"},"modified":"2016-08-19T00:17:47","modified_gmt":"2016-08-19T03:17:47","slug":"os-maiores-pecados-das-olimpiadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/08\/19\/os-maiores-pecados-das-olimpiadas\/","title":{"rendered":"OS MAIORES PECADOS DAS OLIMP\u00cdADAS"},"content":{"rendered":"<p>De Jeremias Mac\u00e1rio e Carlos Gonzalez<\/p>\n<p>As competi\u00e7\u00f5es das olimp\u00edadas est\u00e3o chegando \u00e0 reta final e, mais uma vez, me atrevo aqui a apontar os maiores pecados do evento, mesmo sabendo que a grande maioria vai opinar que tudo foi muito lindo e maravilhoso. Para come\u00e7ar, daria nota zero para o comportamento da torcida brasileira que em muitas ocasi\u00f5es demonstrou total falta de educa\u00e7\u00e3o, vaiando em momentos em que o atleta precisaria (caso do franc\u00eas no pulo com vara) de concentra\u00e7\u00e3o para exibir sua modalidade.<\/p>\n<p>O franc\u00eas ficou chocado com o que viu e, no calor do momento deu uma declara\u00e7\u00e3o at\u00e9 infeliz comparando aquilo que viu com os jogos de 1936 na Alemanha nazista, mas numa coisa ele tem raz\u00e3o: Esse tipo de coisa passa uma imagem negativa do pa\u00eds. At\u00e9 a delega\u00e7\u00e3o argentina foi vaiada na abertura solene das Olimp\u00edadas. Os atletas da gin\u00e1stica, do t\u00eanis, da nata\u00e7\u00e3o e do atletismo ficaram sem entender a atitude dos torcedores. As arenas mais pareciam est\u00e1dios de futebol em final de campeonato.<\/p>\n<p>A m\u00eddia esportiva, caso das emissoras abertas de televis\u00e3o, especialmente a Globo, foi descompensada e esqueceu do jornalismo para fazer dramaturgia, como bem analisou o jornalista Ricardo Feltrin. Galv\u00e3o e sua equipe foram exagerados na espetaculariza\u00e7\u00e3o se limitando ao oba-oba nas entrevistas na base da \u201cemo\u00e7\u00e3o\u201d e da \u201csupera\u00e7\u00e3o\u201d. Alguns fatos negativos foram registrados de forma superficial. Nada sobre o legado dos elefantes brancos. Os outros canais apenas copiam. A cobertura esportiva continua longe do jornalismo e bem pr\u00f3xima do sensacionalismo. Os apresentadores parecem vampiros quando um atleta se destaca.<\/p>\n<p>Nas modalidades em que o Brasil esteve representado, o apresentador fez mais o papel de torcedor barulhento do que comentarista esportivo ou narrador. Confesso que fiquei horrorizado com a narra\u00e7\u00e3o de uma partida de handebol onde o cara (Escobar) gritava, berrava e mandava o jogador tomar a posi\u00e7\u00e3o mais adequada no campo, como lan\u00e7ar a bola e marcar. Nem o t\u00e9cnico ousou fazer aquele estardalha\u00e7o. Assim n\u00e3o d\u00e1 para assistir a uma competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para este artigo sobre as maiores falhas das Olimp\u00edadas Rio 2016, contamos com a prestimosa colabora\u00e7\u00e3o do companheiro jornalista Carlos Gonzalez que ficou durante todo o tempo de olho no que se passava nas disputas. Li um coment\u00e1rio do Ricardo Feltrin onde afirma que a cobertura esportiva \u00e9 um novo carnaval de textos piegas.<\/p>\n<p><!--more-->A \u00e1gua esverdeada nas piscinas onde o porta voz do COB (Comit\u00ea Ol\u00edmpico Brasileiro) culpou as chuvas e \u201cjustificou\u201d que a qu\u00edmica n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia exata, foi outro grande pecado vergonhoso na organiza\u00e7\u00e3o. As filas intermin\u00e1veis deixaram muita gente de fora com ingressos nas m\u00e3os. Nas competi\u00e7\u00f5es de gin\u00e1stica e nata\u00e7\u00e3o ficou bem evidente a regress\u00e3o dos atletas brasileiros, principalmente no nado nas piscinas, sempre nos \u00faltimos lugares. Sem essa de que a equipe \u00e9 jovem no entendimento da m\u00eddia descompensada.<\/p>\n<p>Que os norte-americanos s\u00e3o prepotentes e arrogantes j\u00e1 sabemos, mas n\u00e3o que s\u00e3o t\u00e3o mentirosos e farsantes ao ponto de inventarem um assalto, como fizeram os atletas da nata\u00e7\u00e3o. Foi feio, s\u00f3 que isso n\u00e3o anula o n\u00edvel de viol\u00eancia no Rio de Janeiro, tanto que a cidade foi tomada pelas for\u00e7as armadas e os atletas s\u00e3o orientados a n\u00e3o sa\u00edrem da Vila Ol\u00edmpica. N\u00e3o vamos ser hip\u00f3critas agora e jogar a sujeira para debaixo do tapete. \u00c8 um absurdo o assessor de Imprensa do Comit\u00ea, M\u00e1rio Andrade, afirmar que o Rio \u00e9 o local mais seguro do mundo. \u00c8 tamb\u00e9m uma grande mentira.<\/p>\n<p>Para outros coment\u00e1rios passo o bast\u00e3o para meu amigo jornalista Carlos Gonzalez, mais atento que eu aos deslumbres da festa:<\/p>\n<p>Diante da falta de transpar\u00eancia do Comit\u00ea Rio 2016, respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o da Olimp\u00edada, recusando-se a abrir seus gastos para o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, a ju\u00edza Marcia Maria Nunes de Barros determinou a suspens\u00e3o de repasses de verbas p\u00fablicas para o organismo, \u201cat\u00e9 que seja dada ampla publicidade e todas as receitas e despesas\u201d, fixando uma multa di\u00e1ria de R$ 100 mil caso a decis\u00e3o judicial n\u00e3o seja cumprida.<\/p>\n<p>A suspeita de caixa preta nos \u00f3rg\u00e3os diretamente vinculados ao esporte ol\u00edmpico, principalmente no COB, \u00e9 antiga, ficando mais evidente no Pan-Americano de 2007, no Rio. A prop\u00f3sito, o presidente Carlos Arthur Nuzman, o vital\u00edcio no cargo, sumiu depois do discurso, carregado de ufanismo, pronunciado na abertura dos Jogos.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p>Alegando falta de verbas, o Comit\u00ea Rio 2016 j\u00e1 adiantou que as Paraolimp\u00edadas, marcadas para o per\u00edodo de 7 a 18 de setembro, ter\u00e3o uma estrutura modesta. Milhares de contratados e volunt\u00e1rios ser\u00e3o mandados pra casa. A venda de ingressos est\u00e1 aqu\u00e9m do previsto. Vale salientar que a Procuradoria do Minist\u00e9rio do Trabalho est\u00e1 investigando as condi\u00e7\u00f5es de trabalho na Rio 2016. Estudantes das escolas municipais ser\u00e3o retirados das salas de aula para preencher os lugares vazios nos locais das competi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Michel Phelps, 31 anos, maior atleta ol\u00edmpico de todos os tempos, despediu-se do esporte que lhe deu em quatro Olimp\u00edadas 28 medalhas (23 de ouro, duas de prata de duas de bronze). Pouca gente sabe que esse fen\u00f4meno da nata\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s os Jogos de Londres 2012, foi preso duas vezes dirigindo embriagado; usou drogas e entrou em depress\u00e3o.\u00a0 Ap\u00f3s um per\u00edodo de recupera\u00e7\u00e3o numa cl\u00ednica especializada, esse norte-americano de Maryland voltou \u00e0s piscinas, sendo hoje considerado, ao lado do velocista jamaicano Usain Bolt, como o maior nome dos Jogos do Rio.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>Se Michel Phelps contribuiu para manter os Estados Unidos em primeiro lugar no ranking das Olimp\u00edadas, com mil medalhas, o Brasil, que almeja tornar-se uma pot\u00eancia ol\u00edmpica, est\u00e1 acima da trig\u00e9sima posi\u00e7\u00e3o, com 120 medalhas (25 de ouro, 33 de prata e 62 de bronze). Cuba, uma pequena ilha no Caribe, figura em 22\u00ba lugar, com 219 medalhas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p>R$ 140 milh\u00f5es foi quanto os Correios investiram na nata\u00e7\u00e3o brasileira para os Jogos do Rio 2016. Resultado: zero. Nem um s\u00f3 nadador brasileiro subiu ao p\u00f3dio. \u201cEstou feliz\u00e3o, fiquei em sexto\u201d, ironizou o nadador brasileiro Bruno Fratus ao sair da piscina, quando entrevistado por uma TV. Interessante \u00e9 que a empresa, que j\u00e1 foi modelo de empreendimento no Brasil, depois que passou a ser administrada por pol\u00edticos &#8211; \u00e9 um feudo do PDT \u2013 trabalha no vermelho. O Postalis, o fundo de pens\u00e3o dos funcion\u00e1rios, est\u00e1 com um rombo de R$ 1,2 bi, que ser\u00e1 pago em 23 anos por carteiros.<\/p>\n<p>O ex-campe\u00e3o mundial de boxe, o baiano Acelino \u201cPop\u00f3\u201d Freitas, comentando o torneio de pugilismo dos Jogos para uma TV, reclamou que os ju\u00edzes est\u00e3o beneficiando alguns pa\u00edses. Imaginou-se que Pop\u00f3 estaria se referindo a na\u00e7\u00f5es consideradas pot\u00eancias esportivas. Errado. Ele citou os quase desconhecidos pa\u00edses asi\u00e1ticos, Cazaquist\u00e3o e Uzbequist\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p>A piscina de saltos ornamentais, polo aqu\u00e1tico e nado sincronizado recebeu o apelido de \u201cp\u00e2ntano\u201d pelos atletas, que se queixaram de ard\u00eancia nos olhos devido a qualidade da \u00e1gua, que tomou uma cor verde, resultado da adi\u00e7\u00e3o de 80 litros de per\u00f3xido de hidrog\u00eanio, neutralizante do cloro. A organiza\u00e7\u00e3o dos Jogos pediu cinco dias para resolver o problema e culpou uma empresa terceirizada.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>Foi mais f\u00e1cil encontrar um atleta das Ilhas Cayman nas arenas esportivas da Rio 2016 do que um brasileiro. Nossos representantes transformaram em pesadelo o sonho dos dirigentes do COB, de colocar o Brasil entre os 10 primeiros do ranking dos Jogos. Os comentaristas da Globo, emissora oficial, t\u00eam sempre na ponta da l\u00edngua uma desculpa para as derrotas. As \u201cjustificativas\u201d s\u00e3o sempre fen\u00f4menos naturais e at\u00e9 conspira\u00e7\u00f5es do al\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p>\u201cCala a boca, Galv\u00e3o\u201d, repreendeu em ingl\u00eas um narrador da BBC de Londres ao seu colega Galv\u00e3o Bueno, durante uma prova de nata\u00e7\u00e3o, cuja ordem de largada foi interrompida pela ju\u00edza, enquanto aguardava que Galv\u00e3o fizesse sil\u00eancio, acompanhando os milhares de espectadores presentes ao Parque Aqu\u00e1tico Maria Lenk.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>A tecnologia tem dirimido d\u00favidas e alterado resultados em competi\u00e7\u00f5es de v\u00f4lei, h\u00f3quei sobre grama, t\u00eanis, atletismo e outros esportes. O futebol, no caso, a FIFA, continua ignorando a modernidade.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p>Em 2008, o pequeno cingaporeano Joseph Schooling, com 13 anos, aluno de um curso de nata\u00e7\u00e3o, teve a felicidade de tirar uma foto com o j\u00e1 consagrado Michel Phelps. Oito anos depois, na Rio 2016, ele vence o\u00a0 norte-americano na prova dos 100 metros mariposa. Al\u00e9m dos elogios que recebeu do seu \u00eddolo de inf\u00e2ncia, o detentor da \u00fanica medalha de ouro de Cingapura vai ganhar 670 mil euros, o correspondente a R$2,5 milh\u00f5es do governo do seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Jeremias Mac\u00e1rio e Carlos Gonzalez As competi\u00e7\u00f5es das olimp\u00edadas est\u00e3o chegando \u00e0 reta final e, mais uma vez, me atrevo aqui a apontar os maiores pecados do evento, mesmo sabendo que a grande maioria vai opinar que tudo foi muito lindo e maravilhoso. Para come\u00e7ar, daria nota zero para o comportamento da torcida brasileira [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1710"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1710"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1710\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1711,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1710\/revisions\/1711"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}