{"id":1689,"date":"2016-08-03T22:47:31","date_gmt":"2016-08-04T01:47:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1689"},"modified":"2016-08-03T22:47:39","modified_gmt":"2016-08-04T01:47:39","slug":"uma-olimpiada-de-incertezas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/08\/03\/uma-olimpiada-de-incertezas\/","title":{"rendered":"UMA OLIMP\u00cdADA DE INCERTEZAS"},"content":{"rendered":"<p>Carlos Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista<\/p>\n<p>\u201cO Brasil vive um momento m\u00e1gico, com uma economia pujante. Damos todas as garantias poss\u00edveis para os Jogos. Aprendemos a cumprir nossos compromissos, porque precisamos mostrar ao mundo que o Brasil se tornou uma na\u00e7\u00e3o desenvolvida\u201d. Essas palavras foram ditas, com um entusiasmo incontido, pelo ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, em Copenhague, na Dinamarca, no dia 2 de outubro de 2009, ap\u00f3s o Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional (COI) ter anunciado a escolha do Rio de Janeiro como sede dos XXXI Jogos Ol\u00edmpicos da Era Moderna.<\/p>\n<p>Quase nove anos depois o mundo ol\u00edmpico encara os Jogos que ser\u00e3o disputados este m\u00eas com um misto de incertezas e preocupa\u00e7\u00f5es. O Brasil vive uma crise econ\u00f4mica, pol\u00edtica e social sem precedentes, obrigando o COI e suas federa\u00e7\u00f5es filiadas a mudar os seus planos, inclusive em rela\u00e7\u00e3o ao futuro, a fim de n\u00e3o cometer o erro de 2009, quando indicaram o Rio, em detrimento de Madrid, T\u00f3quio e Chicago.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds com dois presidentes, com o processo de impeachment de um deles em tramita\u00e7\u00e3o no Senado; pol\u00edticos, empres\u00e1rios e governantes citados diariamente pela imprensa, acusados de corrup\u00e7\u00e3o em opera\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio P\u00fablico, Pol\u00edcia Federal e Judici\u00e1rio; casos de doen\u00e7as como a zika e a dengue, que levaram muitos atletas a n\u00e3o vir ao Brasil; den\u00fancias de desvio de recursos destinados \u00e0 constru\u00e7\u00e3o dos equipamentos esportivos e \u00e0s obras de mobiliza\u00e7\u00e3o urbana; ingressos para as competi\u00e7\u00f5es encalhados devido aos altos pre\u00e7os; as popula\u00e7\u00f5es mais pobres protestando contra os bilh\u00f5es gastos no Rio, exigindo escolas, sa\u00fade e seguran\u00e7a, em v\u00e1rias cidades por onde passou a tocha ol\u00edmpica.<\/p>\n<p><!--more-->Em resumo: a pauta da imprensa nacional e internacional, com exce\u00e7\u00e3o da Globo, que det\u00e9m os direitos de transmiss\u00e3o do evento, direcionada para a Rio 2016, \u00e9 preenchida pelo zika v\u00edrus, a crise financeira, instabilidade pol\u00edtica, d\u00favidas sobre a seguran\u00e7a, polui\u00e7\u00e3o da Ba\u00eda da Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas, atrasos em obras e corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Receando que a imagem do COI fique manchada depois da Rio 2016, como se deu com a FIFA ap\u00f3s a Copa do Mundo de 2014, o seu presidente, o alem\u00e3o Thomas Bach pediu que a comunidade ol\u00edmpica internacional abra m\u00e3o das exig\u00eancias e desembarque no Rio com esp\u00edrito esportivo, alertando que o evento n\u00e3o ter\u00e1 o mesmo brilho dos Jogos de 2008 e 2012, realizados, respectivamente, em Pequim e Londres.<\/p>\n<p>Os dirigentes ouviram o recado, mas alguns n\u00e3o deixaram de responsabilizar o COI por ter tomado em 2009 uma decis\u00e3o pol\u00edtica. \u201cO Rio tinha uma das candidaturas mais fracas, mas ficou com os Jogos. O Brasil deveria se concentrar em resolver seus problemas sociais e combater a corrup\u00e7\u00e3o. A Olimp\u00edada n\u00e3o vai ajudar\u201d, escreveu o colunista alem\u00e3o Jens Weinreich.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros s\u00e3o question\u00e1veis, com0 tamb\u00e9m s\u00e3o discut\u00edveis at\u00e9 hoje os relativos ao Mundial de 2014. Fala-se em 400 a 500 milh\u00f5es de reais o rombo que ser\u00e1 deixado pela Rio 2016. O Comit\u00ea Organizador tentou um al\u00edvio esta semana junto \u00e0 Petrobras, estabelecendo uma ajuda extra de R$ 70 milh\u00f5es, transformados em combust\u00edvel para abastecer os 4 mil ve\u00edculos que servem aos Jogos. A empresa petrol\u00edfera negou, alegando, por motivos que s\u00e3o do conhecimento de todo brasileiro, que um mendigo n\u00e3o deve pedir esmola a outro mendigo.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, al\u00e9m da Petrobras, empresas e bancos estatais t\u00eam dado uma enorme colabora\u00e7\u00e3o financeira ao esporte brasileiro. Da rela\u00e7\u00e3o constam o Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econ\u00f4mica, Correios, Banco Nacional do Desenvolvimento Econ\u00f4mico, Infraero e Eletrobr\u00e1s. Algumas dessas estatais est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de insolv\u00eancia, como os Correios, que, num passado recente, figurava numa lista das empresas com maior credibilidade no pa\u00eds. Atualmente, nas m\u00e3os dos pol\u00edticos \u2013 \u00e9 um feudo do PDT-, est\u00e1 sufocada por uma s\u00e9rie de esc\u00e2ndalos financeiros, sendo o maior deles o rombo do Postalis, o plano de previd\u00eancia privada dos seus funcion\u00e1rios, avaliado em R$ 6 bilh\u00f5es, que deve ser coberto pelos carteiros e demais ecetistas.<\/p>\n<p>Concluindo, gostaria de registrar uma medida tomada pelos japoneses, que v\u00e3o sediar os Jogos de 2020. Atendendo a um clamor popular, o governo reduziu de 252 bilh\u00f5es de ienes (R$ 7,44 bilh\u00f5es) para 155 bilh\u00f5es de ienes (R$ 4,57 bilh\u00f5es) o custo do principal est\u00e1dio que ser\u00e1 constru\u00eddo em T\u00f3quio para a XXXII Olimp\u00edada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Gonz\u00e1lez &#8211; jornalista \u201cO Brasil vive um momento m\u00e1gico, com uma economia pujante. Damos todas as garantias poss\u00edveis para os Jogos. Aprendemos a cumprir nossos compromissos, porque precisamos mostrar ao mundo que o Brasil se tornou uma na\u00e7\u00e3o desenvolvida\u201d. 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