{"id":1616,"date":"2016-06-23T00:37:12","date_gmt":"2016-06-23T03:37:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1616"},"modified":"2016-06-23T00:39:01","modified_gmt":"2016-06-23T03:39:01","slug":"jiboeirices-aspectos-sociologicos-e-folcloricos-do-sudoeste-baiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/06\/23\/jiboeirices-aspectos-sociologicos-e-folcloricos-do-sudoeste-baiano\/","title":{"rendered":"JIBOEIRICES &#8211; ASPECTOS SOCIOL\u00d3GICOS E FOLCL\u00d3RICOS DO SUDOESTE BAIANO"},"content":{"rendered":"<p>Com uma impress\u00e3o de qualidade e bom para se ler pela sua linguagem simples e acess\u00edvel, o livro \u201cJiboeirices-Aspectos Sociol\u00f3gicos e Folcl\u00f3ricos do Sudoeste Baiano\u201d, do m\u00e9dico Ernane N.A. Gusm\u00e3o, lan\u00e7ado recentemente em Vit\u00f3ria da Conquista, merece uma corre\u00e7\u00e3o atualizada quanto ao Pico das Almas (Rio de Contas) com 1850 metros, citado como o ponto mais alto da Bahia.<\/p>\n<p>Pelos novos estudos geogr\u00e1ficos, a serra do Barbado, em Piat\u00e3, passou a ser o maior relevo do estado. Como sacis escondidos numa imensa floresta que sempre est\u00e3o a nos enganar, assim s\u00e3o as palavras que escapam \u00e0 revis\u00e3o ortogr\u00e1fica numa obra liter\u00e1ria e aparecem quando bem entendem, sempre depois de impressa para o leitor.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/JIBOEIRICES-E-A-ON\u00c7A-001.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-1617\" src=\"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/JIBOEIRICES-E-A-ON\u00c7A-001.jpg\" alt=\"JIBOEIRICES E A ON\u00c7A 001\" width=\"550\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/JIBOEIRICES-E-A-ON\u00c7A-001.jpg 550w, https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/JIBOEIRICES-E-A-ON\u00c7A-001-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No mais, Ernane, nascido em Pedra Azul (MG), mas filho de jiboeiros da gema, da Jiboia da Serra do Ma\u00e7al (Mundo Novo), mesmo se arriscando em divulgar em seu trabalho n\u00fameros e dados estat\u00edsticos dos aspectos geogr\u00e1ficos e demogr\u00e1ficos que naturalmente com o tempo ficam desatualizados, situa muito bem o leitor dentro da regi\u00e3o sudoeste onde Vit\u00f3ria da Conquista \u00e9 o polo de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Poderia ter sido mais sucinto na sua contextualiza\u00e7\u00e3o sudoestina ao descrever sobre os jiboeiros e as jiboeirices, mat\u00e9rias-primas da sua obra, mas preferiu, com todo seu perfeccionismo, alargar os conhecimentos entrando em detalhes sobre a forma\u00e7\u00e3o, origens e toda hist\u00f3ria de uma regi\u00e3o, se bem que muitos costumes, h\u00e1bitos e denomina\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o apenas espec\u00edficos do sudoeste.<\/p>\n<p>O autor procurou penetrar com profundidade no Sert\u00e3o da Ressaca para localizar a na\u00e7\u00e3o jiboeira com suas peculiaridades a partir de Vit\u00f3ria da Conquista, situada a 940 metros do n\u00edvel do mar. Em \u201cAspectos Geogr\u00e1ficos\u201d ele cita cidades e microrregi\u00f5es de altitudes diferentes, como Jequi\u00e9 com 216 metros, que fazem parte do sudoeste. J\u00e1 no Planalto da Conquista, as altitudes variam de 700 a mil metros.<\/p>\n<p><!--more--> A obra de Ernane tem cunho bem instrutivo, principalmente para estudantes e interessados no assunto. No cap\u00edtulo \u201cHist\u00f3ria e Civiliza\u00e7\u00e3o\u201d ele faz uma caminhada desde 1534 (D. Jo\u00e3o III de Portugal) para falar das capitanias heredit\u00e1rias e dos governadores gerais.<\/p>\n<p>S\u00e3o interessantes os relatos das viagens do pr\u00edncipe Maximiliano, do zo\u00f3logo Spix e do bot\u00f4nico Von Martius (alem\u00e3es) pela Bahia entre os anos de 1816 a 1820. O primeiro partiu do Esp\u00edrito Santo, adentrou pelo sul litor\u00e2neo da Bahia, passando por Vit\u00f3ria da Conquista onde visitou o fundador da cidade Jo\u00e3o Gon\u00e7alves da Costa e depois seguiu para Salvador cortando o Vale do Jequiri\u00e7\u00e1.<\/p>\n<p>Spix e Martius percorreram a rota do sudoeste-leste, de Malhada para Salvador. Os dois fizeram um relato sobre a Vila de Caetit\u00e9 destacando como um dos lugares mais ricos do sert\u00e3o da Bahia. Estiveram tamb\u00e9m em Brumado, Livramento, Rio de Contas, Sincor\u00e1 e Marac\u00e1s.<\/p>\n<p>Em \u201cAspectos Demogr\u00e1ficos\u201d, Ernane Gusm\u00e3o descreve sobre a cria\u00e7\u00e3o de cada munic\u00edpio da regi\u00e3o, os potenciais econ\u00f4micos, liga\u00e7\u00f5es com a comarca de Jacobina, e aponta Vit\u00f3ria da Conquista que de arraial se transformou em Rainha do Sudoeste.<\/p>\n<p>Com n\u00fameros e dados estat\u00edsticos, sua obra pode ser muito bem utilizada em pesquisas nas escolas e centros de estudos. Ap\u00f3s este lado \u201cpesado\u201d, o livro se torna mais ainda prazeroso de ser ler a partir da Sec\u00e7\u00e3o II em que fala dos tipos humanos da regi\u00e3o, se bem que muitos deles encontrados em outros territ\u00f3rios da Bahia e, principalmente, do Nordeste.<\/p>\n<p>O Coronel, o Vaqueiro, o Tabar\u00e9u, o Citadino, o Fazendeiro, o Cavaleiro, o Pe\u00e3o Montador, a Mulher Sudoestina, entre outras personagens s\u00e3o dessecadas pelo autor com muita propriedade de quem viveu no interior. Ele tamb\u00e9m mostra seu lado po\u00e9tico \u201cEm Festa de Vaqueiro\u201d.<\/p>\n<p>S\u00f3 na Sec\u00e7\u00e3o III Ernane passa a focar o ser Jiboeiro, mat\u00e9ria-prima do seu livro, contando hist\u00f3rias e est\u00f3ria de seus ascendentes e descendentes, amigos e familiares. O poema \u201cConto ao Jiboeiro\u201d, de sua autoria, faz um retrato sobre o povoado da Jiboia, origens e caracter\u00edsticas dos jiboeiros.<\/p>\n<p>Aspectos Folcl\u00f3ricos com Cantigas e Quadras, Brincadeiras e Jogos Infantis, Os Animais nos Esportes, A Culin\u00e1ria Sudoestina e Fraseologia Popular encerram o livro com um pacote de curiosidades para o leitor. N\u00e3o foi textualizado pelo autor do trabalho, mas para mim que li a obra, ficou a impress\u00e3o de que o Jiboeiro tem sangue cigano.<\/p>\n<p>Gostei tamb\u00e9m da bela ilustra\u00e7\u00e3o da capa feita por Marisa Fernandes Correia onde foi projetada a figura de uma jiboia com face humana e paramentada com pe\u00e7as usadas pelos jiboeiros que gostam de criar cavalos. No desenho est\u00e1 tamb\u00e9m a presen\u00e7a do coronel da regi\u00e3o (a jiboia com arma na cintura) e uma gaiola na ponta da cauda, um demonstrativo da tradi\u00e7\u00e3o de se criar passarinhos em gaiolas como se fazia em tempos passados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com uma impress\u00e3o de qualidade e bom para se ler pela sua linguagem simples e acess\u00edvel, o livro \u201cJiboeirices-Aspectos Sociol\u00f3gicos e Folcl\u00f3ricos do Sudoeste Baiano\u201d, do m\u00e9dico Ernane N.A. 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