{"id":1475,"date":"2016-04-07T23:32:36","date_gmt":"2016-04-08T02:32:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1475"},"modified":"2016-04-07T23:32:44","modified_gmt":"2016-04-08T02:32:44","slug":"conteudo-apuracao-e-tendencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/04\/07\/conteudo-apuracao-e-tendencia\/","title":{"rendered":"CONTE\u00daDO, APURA\u00c7\u00c3O E TEND\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"<p>\u201cOs processos de comunica\u00e7\u00e3o de massa, com suas estruturas de controle interno, assim como seu papel de apoio aos neg\u00f3cios e aos sistemas pol\u00edticos, s\u00e3o t\u00e3o eficazes que dispensam os tanques dos regimes ditatoriais. A propaganda est\u00e1 para a democracia assim como a tortura e a repress\u00e3o est\u00e3o para os regimes totalit\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>O coment\u00e1rio \u00e9 do comunic\u00f3logo e fil\u00f3sofo Aran Noan Chomiskv que precisa ser refletido e debatido nos dias atuais do nosso Brasil de crise pol\u00edtica, econ\u00f4mica e moral onde os partidos ditos de esquerda, artistas e intelectuais taxam a m\u00eddia de um modo geral de \u201cgolpista e tendenciosa\u201d, tirando ai, \u00e9 claro, a generaliza\u00e7\u00e3o e os exageros de quem defende a perman\u00eancia do poder a qualquer custo.<\/p>\n<p>A liberdade de imprensa tem que ser defendida e n\u00e3o deve morrer nunca, mas, exige-se tamb\u00e9m que os autores e usu\u00e1rios dela tenham responsabilidade. Sempre digo que o direito \u00e0 liberdade de imprensa acaba quando n\u00e3o se tem \u00e9tica, moral e responsabilidade.<\/p>\n<p>Bem, toda esta introdu\u00e7\u00e3o foi para dizer que no dia 7 de abril se \u201ccomemora\u201d o Dia do Jornalista, conforme estabelecido pelos sindicatos da categoria e pela Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas. Antes de qualquer outra discuss\u00e3o, at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo se homenageava a data com reportagens, entrevistas, eventos, semin\u00e1rios, pain\u00e9is e encontros, mas ontem (dia 7), houve apenas algumas cita\u00e7\u00f5es. Tem-se uma sensa\u00e7\u00e3o de decad\u00eancia e desvaloriza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o, especialmente ap\u00f3s o advento da internet.<\/p>\n<p><!--more--> Jornal de papel (muitos n\u00e3o gostam deste termo), boletins, revistas e outros impressos, juntos com o r\u00e1dio e a televis\u00e3o, esta a partir dos anos 50 do s\u00e9culo XX, eram considerados ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o de massa quando se lia e ouvia bem mais, e o n\u00edvel de cultura abrangia mais gente no pa\u00eds. Nos \u00faltimos 30, 40 anos, a qualidade do ensino escolar caiu e, no meio disso, surgiram a internet e as redes sociais que contribu\u00edram mais ainda para que o jornal impresso deixasse de ser ve\u00edculo de massa.<\/p>\n<p>O mundo tecnol\u00f3gico dos meios eletr\u00f4nicos fascinou tamb\u00e9m as reda\u00e7\u00f5es e multid\u00f5es, introduzindo inova\u00e7\u00f5es visuais, ilustra\u00e7\u00f5es e recursos iconogr\u00e1ficos, que foram bons mecanismos para os leitores, mas, infelizmente, as empresas esqueceram-se de refor\u00e7ar o conte\u00fado e a qualidade das not\u00edcias e das informa\u00e7\u00f5es com um corpo competente de recursos humanos, mesmo com a chegada das faculdades de Comunica\u00e7\u00e3o em Jornalismo nos anos 60 e 70.<\/p>\n<p>Estudiosos, professores e estudantes \u201cprofetizaram\u201d o fim do impresso, mas n\u00e3o foi isso o que aconteceu at\u00e9 agora passados quase 20 anos, embora os jornais e revistas tenham sofrido grande queda nas vendas e no n\u00famero de seus leitores. Em minha opini\u00e3o, o que pode sustentar este segmento jornal\u00edstico \u00e9 o conte\u00fado e a qualidade na apura\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias feitas, comprometidas, acima de tudo, com a informa\u00e7\u00e3o correta das investiga\u00e7\u00f5es ou do factual, sem tend\u00eancia e partidarismo, sen\u00e3o caem no total descr\u00e9dito e viram m\u00e1quinas ditatoriais e da repress\u00e3o.<\/p>\n<p>O jornalismo impresso n\u00e3o pode tentar imitar de forma alguma as emissoras, blogs e as redes sociais, sen\u00e3o entram no rid\u00edculo da not\u00edcia e perdem a credibilidade, como vem ocorrendo. Atualmente temos uma grande car\u00eancia de bons profissionais e empresas comprometidas com a sociedade e a opini\u00e3o p\u00fablica. Sente-se muito isso nas divulga\u00e7\u00f5es das mat\u00e9rias e reportagens que deixam a desejar em termos de informa\u00e7\u00f5es recebidas.<\/p>\n<p>Preservando-se a liberdade de express\u00e3o da m\u00eddia, n\u00e3o se pode negar que ainda hoje existem ve\u00edculos (impresso e rede de televis\u00e3o e r\u00e1dio) que continuam e sempre v\u00e3o continuar tendenciosos. O que se deduz \u00e9 que eles j\u00e1 nasceram com esse DNA, sem contar o oligop\u00f3lio que tanto enfraquece a t\u00e3o sonhada democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto a quest\u00e3o do conte\u00fado propriamente dito, a impress\u00e3o que se tem \u00e9 que o ensino das faculdades pouco ajudou na melhora do n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o das mat\u00e9rias. Outro fator negativo \u00e9 a acomoda\u00e7\u00e3o premeditada das empresas, ou at\u00e9 mesmo a incompet\u00eancia dos chefes de reportagem, editores e redatores que dirigem e \u201corientam\u201d os rep\u00f3rteres.<\/p>\n<p>M\u00cdDIA REGIONAL<\/p>\n<p>Dito tudo isso, no caso regional de Vit\u00f3ria da Conquista, esperava-se que o notici\u00e1rio jornal\u00edstico fosse melhorar de qualidade com a cria\u00e7\u00e3o, em 1998, (se n\u00e3o me engano) do curso de Comunica\u00e7\u00e3o em Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, mas, n\u00e3o foi isso o que aconteceu. Na verdade, o nosso jornalismo local caiu de produ\u00e7\u00e3o e qualidade, inclusive com a chegada dos in\u00fameros blogs que substitu\u00edram os quase 20 jornais impressos a partir do ano 2000.<\/p>\n<p>A estrutura de recursos humanos e financeiros dos nossos ve\u00edculos locais continua prec\u00e1ria. Tudo leva a crer que tudo isso seja o cerne da quest\u00e3o. A pr\u00f3pria Uesb e as faculdades particulares poderiam realizar um estudo mais profundo para detectar se essa afirma\u00e7\u00e3o minha \u00e9 verdadeira, e sendo, quais outros fatores contribu\u00edram para a queda do nosso jornalismo regional.<\/p>\n<p>Para resumir, cito aqui exemplos de mat\u00e9rias truncadas e incompletas que deixaram de preencher os requisitos b\u00e1sicos do que se aprende nas escolas de jornalismo, que s\u00e3o responder \u00e0s perguntas \u201cO qu\u00ea, Quem, Quando, Como, Por que\u201d e outros itens importantes. Noticia-se que um homem malvado cortou as unhas de uma Pregui\u00e7a (o factual), mas n\u00e3o se faz uma entrevista com o autor do atentado para, pelo menos perguntar por que e para qu\u00ea ele fez aquilo. Muita gente ficou indagando: Por que o cara fez isso?<\/p>\n<p>Outro fato foi de uma crian\u00e7a que morreu na zona rural ap\u00f3s extrair um dente. N\u00e3o se entrevistou os pais, o dentista e o que houve com a v\u00edtima depois de ter passado mais de uma semana na ro\u00e7a ap\u00f3s a extra\u00e7\u00e3o do dente. Al\u00e9m de erros nos textos dos impressos baianos como \u201cos passageiros do interior do avi\u00e3o\u201d (Outros estavam voando fora da aeronave?), os lides s\u00e3o mal constru\u00eddos.<\/p>\n<p>Outro grande pecado dos nossos ve\u00edculos locais \u00e9 que no lugar de concentrarem o notici\u00e1rio nos fatos e acontecimentos regionais, d\u00e3o muitas mat\u00e9rias nacionais e at\u00e9 internacionais que j\u00e1 foram ou v\u00e3o ser divulgadas momentos depois pelas grandes redes e emissoras.<\/p>\n<p>Muitas pautas s\u00e3o constru\u00eddas com base no que j\u00e1 ocorreu no \u00e2mbito nacional, sem contar que reproduzem muito notici\u00e1rio requentado. A comunidade anseia por mais not\u00edcia da sua aldeia local, o chamado jornalismo alternativo, e n\u00e3o sobre o que aconteceu ou est\u00e1 acontecendo em outros estados ou no exterior. Por fim, como no Brasil atual em todos os n\u00edveis, o nosso jornalismo tamb\u00e9m necessita de mais imagina\u00e7\u00e3o e criatividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOs processos de comunica\u00e7\u00e3o de massa, com suas estruturas de controle interno, assim como seu papel de apoio aos neg\u00f3cios e aos sistemas pol\u00edticos, s\u00e3o t\u00e3o eficazes que dispensam os tanques dos regimes ditatoriais. A propaganda est\u00e1 para a democracia assim como a tortura e a repress\u00e3o est\u00e3o para os regimes totalit\u00e1rios\u201d. 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