{"id":1524,"date":"2016-05-13T23:05:28","date_gmt":"2016-05-14T02:05:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1524"},"modified":"2016-05-13T23:06:10","modified_gmt":"2016-05-14T02:06:10","slug":"goroba-historias-e-causosh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/05\/13\/goroba-historias-e-causosh\/","title":{"rendered":"GOROBA &#8211; hist\u00f3rias e causos"},"content":{"rendered":"<p>O livro \u201cGoroba Contos\u201d, do jornalista e escritor Carlos Navarro Filho me fez lembrar dos tempos de menino quando passei na ro\u00e7a trabalhando com meu pai em conv\u00edvio com os sertanejos que, de forma simples e brejeira,\u00a0 t\u00eam seu linguajar peculiar, cren\u00e7as e costumes pr\u00f3prios dos homens que lidam na terra.<\/p>\n<p>\u00c9 isso que Carlos Navarro, que lan\u00e7ou tamb\u00e9m sua obra aqui em Vit\u00f3ria da Conquista, retrata nos seus 18 contos que, numa linguagem simples e clara, pr\u00f3pria do jornalismo, contam hist\u00f3rias e causos do interior e dos seus companheiros que se reuniam depois da labuta das reda\u00e7\u00f5es de suas mat\u00e9rias jornal\u00edsticas para jogar conversa fora.<\/p>\n<p>O prefaciador da obra, D\u00e9lio Pinheiro, diz que as narrativas s\u00e3o recria\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias de cenas singulares que o autor colheu na vida real. Digo mais ainda que s\u00e3o mistura gostosa de realidade com a fic\u00e7\u00e3o. \u00c9 o real fant\u00e1stico que sai dos espa\u00e7os hist\u00f3ricos de Salvador e de v\u00e1rias cidades do interior, especialmente de Alagoinhas onde Navarro viveu.<\/p>\n<p><!--more-->\u00a0Da sua confraria de bo\u00eamios-jornalistas, como Jadson Oliveira, Pedro (B\u00f3) Formigli, Jorge Ramos, Paolo Marconi, Escariz, Biaggio Talento, Selene Brasil, Adilson Ramos e Agliberto Lima, o escritor extraiu (deles) o sumo precioso para fazer sua literatura em tom de goza\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo melodram\u00e1tica.<\/p>\n<p>Dos 18 contos destaco, entre outros, \u201cBoquira e o Padre Muito Sabido\u201d, cujo personagem Naz\u00e1rio engabelou, como fazem os pol\u00edticos atuais, o povo simples da cidade para passar para seu nome uma terra (Morro do Pelado) rica de um mineral raro e depois vender para os gringos no exterior.<\/p>\n<p>Nesse conto, Navarro descreve, com precis\u00e3o, o caboclo do mato que anda de pracatas de verdureiro, tr\u00eas tiras de vaqueta e solas de pneu que exp\u00f5em unhas retorcidas e pretas nos p\u00e9s rachados. \u201cApaga a lamparina de \u00f3leo de mamona e recosta em dois travesseiros de pena de galinha\u201d.<\/p>\n<p>A narra\u00e7\u00e3o diz tudo sobre objetos usados pelo homem do campo para sobreviver. Eu mesmo usei muita lamparina de mamona \u00e0 noite, preparada pela minha saudosa m\u00e3e. No mesmo conto, o autor fala do caboclo Cod\u00f3 que, sem pressa, sai num jumento selado, um matol\u00e3o com carne de veado moqueada, rapadura, farinha e pimenta, um embornal de milho para o animal.<\/p>\n<p>No conto 13, Navarro descreve as perip\u00e9cias e artes do seu irm\u00e3o bo\u00eamio \u201cGoroba\u201d, um desprendido das coisas materiais que viveu e curtiu suas farras em Salvador e cidades do interior. A maior parte dos seus causos foi inspirada em personagens reais e folcl\u00f3ricas do interior. Delas, soube, como bom rep\u00f3rter, observar o cotidiano da vida, seus comportamentos e atitudes.<\/p>\n<p>S\u00e3o contos prazerosos para se ler em qualquer lugar e ambiente, como Nambu e Zabel\u00ea, A Morte do Gato, Derrubando a Ditadura, Chico, o pensador do Porto do Moreira, Favila, o rei da Coreia, Brasilino, o revolucion\u00e1rio e Ro\u00eddo, os quais fazem voc\u00ea rir e pensar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O livro \u201cGoroba Contos\u201d, do jornalista e escritor Carlos Navarro Filho me fez lembrar dos tempos de menino quando passei na ro\u00e7a trabalhando com meu pai em conv\u00edvio com os sertanejos que, de forma simples e brejeira,\u00a0 t\u00eam seu linguajar peculiar, cren\u00e7as e costumes pr\u00f3prios dos homens que lidam na terra. \u00c9 isso que Carlos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1524"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1524"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1524\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1526,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1524\/revisions\/1526"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1524"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1524"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1524"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}