{"id":1694,"date":"2016-08-07T20:29:10","date_gmt":"2016-08-07T23:29:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1694"},"modified":"2016-08-07T20:29:24","modified_gmt":"2016-08-07T23:29:24","slug":"palavras-cruzadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/08\/07\/palavras-cruzadas\/","title":{"rendered":"&#8220;PALAVRAS CRUZADAS&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Uma hist\u00f3ria real \u201cde algum lugar das selvas da Amaz\u00f4nia\u201d com boas pitadas de fic\u00e7\u00e3o e uma linguagem seca e concisa de frases curtas. Assim acontece o desaparecimento de um guerrilheiro do Araguaia na obra \u201cPalavras Cruzadas\u201d, da escritora Guiomar de Grammont.<\/p>\n<p>A realidade romanceada se passa durante o regime militar brasileiro atrav\u00e9s de documentos e livros como \u201cOpera\u00e7\u00e3o Araguaia \u2013 os arquivos secretos da guerrilha\u201d, dos autores Tais Morais e Eumano Silva.<\/p>\n<p>Como bem comentou o jornalista e escritor Laurentino Gomes, \u201co enredo trata da luta da jornalista Sofia em busca do paradeiro do irm\u00e3o Leonardo desaparecido nas selvas do Araguaia\u201d&#8230; Em sua observa\u00e7\u00e3o sobre os desvios de mem\u00f3ria do Brasil, Laurentino diz que, ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses vizinhos, o nosso tem demonstrado enorme dificuldade em esclarecer os casos de tortura, pris\u00f5es e assassinatos da \u00e9poca da ditadura.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/PRA\u00c7AS-E-ESTRADAS-022.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1695\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/PRA\u00c7AS-E-ESTRADAS-022.jpg\" alt=\"PRA\u00c7AS E ESTRADAS 022\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/PRA\u00c7AS-E-ESTRADAS-022.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/PRA\u00c7AS-E-ESTRADAS-022-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Sobre a quest\u00e3o, ele cita reflex\u00f5es do fil\u00f3sofo franc\u00eas Paul Ricoeur de que o esquecimento imposto pela anistia induz a uma esp\u00e9cie de amn\u00e9sia coletiva que impede a revis\u00e3o do passado. Destaca que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds que por medo das verdades escondidas no passado tenta cicatrizar \u00e0 for\u00e7a feridas ainda recentes.<\/p>\n<p>O tema sobre a Guerrilha do Araguaia \u00e9 impactante e at\u00e9 irracional entre as ambas as partes, mas a autora do livro faz uma narrativa po\u00e9tica e tel\u00farica do local, ao ponto de prender o leitor que termina se adentrando pela selva ao lado dos combatentes.<\/p>\n<p>Ela coloca voc\u00ea para conhecer aquela gente humilde; participar dos treinamentos; e ensina como conviver com a floresta e dela tirar o sustento para sobreviver, principalmente, nas lutas e nas fugas.<\/p>\n<p>O di\u00e1rio do guerrilheiro em fuga se cruza com o da sua amada que ficou gr\u00e1vida na selva no desenrolar da leitura dos relatos da jornalista Sofia que luta desesperadamente para encontrar seu irm\u00e3o desaparecido. O personagem em fuga ensina como encontrar jabutis depois de uma chuva. Eles aparecem debaixo de um cajueiro. A vida requer per\u00edcias, como ca\u00e7ar macacos para fazer uma refei\u00e7\u00e3o, sem o cozimento.<\/p>\n<p>Sobre os vaga-lumes, era como se as estrelas descessem para brincar conosco \u2013 narra o guerrilheiro, lembrando da sua amada. \u201cDormi repisando na mem\u00f3ria a can\u00e7\u00e3o do Guerrilheiro do Araguaia\u201d.<\/p>\n<p>Pela floresta Amaz\u00f4nica voc\u00ea vai entrando em contato com seus moradores, como o jacu, o p\u00e9 de cupua\u00e7u, os ovos de azul\u00e3o, o palmito, o a\u00e7a\u00ed, os p\u00e9s de cacau, o carumb\u00e9, o sucuri, a anta, o veado, a nhambu e ainda aprende a fazer picadas nas matas com o fac\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando o di\u00e1rio do guerrilheiro se encontra com o da guerrilheira amada, o leitor vai percebendo tratar-se do irm\u00e3o e cunhada da jornalista Sofia. A procura \u00e9 desesperada para desvendar a verdadeira linha da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>A obra \u00e9 envolvente at\u00e9 o seu final quando Sofia se depara com a verdade e sua fam\u00edlia entra em conflito existencial de ter que conviver com a realidade m\u00f3rbida de n\u00e3o puder fazer o enterro do seu ente querido. O ritual da morte n\u00e3o \u00e9 consumado.<\/p>\n<p>\u201cImagino te encontrar vagando no escuro dos metr\u00f4s, esfomeado e sem emprego. Sem documentos, em algum pa\u00eds onde ser\u00e1 sempre estrangeiro. Errante, com medo de voltar e n\u00e3o encontrar o que deixou. Abro a porta do quarto, uma lufada de vento varre o aposento eternamente arrumado para sua chegada\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e3o vis\u00f5es constantes de uma fam\u00edlia de um morto desaparecido, como em Ant\u00edgona, de S\u00f3focles: \u201cSeu irm\u00e3o jazia insepulto; ela n\u00e3o quis que ele fosse espeda\u00e7ado pelos c\u00e3es famintos ou pelas aves carniceiras\u201d, cita\u00e7\u00e3o da abertura do livro \u201cPalavras Cruzadas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma hist\u00f3ria real \u201cde algum lugar das selvas da Amaz\u00f4nia\u201d com boas pitadas de fic\u00e7\u00e3o e uma linguagem seca e concisa de frases curtas. Assim acontece o desaparecimento de um guerrilheiro do Araguaia na obra \u201cPalavras Cruzadas\u201d, da escritora Guiomar de Grammont. 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