{"id":1515,"date":"2016-05-04T22:23:24","date_gmt":"2016-05-05T01:23:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1515"},"modified":"2016-05-04T22:23:32","modified_gmt":"2016-05-05T01:23:32","slug":"as-faces-das-desigualdades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/05\/04\/as-faces-das-desigualdades\/","title":{"rendered":"AS FACES DAS DESIGUALDADES"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds visceralmente desigual, de uma humilha\u00e7\u00e3o de doer at\u00e9 mesmo ao mais empedernido cora\u00e7\u00e3o. Duas cenas mais recentes, em Vit\u00f3ria da Conquista, s\u00f3 para localizar a situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 geral em todo territ\u00f3rio brasileiro, nos d\u00e3o a dimens\u00e3o da total exclus\u00e3o social.<\/p>\n<p>Nesta semana transitava numa das ruas do centro da cidade e vi idosos, gestantes, senhoras e senhores bem vestidos com suas crian\u00e7as entrando calmamente numa cl\u00ednica particular de vacina\u00e7\u00e3o. Muitos por ali ainda estavam estacionando seus carros de luxo com o mesmo intuito de tomar a vacina paga contra a gripe H1N1.<\/p>\n<p>No outro quarteir\u00e3o, numa dist\u00e2ncia de 300 a 500 metros, passei por uma unidade de sa\u00fade p\u00fablica onde mulheres gr\u00e1vidas, crian\u00e7as e idosos, estes com apar\u00eancias de 70 a 80 anos se espremiam em longas filas na porta principal da entrada para receber a mesma vacina que, para os pobres coitados sem dinheiro, chega em lotes racionados.<\/p>\n<p>A aberra\u00e7\u00e3o mais gritante e do\u00edda desta cena do centro do SUS \u00e9 a humilha\u00e7\u00e3o em que grande parte dos brasileiros \u00e9 submetida para conseguir a esmola de um peda\u00e7o de p\u00e3o do Bolsa Fam\u00edlia, um rem\u00e9dio, uma consulta m\u00e9dica, um documento, uma matr\u00edcula escolar, um t\u00edtulo obrigat\u00f3rio de eleitor para votar nos mesmos ou um servi\u00e7o social qualquer do governo.<\/p>\n<p>Saindo de longe, muitos chegam um dia antes, no meio da noite ou na madrugada e \u201cdormem\u201d no ch\u00e3o dos locais de atendimento. Como as senhas s\u00e3o regradas e o servi\u00e7o de p\u00e9ssima qualidade, boa parte retorna para suas casas sem nada resolvido e come\u00e7a a mesma peregrina\u00e7\u00e3o no outro dia, como na mitologia grega onde Sis\u00edfio \u00e9 condenado a passar a vida rolando uma pedra morro acima.<\/p>\n<p>Nas filas humilhantes, degradantes e medievais, batem o cansa\u00e7o, a sede e a e a fome, mas ainda assim sobra tempo para rezar. Muitos choram e outros brigam com seus semelhantes para pegar uma senha numerada que tem limite. Quase sempre a pol\u00edcia armada \u00e9 acionada pelo pr\u00f3prio poder p\u00fablico para bater e controlar a confus\u00e3o. Na \u00e2nsia de ser atendido, o pr\u00f3prio pobre desassistido se vira contra o outro para obter o benef\u00edcio.<\/p>\n<p>De tanto tempo de espera, a maioria dos idosos n\u00e3o consegue ficar em p\u00e9, mas ningu\u00e9m ali desiste de ir at\u00e9 o fim, mesmo com tamanha humilha\u00e7\u00e3o. Depois de luta e sacrif\u00edcio, as pessoas, movidas pela f\u00e9 e pela esperan\u00e7a, saem daquele ambiente infernal com as m\u00e3os postas para o alto agradecendo a Deus por ter conseguido chegar l\u00e1, prontas para enfrentar outra a\u00e7\u00e3o humilhante imposta pelos governantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds visceralmente desigual, de uma humilha\u00e7\u00e3o de doer at\u00e9 mesmo ao mais empedernido cora\u00e7\u00e3o. Duas cenas mais recentes, em Vit\u00f3ria da Conquista, s\u00f3 para localizar a situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 geral em todo territ\u00f3rio brasileiro, nos d\u00e3o a dimens\u00e3o da total exclus\u00e3o social. 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