{"id":1452,"date":"2016-03-26T00:11:10","date_gmt":"2016-03-26T03:11:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/?p=1452"},"modified":"2016-03-26T00:11:16","modified_gmt":"2016-03-26T03:11:16","slug":"avalanche-de-odio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aestrada.com.br\/v1\/2016\/03\/26\/avalanche-de-odio\/","title":{"rendered":"AVALANCHE DE \u00d3DIO"},"content":{"rendered":"<p>Blog Refletor \u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p>Indica\u00e7\u00e3o de Itamar Aguiar<\/p>\n<p>Orlando Senna:<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Uma nova modalidade de guerra, que antep\u00f5e o cl\u00e1ssico embate entre ex\u00e9rcitos a a\u00e7\u00f5es mort\u00edferas e aterrorizantes de pessoas ou pequenos grupos que matam civis (onde se inclui homens-bombas, carros-bombas, casas-bombas), est\u00e1 convulsionando o mundo. Uma modalidade com poder de destruir alvos em qualquer lugar dos Estados Unidos (11 de setembro) e da Europa (je suis Bruxelles, je suis Paris, je suis Madrid). O ingrediente mais forte \u00e9 a religi\u00e3o, \u00e9 a \u201cguerra entre civiliza\u00e7\u00f5es\u201d, situa\u00e7\u00e3o negada at\u00e9 pouco tempo por muita gente e que agora se mostra como uma pavorosa realidade.<\/p>\n<p>Alguns ingredientes das guerras tradicionais est\u00e3o presentes, como petr\u00f3leo, territ\u00f3rio, ind\u00fastria b\u00e9lica, mas em segundo plano, j\u00e1 que o epicentro do conflito \u00e9 a cultura, \u00e9 o fosso filos\u00f3fico e comportamental entre Ocidente e Oriente jamais solucionado, um c\u00e2nion que divide a humanidade \u2014 apesar de Jesus Cristo, que construiu uma ponte mas sabia que ela n\u00e3o ia funcionar, \u201cn\u00e3o vim trazer paz \u00e0 Terra, mas a espada, a divis\u00e3o\u201d. Vivemos um tempo em que valores ditos universais perdem o sentido, conceitos se invertem, palavras passam a significar o que antes era seu contr\u00e1rio, em que \u201cepicentro\u201d deixa de ter conota\u00e7\u00e3o espacial para ser temporal. O que me lembra Jorge Luis Borges, para quem os verdadeiros labirintos s\u00e3o no tempo.<\/p>\n<p>Enfim, a sanha homicida\/suicida do ser humano est\u00e1 alcan\u00e7ando um dos n\u00edveis mais altos em sua hist\u00f3ria de, pelo menos, 50 mil\u00eanios. E a isso se soma (ou tem a ver, quem sabe) com os espasmos geol\u00f3gicos, as mudan\u00e7as e ajustes do planeta que se aquece enquanto voa em dire\u00e7\u00e3o a uma nova era glacial. Um cen\u00e1rio apocal\u00edptico. No momento a guerra acontece nos Estados Unidos, Europa, Oriente M\u00e9dio e alguns pontos da \u00c1frica.<!--more--><\/p>\n<p><u>Primavera latino-americana<\/u><\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina n\u00e3o foi alcan\u00e7ada diretamente por essa guerra mas est\u00e1 imersa no cen\u00e1rio dantesco da atualidade, principalmente pelo que est\u00e1 ocorrendo no Brasil, nona economia do mundo, maior economia e maior pa\u00eds da regi\u00e3o. A partir do ano 2000 a Am\u00e9rica Latina conheceu um fluxo de renova\u00e7\u00e3o e progresso humano intenso, com a inclus\u00e3o social de milh\u00f5es de pessoas, com pol\u00edticas p\u00fablicas focadas na eleva\u00e7\u00e3o da qualidade de vida das popula\u00e7\u00f5es carentes, com uma in\u00e9dita expans\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>Mas a dicotomia direita\/esquerda foi tamb\u00e9m se elevando pouco a pouco at\u00e9 chegar a um grau de bestialidade. Por a\u00e7\u00f5es externas, como press\u00f5es econ\u00f4micas e a m\u00eddia internacionalizada, e tamb\u00e9m por debilidades de governos de esquerda que comandavam essa primavera latino-americana, a direita avan\u00e7ou como um tuf\u00e3o. Uruguai e Bol\u00edvia resistem, mas um golpe derrubou Fernando Lugo no Paraguai, o kirchnerismo perdeu o governo da Argentina, o bolivarismo perde terreno na Venezuela e Equador e o Brasil sofre sua mais grave crise pol\u00edtica desde o golpe de 1964.<\/p>\n<p><u>Gigante em chamas<\/u><\/p>\n<p>Os poderes constitucionais brasileiros travam uma batalha sem tr\u00e9guas. O Executivo, o Legislativo e o Judici\u00e1rio j\u00e1 n\u00e3o conformam os tr\u00eas pilares que, harmonicamente, sustentam a democracia. O Executivo fragilizado, sitiado e perdendo popularidade progressivamente. O Legislativo com apetite por golpes de estado. Muitos pol\u00edticos, de todos os partidos, envolvidos com a hom\u00e9rica corrup\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m incide (e destr\u00f3i por dentro) nas maiores empresas nacionais. A classe m\u00e9dia ocupa as ruas, aos milh\u00f5es, pedindo o fim do governo do Partido dos Trabalhadores e do lulismo e com palavras-de-ordem conservadoras, muitas de extrema direita. O Judici\u00e1rio, que era a esperan\u00e7a dos brasileiros no in\u00edcio da crise, porque podia acabar com a corrup\u00e7\u00e3o que est\u00e1 na raiz da conflagra\u00e7\u00e3o, desandou com ju\u00edzes vinculados a partidos dando ou negando liminares, com ju\u00edzes agindo contra as leis, com ministros do Supremo Tribunal denunciando ju\u00edzes de inst\u00e2ncias inferiores que n\u00e3o seguem a Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mais triste de tudo \u00e9 que o \u00f3dio, esse sentimento condenado nos livros sagrados de todas as religi\u00f5es e que pontifica na guerra cultural que estremece o hemisf\u00e9rio norte, \u00e9 o componente mais ativo na conflagra\u00e7\u00e3o brasileira. Os posicionamentos pol\u00edticos dividem fam\u00edlias, transforma amigos em inimigos em um piscar de olhos, irm\u00e3o deixa de ser irm\u00e3o, casais se separam porque n\u00e3o comungam as mesmas ideologias.<\/p>\n<p>E tudo com muita raiva, logo no Brasil que sempre se quis ver como um pa\u00eds cordial, amistoso e alegre. E que assim ainda \u00e9 visto por pessoas que n\u00e3o est\u00e3o testemunhando, in loco, o que est\u00e1 acontecendo ao redor do Cristo Redentor. Vamos cantar uma can\u00e7\u00e3o de Nelson Ned: \u201ctudo passa, tudo passar\u00e1\u201d. Ou, talvez, sem pessimismo ou otimismo, lembrar de um sucesso de Doris Day em um filme de Hitchcock: \u201cque ser\u00e1, ser\u00e1, whatever will be, will be\u201d.<\/p>\n<p>Por Orlando Senna<\/p>\n<p><strong>Coment\u00e1rio: <\/strong><\/p>\n<p>Mais um artigo de Orlando, uma an\u00e1lise equilibrada, mesmo em tempos como ele mesmo diz, de profunda divis\u00e3o entre brasileiros unidos por la\u00e7os culturais, supostamente, indissol\u00faveis. Mas, al\u00e9m disso, n\u00e3o arisco outro coment\u00e1rio, h\u00e1 n\u00e3o ser perguntar: Quem s\u00e3o os verdadeiros respons\u00e1veis por tal situa\u00e7\u00e3o? Os Governantes e seus conluios com outros segmentos, principalmente, empresariais e pol\u00edtico? Quem tem transformado o Brasil em uma Republica Cleptocr\u00e1tica? A quem, ou quais segmentos da sociedade, as decis\u00f5es de Governo nos \u00faltimos 20 anos tem servido?\u00a0 Poder\u00edamos elencar um n\u00famero enorme de outras perguntas, mas, por enquanto, estas devem provocar reflex\u00e3o de muitos sobre o tema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Blog Refletor \u00a0TAL-Televisi\u00f3n Am\u00e9rica Latina Indica\u00e7\u00e3o de Itamar Aguiar Orlando Senna:\u00a0 Uma nova modalidade de guerra, que antep\u00f5e o cl\u00e1ssico embate entre ex\u00e9rcitos a a\u00e7\u00f5es mort\u00edferas e aterrorizantes de pessoas ou pequenos grupos que matam civis (onde se inclui homens-bombas, carros-bombas, casas-bombas), est\u00e1 convulsionando o mundo. 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