{"id":1466,"date":"2016-04-05T22:39:35","date_gmt":"2016-04-06T01:39:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1466"},"modified":"2016-04-05T22:39:41","modified_gmt":"2016-04-06T01:39:41","slug":"negramafricamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/04\/05\/negramafricamente\/","title":{"rendered":"&#8220;NEGRAMAFRICAMENTE&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Das m\u00e3os do amigo e professor Itamar Aguiar li o livro de poesias \u201cNegramafricamente\u201d do companheiro Franklin Maxado em que, segundo ele mesmo, foi dedicado \u00e0 mulher negra. Depois de passar em 1977 pelo Conselho Estadual de Cultura do Estado da Bahia, que indeferiu o pedido de ajuda por considerar uma deprecia\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher pelo erotismo de seus versos, e outras editoras, a obra s\u00f3 foi publicada em 1995 com a colabora\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Feira de Santana.<\/p>\n<p>O poeta Franklin homenageia e oferece o livro \u00e0 beleza feminina, especialmente da mulher negra, \u00e0 ra\u00e7a negra, \u00e0 m\u00e3e preta, \u00e0 \u00c1frica, \u00e0 umbanda, aos poetas da \u201ccacimba\u201d, aos poetas marginais, alternativos e independentes, aos intelectuais, aos poetas cordelistas, Jo\u00e3o Ramos, Jo\u00e3o Barros, Bule-Bule e muitos outros.<\/p>\n<p>A mulher negra ou mulata \u00e9 o objeto dos seus versos, cita Cl\u00f3vis Moura em \u201cAnota\u00e7\u00f5es sobre Franklin Maxado\u201d. Em sua cr\u00edtica, diz que Franklin cai no descritismo vaginal. \u201cAi, me parece, \u00e9 onde o poeta tem menos for\u00e7a, n\u00e3o sei se porque h\u00e1 o eterno disfar\u00e7ar-se por pudor, no descrever o ato sexual, ou porque o autor n\u00e3o se encontrou po\u00e9tica e\/ou psicologicamente ajustado nesses momentos ao n\u00edvel de transform\u00e1-los em poesia. Isto, por\u00e9m, n\u00e3o invalida o conjunto do seu trabalho\u201d.<\/p>\n<p><!--more--> Como o pr\u00f3prio autor escreve no livro, Clovis transcreve o verso \u201c por que ser\u00e1 que te amo!?\/ser\u00e1 teu peito que mamei, crian\u00e7a!?\/ ser\u00e1 teu h\u00edmem que arranquei, patr\u00e3o!?ser\u00e1 teu colo em que me refugiei, ad\u00faltero!?ser\u00e1 teu sangue que derramei, feitor!? ser\u00e1 tua cor que me enfeiti\u00e7a, not\u00edvago!?<\/p>\n<p>Num dos seus poemas, Franklin escreve \u201ca lei \u00e1urea apenas\/libertou a escravid\u00e3o\/ para os guetos, favelas, palafitas\/ mocambos, cabanas, malocas e barracos\/onde n\u00e3o pode haver arco-\u00edres\/ pois o negro continua sujo\u201d. Ai Clovis comenta que a palavra \u201cnegro sujo\u201d aqui, \u00e0 primeira vista, poder\u00e1 parecer rebarbativa e mal empregada porque pode confundir-se com a forma pejorativa como \u00e9 usada pelos brancos racistas: \u201cnegro sujo\u201d. No entanto, o que o poeta pretendeu foi se referir \u00e0 sujeira da mis\u00e9ria, da marginaliza\u00e7\u00e3o social e n\u00e3o a uma qualidade negativa.<\/p>\n<p>Em sua obra, o autor fala tamb\u00e9m de Cuba \u201ce ilha sempre \u00e9 ref\u00fagio.\/ nessa cuba, a vida nova\/fermenta e ferve\/como nas usinas de a\u00e7\u00facar.\/ a am\u00e9rica latina\/cobra, cobre e cuba\u201d. Descreve em seus versos o Nordeste, a Lei \u00c1urea; homenageia Cachoeira, S\u00e3o Felix, Feira de Santana, a Bahia de Todos os Santos; e n\u00e3o deixou de fora Santo Amaro, de Caetano, e Recife, de Ariano Suassuna. De Itabuna ele soltou o verbo \u201coh, mas como fugir do mist\u00e9rio\/quando este se chama itabuna\/e quando existe uma negra mulher\/ que nos envolve em seu petrume\u201d.<\/p>\n<p>Quando diz em \u201cNoite \u00e9 Negra\u201d \u201cquero a noite\/ quero a negra\/porque fugindo do frio\/e do mundo,\/me agasalho\/em teu colch\u00e3o\/num amor de prazer\u201d, talvez ai o Conselho de Cultura tenha enxergado o motivo pelo qual negou ajuda para publica\u00e7\u00e3o do seu trabalho. E mais em Mat\u00e9ria Metaf\u00edsica: \u201csinto-o (amor) quando abra\u00e7o na noite\/ a negra dentro da escurid\u00e3o. nada vejo\/tateio s\u00f3 o amor\/e&#8230;penetro no mist\u00e9rio. te picham\/por seres de pixe\/e teres pentelhos\/PIXAIM\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 de se lamentar que o jovem poeta Franklin Machado n\u00e3o use o seu talento, a sua voca\u00e7\u00e3o definitiva de escritor, os recursos da sua educa\u00e7\u00e3o superior a servi\u00e7o de outros ideais que n\u00e3o o seu obstinado erotismo que chega a sufocar os bons momentos, de boa poesia n\u00e3o raros no seu livro\u201d \u2013 destacou o Conselho em sua an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0s considera\u00e7\u00f5es e pondera\u00e7\u00f5es sobre seu livro, Franklin respondeu que, quanto ao impublic\u00e1vel, \u201cs\u00f3 devo dizer que Jorge Amado, um dos maiores escritores da Bahia e do Brasil, escreve muito mais er\u00f3tico ou realista do que eu\u201d. Uma coisa \u00e9 julgar e outra \u00e9 decidir com os nossos preconceitos \u2013 desabafou o autor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Das m\u00e3os do amigo e professor Itamar Aguiar li o livro de poesias \u201cNegramafricamente\u201d do companheiro Franklin Maxado em que, segundo ele mesmo, foi dedicado \u00e0 mulher negra. Depois de passar em 1977 pelo Conselho Estadual de Cultura do Estado da Bahia, que indeferiu o pedido de ajuda por considerar uma deprecia\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher pelo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1466"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1466"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1466\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1467,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1466\/revisions\/1467"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}